4 de junho de 2026

Petrobras precisa retomar protagonismo em leilões do pré-sal

Ineep e FUP alertam que participação da estatal nos processos tem sido cada vez mais tímida, viabilizando controle estrangeiro
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O posicionamento mais discreto da Petrobras nos leilões do pré-sal tem preocupado representantes do setor, seja por conta de participações limitadas ou por meio de consórcios com outras petroleiras, muitas delas estrangeiras.

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Esse posicionamento fica evidente na sessão pública do 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). O edital contemplava inicialmente 13 blocos exploratórios, mas apenas sete blocos receberam declarações de interesse por parte das petroleiras habilitadas.

A Petrobrás exerceu seu direito de preferência em apenas um bloco, Jaspe, na Bacia de Campos, assegurando a condição de operadora com participação de 40%.  Nos outros seis blocos, a Petrobrás optou por não exercer o direito de preferência, abrindo espaço para que as demais 14 petroleiras habilitadas, em sua maioria multinacionais, possam disputar essas áreas.

Em documento conjunto, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) manifestam preocupação com o posicionamento mais tímido da estatal.

“Essa baixa presença da Petrobrás representa grave ameaça à soberania e à segurança energética nacional, uma vez que o pré-sal continua sendo uma das regiões mais promissoras e estratégicas do Brasil”, destaca o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Segundo ele, o pré-sal deve ser tratado como patrimônio estratégico do país e precisa seguir uma visão de Estado, de longo prazo, orientada pelo interesse público e voltada ao fortalecimento da Petrobrás e ao desenvolvimento nacional, e não subordinada aos interesses imediatos do mercado ou de grandes corporações estrangeiras.

Entre 2017 e 2023, oito blocos do pré-sal foram arrematados sem a participação da Petrobrás, o que representa enfraquecimento do papel da empresa na gestão das atividades exploratórias no Brasil e, em especial, no pré-sal.

Entre 2013 e 2023, foram leiloados 24 ativos sob o regime de partilha de produção no pré-sal. Desse total, a Petrobrás adquiriu sozinha apenas três, e nos demais 13 ativos em que atua como operadora, a estatal possui parcerias com multinacionais privadas e estatais.

“Somente com uma Petrobras forte e atuante, alinhada ao interesse público, conduzindo diretamente a exploração do pré-sal, será possível transformar o potencial energético e financeiro do pré-sal em ganhos concretos para o Brasil, assegurando autossuficiência, soberania energética e desenvolvimento econômico e social do país”, afirma o comunicado.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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