O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã já se faz sentir na movimentação dos mercados de commodities, em especial nos preços do petróleo e do ouro.
Segundo a CNN norte-americana, os preços do petróleo atingiram seus maiores níveis em quase sete meses (os contratos futuros para o petróleo Brent com vencimento em abril/2026 eram negociados a US$ 71,92, alta de 2,23%), ao passo que o ouro ultrapassou a marca psicológica de US$ 5.000 por onça.
Esse comportamento está ligado à chamada “avaliação de risco geopolítico”: quanto maior a chance de confrontos, maior tende a ser o preço das commodities que podem sofrer uma interrupção de oferta ou que são procuradas como proteção contra perdas em mercados de risco.
Um dos pontos que fundamenta essa percepção do mercado é o Estreito de Ormuz, região por onde cerca de 20% do petróleo mundial é transportado, e que recentemente foi fechado pelo Irã para exercícios militares.
Qualquer indicativo de distúrbio nessa região é capaz de gerar um choque imediato de oferta, e os preços começaram a incorporar tal hipótese por meio de um ajuste acima de 4% nos preços na quarta-feira, seguido por outro movimento de alta nesta quinta-feira.
Ao mesmo tempo, o aumento do preço da onça do ouro é um sinal de que os investidores começaram a remanejar recursos para setores menos sensíveis à volatilidade do mercado acionário.
Pelo lado econômico, uma movimentação mais brusca dos preços do petróleo afeta os custos de energia, margens corporativas e podem inclusive gerar pressão inflacionária em diversos países – o que acaba comprometendo decisões de política monetária.
Enquanto isso, as conversas entre EUA e Irã continuam a preocupar analistas, principalmente depois que representantes norte-americanos destacaram a rejeição das chamadas “linhas vermelhas” pelos iranianos, o que aumenta as chances de uma escalada militar ou intensificação das tensões.
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