1 de julho de 2026

Por que o ajuste fiscal não leva ao crescimento

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Do Brasil Debate

É com grande preocupação que vemos a maioria dos economistas posicionando-se favorável a um forte ajuste fiscal em um contexto no qual a economia brasileira corre sério risco de crescer a uma taxa bem próxima de zero. O consenso é de que o governo precisa cortar gastos para ajustar as contas públicas.

Há ainda aqueles que afirmam que apenas a diminuição dos gastos seria insuficiente – um aumento da carga tributária, dessa forma, não deveria ser descartado.

Um ajuste que implique corte dos gastos públicos e aumento dos impostos, ao contrário do que afirmam a maioria dos economistas, não conduzirá a economia ao crescimento, e por isso, não resolverá o problema do déficit fiscal.

A explicação é simples: uma redução dos gastos públicos em um ambiente recessivo significa uma demanda agregada menor, e pelo princípio da demanda efetiva, uma queda da demanda agregada desestimula a atividade econômica, resultando em menores taxas de crescimento do produto.

Dessa maneira, o problema do déficit fiscal pode não ser resolvido, mas agravado, já que as receitas fiscais são pró-cíclicas, ou seja, dependem diretamente do nível de atividade econômica.

O argumento pode ser resumido da seguinte forma: em tempos de baixo crescimento econômico, esforços na manutenção de contas públicas saudáveis podem gerar um resultado exatamente oposto ao esperado, reforçando ainda mais a tendência de queda da trajetória da economia.

Ajuste inevitável?

O artigo de Franklin Serrano, “Cinco dúvidas sobre o ajuste fiscal” , questiona as bases dos argumentos que defendem a inevitabilidade de um ajuste fiscal.

Dentre esses argumentos, estão os três seguintes:

1. Déficit público é sempre ruim, por isso o governo deve ser sempre superavitário. Como foi argumentado acima, a realização de fortes superávits públicos em contextos de baixo crescimento é a pior decisão que um governo pode tomar. Resultados fiscais devem ser administrados para controlar o nível da demanda agregada da economia e, por isso, os resultados são “bons” ou “ruins” dependendo das circunstâncias.

2. O  ajuste fiscal reduz a taxa de juros e conduz a economia ao crescimento. Para seus defensores, a redução da taxa de juros via ajuste fiscal pode ser explicada de duas formas: a) o aumento da poupança pública representaria um aumento da oferta de recursos reais frente a demanda pelos mesmos, e b) um menor nível de demanda agregada diminuiria a pressão sobre os preços, gerando espaço para a queda da taxa de juros. Dessa maneira, com taxas de juros menores, argumentam que o investimento aumentaria, gerando maior crescimento econômico.

Tais mecanismos são, no entanto, questionáveis. Por um lado, a taxa de juros é uma variável determinada pela política econômica, e não o preço que equilibraria a oferta e a demanda de poupança.

Por outro lado, a queda da demanda agregada pode, de fato, diminuir a pressão sobre os preços, mas também afeta negativamente a atividade econômica.

Quanto à influência da queda da taxa de juros no crescimento, não há como afirmar que a simples queda do custo do investimento privado garantiria sua expansão.

O aumento da capacidade produtiva depende em grande medida das expectativas futuras de rentabilidade, e não apenas dos custos envolvidos. Empresário só investe se achar que haverá demanda. É nesse sentido que se faz determinante o papel do gasto público no estímulo à demanda agregada.

3.  O governo do país pode quebrar por causa da dívida interna. Esse ponto é discutível na medida em que não há acordo sobre qual seria o limite sustentável da dívida pública brasileira. De qualquer forma, se levarmos o argumento ao extremo, poderíamos afirmar que o governo do país não pode quebrar porque emite a dívida pública denominada em sua própria moeda, o que tornaria seu risco de inadimplência próximo de zero.

Dessa maneira, a realização de um ajuste fiscal em um contexto de baixo crescimento pode agravar ainda mais a situação presente. Se o clamor por contas públicas saudáveis deve existir, que seja feito no momento apropriado.

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  1. Rui Daher

    12 de novembro de 2014 10:49 am

    Sei não,

    Sr. Serrano, mas os argumentos expostos nos últimos artigos do Delfim e do Nakano parecem muito mais sólidos. Os resultados de 2014 mostram forte deterioração nas contas públicas e, mais, o ajuste fiscal não implica descontinuar os investimentos produtivos sustentados por uma demonstração do governo aos empresários de retomada do controle da economia.

    1. Claudio Soares de Sousa

      12 de novembro de 2014 12:30 pm

      Na realidade, temos um

      Na realidade, temos um problema crucial, não mencionado, que é o grande déficit em transações correntes do balanço de pagamentos, o que nos obriga a praticar altas taxas de juros reais de modo a gerar superávits na conta de capitais, que cubram aquele déficit e mantenham razoavelmente estável a taxa de câmbio. Esta, sim, é a variável chave no controle do patamar inflacionário. Se a SELIC fosse mero instrumento de política monetária, teríamos deflação sistemática na economia brasileira. A bem da verdade, nenhum país importante mantém juros básicos em níveis tão elevados por tanto tempo e ainda assim apresenta inflação de 6,5% aa (inexiste, pois, correlação empiricamente observável entre uma e outra). Demanda agregada superaquecida, pressionando os custos de uma capacidade produtiva plenamente ocupada, é outra situação muitíssimo distante da realidade atual da economia brasileira, que está praticamente estagnada ou com crescimento do produto, da renda, pífio. Portanto, falar em austeridade fiscal como panaceia para retomada dos ivestimentos e do crescimento, com todo respeito, é, sim, desconhecimento dos processos econômicos que se desenvolvem sob o princípio da DEMANDA EFETIVA. Má fé, quero crer que não seja o caso. Corte de despesas públicas combinada a aumento de tributos, em um contexto de estagnação, vai precipitar a economia em uma trajetória recessiva, de difícil reversão, em um momento em que a economia mundial (demanda externa) também se encontra desaquecida. A base de arrecadação vai ser afetada negativamente, visto que o desemprego se alastrará e os salários reais tenderão à queda. Sem perspectivas de expansão nos mercados interno e externo, as empresas não terão por que investir, preferindo as rentáveis aplicações financeiras, garantidas, lastreadas, em grande medida, pelo superávit fiscal obtido às custas do sacrifício da sociedade brasileira. Ao final, ganharão com tudo isso somente o sistema financeiro, seus ecomonistas, gestores de fundos e similares.

  2. Motta Araujo

    12 de novembro de 2014 10:55 am

    O ajuste fiscal EM SI não

    O ajuste fiscal EM SI não leva ao crescimento MAS cria o clima que atrai o investimento e é isso que faz o Pais crescer.

    Isso se sabe há 300 anos.

    1. Sidiney Ariano

      12 de novembro de 2014 1:34 pm

      Corte o pescoço dos “Cabeças de Planilhas”

      O que faz o país crescer são as pessoas e não a economia. Nós temos mais de 50 milhões de pessoas, 1/4 da populaçõa do Brasil na região Nordeste, que cresce mais que o resto do país, havidos por consumir e vem alguns “cabeça de planilhas” falar em ajuste fiscal, pqp.

  3. o mar da silva

    12 de novembro de 2014 10:59 am

    Os economistas do ‘mercado’,

    Os economistas do ‘mercado’, ou seja, pagospelo mercado, pode até afirmar que o ajuste é fundamental, mas o governo sabe pela própria experiência de Portugal, Espannha, Grécia, Itália e cia ltsa na Europa que essa receita está fadada ao retrocesso social e econômico. Caso siga os conselhos dos economistas pagos pelo ‘mercado’ não poderá dizer que não sabia o resultado. Nem precisa desenhar.

  4. Assis Ribeiro

    12 de novembro de 2014 11:00 am

    Juros altos e cortes de

    Juros altos e cortes de gastos é recessão

  5. Falcão

    12 de novembro de 2014 11:34 am

    Esse papo de economista

    Esse papo de economista sempre me faz relembrar o Tio Patinhas: cofre piscina cheio de dinheiro; sempre defendendo a moeda número um; e  uma pão duragem incrível. Sempre poupando e vivendo num ambiente miserável – Donald sempre pedindo dinheiro emprestado, os Metralhas sempre articulando golpes, o Gastão …o pato da sorte… Traduzindo: é o que os Economistas sempre pregam…poupar e viver feito um Patinhas pra nada…Investimentos…e povo…nem pensar. Eles, os Economistas, nunca estarão satisfeitos…o seu Deus “dinheiro” é tudo

  6. jossimar

    12 de novembro de 2014 11:53 am

    O economista é o único

    O economista é o único profissional que consegue transformar 2+2=3 para pobres e 2+2=5 para os ricos.

    Será que não estão vendo o resultado do que pregam na Europa?

    É burrice ou má fé?

    Ou para eles só os ricos interessam?

  7. Intrigado Deficitário

    12 de novembro de 2014 11:55 am

    O déficit no mundo capitalista “desenvolvido” está assim:

    EUA: – 7,8%

    Reino Unido: -5,7%

    França: -2,7%

    Alemanha: 0,9%

    Canadá: -3,9%

    Chile: 1,5%

    Mexico: -1%

    Itália: 0,8%

    China: -0,7%

    Brasil: 1,9% (o melhor da lista)

    Fonte “petista”: Globo / G1, dados de 2013,

    O Brasil, desde Lula, sempre aumentou o superávit até 2011, com exceção de uma queda em 2008 (crise), mas ainda assim positiva em 2%. Em 2012 e 2013 os superávits forma menores, mas também positivos em 2,4 e 1,9%.

    Notar que o pior valor da série Lula/Dilma é ~40% melhor que o recebido por FHC.

    Com a queda no mês passado, a oposicinha e sua míRdia tocam ensurdecedoras vuvuzelas para comemorar (e tentar eternizar) um indice negativo num mês, de um ano que ainda não terminou.

    É (só) isso.

  8. alfredo machado

    12 de novembro de 2014 11:59 am

    Conflitos permamnentes

    Nassif,

    As considerações são exatamente sobre o mesmo assunto, ajuste fiscal.

    No mesmo dia, um post com artigo do ótimo Yoshiaki Nakano e este outro no Brasil Debate, um para cima e outro para baixo, como pode ? Apenas uma certeza, um dos dois economistas acertará no seu ponto de vista.

    No Infomoney, matéria sobre este último recorde de produção da Petrobras classifica o resultado como extremamente decepcionante.

    É quase impossível avançar no debate, quando alguém se depara com tal quadro de informações conflitantes que só tem como mérito atrapalhar. 

  9. Henrique O. M. Reis Jr

    12 de novembro de 2014 12:10 pm

    Conheço o Franklin, ele foi

    Conheço o Franklin, ele foi meu orientador de monografia na UFRJ. Assim concordo com ele no ponto de que não pode haver crescimento sem demanda. O gasto autonômo puxa o crescimento. Ele também orientou a Julia Braga, uma brilhante economista e professora UFF. Eles escreveram juntos um artigo chamado “O mito da contração fiscal expansionista nos EUA durante o governo Clinton” (link abaixo). No artigo eles mostram que a contração fiscal no governo Clinton não implicou em queda da demanda pois “Nem o ajuste fiscal reduziu diretamente os juros nem a queda dos juros aumentou diretamente o investimento produtivo. (O crescimento econômico acelerado no governo Clinton) Longe de ser uma conseqüência automática do ganho de ‘credibilidade’ obtido pelo ajuste fiscal, a recuperação e o prolongado período de crescimento foram frutos do viés expansionista da política monetária.”

    Acredito (não conversei com o Franklin sobre isso) que o raciocínio dele seja o mesmo. Ou seja, a contração fiscal não é necessária para permitir uma queda do juros básicos nem existe uma relação direta entre juros e investimento, uma vez que o mecanismo de transmissão é juros -> crédito -> consumo autônomo -> investimento. Nesse sentido a contração fiscal sempre age no sentido de reduzir o crescimento e não aumentar. Ainda mais considerando que a maior parte dos gastos discricionários do governo são em investimento. Chamar o estado brasileiro de perdulário e achar que tem muito onde cortar é piada. Mesmo porque onde tem disperdício também tem direito adquirido logo passa pelo congresso e possivelmente pelo judiciário (vide pensões), logo não é no curto prazo.

    Dito isso, eu acredito que a defesa de economistas de viés keynesiano como José Oreiro, Yoshi Nakano, “Delfim Neto” e etc de um ajuste fiscal não deriva de uma necessidade de restaurar a confiança. E sim da visão de que não falta a economia brasileira demanda e sim acesso a demanda. Ou seja, a empresas industriais brasileiras não conseguem competir com os produtos industriais importados. Como a industria é o setor onde os ganhos de produtividade são mais intensos e que possui maior efeito de encademento, nós não podemos continuar a crescer sem dar competitividade a industria nacional. Para isso é necessário uma mudança de preços relativos dos bens não-comercilizáveis para os bens comercializaveis aumentando a rentabilidade dos investimentos nesses bens. Isso seria possível através de uma desvalorização cambial acompanhada de uma contração fiscal. A contração fiscal seria necessária para dar um choque de demanda de curto prazo na inflação de forma a compensar o choque de custos da desvalorização cambial e, ao mesmo tempo, impedir que a redução do salário real provocada pela desvalorização cambial seja compensada por reajustes salariais. Assim o ajuste fiscal objetivaria, no curto prazo, a mudança de preços relativos, porém, no longo prazo, argumentam estes economistas, o governo deveria continuar o ajuste de forma a aumentar do investimento público. Perceba que no longo prazo o ajuste não precisa ser contracionista, na verdade a política fiscal pode ser expancionista, mas o endividamento público seria para financiar gastos de capital e não gastos correntes. Aliás passando para o longo prazo, temos a questão da restrição externa, única restrição de oferta que uma economia enfrenta no longo prazo. Se continuarmos a crescer financiados pela exportação de produtos primários e de commodities industriais estaremos condenados a crescer menos do que nossos parceiros comerciais dos quais importamos produtos industriais de alta tecnologia e, portanto, de alta elasticidade-renda da demanda. Portanto, afirmam estes economistas, é necessário reativar nossa indústria

    Na cabeça do Delfim essa recomendação é antiga. Foi o mesmo diagnóstico ao qual ele chegou quando ocupou o cargo de ministro do planejamento durante o governo do Figueiredo. 

    Assim o consenso que envolve economistas ortodoxos e heterodoxos em relação ao ajuste fiscal não deriva dos três fatores citados pelo franklin no artigo acima. Eles explicam apenas as razões dos economistas ortodoxos. Não é nova essa defesa de menos gasto público entre os economistas ortodoxos afinal contração fiscal é o samba de uma notasó deles (que me perdoe Tom Jobim). Novo é o consenso envolver os heterodoxos. A razão disso está exposto acima. 

    Não posso me furtar de emitir a minha opnião: eu concordo com a contração fiscal acompanhada de desvalorização cambial. Mas para mim, a principal questão é como fazer o ajuste fiscal sem prejudicar o investimento público como aconteceu em 2011. Não podemos cair novamente na fábula de achar que é possível investir menos e ter maior efetividade do investimento via melhoria da qualidade dele. A busca pela qualidade no investimento público é necessária, mas nós não estamos na URSS na qual era possível se investir centenas bilhões ano após ano em projetos com baixo retorno social e econômico. Não creio que seja possível uma mudança estrutural na qualidade do investimento a ponto de podermos, por exemplo, cortar o investimento pela metade e mesmo asssim obtermos mais resultado. 

     

    Artigo do Franklin com a Julia: file:///C:/Users/Massena/Downloads/01_Serrano_Braga.pdf

    Artigo do Oreiro defendendo o ajuste fiscal nos termos que eu coloquei acima: https://jlcoreiro.wordpress.com/2014/11/08/o-retorno-do-keynesianismo-vulgar/ (o título é provocativo, mas o artigo é bom)

  10. Mogisenio

    12 de novembro de 2014 12:23 pm

    As falácias estão esquentando!

    Como é repugnante ler mais uma BABOSEIRA destas dos “economistas”.

    Deixo claro, no entanto, que meus argumentos não são ad hominem. Refiro às BABOSEIRAS.

    Trata-se de uma análise típica que podemos classificar como PAPO FURADO PARA ENGANAR OTÁRIOS.

    Aumenta “demanda agregada aqui , gera mais consumo ali , “empresários ficam mais felizes acolá e a baboseira continua. No fundo é produzir ( com “produtividade”, “eficiência) e ter  consumidores com dinheiro no bolso  para comprar seus produtos. Assim, ele, o administrador de fatores de produção com dinheiro no bolso “familiar”,  não precisa de altas taxas de juros para ESPECULAR – sem fazer merda nenhuma. Evidentemente, ele poderá consumir outros produtos e serviços onde bem entender. Certamente, os  “bens de primeira linha” onde quanto maior o preço maior a demanda! Lado outro,  detesta consumir “serviços públicos”. Trata-se de  um horror onde não há “merdoritocracia”!

    Alías, sobra até dinheiro para “poupar” em paraísos fiscais para montar aquela offshore dos sonhos hein!? Sonho de consumo dos espíritos de porco, ops, animals spirits. Natal tá ai gente!

    O consumidor OTÁRIO, desavisado, diante deste MONTE DE BABOSEIRAS ECONÔMICAS fica achando que a solução deste conflito de distribuição é “justo”. Nessa hora esquece-se do “mérito moral” para tratar de contas agregadas ali e aqui , mascarando, ou melhor, escondendo, quem vai comprar, quem vai consumir, e quem vai TRABALHAR para gerar LUCRO , de um  lado, e TRIBUTO de outro. Uma curva de transformação “justa” e  “merdoritocrática”  para , como sempre, enganar otários proprietários única e exclusivamente do “próprio corpo”.

    Nessa linha,  a divisão internacional do TRABALHO, dentro da pólis aristotélica natural, onde cada um deve fazer o que foi escrito “pela natureza” e por “Deus”  para que se faça, cumpre o seu “papel” de apaziguar os antagônicos  social versus egoísta.

    E os economistas de “escol  de meia tigela” estão ai para venderem  seus “diagnósticos” a fim de criarem  aquele “ar” de que o melhor caminho será este ou aquele. Marionetes pagos pelos “donos do poder”  entrincheirados lá pelas bandas dos conselhos de administração familares!

    Todavia, não se enganem , caros desatentos. Papo vai, papo vem, mas, no fundo, é preciso saber QUEM PAGA A CONTA.

    Afinal, como diria o “jênio” não existe almoço grátis. E vale acrescentar: também não existe diagnóstico grátis. Todavia, herança normalmente é “de grátis”. 

    Certamente, os espíritos de porcos, ops, os animals spirits,  com aquela moral imoral, ou melhor, amoral, NÃO pagarão conta nenhuma. Melhor. Eles pagam alguma  conta mas no final tem que ter lucro. Ah mas como tem que ter lucro. Muito lucro! Viva o lucro!  Afinal é mérito não? E esse lucro , após descontandos tudo , inclusive os juros dos outros espíritos de porco, ops, espíritos animais, deve ter uma taxa que compense o tremendo risco brasil e   custo de oportunidade impressionantes! Como sabemos , aqui no Brazil  é  paraíso das rendas baixas.  

    Em suma essa pocilga, está  interessada em taxas internas de retorno com segurança jurídica. Só que para isso, paradoxalmente,  é preciso flexibilizar, pois navegar é preciso, mas  viver? Não, não  é preciso… 

    Diante disso, devemos manter a DEMANDA AGREGADA proporcionada pela COMPRA governamental, normalmente com licitações fraudulentas( longe da 8666) bem com  subsídios , vencimentos ( inclusive com aumento para moradia jurídica!Eles merecem!).  E por outro lado,  por exemplo,  FLEXIBILIZAR A MALDIDA CARTA DEL LAVORO, facista brasileira que se chama CLT, congelada no tempo(paradoxalmente na cabeça dos conservadores, é mole?!)

    Por fim, conclui-se que  é muito caro “manter bois e vacas na divisão de  trabalho internacional. 

    Haja paciência!

    Saudações 

  11. AlvaroTadeu

    12 de novembro de 2014 12:43 pm

    Psicologia Econômica.

    Fiz duzentas experiências para medir a força de gravidade no Laboratório de Física que ficava  ao lado do prédio que os estudantes chamavam de “cirquinho da Poli”. Houve colegas que fizeram apenas 80 e tiveram melhores resultados. Um deles, demorava o dobro do tempo, mas fazia com o triplo de cuidado, por issos seus resultados foram mais verdadeiros e precisos. Claro que todas as experiências convergiam para o mesmo número, creio que 9,78m/s2 (segundo ao quadrado).

    Mas na Economia, não dá para fazer isso. Uma mesma experiência em países diferentes talvez não reproduza os mesmos resultados. Na Economia, há um forte componente psicológico. O colar de tomates da Ana Maria Brega, muito brega, teve um grande impacto nas expectativas de inflação do ano passado. O terrorismo midiático tem grande peso nos preços e nas expectativas de investimento. Durante a Ditadura, a menor inflação oficial foi de 13,7%, em 1973 (falsificado pela FGV, a real foi de 26%), mas o crescimento sempre encostava em 10%, às vezes, 11%. Mas na Ditadura, ninguém entendia de Economia e quem entendia e discordava, não era besta de publicar o contrário, ia acabar nu num pau-de-arara pré-tecnológico. Quer dizer, o apoio ou oposição da mídia pode mudar expectativas, gerar mais ou menos inflação, mais ou menos investimentos, dentro de um limite racional. Por que o Brasil não cresceu durante o reinado FHC com todo o apoio midiático que teve? Porque os rumos escolhidos, privatização, precarização do trabalho e desemprego mantiveram a inflação sob rédeas curtas, mas o investimento não veio porque o povo mal tinha dinheiro para comer, empresários sabiam que não havia demanda, logo, o investimento sempre seria de alto risco.

    Embora Armínio & Pedro Malan tenham escolhido os manuais neo-liberais, os resultados foram pífios, ou pior, contraproducentes. Houve reeleição porque o apoio midiático era unânime e o povo não conseguia entender o que estava acontecendo. A relativa estabilização da moeda deixou os 78% de empregados felizes, às custas da miséria e desesperança dos 22,5% que não tinham como pagar suas contas ou abastecer suas geladeiras.Mas em 2002, os 78% tinham medo. Sabiam que seriam os próximos desempregados, por isso arriscaram votar em Lula, contra todas as previsões. Felizmente se deram bem e a maioria não quis nem quer voltar àquilo que deveria ter sido e não foi, fracassou antes de existir. Talvez em 2018 a geração que sofreu na pele 1994/2002 seja sobrepujada em números pelos novos eleitores quenão viveram aquele drama. Aí, a direita pode voltar. Mas as crises que criar, provavelmente não conseguirá se manter. É isso.

  12. sergior

    12 de novembro de 2014 1:19 pm

    Dilma, caso faça o que é

    Dilma, caso faça o que é proposto pelo tucano Nakano e por Delfim, estará cometendo o mesmo erro do início do primeiro mandato, quando fez um ajuste fiscal que levou uma economia já em curso de queda de crescimento ao atual estado de coisas. Dilma tem de entender o que a levou a ganhar essa eleição, o que a levou a ter o apoio majoritário do eleitorado contra o candidato que apontava a adoção de medidas impopulares, contra o candidato que nomeou um banqueiro como seu ministro da fazenda, contra o candidato que dizia que o salário mínimo está em valores insuportáveis para os investimentos, contra o candidato que apoiava a desproteção ao trabalhador, contra o candidato que clamava por menos estado e mais privatismo. Dilma tem de se apoiar é nos que a apoiaram, nos que carregaram sua campanha mesmo apanhando nas ruas e xingado de todas as formas. Dilma, em suma, não pode se render a dizer e a agir como se eleição fosse uma coisa e governar outra. Esse é o grande e principal legado que seu governo pode nos dar.  

  13. armandolo

    12 de novembro de 2014 1:34 pm

    Mais um dos comentários da

    Mais um dos comentários da série “Como arruinar uma economia saudavel”. Receio que o autor do texto não tenha vivido o período da hiperinflação brasileira. Que faça estas experiencias em sua casa.

  14. Horacio Duarte

    12 de novembro de 2014 1:40 pm

    Economia é global

    Não há como administrar uma economia prescrevendo déficit zero nas contas públicas se a moeda não está inteiramente sob controle da administração pública. Gostaria de saber é se um superávit tem efeito sobre a inflação em dolar gerado pelo ‘easing money’ americano. Petróleo é uma mercadoria fundamental e está sendo manipulada politicamente, qual o efeito disto sobre a economia nacional, sobre o nosso déficit? Estamos em um ‘mercado’ global ou somos uma feirinha de bairro isolado da economia? Para obtermos deficit zero não precisamos de economistas, basta um programa de computador que gerencie receitas e despesas.

  15. Henrique O. M. Reis Jr

    12 de novembro de 2014 1:52 pm

    Porque meu comentário não foi

    Porque meu comentário não foi aprovado? Não ofendi ninguém.

     

    Esse blog está um absurdo de censura.

    1. Henrique O. M. Reis Jr

      12 de novembro de 2014 3:00 pm

      Retiro o que eu disse. Está

      Retiro o que eu disse. Está lá embaixo meu comentário.

       

      Peço sinceras desculpas.

  16. altamiro souza

    12 de novembro de 2014 2:19 pm

    tudo, menos importar as

    tudo, menos importar as soluções eonliberais europeias do desemprego.

  17. drigoeira

    12 de novembro de 2014 4:58 pm

    Tem uma turma que ainda não se vacinou…

    O surto da doença neoliberal vem aí???

    De novo!!!

  18. Bruno GH

    12 de novembro de 2014 5:17 pm

    Excelente

    Excelente artigo.

    O governo deveria, nesses momentos, investir em infraestrutura, para puxar o crescimento.

    O problema é gastar com pessoal, e não com infra.

  19. Fernando Antonio Moreira Marques

    12 de novembro de 2014 10:15 pm

    Lula, lá!

    Por não ser economista, embora tenha uma razoável formação em físísica/matemática, posso dar meus palpites sobre o assunto.

    Lula me assombrou durante a crise de 2008. Enquanto Serra (economista sem diploma conhecido!!!) bradava aos sete ventos que deveríamos cortar gastos (o discurso de sempre dos rentistas e neoliberais). Lula disse que não ia cortar nada e iria sim aumentar os gastos. Que a crise chegaria aqui como uma “marolinha” e dito e feito não passou de uma “marolinha”.

    Nos últimos tempos para atingir o governo do PT a mídia oposicionista fez verdadeiro terrorismo criando o clima de fim do mundo na economia. Não acredito! O Lula deveria ser convocado para alguma função neste governo e novamente bradar a plenos pulmões! Não vamos cortar nada! Vamos aumentar a capacidade de consumo interno. Os empresários que corram atrás do prejuízo e produzam o que a população precisa. Serão trouxas se ao invés de planejarem novas formas de produção, ficarem tramando a volta dos milicos.

    Ah, mas não se esqueçam de fazer a regulação desta mídia canalha, JÁ!

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