Enviado por Notívago
Do Tijolaço
Porque não temos de temer os investimentos chineses como “imperialistas”
Por Fernando Brito
Quando fiz comentários, outro dia, aqui, sobre o interesse dos chineses em investir no Brasil, surgiram algumas pessoas preocupadas com o que seria o “imperialismo chinês no Brasil”.
Respondi meio na base da brincadeira (politicamente incorreta, aliás) de que deveríamos, quem sabe, procurar nas pastelarias os agentes de Pequim.
Mas acho que isso vale um reflexão mais profunda sobre o que é diferente no estabelecimento de relações de negócio com a China do que foram, no passado, as com a Inglaterra e ainda são as com o EUA.
A primeira, obvia, é que somos praticamente antípodas. Estamos fora do conceito de espaço vital (o Lebensraun da Alemanha nazista é um conceito do século 19, fortemente inspirado nas ideias do “Destino Manifesto” que empolgou os EUA, ao ponto do presidente James Buchanan, em meados do século ter dito que “a expansão dos Estados Unidos sobre o continente americano, desde o Ártico até a América do Sul, é o destino de nossa raça (…) e nada pode detê-la”.
O que foi repetido, 150 anos depois, pelo General Colin Powell: “O nosso objetivo com a Alca é garantir para as empresas norte-americanas o controle de um território que vai do Pólo Ártico até a Antártida“.
Muito menos parece que os chineses pretendam criar, como arrogavam-se os ingleses, um império “onde o sol nunca se põe”.
A segunda é que, ao que conste, não existe de parte dos chineses nenhuma iniciativa de controlar jazidas e terras por aqui. No primeiro caso, a modéstia (20%) com que participaram do leilão de Libra e – aqui revelo algo que me contaram – com um chinês vigiando o envelope do lance, para que não se desse um tostão acima do lance mínimo. Positivamente, não é atitude de quem quer, a qualquer preço, abocanhar um grande naco do nosso petróleo. Também não se registra qualquer interesse por minas de ferro ou de outros minérios, que eu saiba.
Também não causa preocupação aqui o apetite chinês por áreas agricultáveis – que eles têm, sim, na Austrália e na África – porque depois de muita conversa, no início da década, que que os chineses queriam comprar terras por aqui o assunto sumiu e deu lugar a interesse de acordos entre produtores brasileiros – ou empresários do agronegócio – com o poderoso mercado chinês, aliás no qual a liberação das importações de carne do Brasil é um dos maiores interesses do setor.
O foco deles é, sim, a logística, porque são importadores e serão ainda mais, com o crescimento de sua economia e, sobretudo, de seu consumo interno, onde inclusão, mesmo pequena, representa agregação de dezenas de milhões ao mercado.
No “front” tecnológico, embora estejam muito mais avançados que nós, também não tem a China a possibilidade de pretender ser “dona” do pedaço, ao menos no horizonte visível. Pode partilhar algumas pesquisas de ponta, mas não pretender domínio – o que aliás nem tenta – de nossa indústria, onde o prejuízo que traz é no setor têxtil e de vestuário, que está longe de ser indústriahigh-tech ou de base, embora seja importante.
Mas temos muito a partilhar em áreas onde os chineses são fortes: transmissão de energia elétrica (natural, porque também têm dimensões continentais), construção naval, ferrovias, siderurgia (são o maior produtor de aço do mundo), tecnologia agrícola (da qual eles dependem fortemente) e muitas outras áreas.
Igualmente na área militar, não consta que os chineses estejam tentando espalhar sua doutrina. Ao contrário, dos grandes países, são mesmo o que menos detém tecnologia própria, que se desenvolveu, como todos sabem, com “cópias adaptadas” de armamentos de outros países e só agora – e muito modestamente – cuidam de criar vetores bélicos (porta-aviões, aviões furtivos e mísseis de longo alcance- áreas em que são assumidamente muito inferiores aos EUA) com poder de projeção a longas distâncias.
O melhor exemplo é que só agora estão fazendo seu segundo porta-aviões.
No que eles se esmeram, seja em armas, convencionais ou nucleares ou em meios eletrônicos – é, isto sim, em criar um poder bélico dissuasório.
Bem, some o leitor e a leitora todas as brutais diferenças culturais, econômicas e sociais que há entre os dois países e veja se estamos sujeitos a uma hipotética “dominação chinesa”.
Claro que os chineses não são “santinhos” e querem, como sempre foi a regra das grandes potências econômicas mundiais, ganhar dinheiro e poder, ou vice-versa. E que com eles, ou com os norte-americanos, os alemães ou os franceses devemos fazer negócios que sejam bons para o Brasil. A única diferença é que eles estão oferecendo estas oportunidades e os outros, não ou, ao menos, nem tanto ou muito menos.
E estão oferecendo porque, como você pode ver no mapa acima (mesmo não sendo tão atual, ajuda a ter uma ideia) que mostra o investimento chinês através do mundo e revela o quanto a participação do Brasil nestas inversões de capital é pequena em relação ao tamanho da sétima economia do mundo.
Mesmo que tenhamos, nesta década, nos tornado o quinto ou sexto destino de capitais chineses, ainda atraímos muito menos que Austrália, EUA e Canadá ( será que alguém acha que estão controlados pelos chineses?) e, sobretudo, que acumulamos um atraso imenso nessa captação, comparada ás nossas potencialidades.
É isso, e não outra coisa, que explica o volume dos acordos que estamos assinando com aquele país.
O resto é conversa de quem, em relação ao capital internacional, fez séculos de maus negócios, embora para os estrangeiros o Brasil tenha sido, sim, um negócio da China.

Fabio SP
21 de maio de 2015 11:51 amOs chineses só tem uma coisa
Os chineses só tem uma coisa de melhor que os EUA como imperialistas…
Eles fuzilam seus corruptos…
lenita
21 de maio de 2015 3:00 pmEnquanto isso !
Outros os protegem e os carregam em suas viagens pelo mundo todo, a fim de fazerem seus negócios da China, ou melhor, da propina.
batista neto
21 de maio de 2015 11:56 amBons negócios…
Quem fez séculos de maus negócios para o país mas muito bons para os negociadores porque, como entende o renomado e premiado economista Joseph Stiglitz, “…privatization could be most properly nominated as briberizarion.”
E haja HSBC para depositar todos esses frutos dos bons negócios.
DanielQuireza
21 de maio de 2015 12:44 pmNão se deve temer a priori.A
Não se deve temer a priori.
A questão são as condições dos investimentos e financiamentos.
Por ex, nâo tem sentido nenhum um blog deste nível publicar que a China ou bancos chineses irão emprestar x a Petrobras e não dizer nada sobre as condições do financiamento. Sem pelo menos uma base de condições a informação é completamente inútil.
edsontadeu
21 de maio de 2015 12:49 pmnao podemos deixar de
nao podemos deixar de salientar que uma das preocupaçoes da China e da Russia é acabar com o poderio do FMI, que vem ao longo de decadas arrochando países. prova disso sao os emails que vazaram com relação as medidas que deveriam ser tomadas na Grecia. como arrocho salarial, aumentos de impostos, aumento de juros, dificuldade do crtedito e outros . tudo isso jas foi exigido aqui no Brasil. ate Lula a entrar na Pesidencia, que a partir daí nunca mais o governo bateu com a cuia nas maos a pedir dinheiro ao famigerado FM,I, controlado pelos EUA. A china investe empresta e nao faz nenhuma exigencia a nao ser a de que se cumpra o contrato, isso é logico porque o país chenês tambem tem que se precaver. TYambem temos que levar em consideraçao os juros e prazo de pagamento de dividas junto aos chineses é muito melhor do que com o tal FMI.
Quem quer tomar um dinheiro emprestado, ficar preso ao FMI e ele ditar regras no seu país? Os emprestimos que o FMI faz sao carregados de chantagens, aqui mesmo o Brasil vivia sob o dominio deles. e os grandes lucros que eles obtinham aqui eram usados para o bem estar tanto de americanos como de Europeus. No caso americano isso servia para ele manter suas bases militares pelo mundo. projetos de construçoes de armas e manter serviços secretos a custas da sangria do Brasil e de outros países.
A China tem mais de 2 bilhoes de habitantes precisa alimentar seu povo,e o mais justo ela estar procurando que é apoiar países que possam lhe dar retorno sem o poder da ESCRAVIDAO. como fazem os EUA.
DanielQuireza
21 de maio de 2015 1:03 pmPelo menos as condições do
Pelo menos as condições do FMI são claras. E as condiçoes Chineses, voce sabe quais são ? Por que ninguem fala ?
André W.
21 de maio de 2015 2:32 pmOs chineses entraram em um
Os chineses entraram em um leilão de concessão cujas condições foram estabelecidas pelo Brasil. Os EUA nem suas empresas não . Isso mostra a diferença de respeito entre os paises nas relações bilaterais. Ou é preciso desenhar?
DanielQuireza
22 de maio de 2015 12:21 pmDeixe de falácias.
Foi
Deixe de falácias.
Foi anunciado aqui que banco Chines emprestou a Petrobras e não disseram as condições.
Nesse post, de novo, não dizem as condições.
Então só quem sabe é voce.
Voce deve ser o cara.
Zanchetta
21 de maio de 2015 1:53 pmOh Edson! Deixa de ser
Oh Edson! Deixa de ser infantil… vc acha que eles não vão fazer o próprio FMI??? Vão emprestar dinheiro a torto e a direito sem qualquer garantia? Ingênuo…
edsontadeu
21 de maio de 2015 1:05 pmDaniel,qualquer nefgocio com
Daniel,qualquer nefgocio com a China é muito mais lucrativo para o Brasil do que com os EUA, Els pélo menos no vem com FMI para ditarregras no seu país. Devemo tambem destacar que mesmo antes de se entregar qualquer parte de petroleo a China ela ja se prontificou a pagar pela sua parceria. isso ja significa um ponto positivo. Temos 500anos de subjulgaçao primeiro foi a Inglaterra e de 200 anos ra ca dos EUA, que nao nos deixa crescer. Todo o progresso que temos foram a custas dce preidentes progressistas como Getulio Jucelino, Jango mais que muitos acabaram perdendo a vida porque os EUA com seus agentes infiltrados disseminaçao a discordia e tudpara que oBrasil nao avançasse, Muito sangue foi derramado para que se tornasse uma potencia mais os tentaculos da espionagem destruiram muitos sonhos como um exemplo a base de alcantara que é uma das mais rescentes sabotagem assim como a P-36 onde ate hoje estar engavetado processo contra FHc NO supremo.
Qualquer parceria com a Russia China e outros países é gbem vinda porque se formos ficar esperando pelos EUA nunca chegaremos a lugar nenhum.O EUA so pensa na guerr no poder da força armada dominar o mundo e controlar tudo a seu bel prazer.
A Europa ja devia ter aberto os olhos para eles. Um exemplo classico disso nós vemos recentimente com as declaraçoes de Obama que se a indonesia matasse um americano elas iria sofrer as consequencias. Ora todos sabem que ele usaria a força da Otan para tanto, no entano outros países da Otan tiveram seus cidadaos mortos pela indonesia eu pergunto porque entao nao houve uma reçao dessa mesma OTAN? Ora nao houve porque ela estar para atender os interesses de americanos nao dos outros páises membros. Para que os Paises europeus ficar
gastando milhoes de euros para mover navios e tropas pra defender os interesses dos EUA e com isso prejudicar seus cidadaos póis esse dinheiro serviria para melhorar a vida do europeu.
DanielQuireza
21 de maio de 2015 1:18 pmN/ao tem como voce afirmar
N/ao tem como voce afirmar isso sem saber as condições do negócio. Pode ser melhor ou pior.
Negócios são negócios, não adianta colocar ideologia no meio.
rl
21 de maio de 2015 1:20 pmChina
As reservas chinesas devem andar perto dos 4 trilhões de dólares. Como a moeda americana desvaloriza em torno dos 6% ao ano, a China perde mais de 200 bilhões de dólares a cada doze meses se ficar com o dinheiro parado. Talvez o interesse de investir no mundo inteiro venha daí: mesmo que os investimentos rendam pouco, é melhor do que perder. Devemos pensar também nas vantagens políticas, tanto no relacionamento bilateral como no peso da nova potência no panorama do mundo.
DanielQuireza
22 de maio de 2015 12:13 pmDe onde tirou que o dólar se
De onde tirou que o dólar se desvaloriza 6% ao ano ?
Se o dólar se desvalorizar a China ganha pois a sua moeda se valoriza, é o contrário do que vc imagina.
Cambio geralmente não é investimento é apenas reserva de valor, quanto mais o dolar.
Thiago Thiago
21 de maio de 2015 2:56 pmNegócio da China,
Negócio da China, literalmente, eheh.
As consequências de tal ferrovia são claras, em primeiro lugar tornará obsoletos parte dos nossos portos, onde foi investido uma verdadeira fortuna. Tornará mais barato para eles comprar soja, mas no Brasil não a déficit involvendo o setor de produção de grãos, pelo contrário. Ou seja, não impulsionará a produção de soja brasileira. Por fim, a ilusão da geração de industrias ao longo da ferrovia não tem nenhum cabimento, pelo contrário, a ferrovia deverá tornar ainda mais barato a importação de produtos chineses, reduzindo ainda mais a produção industrial brasileira.
junior50
21 de maio de 2015 9:41 pmGestão
Tanto faz de onde venha o investimento, o que importa para o receptor é a capacidade de geri-lo de forma a atender a seus interesses, dinamiza-lo para outras areas, e capacidade de honrar os empréstimos com uma programação sólida, se possivel reduzindo os juros e/ou prazos durante a vigência do contrato.
Perguntem para alguem da Abril, FSP, Globo se eles não aceitariam um dinheiro chinês ? Até o Instituto FHC aceita, afinal financiamento chinês vem em US$, e para “não pegar mal “, pode ser fornecido através de: Dubai, Singapura, Hong Kong/Londres, Panamá, Africa do Sul.
As vezes parece que tanto o pessoal “Veja” como o pessoal ” Carta Maior” , não sairam dos anos 70/80.
junior50
22 de maio de 2015 12:42 amFernando Brito, calma
Jornalistas e publico em geral, muito mal informados sobre determinados assuntos, continuam com esta idéia que a China copia, que está anos luz atrás dos Estados Unidos, Europa e Russia, que todos os artefatos chineses na industria de defesa são frutos de “engenharia reversa” : Papo “anos 70 e 80 ” – parem, já passou.
Só existe uma area na qual os chineses não “performaram” ainda, só possuem protótipos homologados, na area de motores aeronauticos de alto desempenho, nas demais areas, incluindo as mais sensiveis, já exportam.
A evolução da tecnologia chinesa nos ultimos 20 anos foi incrivel.
P.S.: “Engenharia Reversa” : Ação muito criticada, mas não é tão facil quanto parece – só copiar -, não se trata disto, pois sem uma base tecnológica forte, uma P & D critica ao projeto, um parque industrial competente para replicar e principalmente modificar e evoluir o que se apreendeu, a “engenharia reversa” não existe.
A China nos anos 60/70 realizou muita engenharia reversa – as vezes consentida em contratos – de equipamentos soviéticos, já com a abertura ao ocidente, anos 80 e 90, tambem fez o mesmo processo – consentido em contrato, primeiro com franceses, depois parcerias com israelenses e europeus – continuando com russos ( de acordo com os russos da ROSO/ ” chineses ótimos clientes, péssimos parceiros, mas pagam bem ” ), e a partir do final dos anos 90, iniciaram a extrapolar o “envelope” tecnológico já obtido.