10 de julho de 2026

Porque os investimentos chineses não devem ser temidos, por Fernando Brito

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Do Tijolaço

Porque não temos de temer os investimentos chineses como “imperialistas”

Por Fernando Brito

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Quando fiz comentários, outro dia, aqui, sobre o interesse dos chineses em investir no Brasil, surgiram algumas pessoas preocupadas com o que seria o “imperialismo chinês no Brasil”.

Respondi meio na base da brincadeira (politicamente incorreta, aliás) de que deveríamos, quem sabe, procurar nas pastelarias os agentes de Pequim.

Mas acho que isso vale um reflexão mais profunda sobre o que é diferente no estabelecimento de relações de negócio com a China do que foram, no passado, as com a Inglaterra e ainda são as com o EUA.

A primeira, obvia, é que somos praticamente antípodas. Estamos fora do conceito de espaço vital (o Lebensraun da Alemanha nazista é um conceito do século 19, fortemente inspirado nas ideias do “Destino Manifesto” que empolgou os EUA, ao ponto do presidente James Buchanan, em meados do século ter dito que “a expansão dos Estados Unidos sobre o continente americano, desde o Ártico até a América do Sul, é o destino de nossa raça (…) e nada pode detê-la”.

O que foi repetido, 150 anos depois, pelo General Colin Powell: “O nosso objetivo com a Alca é garantir para as empresas norte-americanas o controle de um território que vai do Pólo Ártico até a Antártida“.

Muito menos parece que os chineses pretendam criar, como arrogavam-se os ingleses, um império “onde o sol nunca se põe”.

A segunda é que, ao que conste, não existe de parte dos chineses nenhuma iniciativa de controlar jazidas e terras por aqui. No primeiro caso, a modéstia (20%) com que participaram do leilão de Libra e – aqui revelo algo que me contaram – com um chinês vigiando o envelope do lance, para que não se desse um tostão acima do lance mínimo. Positivamente, não é atitude de quem quer, a qualquer preço, abocanhar um grande naco do nosso petróleo. Também não se registra qualquer interesse por minas de ferro ou de outros minérios, que eu saiba.

Também não causa preocupação aqui o apetite chinês por áreas agricultáveis – que eles têm, sim, na Austrália e na África  – porque depois de muita conversa, no início da década, que que os chineses queriam comprar terras por aqui o assunto sumiu e deu lugar a interesse de acordos entre produtores brasileiros – ou empresários do agronegócio – com o poderoso mercado chinês, aliás no qual a liberação das importações de carne do Brasil é um dos maiores interesses do setor.

O foco deles é, sim, a logística, porque são importadores e serão ainda mais, com o crescimento de sua economia e, sobretudo, de seu consumo interno, onde inclusão, mesmo pequena, representa agregação de dezenas de milhões ao mercado.

No “front” tecnológico, embora estejam muito mais avançados que nós, também não tem a China a possibilidade de pretender ser “dona” do pedaço, ao menos no horizonte visível. Pode partilhar algumas pesquisas de ponta, mas não pretender domínio – o que aliás nem tenta – de nossa indústria, onde o prejuízo que traz é no setor têxtil e de vestuário, que está longe de ser indústriahigh-tech ou de base, embora seja importante.

Mas temos muito a partilhar em áreas onde os chineses são fortes: transmissão de energia elétrica (natural, porque também têm dimensões continentais), construção naval, ferrovias, siderurgia (são o maior produtor de aço do mundo), tecnologia agrícola (da qual eles dependem fortemente) e muitas outras áreas.

Igualmente na área militar, não consta que os chineses estejam tentando espalhar sua doutrina. Ao contrário, dos grandes países, são mesmo o que menos detém tecnologia própria, que se desenvolveu, como todos sabem, com “cópias adaptadas” de armamentos de outros países e só agora – e muito modestamente – cuidam de criar vetores bélicos (porta-aviões, aviões furtivos e mísseis de longo alcance- áreas em que são assumidamente muito inferiores aos EUA) com poder de projeção a longas distâncias.

O melhor exemplo é que só agora estão fazendo seu segundo porta-aviões.

No que eles se esmeram, seja em armas, convencionais ou nucleares  ou em meios eletrônicos – é, isto sim, em criar um poder bélico dissuasório.

Bem, some o leitor e a leitora todas as brutais diferenças culturais, econômicas e sociais que há entre os dois países e veja se estamos sujeitos a uma hipotética “dominação chinesa”.

Claro que os chineses não são “santinhos” e querem, como sempre foi a regra das grandes potências econômicas mundiais, ganhar dinheiro e poder, ou vice-versa. E que com eles, ou com os norte-americanos, os alemães ou os franceses devemos fazer negócios que sejam bons para o Brasil. A única diferença é que eles estão oferecendo estas oportunidades e os outros, não ou, ao menos, nem tanto ou muito menos.

E estão oferecendo porque, como você pode ver no mapa acima (mesmo não sendo tão atual, ajuda a ter uma ideia) que mostra o investimento chinês através do mundo e revela  o quanto a participação do Brasil nestas inversões de capital é pequena em relação ao tamanho da sétima economia do mundo.

Mesmo que tenhamos, nesta década, nos tornado o quinto ou sexto destino de capitais chineses, ainda atraímos muito menos que Austrália, EUA e Canadá ( será que alguém acha que estão controlados pelos chineses?) e, sobretudo, que acumulamos um atraso imenso nessa captação, comparada ás nossas potencialidades.

É isso, e não outra coisa, que explica o volume dos acordos que estamos assinando com aquele país.

O resto é conversa de quem, em relação ao capital internacional, fez séculos de maus negócios, embora para os estrangeiros o Brasil tenha sido, sim, um negócio da China.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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16 Comentários
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  1. Fabio SP

    21 de maio de 2015 11:51 am

    Os chineses só tem uma coisa

    Os chineses só tem uma coisa de melhor que os EUA como imperialistas…

    Eles fuzilam seus corruptos…

    1. lenita

      21 de maio de 2015 3:00 pm

      Enquanto isso !

      Outros os protegem e os carregam em suas viagens pelo mundo todo, a fim de fazerem seus negócios da China, ou melhor, da propina.

  2. batista neto

    21 de maio de 2015 11:56 am

    Bons negócios…

    Quem fez séculos de maus negócios para o país mas muito bons para os negociadores porque, como entende o  renomado e premiado economista Joseph Stiglitz, “…privatization could be most properly nominated as briberizarion.”

     

    E haja HSBC para depositar todos esses frutos dos bons negócios.

  3. DanielQuireza

    21 de maio de 2015 12:44 pm

    Não se deve temer a priori.A

    Não se deve temer a priori.

    A questão são as condições dos investimentos e financiamentos.

    Por ex, nâo tem sentido nenhum um blog deste nível publicar que a China ou bancos chineses irão emprestar x a Petrobras e não dizer nada sobre as condições do financiamento. Sem pelo menos uma base de condições a informação é completamente inútil.

  4. edsontadeu

    21 de maio de 2015 12:49 pm

     
    nao podemos deixar  de

     

    nao podemos deixar  de salientar que  uma das preocupaçoes  da China  e  da  Russia  é  acabar com o poderio do FMI, que  vem  ao longo  de  decadas  arrochando  países.  prova  disso sao  os emails  que  vazaram   com relação  as  medidas que  deveriam ser tomadas na  Grecia. como arrocho salarial, aumentos de impostos, aumento  de juros,  dificuldade  do crtedito   e  outros . tudo isso  jas foi  exigido aqui no Brasil.  ate  Lula a entrar  na Pesidencia, que  a partir  daí  nunca mais  o governo bateu  com  a cuia  nas maos  a  pedir  dinheiro  ao  famigerado  FM,I,  controlado  pelos  EUA. A china  investe  empresta  e  nao   faz  nenhuma exigencia a nao ser  a  de que  se cumpra o   contrato, isso é logico  porque  o  país chenês  tambem tem que  se precaver. TYambem temos  que levar em  consideraçao  os  juros  e prazo  de pagamento  de  dividas  junto aos  chineses  é muito melhor  do que  com o tal  FMI. 

    Quem quer  tomar  um dinheiro emprestado, ficar preso  ao FMI  e ele ditar regras no seu país? Os  emprestimos que o FMI  faz  sao  carregados  de chantagens,  aqui mesmo   o Brasil  vivia  sob  o dominio deles. e  os  grandes  lucros  que  eles  obtinham aqui eram  usados  para o bem  estar  tanto de americanos  como de  Europeus.  No caso americano  isso servia para ele manter  suas  bases militares pelo mundo. projetos de construçoes  de  armas  e  manter  serviços secretos  a custas  da sangria  do Brasil e  de outros países. 

    A   China  tem mais de  2  bilhoes  de habitantes  precisa   alimentar seu povo,e  o mais  justo ela  estar procurando  que  é apoiar  países  que  possam  lhe  dar retorno  sem  o poder  da  ESCRAVIDAO. como fazem  os  EUA.

    1. DanielQuireza

      21 de maio de 2015 1:03 pm

      Pelo menos as condições do

      Pelo menos as condições do FMI são claras. E as condiçoes Chineses, voce sabe quais são ? Por que ninguem fala ?

      1. André W.

        21 de maio de 2015 2:32 pm

        Os chineses entraram em um

        Os chineses entraram em um leilão de concessão cujas condições foram estabelecidas pelo Brasil. Os EUA nem suas empresas  não . Isso mostra a diferença de respeito entre os paises nas relações bilaterais. Ou é preciso desenhar?

        1. DanielQuireza

          22 de maio de 2015 12:21 pm

          Deixe de falácias.
          Foi

          Deixe de falácias.

          Foi anunciado aqui que banco Chines emprestou a Petrobras e não disseram as condições.

          Nesse post, de novo, não dizem as condições.

          Então só quem sabe é voce.

          Voce deve ser o cara.

    2. Zanchetta

      21 de maio de 2015 1:53 pm

      Oh Edson! Deixa de ser

      Oh Edson! Deixa de ser infantil… vc acha que eles não vão fazer o próprio FMI??? Vão emprestar dinheiro a torto e a direito sem qualquer garantia? Ingênuo…

  5. edsontadeu

    21 de maio de 2015 1:05 pm

    Daniel,qualquer nefgocio  com

    Daniel,qualquer nefgocio  com a  China é muito mais  lucrativo para o  Brasil do que  com os  EUA, Els  pélo menos  no vem com  FMI   para ditarregras no seu país. Devemo tambem destacar que  mesmo antes  de se entregar  qualquer parte  de petroleo  a  China  ela  ja se prontificou a   pagar  pela  sua  parceria. isso  ja  significa  um  ponto positivo. Temos  500anos  de  subjulgaçao  primeiro foi  a Inglaterra  e  de  200 anos ra  ca  dos  EUA,  que nao nos deixa  crescer. Todo o progresso que  temos  foram a custas  dce  preidentes  progressistas como  Getulio Jucelino,  Jango  mais  que  muitos  acabaram  perdendo a vida  porque os  EUA com seus  agentes  infiltrados  disseminaçao a  discordia  e tudpara  que oBrasil  nao avançasse, Muito  sangue  foi  derramado  para que  se tornasse uma  potencia   mais  os  tentaculos  da espionagem  destruiram muitos  sonhos  como um  exemplo a  base  de  alcantara  que  é uma  das  mais  rescentes  sabotagem  assim como a  P-36  onde  ate hoje  estar  engavetado  processo contra  FHc  NO  supremo. 

    Qualquer  parceria  com a  Russia  China  e outros  países  é gbem vinda  porque  se formos  ficar esperando pelos  EUA nunca  chegaremos a  lugar  nenhum.O  EUA  so pensa  na guerr  no poder da força  armada  dominar o  mundo  e controlar tudo a  seu bel prazer. 

    A Europa  ja  devia  ter  aberto  os olhos para eles. Um  exemplo classico disso  nós  vemos  recentimente com as  declaraçoes  de  Obama   que  se   a indonesia  matasse um americano  elas  iria  sofrer as consequencias. Ora  todos  sabem que  ele  usaria  a força da Otan para  tanto, no entano  outros  países  da Otan  tiveram  seus  cidadaos  mortos  pela  indonesia  eu pergunto  porque entao  nao houve  uma  reçao  dessa mesma  OTAN? Ora  nao houve  porque ela  estar  para atender os interesses de americanos  nao dos outros  páises membros. Para que  os  Paises   europeus  ficar 

    gastando milhoes de  euros  para  mover  navios e tropas  pra  defender os interesses dos  EUA  e com isso  prejudicar  seus cidadaos  póis  esse dinheiro serviria  para  melhorar  a vida do  europeu.  

    1. DanielQuireza

      21 de maio de 2015 1:18 pm

      N/ao tem como voce afirmar

      N/ao tem como voce afirmar isso sem saber as condições do negócio. Pode ser melhor ou pior.

      Negócios são negócios, não adianta colocar ideologia no meio.

  6. rl

    21 de maio de 2015 1:20 pm

    China

    As reservas chinesas devem andar perto dos 4 trilhões de dólares.  Como a moeda americana desvaloriza em torno dos 6% ao ano, a China perde mais de 200 bilhões de dólares a cada doze meses se ficar com o dinheiro parado. Talvez o interesse de investir no mundo inteiro venha daí: mesmo que os investimentos rendam pouco, é melhor do que perder.   Devemos pensar também nas vantagens políticas, tanto no relacionamento bilateral como no peso da nova potência no panorama do mundo.

    1. DanielQuireza

      22 de maio de 2015 12:13 pm

      De onde tirou que o dólar se

      De onde tirou que o dólar se desvaloriza 6% ao ano ?

      Se o dólar se desvalorizar a China ganha pois a sua moeda se valoriza, é o contrário do que vc imagina.

      Cambio geralmente não é investimento é apenas reserva de valor, quanto mais o dolar.

       

  7. Thiago Thiago

    21 de maio de 2015 2:56 pm

    Negócio da China,

    Negócio da China, literalmente, eheh.

    As consequências de tal ferrovia são claras, em primeiro lugar tornará obsoletos parte dos nossos portos, onde foi investido uma verdadeira fortuna. Tornará mais barato para eles comprar soja, mas no Brasil não a déficit involvendo o setor de produção de grãos, pelo contrário. Ou seja, não impulsionará a produção de soja brasileira. Por fim, a ilusão da geração de industrias ao longo da ferrovia não tem nenhum cabimento, pelo contrário, a ferrovia deverá tornar ainda mais barato a importação de produtos chineses, reduzindo ainda mais a produção industrial brasileira.

  8. junior50

    21 de maio de 2015 9:41 pm

    Gestão

     Tanto faz de onde venha o investimento, o que importa para o receptor é a capacidade de geri-lo de forma a atender a seus interesses, dinamiza-lo para outras areas, e capacidade de honrar os empréstimos com uma programação sólida, se possivel reduzindo os juros e/ou prazos durante a vigência do contrato.

      Perguntem para alguem da Abril, FSP, Globo se eles não aceitariam um dinheiro chinês ? Até o Instituto FHC aceita, afinal financiamento chinês vem em US$, e para “não pegar mal “, pode ser fornecido através de: Dubai, Singapura, Hong Kong/Londres, Panamá, Africa do Sul.

       As vezes parece que tanto o pessoal “Veja” como o pessoal ” Carta Maior” , não sairam dos anos 70/80.

  9. junior50

    22 de maio de 2015 12:42 am

    Fernando Brito, calma

       Jornalistas e publico em geral, muito mal informados sobre determinados assuntos, continuam com esta idéia que a China copia, que está anos luz atrás dos Estados Unidos, Europa e Russia, que todos os artefatos chineses na industria de defesa são frutos de “engenharia reversa” : Papo “anos 70 e 80 ” – parem, já passou.

        Só existe uma area na qual os chineses não “performaram” ainda, só possuem protótipos homologados, na area de motores aeronauticos de alto desempenho, nas demais areas, incluindo as mais sensiveis, já exportam.

        A evolução da tecnologia chinesa nos ultimos 20 anos foi incrivel.

        P.S.: “Engenharia Reversa” :  Ação muito criticada, mas não é tão facil quanto parece – só copiar -, não se trata disto, pois sem uma base tecnológica forte, uma P & D critica ao projeto, um parque industrial competente para replicar e principalmente modificar e evoluir o que se apreendeu, a “engenharia reversa” não existe.

         A China nos anos 60/70 realizou muita engenharia reversa – as vezes consentida em contratos – de equipamentos soviéticos, já com a abertura ao ocidente, anos 80 e 90, tambem fez o mesmo processo – consentido em contrato, primeiro com franceses, depois parcerias com israelenses e europeus – continuando com russos ( de acordo com os russos da ROSO/ ” chineses ótimos clientes, péssimos parceiros, mas pagam bem ” ), e a partir do final dos anos 90, iniciaram a extrapolar o “envelope” tecnológico já obtido.

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