Os últimos dados da prévia da inflação oficial mostram que a taxa continua perdendo força no Brasil: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) chegou a 0,57%, abaixo dos 0,69% vistos em março.
Com isso, o índice passa a acumular alta de 2,59% ao longo deste ano, enquanto a variação em 12 meses caiu para 4,16%, ante 5,36% dos 12 meses imediatamente anteriores. O percentual também é bem inferior ao visto em 2022, quando chegou a 1,73%.
Embora todos os produtos e serviços tenham avançado, pode-se dizer que o ritmo de aumento foi menor do que o visto anteriormente.
Um exemplo disso pode ser visto no grupo Transportes que, embora tenha sido responsável tanto pela maior variação (1,44%) como pelo maior impacto no índice do mês (0,29 ponto percentual), a variação percentual ficou pouco abaixo do visto em março, quando a alta foi de 1,50%.
Neste caso, o resultado do grupo foi afetado pelo aumento de 3,47% nos preços da gasolina, subitem com maior impacto individual no IPCA-15 no período (0,17 ponto percentual), segundo pelo aumento de 1,10% nos preços do etanol.
Por outro lado, os preços do óleo diesel (-2,73%) e do gás veicular (-2,17%) foram na contramão dos demais combustíveis (2,84%) e caíram. Outros avanços foram vistos nas tarifas de ônibus urbano (0,94%), metrô (0,16%), e de 0,07% no subitem táxi.
Medicamentos e energia elétrica puxam alta
Segundo o IBGE, a maior contribuição para o avanço do grupo Saúde e Cuidados Pessoais (1,04%) veio dos produtos farmacêuticos (1,86%), por conta do reajuste de até 5,60% no preço dos medicamentos, a partir de 31 de março.
Já os itens de higiene pessoal tiveram desaceleração de 2,36% em março para 0,35% no IPCA-15 de abril, por conta da queda do item perfumes (-1,99%), enquanto o item plano de saúde (1,20%) segue incorporando as frações mensais dos reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023.
No grupo Habitação (0,48%), o destaque foi a energia elétrica residencial, com alta de 0,84% e contribuição de 0,03 ponto percentual, além da aceleração em aluguel residencial (0,53%), que havia registrado alta de 0,15% em março.
Alimentação em queda
A desaceleração do IPCA-15 em relação ao mês de março foi afetada em especial pela queda nos grupos Alimentação e bebidas (de 0,20% em março para 0,04% em abril), Comunicação (de 0,75% para 0,06%) e Habitação (de 0,81% para 0,48%).
A desaceleração de Alimentação e bebidas deve-se à variação negativa da alimentação no domicílio (-0,15%), em especial com as quedas nos preços da batata-inglesa (-7,31%), da cebola (-5,64%), do óleo de soja (-4,75%) e das carnes (-1,34%). No lado das altas, o destaque foi o ovo de galinha, cujos preços subiram 4,36% em abril.
A alimentação fora do domicílio passou de 0,68% em março para 0,55% em abril. O lanche desacelerou (de 1,02% em março para 0,82% em abril), enquanto a refeição (0,52%) registrou resultado próximo ao do mês anterior (0,50%).
Regionalmente, todas as áreas pesquisadas tiveram alta em abril, sendo que a maior variação foi registrada em Curitiba (0,85%) e a menor variação foi observada em Belo Horizonte (0,27%).
josé Oliveira de Araújo
26 de abril de 2023 3:14 pmPara o presidente do BCB os dados do IBGE não interessa, o que importa é a previsão furada do Boletim Focus, que o grande oráculo das profecias econômicas para os Market Boys do BCB.