6 de junho de 2026

Produção de petróleo bate recorde em 2025, mas Brasil amplia dependência de derivados

País registra produção diária de 4,89 milhões de barris em 2025, mas Ineep alerta para dependência da importação de diesel e gasolina
Foto de Delfino Barboza na Unsplash

Brasil registra produção recorde de 4,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2025, alta de 13,2%.
Produção de petróleo cresceu 12% e gás natural 16,9%, impulsionada por novas plataformas e ampliação de unidades.
Setor energético brasileiro depende da importação de derivados; refino insuficiente limita valor agregado e gera vulnerabilidade.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil encerrou o ano de 2025 registrando recordes históricos na produção de petróleo e gás natural: dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção nacional atingiu média de 4,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), um crescimento de 13,2% em relação a 2024.

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Desse total, a produção de petróleo chegou a 3,7 milhões de barris por dia — alta de 12% — enquanto o gás natural avançou ainda mais, registrando expansão de 16,9% e alcançando 1,1 milhão de boe/d.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela entrada em operação de novas plataformas e pela ampliação da produção em unidades já existentes, consolidando o país como um dos principais produtores globais de óleo bruto.

Embora os números sejam motivos de comemoração, o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) chama atenção para uma contradição estrutural que persiste no setor energético brasileiro.

Crescimento que reforça a dependência

Apesar do avanço expressivo na produção, o Brasil segue dependente da importação de derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação. O motivo é conhecido: o crescimento da extração não foi acompanhado por expansão proporcional da capacidade de refino.

Na prática, isso significa que o país exporta petróleo bruto — produto de menor valor agregado — e importa combustíveis refinados, que incorporam maior complexidade industrial e margens superiores. Esse descompasso reforça o perfil primário-exportador da economia energética brasileira.

Segundo os estudos do Ineep, a limitação do parque de refino se tornou um ponto central no debate sobre soberania energética uma vez que, quando o país vende óleo cru e recompra derivados, perde parte do potencial de geração de renda, empregos e desenvolvimento industrial.

Além disso, essa estrutura aumenta a exposição à volatilidade internacional. Oscilações no dólar e nos preços globais do petróleo impactam diretamente o custo dos combustíveis no mercado interno, tornando o país mais vulnerável a choques externos.

No curto prazo, a produção recorde fortalece o saldo da balança comercial, amplia a arrecadação de royalties e eleva a receita dos entes federativos produtores. Em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica e reconfiguração das cadeias energéticas, o desempenho brasileiro ganha ainda mais relevância.

No entanto, o boletim do Ineep destaca que, sem uma estratégia integrada que articule produção, refino e política industrial, o país pode aprofundar uma dependência estrutural. O desafio não está apenas em produzir mais, mas em agregar valor à própria cadeia energética.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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