O Brasil encerrou o ano de 2025 registrando recordes históricos na produção de petróleo e gás natural: dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção nacional atingiu média de 4,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), um crescimento de 13,2% em relação a 2024.
Desse total, a produção de petróleo chegou a 3,7 milhões de barris por dia — alta de 12% — enquanto o gás natural avançou ainda mais, registrando expansão de 16,9% e alcançando 1,1 milhão de boe/d.
O desempenho foi impulsionado principalmente pela entrada em operação de novas plataformas e pela ampliação da produção em unidades já existentes, consolidando o país como um dos principais produtores globais de óleo bruto.
Embora os números sejam motivos de comemoração, o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) chama atenção para uma contradição estrutural que persiste no setor energético brasileiro.
Crescimento que reforça a dependência
Apesar do avanço expressivo na produção, o Brasil segue dependente da importação de derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação. O motivo é conhecido: o crescimento da extração não foi acompanhado por expansão proporcional da capacidade de refino.
Na prática, isso significa que o país exporta petróleo bruto — produto de menor valor agregado — e importa combustíveis refinados, que incorporam maior complexidade industrial e margens superiores. Esse descompasso reforça o perfil primário-exportador da economia energética brasileira.
Segundo os estudos do Ineep, a limitação do parque de refino se tornou um ponto central no debate sobre soberania energética uma vez que, quando o país vende óleo cru e recompra derivados, perde parte do potencial de geração de renda, empregos e desenvolvimento industrial.
Além disso, essa estrutura aumenta a exposição à volatilidade internacional. Oscilações no dólar e nos preços globais do petróleo impactam diretamente o custo dos combustíveis no mercado interno, tornando o país mais vulnerável a choques externos.
No curto prazo, a produção recorde fortalece o saldo da balança comercial, amplia a arrecadação de royalties e eleva a receita dos entes federativos produtores. Em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica e reconfiguração das cadeias energéticas, o desempenho brasileiro ganha ainda mais relevância.
No entanto, o boletim do Ineep destaca que, sem uma estratégia integrada que articule produção, refino e política industrial, o país pode aprofundar uma dependência estrutural. O desafio não está apenas em produzir mais, mas em agregar valor à própria cadeia energética.
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