
O jornalista Luís Nassif recebeu, no último sábado (24), o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), para falar sobre os projetos de desenvolvimento do país em andamento na gestão Lula 3.
Um dos pontos mais sensíveis lembrados por Haddad foi o estado em que o país foi recebido pela atual gestão, que além de desmonte e falta de orçamento em áreas estratégicas, como educação e ciência, também enfrenta uma nova oposição, composta por bolsonaristas sem projeto de país.
Em contrapartida, o ministro da Fazenda ressaltou que o Brasil reúne condições únicas para se destacar na era da transformação ecológica e tecnológica global.
O país possui vantagens competitivas significativas, como abundância de energia limpa, vastas reservas de minerais críticos e capacidade de articulação internacional — ativos que podem ser transformados em desenvolvimento econômico, geração de empregos qualificados e avanço tecnológico.
“Nós temos rigorosamente todas as vantagens competitivas. Então, nós temos o melhor vento, nós temos o melhor sol, nós temos a terceira maior reserva de terras raras e minerais críticos e nós temos que transformar isso em alguma coisa que agregue valor. É óbvio que isso vai exigir parceria, porque nós não temos toda a tecnologia disponível aqui. E nós queremos essa parceria. Mas nós temos que pensar num projeto que transforme essa vantagem em valor agregado, em empregos de qualidade, em tecnologia de ponta”, observou o convidado.
Apesar de reconhecer que o país ainda não detém toda a tecnologia necessária, o governo aposta em joint ventures e transferência de tecnologia como estratégia para acelerar o processo. “Nós não temos uma alternativa a isso. Nós temos que fomentar a ciência nacional, direcionar os recursos que nós temos, nós recapitalizamos.”
Haddad também destacou a forte interdependência entre a transformação ecológica e a revolução digital. O crescimento da inteligência artificial e do processamento de dados exige grande consumo energético e uso intensivo de minerais críticos, como as terras raras — área em que o Brasil é estratégico.
“Esse mundo digital consome muita energia, vai querer energia limpa. Esse mundo digital depende muito das terras raras, porque todos esses componentes sofisticados exigem essas terras para produzir. Você não consegue produzir com os minerais típicos um chip moderno, um GPU moderno. A NVIDIA depende disso, a Microsoft depende disso, todas elas dependem disso”, acrescentou o chefe de pasta.
Nesse sentido, o Ministério da Fazenda lidera um grupo de trabalho voltado à articulação de investimentos nacionais e estatais em infraestrutura de dados e tecnologia da informação. Hoje, cerca de 60% dos dados produzidos no Brasil são processados no exterior, o que representa um risco à soberania digital do país.
“Imaginem do ponto de vista de soberania, com as ameaças em curso, o que isso pode significar? Que amanhã uma pessoa com viés autoritário pode querer prejudicar o Brasil”, observou o ministro.
Compras
Outro ponto importante da estratégia do governo é o uso das compras governamentais como ferramenta para impulsionar a produção nacional, especialmente no setor de saúde, tendo o Sistema Único de Saúde (SUS) como um meio de fomentar a produção local por meio das compras públicas.
A defesa dessa política foi central nas negociações com a União Europeia no âmbito do acordo com o Mercosul. “Penso que nós precisamos de ousadia nessa agenda de usar as compras governamentais. Por que o Lula reabriu a discussão com a União Europeia para firmar um acordo mais benéfico a nós? Porque a União Europeia queria que nós abríssemos mão do instrumento das compras governamentais para fazer política industrial.”
Confira a entrevista na íntegra em:
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