
O custo elevado do crédito em dólares tem levado diversos países em desenvolvimento a aumentar suas posições em renminbi, a moeda oficial da China, embora a divisa ocupe uma fração muito pequena do endividamento internacional.
Em análise publicada no Project Syndicate, a economista Paola Subacchi, professora da Sciences Po, explica que apenas 1% da dívida emitida nos mercados internacionais no primeiro trimestre de 2025 foi denominada em renminbi — embora esteja distante da participação do euro e do dólar, a fatia já é o dobro do visto há dez anos.
Embora o avanço seja tímido, ele reflete busca de alternativas em um cenário global cada vez mais fragmentado, no qual o dólar também é visto como instrumento de pressão geopolítica.
Com a taxa de juros americana na faixa de 4,25% a 4,5%, e a política monetária chinesa fixada em cerca de 1,4%, governos altamente endividados, como Quênia e Sri Lanka, têm recorrido a empréstimos em moeda chinesa para aliviar seus custos de financiamento.
Para a China, responsável por cerca de US$ 1,5 trilhão em empréstimos internacionais, fortalecer o uso do renminbi significa reduzir sua dependência do dólar e consolidar sua influência no financiamento ao desenvolvimento.
Mesmo assim, a baixa liquidez internacional da moeda chinesa e as condições contratuais impostas por bancos estatais — como colaterais, prazos curtos e juros não concessionais — colocam desafios para os países mutuários.
“A questão é se a internacionalização da moeda chinesa conseguirá conciliar os objetivos estratégicos de Pequim com a necessidade urgente de financiamento sustentável no mundo em desenvolvimento”, questiona a especialista.
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