5 de junho de 2026

Renminbi avança em um mercado ainda dominado pelo dólar

Custo elevado do crédito em dólar abre espaço para moeda oficial da China ocupar mercado de títulos de dívida
Foto de Zhong-wei Xu na Unsplash

O custo elevado do crédito em dólares tem levado diversos países em desenvolvimento a aumentar suas posições em renminbi, a moeda oficial da China, embora a divisa ocupe uma fração muito pequena do endividamento internacional.

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Em análise publicada no Project Syndicate, a economista Paola Subacchi, professora da Sciences Po, explica que apenas 1% da dívida emitida nos mercados internacionais no primeiro trimestre de 2025 foi denominada em renminbi — embora esteja distante da participação do euro e do dólar, a fatia já é o dobro do visto há dez anos.

Embora o avanço seja tímido, ele reflete busca de alternativas em um cenário global cada vez mais fragmentado, no qual o dólar também é visto como instrumento de pressão geopolítica.

Com a taxa de juros americana na faixa de 4,25% a 4,5%, e a política monetária chinesa fixada em cerca de 1,4%, governos altamente endividados, como Quênia e Sri Lanka, têm recorrido a empréstimos em moeda chinesa para aliviar seus custos de financiamento.

Para a China, responsável por cerca de US$ 1,5 trilhão em empréstimos internacionais, fortalecer o uso do renminbi significa reduzir sua dependência do dólar e consolidar sua influência no financiamento ao desenvolvimento.

Mesmo assim, a baixa liquidez internacional da moeda chinesa e as condições contratuais impostas por bancos estatais — como colaterais, prazos curtos e juros não concessionais — colocam desafios para os países mutuários.

“A questão é se a internacionalização da moeda chinesa conseguirá conciliar os objetivos estratégicos de Pequim com a necessidade urgente de financiamento sustentável no mundo em desenvolvimento”, questiona a especialista.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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