10 de junho de 2026

“Se é mais rigoroso com governos progressistas”, afirma Haddad

Ministro aponta diferença de posicionamentos com mandatos ultraconservadores, e se diz otimista com economia no médio prazo
Fernando Haddad, ministro da Fazenda. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O posicionamento mais restrito da opinião pública e do mercado com relação a governos progressistas é cientificamente comprovado, como explica o ministro da Fazenda Fernando Haddad.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

“Tem estudos mostrando que as próprias agências de risco internacionais – são três grandes agências de risco (Moody’s, S&P e Fitch Ratings) – são mais permissivas com governos ultraconservadores do que com governos que procuram preservar a questão social, preservar a proteção social dos mais vulneráveis”, diz Haddad, em entrevista ao canal ICL Notícias.

Apesar desse cenário, o ministro reafirma que “ninguém” do governo é ingênuo ao ponto de não reconhecer os desafios impostos ao longo dos mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Nós assumimos em 2003 com uma dívida líquida igual a atual, com uma Selic de 25% e uma inflação de 12%”, explica o ministro, lembrando do período pós-Fernando Henrique Cardoso.

“Não é em um passe de mágica que você resolve o problema – Fernando Henrique entregou um superavit primário, Justiça seja feita. (FHC) entregou apesar da Selic e a inflação estarem descontroladas, mas você tinha uma base ali”, pontua. “Mas uma dívida externa com a FMI maluca, não tinha reservas internacionais, não existe passe de mágica”.

Trabalho em conjunto

De acordo com Haddad, é possível fazer o país crescer com trabalho sério e apoio do Congresso e do Judiciário, pois é fundamental que os Três Poderes trabalhem juntos”.

“Se começar a ter decisão judicial, como aconteceu na tese do século, por exemplo, em que o governo Temer cochilou, não fez absolutamente nada em uma questão que valia R$ 1 trilhão, que é a questão do PIS/Cofins, hoje a dívida brasileira seria 10% do PIB menor se um voto tivesse sido mudado no Supremo Tribunal Federal – ao invés de seis a cinco contra, fosse seis a cinco a favor da União”, disse o ministro, ressaltando que o mercado não precificou isso e a cotação do dólar e o juro não se alteraram.

Haddad reiterou seu otimismo com a retomada da economia brasileira, em um cenário onde o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulado nos últimos 12 meses é de 4,56% e a taxa Selic está fixada em 13,25%.

“Aprovado o Orçamento, no médio prazo teremos taxas de juros menores, sem penalizar a população, incluindo os produtores, que dependem do Estado”, disse o ministro, ressaltando que a peça orçamentária enviada ao Congresso é equilibrada e dá condição ao crescimento sustentável. “Está pronto para ser aprovado”, garante.

Leia Também

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Carla Medeiros

    23 de fevereiro de 2025 8:07 am

    Nassif, esse site traz proposta corajosa de refletir, debater e principalmente a crítica construtiva para um brasileirismo que rompa barreiras e armadilhas do grande capital.
    Nesse quesito o GGN está de parabéns, mostra é debate parametros que outros sites , por limitações que nesse momento não será discutido.
    Porém, a saudosa Maria Conceição Tavares, que ensinou e estimulou muitos economistas que hoje acha -se “ban-bans” (sic), sempre tocava no ponto histórico fragil brasileiro:
    – se a sociedade pensante e atuante não buscar saídas concretas para tirar as(os) brasileiras(os) da pobreza e miséria, nosso país jamais tornar-ae-á um país que sairá da periferia mundial, para disputar de “peito abero”com os paóses centrais.
    Uma das nossas maiores dificuldades (se nãoa maior), é a dota e recontada distribuição de renda, que em vez de equilibrar o Brasil, nos joga na periferia e sub-desenvolvimento mundial.
    Um país sem cidadões conscientes de seus direitos e deveres, jamais conseguirá tornar-se ícone mundial.
    Sem renda, saúde educação, moradia, lazer , bom transporte de massa, como a sociedade conseguirá evoluir civilizatóriamente ?

  2. Rui Ribeiro

    23 de fevereiro de 2025 1:17 pm

    Isso acontece porque o governo progressista administra os recursos públicos no sentido de superar a crise do sistema capitalista, que se sustenta através da exploração do homem pelo próprio homem. Seria diferente se o governo progressista administrasse os recursos públicos no sentido de superar o sistema baseado na exploração do homem pelo próprio homem.

  3. AMBAR

    23 de fevereiro de 2025 5:01 pm

    “Se é mais rigoroso com governos progressistas” então chamem a Letícia, por favor, se não o título da matéria fica sem sentido.
    Será que talvez tenham querido dizer : “É-se mais rigoroso com os governos progressistas?” . Ou somos (de modo impessoal) mais rigorosos com os governos progressistas?

  4. Fábio de Oliveira Ribeiro

    23 de fevereiro de 2025 7:58 pm

    Existe uma diferença qualitativa entre os antigos fascistas e os novos fascistas. Aqueles tinham uma ideologia definida (autoritarismo, rejeição do capitalismo liberal, intervenção do Estado na economia, supressão violenta do sindicalismo e vigilancia/controle social com grande capilaridade) e a perseguiam de maneira implacável. Os novos fascistas tentam adaptar algumas dessas características à realidade atual, mas não querem em hipótese alguma comprometer os fundamentos econômicos do neoliberalismo. Eles querem preserva-lo por meios autoritários, como está ocorrendo na Itália de Giorgia Meloni. Como prometem abolir a austeridade para chegar ao poder e a praticam quando ganham a eleição (caso de Trump), o neo-fascismo neoliberal tende a enfraquecer sua base de apoio eleitoral. Foi isso o que ocorreu com Bolsonaro no Brasil e já está ocorrendo com Milei na Argentina. A passagem desse fascismo Fake pelo poder será rapido, mas o que virá depois é incerto. A unica coisa certa é que a austeridade continuará a ser defendida por aqueles que lucram com ela. Os caras espertos estúpidos da austeridade de centro esquerda e de esquerda na Europa estão todos sendo varridos para o lixo pela austeridade. Mas eles vão culpar a extrema direita que cresceu por causa da austeridade em primeiro lugar. Quem os fascistas culparão pela austeridade depois que eles expulsarem os imigrantes e perderem eleições porque a situação econômica das populações europeias não melhorou realmente? É por isso que eu discordo de Varoufakis. Trump não tem plano o que ele faz é tentar improvisar e seguir cuidando dos interesses dos bilionários amigos dele. Mas eu não posso deixar de mencionar aqui o mais importante: ao aceitar a austeridade imposta pelo Congresso o PT está criando condições para o retorno dos fascistas fakes ao poder. E quem vai sofrer mais com isso é a população em geral.

    1. grevista

      24 de fevereiro de 2025 10:05 am

      A realidade está posta: A social-democracia alemã foi varrida do mapa, com o pior resultado eleitoral em mais de 100 anos. Macron está por fio, só falta a eleição presidencial para ele e seu grupo também serem varridos. Biden e os democratas idem. Boric, o menino certinho, também perderá a eleição presidencial. Haddad, o menino certinho e bonitinho daqui, seguirá seu destino de afundar a esquerda, como já fez em 2013. Em 2016, vale lembrar, o PT teve seu pior resultado eleitoral em SP-capital e nunca mais se reabilitou eleitoralmente. Ainda há tempo para sair dos gabinetes, ir para o chão das ruas e compreender que PIB não ganha eleição, ninguém come PIB. Os cortes no BPC, as negativas de melhoria nos ganhos de aposentados, os contínuos choques com os trabalhadores do serviço público federal, os cortes nos orçamentos das universidades e ifes, tudo isso cria uma maré contrária. Chega de ajuste fiscal! Lula não foi eleito para isso. Se fosse para fazer ajuste fiscal, quem teria ganho a eleição de 2022 seria Simone Tebet e a continuidade da ponte para o futuro do MDB temerista. Por fim: liberem Janja para fazer seu trabalho de mobilização pública. Até o inominável fez isso com sua quinta esposa e continua a fazer, tendo ela até como possível candidata presidencial. Liberem os gastos do gabinete da primeira dama de maio de 2016 até agora, mostrando como agiam Marcela e Michele. Façam política real, de confronto, com a mesma dureza com que batem nos seus adversários internos dentro do próprio PT e do PSOL.

      1. Rui Ribeiro

        24 de fevereiro de 2025 2:28 pm

        “É preciso gastar sola de sapato na periferia”. – Lula

  5. Niveo Roberto Campos e Souza

    24 de fevereiro de 2025 12:17 pm

    Somente a esquerda tem competência para colocar o Brasil no seu devido lugar entre as nações. Direita é só entreguismo e destruição.

  6. José de Almeida Bispo

    24 de fevereiro de 2025 1:17 pm

    Tudo se resume à pergunta: quem paga aos jornais, jornalistas e analistas “técnicos” das agências?

Recomendados para você

Recomendados