Setor produtivo considera corte de juros “tímido”

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Associações setoriais e representantes dos trabalhadores adotaram posturas críticas quanto à redução de 0,50 ponto na taxa Selic

Foto de Daniel Dan via pexels.com

A decisão do Banco Central em reduzir a taxa básica de juros de 11,75% para 11,25% foi amplamente precificada pelo mercado financeiro, e também alvo de críticas de diversas representações ligadas ao setor produtivo – seja pelo lado dos empresários como dos trabalhadores.

Na visão de Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), a decisão do Bacen foi para “simplesmente cumprir a unanimidade do mercado, e da própria indicação prévia do Banco Central”.

“Agora, o destaque fica para a sincronia entre o Banco Central e o Federal Open Market Committee do Fed, do Banco Central americano, e também de vários Bancos Centrais desenvolvidos, onde permanece a cautela apesar de bons indicadores na economia e de uma queda até surpreendente no ritmo de inflação”, diz o economista.

“A cautela prevalece e foi o que o Fed sinalizou claramente hoje até frustrando os mercados quando o Jerome Powell disse que é improvável que na próxima reunião do Fed, em março, que haja corte dos juros americanos”.

Para o economista, a mudança da expectativa de redução dos juros norte-americanos está em linha com a postura do BC brasileiro quando se refere que o cumprimento da meta é para 2024, se estendendo para 2025, “também reconhecendo melhoras na economia, no ritmo de inflação, mas evidentemente também ponderando os riscos”.

Repercussão

Para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), o corte de juros em 0,50 ponto percentual foi uma decisão “excessivamente conservadora e injustificável”, e que é imprescindível um corte mais acelerado na próxima reunião caso o cenário de inflação siga controlado.

“É necessário e desejável maior agressividade do Copom para que ocorra uma redução mais significativa do custo financeiro suportado por empresas, que se acumula ao longo das cadeias produtivas, e consumidores. Sem essa mudança urgente de postura, seguiremos penalizando não só a economia brasileira, mas, principalmente os brasileiros, com menos emprego e renda”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI, em nota oficial.

Opinião semelhante foi defendida pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), que aponta a existência de “espaço para o direcionamento da política monetária para um cenário menos restritivo, com cortes mais intensos”.

Apesar do avanço no cenário doméstico, a instituição aponta fatores externos de cautela – como os confrontos no Mar Vermelho e o aquecimento global – e também pede “atenção redobrada às contas públicas”.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) também criticou o ritmo mais cauteloso no corte de juros por parte do Banco Central.

“Não tem como a Selic prosseguir nesses níveis. Como vamos implementar um projeto de reindustrialização no Brasil, investir na Saúde, em obras do PAC, como o Estado irá conseguir somar dinheiro para tantas áreas fundamentais, com os juros acima dos 10%?”, pondera a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira. 

“Os empresários deveriam ser os primeiros a engrossar os protestos contra os juros altos, mas eles seguem omissos”, diz Juvandia. 

Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

2 Comentários

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  1. Também entendo que redução ficou aquém da da possível. Pura teimosia da presidência do BC. Há décadas o Copom nunca surpreende. A pergunta que não me cala: é o Copom que influencia o mercado ou é o mercado que Influencia o Compom?

  2. Após o ano passado, com todo o comportamento da economia ficando mais ou menos dentro das expectativas das metas, o COPOM poderia ter tido uma postura menos cautelosa nessa decisão. Com a necessidade do País voltar a índices melhores de crescimento e com as expectativas de aumento dos investimentos, uma redução acima da que foi feita iria acelerar a volta dos empregos formais, assim como uma formalização ou rê formalização da economia. Isso do ponto de vista fiscal tem efeito na política monetária. O fato é que o País precisa aproveitar a possibilidade que tem de impulsionar sua recuperação e seu desenvolvimento. Sem esquecer do resto, a taxa de juros tem importância crucial. A economia real precisa encontrar capacidade de dar retorno maior e concorrer com juros menores e mais compatíveis também com a realidade é desejável.

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