10 de junho de 2026

Setor de serviços tem segundo mês consecutivo de alta

Crescimento apurado ante 2023 totaliza 5,6%, segundo dados do IBGE; setor está 12,9% acima do nível pré-pandemia
Foto de Andrea Piacquadio via pexels.com

O setor de serviços avançou 0,5% na passagem de março para abril, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Ao acumular 1,2% de crescimento no período, o setor se situa 12,9% acima do nível pré-pandemia (de fevereiro de 2020) e 0,7% abaixo do ponto mais alto da série histórica, apurado em dezembro de 2022.

Ao longo de 2024, o volume de serviços teve alta de 2,3% no primeiro quadrimestre frente a igual período de 2023. Já o acumulado dos últimos 12 meses foi 1,6%.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o setor mostrou expansão de 5,6%, se recuperando do recuo de 2,2% registrado em março.

Neste caso, o volume do setor de serviços apontou crescimento de 5,6%, após ter recuado 2,2% em março. Todas as cinco atividades cresceram nesta comparação, com o setor de informação e comunicação exercendo o principal impacto positivo, com alta de 7,7%.

Alta em três de cinco setores

Três das cinco atividades que compõem o índice avançaram entre março e abril, com destaque para a alta de 1,7% no setor de transportes – acumulando um ganho de 2,5% no período.

Dos quatro tipos de serviços com maior impacto positivo no resultado do mês, três são do grupo transportes – com destaque para transportes aéreos, devido a queda dos preços das passagens aéreas. Outros impactos relevantes ficaram transporte rodoviário municipal de passageiros e logística de cargas.

Outra atividade que afetou o índice de abril foi outros serviços, que com a alta de 5,0%, também apresentam o segundo crescimento seguido, acumulando 5,3% de expansão no período de março-abril. Neste caso, o destaque ficou com as atividades de serviços financeiros e auxiliares, que marcaram a segunda maior influência positiva em toda a pesquisa.

A terceira atividade que registrou alta foi informação e comunicação, com crescimento de 0,4%, puxado pelo resultado em telecomunicação.

Entre as quedas, serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram recuo de 1,1%, sendo que serviços de engenharia, empresas que atuam com cartões de desconto e programas de fidelidade e as agências de viagens tiveram um papel importante para explicar a queda do setor de profissionais e administrativos, em abril.

Fechando as atividades, o setor de serviços prestados às famílias, com queda de 1,8%, sofreu seu recuo mais intenso desde outubro de 2023, afetado pelo grupamento de alojamento e alimentação, seguido por espetáculos teatrais e musicais.

Na análise regional, 20 das 27 unidades da federação (UFs) tiveram crescimento entre março e abril. Entre os locais que apontaram taxas positivas nesse mês, os impactos mais importantes vieram de São Paulo (0,6%) e Minas Gerais (3,2%), seguidos por Bahia (5,7%) e Distrito Federal (5,4%). Em contrapartida, Rio de Janeiro (-0,7%), Tocantins (-22,5%) e Paraná (-1,0%) tiveram as principais influências negativas.

Cautela com dados

Na visão de Matheus Pizzani, economista da CM Capital, os dados devem ser analisados “com alguma parcimônia”, por conta da importância relativa que possui para os próximos passos da política monetária.

“Embora o dado global e alguns de seus subcomponentes possam sugerir um nível de atividade econômica demasiadamente aquecido, é necessário levar em consideração que parcela destes dados não tem potencial de se desdobrar necessariamente em pressão inflacionária, sendo o maior exemplo disso o avanço do grupo de serviços de transporte, puxado seja por fatores corretivos como por movimentos relacionados à economia internacional”, explica o economista.

Depois que tais fatores se dissipam, Pizzani diz que existem alguns pontos de preocupação para a política monetária, como no caso do avanço do transporte terrestre de cargas, “cuja materialização em maior nível de demanda tende a ser confirmada ou refutada através da divulgação da PMC (Pesquisa Mensal do Comércio) amanhã”.

O economista destaca ainda que houve “uma espécie de migração” do nível de demanda intergrupos, com o nível de crescimento dos serviços profissionais e administrativos verificado em março se deslocando para o subgrupo de outros serviços prestados às famílias.

“Tendo em vista que ambos respondem a variáveis semelhantes, em especial o nível de renda disponível das famílias, é necessário fazer um acompanhamento cauteloso desta evolução, especialmente após o IPCA de maio ter indicado um nível mais aquecido de preço nos componentes do grupo de serviços, o que sugere que o movimento verificado hoje na PMS tende a se estender na próxima divulgação do nível de atividade do setor de serviços”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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