O debate em torno da regra fiscal é o principal ponto a ser solucionado pelo governo federal neste momento para que o país não fique paralisado, na visão do senador Renan Calheiros (MDB).
Em entrevista exclusiva à TV GGN, Calheiros diz que o país tem condições de voltar à normalidade, embora ainda não tenha o necessário para o investimento, e que questão fiscal é uma prioridade.
“(Uma regra fiscal) que tenha credibilidade, que seja crível, que garanta previsibilidade, que estabeleça um muro, um patamar para o crescimento do endividamento, para que substitua o teto de gastos que foi desmoralizado pelo governo Bolsonaro”, afirma o senador.
Na visão de Calheiros, é muito importante que se criem condições que permitam a retomada econômica do país de maneira acelerada (como ocorreu entre os anos 50 e 70), e reverter os prognósticos de que o PIB brasileiro ficará abaixo de 1% neste ano.
Relação com mercado internacional
O senador também destaca a necessidade de se retomar os investimentos estrangeiros, incentivando a entrada do capital externo no país. Para isso, é preciso refazer o papel dos bancos estatais.
“Eu estou agora na presidência da comissão de relações exteriores do Senado Federal, e tenho também me dedicado para que o Parlamento colabore com o avanço da política externa com relação a abertura de novos mercados, isso é muito importante”, explica Calheiros.
Renan Calheiros também aponta a necessidade de se diversificar a pauta de exportação do país, principalmente com relação à China.
“Quase 22% dos produtos que são importados são produtos chineses, o Brasil é apenas o sétimo exportador para a China, nós participamos com 4,1% das exportações da China”, explica o senador.
“Quer dizer, nós temos um espaço aí muito grande para estimular internamente a diversificação da nossa agenda de exportação para que assim, o Brasil retome o crescimento e a nossa população possa cada vez viver melhor”.
Taxa de juros “nas alturas”
Uma das críticas de Calheiros tem sido a manutenção da taxa básica de juros em patamares “nas alturas” por parte do Banco Central – na última semana, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
“É uma coisa absolutamente imoral com a inflação que nós temos, que é alta, mas não é suficientemente alta para ancorar uma taxa de juros, uma SELIC de 13.75%”, diz Calheiros, ressaltando que a propalada independência do Banco Central precisa valer para todos: “mercado, empresariado, poder político e imprensa”.
Questionado se o Senado ouvirá o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o senador afirma que houve uma decisão para que ele compareça à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O requerimento (REQ 2/2023) de convite ao presidente do BC foi discutido em reunião deliberativa realizada em 14 de março.
Confira abaixo a íntegra da entrevista do senador Renan Calheiros à TV GGN
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