O enigmático significado do Abaporu

do blog de Luiz Neves
 
 
 

A origem do nome de um dos quadros mais importantes do modernismo brasileiro, o Abaporu, de Tarsila do Amaral: Tarsila pintou-o como presente de aniversário a Oswald de Andrade, seu marido na época. Quando ele viu a tela, assustou-se e chamou o amigo Raul Bopp para tentar decifrá-la. Intrigados, concordaram em que representava algo excepcional. Tarsila, apelando para os rudimentos de tupi-guarani que conhecia, batizou-a de Abaporu – aba, “homem”, “índio”; poru, “comendor de carne humana”, “antropófago”, “canibal”.

O quadro inspirou a criativa cabeça de Oswald, levando-o a escrever seu “Manifesto Antropofágico”, berço de um movimento que, segundo ele, “deglutiria” a cultura europeia, transformando-a em algo bem brasileiro. Embora radical, a nova corrente teve sua importância pelo que representava em termos de exacerbado nacionalismo. A tela é, até hoje, a mais cara já vendida na Brasil (US$ 1,5 milhão), e foi comprada pelo colecionador Eduardo Costantini e encontra-se exposta no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA).

Mas qual o significado do quadro? Difícil dizer, mas, na opinião de certos círculos, o homem avantajado com a cabeça pequena seria o brasileiro desmiolado. Quanto aos pés e mãos, enormes, era como Tarsila via em nosso povo sofridos trabalhadores. O sol e o cacto simbolizavam a penosa rotina do homem do campo, dando duro debaixo de sol inclemente. Ainda hoje a polêmica obra tem avivado acaloradas discussões. 

E você, o que acha?
Por Márcio Cotrim, em Berço da palavra – A origem popular de expressões brasileiras, [Revista Língua Portuguesa],  Edição-59
 
Veja o quadro em detalhes:

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11 comentários

  1. Houaiss até o registra
    Abaporu Regionalismo: Brasil.o que come carne humana; antropófago E ao pé da página, em Etimologia explica que em tupi awa a’wa  ‘homem, índio’ e poru, ‘comer carne humana’.    

  2. “Quem vê cara, não vê coração”

    O quadro quer retratar as características física-intelectual-sóciocultural  do povo nordestino (simbolizado pelo sol e o

    cacto), demonstrado pelo membros avantajados e a cabeça desproporcional pequena ao conjunto do corpo. Querendo

    dessa forma, expressar que a única característica positiva desse indivíduo são a força bruta e a propensão para

    trabalhos braçais (manuais), porém, a autora peca e erra redondamente, por não mostrar também o coração, sede da

    inteligência  e da sabedoria, que são as qualidades e os brios que  permeiam  a índole do povo nordestino. A cabeça

    chata e pequena, são consequência de privações de uma alimentação adequado, devido a séculos de abandono da

    região nordestina em quase todas áreas, principalmente a  área educacional. Como consequência disso, a cabeça

    pode parecer atrofiada com pouca massa encefálica, mas em compensação o coração desse indivíduo hepertrofia. .

    Como diz o ditado: “O essencial é invisível aos olhos.”

  3. Tarsila mostra-se um

    Tarsila mostra-se um autêntica paulista neste quadro. Então tá.  “Brasileiro desmiolado, cuja única característica positiva é a força bruta”.

    E qual a imagem da elite da qual Tarsila era oriunda? Elite cafeeira que nadava em dinheiro roubado da nação por causa do Convênio de Taubaté.

  4. Prezado Nasif
    Não tem

    Prezado Nasif

    Não tem significado algum! . Porra louquismo de alguns pintores modernistas brasileiros a la Picaso , que achavam que pintar as agruras  do campesinato brasileiro infligidas pelo Coronéis de plantão ,era importante  para conscientizar o povo campesino , especialmente nordestino , para a grande revolução , e ainda  era o supremo da arte !. Parece a famosa  “coisa” de SAlvador Dali !. Mas diferente do SAlvador Dali ,aqui o quadro é o significado de toda a profunda mediocridade da estética da pintura brasileira modernista .O quadro é horrível , como o nome …Pergunte para algum campesino  para saber o conteúdo artístico que o quadro desperta ..a pintora parecia ser adepta do puro chá de São Damião!.

    • a la Picaso..???

      Mas era este o sentido da antropofagia: Deglutir o estrangeiro

      “(…) Funda-se em seguida o, Clube de Antropofagia, juntamente com a Revista de Antropofagia, em que é publicado o Manifesto Antropófago(aqui) escrito por Oswald de Andrade como o cerne teórico do movimento nascente, que se dissolve com a separação entre ele e Tarsila, em 1929. Com frases de impacto, o texto reelabora o conceito eurocêntrico e negativo de antropofagia como metáfora de um processo crítico de formação da cultura brasileira. Se para o europeu civilizado o homem americano era selvagem, ou seja, inferior, porque praticava o canibalismo, na visão positiva e inovadora de Andrade, exatamente nossa índole canibal permitira, na esfera da cultura, a assimilação crítica das idéias e modelos europeus. Como antropófagos somos capazes de deglutir as formas importadas para produzir algo genuinamente nacional, sem cair na antiga relação modelo/cópia, que dominou uma parcela da arte do período colonial e a arte brasileira acadêmica do século XIX e XX. “Só interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago”, bradou o autor em 1928(…)”

      http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=74

       

  5. Peraí. O quadro foi pintado

    Peraí. O quadro foi pintado em 1928. Tarsila morreu em 1973. Nunca perguntaram o siginificado do quadro a ela???!!!!!  Ah, e eu acho bem feio.

  6. comentar e aonde consigo comprar uma capa do ABAPORU iphone 4S

    Todo grande artista precisa de uma inspiração, e o enigma desperta a curiosidade e admiração de quem apreica e inveja de quem não conhece artes.

    ps: Por favor, a minha capa do ABAPORU do iPhone 4S quebrou como faço para conseguir outra?

  7. Tarsila do Amaral – Uma mulher brilhante e talentosa.

    O Abaporu pode ter muitas leituras mas, sem dúvida , em minha opinião mostra que o homem/mulher do campo/simples valia mais por sua força do que como ser humano. Por isso os braços e pernas (pé) imensos e a cabeça pequena pensando (dúvida) sobre a vida e sobre sua identidade. Esses homens & mulheres (brancos, mulatos ou negos) eram consumidos pelo trabalho exaustivo. Daí a “antropofafgia”.

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