27 de junho de 2026

O enigmático significado do Abaporu

do blog de Luiz Neves
 
 
 

A origem do nome de um dos quadros mais importantes do modernismo brasileiro, o Abaporu, de Tarsila do Amaral: Tarsila pintou-o como presente de aniversário a Oswald de Andrade, seu marido na época. Quando ele viu a tela, assustou-se e chamou o amigo Raul Bopp para tentar decifrá-la. Intrigados, concordaram em que representava algo excepcional. Tarsila, apelando para os rudimentos de tupi-guarani que conhecia, batizou-a de Abaporu – aba, “homem”, “índio”; poru, “comendor de carne humana”, “antropófago”, “canibal”.

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O quadro inspirou a criativa cabeça de Oswald, levando-o a escrever seu “Manifesto Antropofágico”, berço de um movimento que, segundo ele, “deglutiria” a cultura europeia, transformando-a em algo bem brasileiro. Embora radical, a nova corrente teve sua importância pelo que representava em termos de exacerbado nacionalismo. A tela é, até hoje, a mais cara já vendida na Brasil (US$ 1,5 milhão), e foi comprada pelo colecionador Eduardo Costantini e encontra-se exposta no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA).

Mas qual o significado do quadro? Difícil dizer, mas, na opinião de certos círculos, o homem avantajado com a cabeça pequena seria o brasileiro desmiolado. Quanto aos pés e mãos, enormes, era como Tarsila via em nosso povo sofridos trabalhadores. O sol e o cacto simbolizavam a penosa rotina do homem do campo, dando duro debaixo de sol inclemente. Ainda hoje a polêmica obra tem avivado acaloradas discussões. 

E você, o que acha?
Por Márcio Cotrim, em Berço da palavra – A origem popular de expressões brasileiras, [Revista Língua Portuguesa],  Edição-59
 
Veja o quadro em detalhes:

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12 Comentários
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  1. antonio francisco

    16 de fevereiro de 2014 8:25 pm

    Houaiss até o registra
    Abaporu Regionalismo: Brasil.o que come carne humana; antropófago E ao pé da página, em Etimologia explica que em tupi awa a’wa  ‘homem, índio’ e poru, ‘comer carne humana’.    

  2. Noé Ribeiro Neto

    16 de fevereiro de 2014 11:47 pm

    “Quem vê cara, não vê coração”

    O quadro quer retratar as características física-intelectual-sóciocultural  do povo nordestino (simbolizado pelo sol e o

    cacto), demonstrado pelo membros avantajados e a cabeça desproporcional pequena ao conjunto do corpo. Querendo

    dessa forma, expressar que a única característica positiva desse indivíduo são a força bruta e a propensão para

    trabalhos braçais (manuais), porém, a autora peca e erra redondamente, por não mostrar também o coração, sede da

    inteligência  e da sabedoria, que são as qualidades e os brios que  permeiam  a índole do povo nordestino. A cabeça

    chata e pequena, são consequência de privações de uma alimentação adequado, devido a séculos de abandono da

    região nordestina em quase todas áreas, principalmente a  área educacional. Como consequência disso, a cabeça

    pode parecer atrofiada com pouca massa encefálica, mas em compensação o coração desse indivíduo hepertrofia. .

    Como diz o ditado: “O essencial é invisível aos olhos.”

  3. lenita

    17 de fevereiro de 2014 12:05 am

    é !

    é !

  4. vera lucia venturini

    17 de fevereiro de 2014 1:25 am

    Tarsila mostra-se um

    Tarsila mostra-se um autêntica paulista neste quadro. Então tá.  “Brasileiro desmiolado, cuja única característica positiva é a força bruta”.

    E qual a imagem da elite da qual Tarsila era oriunda? Elite cafeeira que nadava em dinheiro roubado da nação por causa do Convênio de Taubaté.

  5. lclbotelho

    17 de fevereiro de 2014 1:48 am

    Prezado Nasif
    Não tem

    Prezado Nasif

    Não tem significado algum! . Porra louquismo de alguns pintores modernistas brasileiros a la Picaso , que achavam que pintar as agruras  do campesinato brasileiro infligidas pelo Coronéis de plantão ,era importante  para conscientizar o povo campesino , especialmente nordestino , para a grande revolução , e ainda  era o supremo da arte !. Parece a famosa  “coisa” de SAlvador Dali !. Mas diferente do SAlvador Dali ,aqui o quadro é o significado de toda a profunda mediocridade da estética da pintura brasileira modernista .O quadro é horrível , como o nome …Pergunte para algum campesino  para saber o conteúdo artístico que o quadro desperta ..a pintora parecia ser adepta do puro chá de São Damião!.

    1. José Carlos Lima

      17 de fevereiro de 2014 7:26 am

      a la Picaso..???

      Mas era este o sentido da antropofagia: Deglutir o estrangeiro

      “(…) Funda-se em seguida o, Clube de Antropofagia, juntamente com a Revista de Antropofagia, em que é publicado o Manifesto Antropófago(aqui) escrito por Oswald de Andrade como o cerne teórico do movimento nascente, que se dissolve com a separação entre ele e Tarsila, em 1929. Com frases de impacto, o texto reelabora o conceito eurocêntrico e negativo de antropofagia como metáfora de um processo crítico de formação da cultura brasileira. Se para o europeu civilizado o homem americano era selvagem, ou seja, inferior, porque praticava o canibalismo, na visão positiva e inovadora de Andrade, exatamente nossa índole canibal permitira, na esfera da cultura, a assimilação crítica das idéias e modelos europeus. Como antropófagos somos capazes de deglutir as formas importadas para produzir algo genuinamente nacional, sem cair na antiga relação modelo/cópia, que dominou uma parcela da arte do período colonial e a arte brasileira acadêmica do século XIX e XX. “Só interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago”, bradou o autor em 1928(…)”

      http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=74

       

  6. dete

    17 de fevereiro de 2014 3:06 am

    Peraí. O quadro foi pintado

    Peraí. O quadro foi pintado em 1928. Tarsila morreu em 1973. Nunca perguntaram o siginificado do quadro a ela???!!!!!  Ah, e eu acho bem feio.

  7. Carla Antonia

    17 de fevereiro de 2014 11:26 am

    Nunca gostei desse quadro da

    Nunca gostei desse quadro da Tarsila. Uma tentativa “infantil” de copiar talvez o Picasso? Horrível, mesmo. Antropófago ou não.

  8. carlin

    16 de fevereiro de 2015 1:28 pm

    Q ISSU? PICASSO?

    COPIANDO PICASSO TSC TSC BRS HU3HU3 JA NESSA ÉPOCA???

  9. João Seraphim

    3 de agosto de 2015 4:21 pm

    comentar e aonde consigo comprar uma capa do ABAPORU iphone 4S

    Todo grande artista precisa de uma inspiração, e o enigma desperta a curiosidade e admiração de quem apreica e inveja de quem não conhece artes.

    ps: Por favor, a minha capa do ABAPORU do iPhone 4S quebrou como faço para conseguir outra?

  10. Jose Augusto Pimentel

    5 de fevereiro de 2018 4:07 pm

    Tarsila do Amaral – Uma mulher brilhante e talentosa.

    O Abaporu pode ter muitas leituras mas, sem dúvida , em minha opinião mostra que o homem/mulher do campo/simples valia mais por sua força do que como ser humano. Por isso os braços e pernas (pé) imensos e a cabeça pequena pensando (dúvida) sobre a vida e sobre sua identidade. Esses homens & mulheres (brancos, mulatos ou negos) eram consumidos pelo trabalho exaustivo. Daí a “antropofafgia”.

  11. Abertadafe

    1 de março de 2022 4:26 pm

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