Folha e Almirante do MME dizem que energia barata é distorção

Ou seja, o único foco do Almirante - e do jornal - são os interesses das comercializadoras de energia, que poderiam ter prejuízo com a queda dos preços de energia. Solicita-se ao jornal que, quando as tarifas de energia explodirem, não faça cara de paisagem.

Um dos temas mais significativos das distorções que acometem a mídia brasileira e as políticas públicas, é o discurso único em favor da privatização da Eletrobras.

É escandaloso.

Um dos pilares da legitimação do jornalismo é o da defesa do chamado interesse difuso. Os grandes setores se organizam em associações, sindicatos e movimentos. O interesse difuso do cidadão, não. Daí a relevância da mídia e seu papel insubstituível de defensora dos interesses difusos.

A missão principal de uma política pública de energia é garantir energia abundante e barata para o país como um todo. Energia é um dos pilares das políticas de renda. E é um insumo essencial para garantir a competitividade da economia. Por isso mesmo, é um insumo estratégico.

A privatização da Eletrobras terá um efeito óbvio e imediato: promoverá uma explosão nas tarifas de energia.

A entrevista de hoje, na Folha, com o Almirante Bento Albuquerque, Ministro das Minas e Energia, é a demonstração cabal de como o interesse nacional foi completamente desvirtuado por ambas as instituições – governo e mídia. Viraram balcão de negócios.

A Marinha, que já foi essencial, desenvolvendo programas que garantissem a oferta estratégica de energia no país, ofereceu ao governo militar de Jair Bolsonaro o Almirante Bento Albuquerque – que, assim como o general que preside a Petrobras, é apenas um simulacro de CEO descomprometido com o interesse nacional.

E, para o jornal, o grande erro do setor foi ter permitido a queda do preço da energia no mercado à vista (!).

Uma das críticas à gestão da crise foi a queda do preço da energia no mercado quando o país estava acionando as térmicas a mais de R$ 2.000 o MWh. Como o sr. explica essa situação?

Isso é a distorção que existe na garantia física [quantidade potencial que uma usina se compromete a comercializar energia], principalmente nas hidrelétricas da Eletrobras, que tem uma participação muito grande na geração do país. Na capitalização [da estatal] essa garantia será revista.

Em portugues corrente.

A Eletrobras é grande geradora de energia e mantém contratos de longo prazo com distribuidoras, por um preço pré-definido. Esse modelo assegura energia barata e não sujeita às oscilações de mercado​. Segundo a reportagem – e o Almirante – essa garantia de energia barata é distorção, que será corrigida com a privatização da Eletrobras.

Em outras palavras, após a privatização da Eletrobras, toda a energia garantia será liberada, provocando uma explosão nas tarifas das distribuidoras.

Os grandes consumidores se virarão, acertando contratos com as comercializadoras de energia. A conta explodirá no colo dos pequenos consumidores e dos consumidores residenciais.

Ou seja, o único foco do Almirante – e do jornal – são os interesses das comercializadoras de energia, que poderiam ter prejuízo com a queda dos preços de energia.

Solicita-se ao jornal que, quando as tarifas de energia explodirem, não faça cara de paisagem.

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3 Comentários

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Rossi

- 2022-01-02 19:36:46

Virá também aí um "preço de paridade internacional",e o consumidor nacional sairá ferrado como já acontece com os combustíveis.Simples.

Zé do Caixao

- 2022-01-02 11:08:26

General Picareta dessa turma do Bolsonoro é normal, eles como Bolsonaro tem compromisso só com o próprio bolso e dane-se o país. Agora triste ver como os jornais brasileiros são funcionários, porta voz do capital selvagem predador, que só quer fazer bons negócios com o patrimônio e ativos construídos com dinheiro do povo. Depois que acabaram as estatais vão todos virarem pró Estado, para que o dinheiro público resolva os problemas que eles vão criar e depois possam assaltar novamente. E o país? Que se dane.

Roberto

- 2022-01-02 10:23:01

Para essa gente, o povo atrapalha. O povo não faz parte do Brasil, apenas os empresários é que contam.

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