O passado de Sergio Moro – Entrevista com o procurador Celso Tres

Na conversa com os jornalistas Luis Nassif, Marcelo Auler e Cintia Alves, o procurador Celso Tres remonta às investigações do chamado "caso CC5" e explica porquê, naquela operação, Moro não teve o mesmo protagonismo e força que angariou, anos mais tarde, na Lava Jato.

Jornal GGN – Esta entrevista exclusiva com o procurador da República Celso Tres foi gravada no final de 2020, durante a produção do documentário “SERGIO MORO: A CONSTRUÇÃO DE UM JUIZ ACIMA DA LEI”.Assista aqui:

Celso Tres conviveu com Moro em Cascavel, no Paraná, no final dos anos 1990. Atuando naquela cidade interiorana, Moro lhe parecia um “excelente” magistrado. “Não tinha essa questão de atuar como juiz, acusador, fazer todos os papéis”. Isso mudou quando o então ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp, criou as varas especializadas em lavagem de dinheiro, no começo dos anos 2000. Moro, então, assumiu a titularidade da 2ª Vara Federal em Curitiba – que depois veio a se tornar a 13ª Vara Federal, palco da Lava Jato – e passou a cuidar do escândalo do Banestado. Ali conheceu o doleiro Alberto Youssef e adotou prisões preventivas e delações premiadas, entre outros métodos nada ortodoxos, como suas principais armas na “cruzada anticorrupção”.

Na conversa com os jornalistas Luis Nassif, Marcelo Auler e Cintia Alves, o procurador Celso Tres remonta às investigações do chamado “caso CC5” e explica porquê, naquela operação, Moro não teve o mesmo protagonismo e força que angariou, anos mais tarde, na Lava Jato.

Celso Tres analisou e fez críticas a diversos aspectos da Lava Jato pouco abordados na imprensa, a começar pela falta de um método de investigação independente de delação premiada, em contraste com o que se viu no Mensalão.

Ele também comentou o parecer do procurador José Soares Frisch, o primeiro a receber os inquéritos que deram origem à Lava Jato. Frisch defendeu que o foro para a investigação deveria ser Brasília ou São Paulo, porque não havia nenhuma conexão entre os crimes narrados na Petrobras e Curitiba. Mas o procurador natural do caso foi ignorado por Moro e ele acabou abrindo mão do caso, sendo substituído por Deltan Dallagnol.

Para Celso Tres, Moro perdeu a sua imparcialidade na Lava Jato. Seus excessos e estripulias foram avalizados por tribunais superiores, mas a maior parcela de culpa sobre os abusos que macularam a operação, na visão do entrevistado, é do Ministério Público Federal. A instituição tinha o dever de fiscalizar as ações do então magistrado e agir com autonomia. Ao contrário disso, as conversas de Telegram entre os procuradores e o ex-juiz revelaram uma força-tarefa do MPF completamente leniente e submissa ao “CPP Russo”.

Ao final da entrevista, Celso Tres relembrou o dia em que Moro mandou o Ministério Público e a polícia federal investigarem um contador morto.

Descrição e edição do vídeo: Cintia Alves

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