Covid-19 – Balanço e projeções: No ritmo atual, o país irá contabilizar 291 mil mortes até 28/3

Levando em conta as estatísticas obtidas no início da tarde desta segunda-feira (1/3), eis aqui um resumo da situação mundial.

Covid-19 – Balanço e projeções: No ritmo atual, o país irá contabilizar 291 mil mortes até 28/3.

Por Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgados na semana passada (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento (casos e mortes) divulgados em artigo anterior (aqui). Estes dois parâmetros (sozinhos ou combinados) servem como um guia apropriado e confiável para se monitorar o rumo e o ritmo da pandemia (diferentemente da média móvel, por exemplo). Entre 4/1 e 28/2, as taxas ficaram em 0,56% (casos) e 0,47% (mortes). Nesse ritmo, o país irá contabilizar um total de 12.324.278 casos e 290.746 mortes até o último domingo de março (28/3). Só há um jeito de impedir que estas projeções se confirmem: adotar medidas efetivas de proteção e confinamento.

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1. A SITUAÇÃO MUNDIAL.

Levando em conta as estatísticas obtidas no início da tarde desta segunda-feira (1/3) [1], eis aqui um resumo da situação mundial.

(A) Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 79% dos casos (de um total de 114.223.289) e 82% das mortes (de um total de 2.533.129) [3].

(B) Entre esses 20 países, a taxa de letalidade segue em 2,3%. A taxa brasileira segue em 2,4%. (Outros três países da América do Sul que estão no topo da lista têm taxas de letalidade equivalentes ou ainda piores: Argentina, 2,5%; Colômbia, 2,7%; e Peru, 3,5%.)

(C) Nesses 20 países, 65,9 milhões de indivíduos receberam alta, o que corresponde a 71% dos casos. Em escala global, 84,2 milhões de indivíduos já receberam alta.

2. o ritmo atual da pandemia no país.

Ontem (28/2), de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados em todo o país mais 34.027 casos e 721 mortes. Teríamos chegado assim a um total de 10.551.259 casos e 254.942 mortes [4].

Em números absolutos, as estatísticas registradas na semana passada (22-28/2) foram as mais assombrosas deste o início da pandemia.

Foram 383.085 novos casos – o recorde anterior era de 382.309 casos (11-17/1/2021). Foi a 13ª semana com mais de 300 mil novos casos, oito das quais foram registradas em 2021.

E foram 8.438 mortes – o recorde anterior era de 7.711 (8-14/2/2021). Foi a 15ª semana com mais de 7 mil mortes, sete das quais foram registradas em 2021 [5].

3. Taxas de crescimento.

Como já comentei em vários artigos anteriores, o jeito certo de monitorar o rumo e o ritmo de uma epidemia (ou pandemia, como é o caso de agora) exige que examinemos algum parâmetro que nos informe sobre a dinâmica da disseminação da doença. É o caso das taxas de crescimento no número de casos e de mortes [6].

Vejamos os resultados mais recentes.

Em comparação com as médias da semana anterior (15-21/2), as médias da semana passada (22-28/2) escalaram. E de modo apreciável (ver a figura que acompanha este artigo).

A taxa de crescimento no número de casos subiu de 0,48% (15-21/2) para 0,53% (22-28/2) – o maior percentual nas últimas quatro semanas.

Já a taxa de crescimento no número de mortes subiu de 0,43% (15-21/2) para 0,48% (22-28/2) – também o maior percentual nas últimas quatro semanas [7, 8].

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FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 28/6/2020 e 28/2/2021. (Valores acima de 2% não são mostrados.) As médias mais baixas das duas séries (casos e mortes) foram observadas entre 11/10 e 8/11, razão pela qual o período é referido aqui como o ‘melhor mês’. Logo em seguida, porém, note como as duas nuvens de pontos experimentaram rupturas e mudaram de rumo. E note como o apagão que houve na divulgação das estatísticas, na segunda quinzena de dezembro, rebaixou artificialmente as duas trajetórias.

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4. Coda.

Levando em conta qualquer uma das taxas, mas em especial a de mortes, nós podemos concluir que o país está com os dois pés afundados na lama desde 3/1/2021. Vejamos os números.

Entre 4/1 e 28/2, a média da taxa de crescimento no número de novos casos ficou em 0,56%. (As médias semanais oscilaram entre 0,46% e 0,67%.)

No mesmo período, a média da taxa de crescimento no número de mortes ficou em 0,47%. (As médias semanais oscilaram entre 0,43% e 0,51%.)

Nesse ritmo, o país irá contabilizar 12.324.278 casos e 290.746 mortes até o último domingo de março (28/3). (Caso as taxas subam, as estatísticas serão ainda piores.)

Chiliques, mentiras e mau hálito não impedirão que o vírus continue a circular livremente entre nós. A rigor, só há um jeito de impedir que as projeções acima se confirmem [9]: adotar medidas efetivas de proteção e confinamento.

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Notas.

[*] Para detalhes e informações sobre o livro mais recente do autor, O que é darwinismo (2019), inclusive sobre o modo de aquisição por via postal, faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros livros e artigos, ver aqui.

[1] Vale notar que certos países atualizam suas estatísticas uma única vez ao longo do dia; outros atualizam duas vezes ou mais; e há uns poucos que estão a fazê-lo de modo mais ou menos errático. Alguns países europeus (e.g., Suécia, Suíça e Espanha) insistem em não divulgar as estatísticas em feriados e fins de semana. A julgar pelo que informam os painéis, o comportamento da Suécia tem sido particularmente surpreendente e vexatório. No âmbito da América do Sul, o destaque negativo segue por conta do Peru. Acompanho as estatísticas mundiais em dois painéis, Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA) e Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).

[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em cinco grupos: (a) Entre 28 e 30 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 10 e 12 milhões – Índia e Brasil; (c) Entre 4 e 6 milhões – Rússia e Reino Unido; (d) Entre 2 e 4 milhões – França, Espanha, Itália, Turquia, Alemanha, Colômbia, Argentina e México; e (e) Entre 1 e 2 milhões – Polônia, irã, África do Sul, Ucrânia, Indonésia, Peru e Tchéquia.

[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março, em escala mundial e nacional, ver os quatro volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado (aqui, aqui, aqui e aqui).

[4] Compare estas estatísticas com as projeções feitas em artigo anterior (aqui).

[5] O que equivale a uma média diária superior a 1 mil óbitos/dia.

[6] Arrisco dizer que a pandemia chegará ao fim sem que a imprensa brasileira (grande parte dela, ao menos) se dê conta de que está monitorando a pandemia de um jeito, digamos, desfocado – além de burocrático e bastante superficial. Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento – seja do número de casos, seja do número de mortes. De resto, trata-se de um parâmetro de fácil computação (ver a nota 8).

[7] Entre 19/10 e 28/2, as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,43% (19-25/10), 0,4% (26/10-1/11), 0,3% (2-8/11), 0,49% (9-15/11), 0,5% (16-22/11), 0,56% (23-29/11), 0,64% (30-6/12), 0,63% (7-13/12), 0,68% (14-20/12), 0,48% (21-27/12), 0,47% (28/12-3/1), 0,67% (4-10/1), 0,66% (11-17/1), 0,59% (18-24/1), 0,57% (25-31/1), 0,49%(1-7/2), 0,46% (8-14/2), 0,48% (15-21/2) e 0,53% (22-28/2); e (2) mortes: 0,3% (19-25/10), 0,26% (26/10-1/11), 0,21% (2-8/11), 0,3% (9-15/11), 0,29% (16-22/11), 0,3% (23-29/11), 0,34% (30-6/12), 0,36% (7-13/12), 0,42% (14-20/12), 0,33% (21-27/12), 0,36% (28/12-3/1), 0,51% (4-10/1), 0,47% (11-17/1), 0,48% (18-24/1), 0,48% (25-31/1), 0,44%(1-7/2), 0,47% (8-14/2), 0,43% (15-21/2) e 0,48% (22-28/2).

[8] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver as referências citadas na nota 3.

[9] Como escrevi em artigos anteriores, os efeitos da vacinação só serão percebidos – na melhor das hipóteses – quando mais da metade dos brasileiros tiver sido vacinada. Uma meta que, no ritmo atual, levará alguns anos para ser alcançada… E mais: Devemos tomar cuidado com as armadilhas mentais que cercam a campanha de vacinação. Três das quais seriam as seguintes: (1) a imunização individual não é instantânea nem nos livra de continuar adotando as medidas de proteção social (e.g., distanciamento espacial e uso de máscara); (2) a imunização coletiva só será alcançada depois que a maioria (> 75%) da população tiver sido vacinada; e (3) a população brasileira é grande, de sorte que a campanha irá demorar vários meses (mais de um ano, talvez).

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