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Comentário ao post “Há um vácuo de pensamento econômico no Brasil”
Existe uma forma muito “simples” de resolver este problema da produtividade: investindo em educação básica.
Por isso, não vamos cobrar muito dos nossos acadêmicos.
Economista não é músico virtuoso em jam session para se especializar em improviso, penduricalho, arremedo para um ambiente econômico que possui base mal planejada.
Imagine se, num dos Saraus do Nassif, for convidado ao palco um sujeito que é versado no dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, mas se embanana todo se falarem para ele de sustenido e bemol. Sem caderninho de cifras, e fugindo das peças já decoradas, vai ficar a ver navios, não conseguindo mandar ver no chorinho.
Enquanto a nossa educação pública não conseguir formar mais do que analfabetos funcionais, cheia de progressões continuadas e orçamento eternamente insuficiente, não há Unicamp, Casa das Garças, Prouni e cotas que resolva.
Estes dois últimos têm um valor social interessante (a filha da empregada doméstica vai para a Gama Filho com bolsa integral, sai de lá arquiteta, ou advogada, aumentando sua auto-estima, conseguindo algo que nunca imaginaria), mas não pode ser a esperança que nossos planejadores públicos possuem para a salvação da economia brasileira. Tanto que, a despeito do incremento da educação superior (e número de formados) desde a era Paulo Renato, o quesito produtividade ficou quase que estagnado.
É muito comum, nesse contexto, encontrar gente formada em faculdade fundo de quintal que depois parte para o setor de serviços, por não ter conseguido se firmar num mercado altamente competitivo.
Até porque a maioria dos empregos criados sob Lula, segundo Pochmann, são de qualificação baixa, no setor de serviços, de salário de até 1,5 salário mínimo, mesmo com os milhões de recém formados pelas privadas.
Se nosso colégio público fornecesse oportunidade para a molecada aprender não só a ler, mas também a interpretar textos e escrever de uma forma que as outras pessoas entendam, bem como realizar operações matemáticas de complexidade média, não há dúvidas que um curso técnico do Senai ou o Pronatec já seria o suficiente para formar mão de obra qualificadíssima. Algo parecido com o que se vê na Alemanha, com mão de obra altamente produtiva (e bem remunerada) sem ensino superior, apenas técnico.
O ensino superior seria destinado aos mais preparados, ou criativos, ou (infelizmente) mais ricos, igual se vê em países desenvolvidos, pois são eles os que desenvolveriam pesquisas, criariam tecnologias, e fariam nosso país dar o salto que precisamos para o mundo desenvolvido.
Advogado que não gosta de ler, engenheiro que não sabe escrever relatório, e arquiteto que não aprendeu no colégio a calcular bem, pode até trazer algum tipo de satisfação pessoal para uma pessoa componente de uma sociedade bacharelesca (?), mas não vai contribuir muita coisa para o nosso desenvolvimento econômico.
LC
28 de janeiro de 2014 10:19 pmBrilhante
Texto excelente, é exatamente isso.
Marcelo D.
28 de janeiro de 2014 10:24 pmGostaria de saber quantos
Gostaria de saber quantos desses “bem preparados” que saem hoje dos cursinhos e colegios para ricos que gostam de ler, sabem fazer relatórios e cálculos sofisticados…
junior50
28 de janeiro de 2014 11:09 pmCalculo sofisticado
A Cena:
Seleção de pessoal para financeira, acima de 2o Grau ( 3o completo ou cursando )
Cargo: iniciante, sem experiência – nomenclatura: aux.fin 1.
salario/horas: $ 1.875,00 + vr/vc/seg/ – 40 hs/ após 90 dd + 15%.
Antes da dinamica ( grupos de 20 candidatos), um teste – 1a pergunta: Calcule 17,5% de 100.000,00 –
Que eu contei, uns 12 utilizaram a calculadora do celular/tablet, teve uma que perguntou “pode usar calculadora ?”
Fiquei com os 8 restantes – 1 ainda errou -.
Sobre a interpretação de um texto basico – economico – retirado de jornal, destinado a ser discutido na dinamica de grupo, com os sobreviventes dos testes ( aritmética e portugues), foi uma catastrofe, tanto na interpretação,como na “defesa” das posições do grupo ( que era o que a nós interessava – como o grupo se portou).
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 12:12 amQue estória de terror
Teste assim teve quando fui admitido como kardexista (lembra dessa profissão?)
Só que os candidatos só tinham 1º grau…. (era o requerido e o suficiente na época e o salário, lembro até hoje porque foi meu primeiro salário, era de exatos 2,5 s.m.)
junior50
28 de janeiro de 2014 10:54 pmAdorei
Raramente concordo com o que vc. escreve, mas desta vez vc. acertou em cheio, demonstrou o que muitas vezes vivo em algumas de minhas assessorias, quando centradas em seleção de pessoal iniciante, ou para promover, dar maiores responsabilidades para empregados, já contratados.
Mas uma caracteristica que estou vivenciando, já á algum tempo, é a dificuldade dos recem-formados em correlacionar informações e/ou competencias, externas a suas areas de formação – muitas vezes, por exemplo, um engenheiro mecatronico é tecnicamente ( só teoricamente ) ótimo, mas não entende um texto de sua area relativo a custos, tem falta gritante em habilidades interpessoais, não compreende as inter relações de um projeto, e o pior: não quer, creio que não por ele, mas porque não tem subsidios para.
Creio que uma educação básica, mais abrangente e melhor dada, poderia ter dado a estas pessoas, um arcabouço cultural, que propiciaria a eles, um melhor entendimento, até facilitar-lhes a inserção no mercado de trabalho.
Alexandre VI
28 de janeiro de 2014 11:18 pmAssino embaixo, Arthur
É exatamente isso II.
Nicolas Crabbé
28 de janeiro de 2014 11:27 pmExcelente
Texto muito bom, que reflete a realidade desse país. Vende-se a ideia que para ser gente tem que ser bacharel (até em música isso aparece), e quando eu comento que a universidade não é para todos mas é uma instituição de elite, sou massacrado.
Em todos os países do mundo quem faz e termina faculdade é minoria; agora a qualidade do ensino básico tem que ser suficiente para garantir perspectivas de emprego para a maioria que não frequentará os bancos da universidade ; infelizmente o Brasil está a anos-luzes dessa situação e não vejo nenhum esforço do governo, seja ele federal, estadual ou municipal, para mudar esse quadro.
Enquanto não houver ensino básico de qualidade será muito difícil aumentar a produtividade do trabalho. Esse é o verdadeiro nó górdio da educação, não a Universidade para Todos.
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 12:15 amMuito bom, Taguti
Assunto extremamente importante para o Brasil por associar os seus dois grandes gargalos, a produtividade estagnada e a educação básica insuficiente.
Eu acrescentaria que isso de sociedade bacharelesca é cópia do sistema norte-americano, porque lá também acontece das pessoas quererem fazer curso superior quase como obrigação social e depois vai trabalhar todo mundo em serviços mesmo, sem pesquisa nenhuma, em funções burocráticas ou de contato com público, mas sem usar o conhecimento adquirido de imediato.
Isso não é um problema em si em uma sociedade tão afluente (20-25% mais rica que a Europa Ocidental) mas não é um modelo para o Brasil, não agora. O modelo da Europa Continental, quer dos cursos técnicos da Alemanha ou das licenciaturas curtas da França é muito mais economizador de recursos.
ArthurTaguti
29 de janeiro de 2014 1:23 amValeu Gunter.
Só que eita, eu
Valeu Gunter.
Só que eita, eu pensava que o ensino superior nos EEUU fosse extremamente excludente e elitizado.
Lá também existem as Gama Filho’s e Anhanguera’s da vida?
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 2:24 amNão sei detalhes,
quem conhece muito sobre isso é o Weden.
O ensino superior para formar lideranças ou cientistas é excludente sim. É tão excludente que uma vez vi um documentário em que se falava do gosto da elite mandar estudar na Europa (*)
Mas há boas faculdade públicas nas grandes cidades, há muitas e muitas bolsas e também há as faculdades meio de mentirinha nas cidades menores que são para quem não não é admitido em algo famoso e/ou não pode deixar sua cidade por algum motivo (trabalho, família, etc.)
E há ampla oferta de crédito, as pessoas financiam faculdade como quem compra carro ou apto, quando não pôde poupar antes.
Acho que os norte-americanos têm das maiores taxas de pessoas completando o 3º grau. Algo como 70%; Isso vem de décadas e os EUA são o paradigma no IDH para anos de estudo de adultos: 13 anos. E muito bem posicionados na expectativa de escolaridade para quem entra na escola agora: 17 anos (ou seja, não sei os anos dos ciclos fundamentais, no Brasil são 12, lá talvez sejam 13, mas é quase como se se esperasse que a maioria complete o superior)
Quanto a qualidade não sei dizer.
(*) No caso não é só por elitismo social, mas intelectual também: a elite, em tese, sabe que o ensino dos EUA é um modelo de ‘caixinhas’, em que cada pessoa só sabe pensar sua área, e desejaria que os filhos aprendessem de um modo mais interdisciplinar e reflexivo. Foi essa a mensagem do documentário que no fundo não é elogiosa: a elite estaria manobrando para saber mais e governar a classe média. Mas isso pode ser exagero, posto que Obama, por exemplo, é graduado e pós-graduado nos EUA.
ArthurTaguti
29 de janeiro de 2014 3:18 amVc sabe o nome do
Vc sabe o nome do documentário em questão?
Engraçado esse negócio da elite mandando os filhos para a Europa, já que os EUA são campeões mundiais no quesito criatividade e inovação e as universidades americanas lideram com folga os rankings universitários internacionais.
Ed Döer
29 de janeiro de 2014 11:43 amCreio que não deve ser A
Creio que não deve ser A elite. Esses tem conexões e conseguem por seus filhos nas melhores faculdades nem que seja na base de doações “generosas” para as instituições.
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 4:48 pmEntão…
Só que o que vc escreveu agora me lembrou que uma das razões para estudar fora não é por não conseguir aprovação, mas justamente para estender a rede de conexões.
Mas também não era esse o foco. De minha memória o que se falava é que a intenção era mesmo ter pessoas com uma visão melhor de como se dão processos sociais. E elite intelectual que não seria com intenções ‘progressistas’, mas para controlar melhor mesmo.
Nesse sentido seria A elite.
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 4:36 pmNão lembro
Foi na TV mesmo, não YT. E faz bastante tempo. Não era um programa ‘alternativo’ portanto (como há muito atualmente), alguma coisa de TV a cabo. Não lembro detalhes e era algum cientista social falando.
Mas o foco não era educação técnica, mas para ‘pensar o mundo’. Seriam famílias que queriam os filhos com educação menos bitolada, mais cosmopolita, mais voltada para comandar do que propriamente para fazer pesquisa. O que acontece com brasileiros também. Tipo, para quê mandar alguém estudar na Suíça? Não é só por qualidade de educação, mas para conexões também.
E lembrei agora da estória das fraternidades frequentadas por ricos.
Tentei achar algo pelo Google agora e não tive sucesso.
Vou ficar atento a isso, se eu me deparar com algo do assunto de novo lhes comento.
ArthurTaguti
29 de janeiro de 2014 7:33 pmEm Harvard tem o Porcellian
Em Harvard tem o Porcellian Club.
Eu não sei até que ponto a educação norte-americana é bitolada. Pelo que eu sei, o processo seletivo para as universidades mais disputadas (as Harvards, Stanfords e Yales da vida) não se resumem a boas notas no “vestibular” deles, mas também análise de currículo, onde atividades extracurriculares, militância estudantil, trabalhos voluntários e projetos (ou prêmios) contam bastante.
Veja bem, comparado com o que temos aqui, em que para entrar na USP, ou na GV, só é preciso você ser um baita de um bitolado decorador de fórmulas, o ambiente escolar estadunidense está há milhares de léguas de distância, quando falamos em formar alunos que pensem autonomamente. O nível de uma forma geral, mesmo entre os alunos que deveriam ser a “elite pensante” do país (os formulados em colégios privados de excelência das grandes metrópoles) é vexaminoso, fato reconhecido oficialmente pelo novo reitor da USP, que pretende mudar o processo seletivo para ver se atrai, ou pelo menos estimula os colégios a formar um perfil diferente de aluno.
Agora, essa elite americana tem o seu ponto quando manda os filhos para a Europa. Estudar na Suíça, Suécia, Finlândia, França, Alemanha, etc., dá um outro tipo de visão para estes jovens.
Ed Döer
29 de janeiro de 2014 12:31 pmGunter,Nos EUA são 40%
Gunter,
Nos EUA são 40% aqueles que terminam algum tipo de faculdade e não 70%, mas ainda assim é uma % elevada. E 57% seriam aqueles que pelo menos frequentaram universidades. Então, tem uma parte das pessoas, 17% da população, que começa mas não chega a concluir os estudos ao ponto de ter algum diploma, mas não cheguei a verificar o porque isso acontece.
E apesar de ser a wikipedia, que sempre gera alguma dúvida, tem o link lá da fonte, são dados do próprio governo americano.
http://en.wikipedia.org/wiki/Educational_attainment_in_the_United_States#General_attainment_of_degrees.2Fdiplomas
Gunter Zibell - SP
29 de janeiro de 2014 4:03 pmBem útil, Ed
Achei muito interessante isso de que 11% dos norte-americanos têm mestrado ou doutorado.
Você tem razão, encontrei agora 37% com alguma graduação ( http://nces.ed.gov/programs/digest/d12/tables/dt12_010.asp )
E encontrei outras coisas que podem melhorar essa realidade.
O sistema norte-americano é diferente de outros (embora lembre o francês em algumas coisas)
Há o ‘college’ com dois anos (o equivalente ao ‘tecnólogo’ no Brasil) isso pode ser considerado ‘ensino superior’?
Eu não conheço o suficiente para destrinchar, mas veja isto:
http://nces.ed.gov/fastfacts/display.asp?id=372
Temos cerca de 3 milhões completando o High School por ano. Isso é coerente com o número de nascimentos/ano, ok, o que é coerente com 88% completando o 2º grau.
“About 3.3 million students are expected to graduate from high school in 2013–14, including 3.0 million students from public high schools and 278,000 students from private high schools (source).
The percentage of high school dropouts among 16- through 24-year-olds declined from 12.1 percent in 1990 to 7.1 percent in 2011 (sourceand source). Reflecting the overall decline in the dropout rate between 1990 and 2011, the rates also declined for Whites, Blacks, and Hispanics (source).”
Mas temos 8 milhões frequentando cursos de 2 anos:
“Nearly 7.5 million students will attend public 2-year institutions, and 0.5 million will attend private 2-year colleges (source).”
E 14 milhões frequentando cursos de 4 anos (não sei onde entra, p.ex., medicina nisso, que lá é um curso muito longo)
“Some 8.2 million students are expected to attend public 4-year institutions, and about 5.6 million will attend private 4-year institutions”
Deve ter sobreposição (pessoas fazendo mais de um curso, repetentes, etc.) mas temos cerca de 4 milhões começando ao ano cursos em ‘college’ e 3,5 milhões começando cursos de 4 anos.
O que é mais do que suficiente para ser compatível com esta outra informação: “The percentage of students enrolling in college in the fall immediately following high school completion was 68.2 percent in 2011”
Se 68% começam um curso superior logo após terminarem o 2º grau fica próximo dos 70%. Claro que pode haver desistências, mas também pode haver pessoas do passado que retomam estudos ou os iniciam mais tarde.
Mas, fuçando aqui ( http://nces.ed.gov/programs/digest/2012menu_tables.asp ) encontra-se algo como 30-35% com cursos de 4 anos ou mais.
Acho interessante esta tabela, a mesma do início ( http://nces.ed.gov/programs/digest/d12/tables/dt12_010.asp ) que apresenta 56% como o número de pessoas com mais de 18 anos com algum grau de ensino superior (o que inclui pessoas que ainda não completaram os cursos.)
Ou seja, os 57% que você apresenta.
E com a leitura dos artigos vemos que isso é crescente no tempo. Um deles mostra uma evolução bastante favorável de 2002 para 2011 na questão de redução do abandono do High Scholl, ou seja, o setor de educação lá não está estagnado.
Há no momento 22 milhões de pessoas (9% dos maiores de 18 anos) fazendo algum curso. Estão incluídos nos 56/57% e os 37% de graduados podem ir a 46% em poucos anos.
Eu fiquei surpreso em duas coisas nessa pesquisa. O número que eu julgava saber estava superestimado. Por outro lado pode haver um dinamismo que não conhecia.
Francy Lisboa
29 de janeiro de 2014 5:36 amSim, lá existem. Muitas
Sim, lá existem. Muitas Universidades norte-americanas de interior estão até piores de que as nossas no quesito qualidade discente. Na lista do programa Ciencias sem Fronteiras, o estudante, que estiver de fato interessado em aprender, precisará estar atento, pois pode cair em uma Anhanguera estilo USA
evandrofisico
29 de janeiro de 2014 1:35 amE o modelo americano também
E o modelo americano também possui a perversa característica de, devido ao modelo mercantilista de ensino, endividar estudantes que passam anos trabalhando em empregos para os quais são sobre-qualificados para pagar a dívida imensa adquirida para financiar um curso superior.
Como torna-se quase que uma exigência a posse de um título de nível superior, há uma barreira no mercado empregatício americano, onde para uma série de cargos exige-se nível superior, mesmo este não sendo necessário para as funções, então os que desejam alguma forma de ascenção social obrigatoriamente dependem dos bancos para sua formação escolar.
gentilhomme
29 de janeiro de 2014 12:44 amsofismático
Sim, que nossa educação básica está longe de boa. Mas está melhorando. E no que é boa, entrega muito mais de nossa herança social ruim do que uma baixa qualidade do ensino. Todos estudos interancionais mostram que a capacidade de resolver questões nos tradicionais testes revelam muito mais de onde vem socialmente os alunos (patrimônio cultural dos país, faixa de renda, adequação do domicílio, etc) do que a escola que frequentou.
Produtividade é um tema completamente diferente quando se pensa em explicação para o nível de renda de um país subdesenvolvido. A produtividade do trabalho no Brasil é baixa por um motivo conhecido desde David Ricardo: o estoque de capital por trabalhador é baixíssimo, aproximadamente 1/4 do verificado nos países avançados. Sem um longo e profundo processo do que é chamado de capital deepening na teoria do desnenvolvimento, não há educação básica que faça mais que cócegas.
Chico Pedro
29 de janeiro de 2014 12:46 amMinha historia conto daqui
Minha historia conto daqui mesmo do blog depois de vários e vários anos de presença ininterrupta. Textos que ressaltam o papel da educação – especificamente a básica, se assim preferirem – são comuns. De tanto que me acostumei com eles – ou com outros versando sobre baixos investimentos em ciência, pesquisa e tecnologia, por exemplo – minha pergunta passou a ser: se é tão óbvio, falta o quê.? Ou então, por que não promovem logo essa revolução? A resposta são um conjunto de coisas. Uma delas assuntos como este nao fazerem parte das preocupações mais urgentes. Todos sabem que é importante, mas é um problema silencioso, quase oculto, e assim, submerso, não se torna pauta da agenda principal. O mesmo sistema fez a mobilidade urbana ganhar corpo só por causa da Copa. Seria o caso – então – de uma Olimpíadas do conhecimento.? Não sei. Mas é certo que até lá veremos mais textos assim…
aliancaliberal
29 de janeiro de 2014 1:06 amPara que que estudar se é só
Para que que estudar se é só para ser funcionário publico.
drigoeira
29 de janeiro de 2014 12:54 amEducação básica…
Vamos falar da educação pública. Ela está a cargo dos estados e municípios.
Qual estado implantou o sistema de ensino integral em suas escolas. A previsão era iniciar em 2010.
Então tá bom!
Agora pensando neste texto. Quantas crianças terminam o ensino básico em escolas privadas (logicamente possuem ensino de melhor qualidade)?
Ed Döer
29 de janeiro de 2014 1:37 amQual estado implantou o
Qual estado implantou o sistema de ensino integral em suas escolas. A previsão era iniciar em 2010.
Mas aí tem o problema do custo dessa mudança para um sistema que é incapaz de garantir um salário digno para os professores sem o ensino integral. Imagino que a maioria das escolas é ocupada atualmente nos 2 turnos (manhã/tarde), e em alguns casos, no noturno também. Onde se dariam essas atividades extras previstas num ensino integral se a estrutura da escola já estaria quase 100% ocupada? E quem seriam os profissionais (professores) que assumiriam tais atividades?
E embora o ensino integral possa ter benefícios, nosso problema maior é de QUALIDADE e não de QUANTIDADE de ensino. Multiplicar “quase nada” por 2x só vai nos garantir o “dobro de quase nada”.
E ainda teria um impacto no ensino privado, que aumentaria seu custo (mensalidades dobrariam ou quase isso), ficando inacessível para parte dos atuais usuários. Na prática, mais alunos seriam “jogados” no ensino público, o que só alargaria o abismo entre os 2 sistemas.
O ensino privado teria mais condições de adotar tal mudança mantendo a qualidade do “produto educação”, enquanto na esfera pública a tendência seria perda da qualidade média, provavelmente, em função das dificuldades que comentei e de outras que apareceriam durante o processo.
claudio mesquita
29 de janeiro de 2014 1:03 amAcho que é bem por aí. Às
Acho que é bem por aí. Às vezes conversando com pessoas mais jovens, já formadas eu fico abismado com a falta de conhecimentos gerais banais como algumas leis de física ou química, geografia ou história, materias de segundo grau. Teve um que não sabia que a luz anda em linha reta quando a gente e estava vedando uma câmara escura ou um profissional de educação física que não consegue entender o ciclo de Krebs, a dinâmica da transformação dos alimentos em energia, por não ter nehuma noção de química, coisa que eu aprendi no ginásio, público, há mais de 50 anos e me lembro um pouco ainda. Parece que o segredo está nas mitocôndrias.
Acho que os jovens estão muito dispersivos e inseguros, não dá para culpar só o sistema de ensino. Ninguém tem saco de ler, gosto de aprender, dominar algum conhecimento. Muitos por baixa autoestima, não se julgam capazes de entender tal coisa, ou por falta de interesse mesmo. Mas a maioria sabe todas as apps do iphone.
Falando em produtividade, esses dias fui num birô desses de impressão gráfica para fazer uns impressos e perguntei ao rapaz responsável que perfil de cor (como a cor é traduzida em números na impressora) êles usavam. O cara virou e disse: perfil como, assim de lado? Nos EUA os caras te mandam o arquivo do perfil de cor para o seu sistema conversar melhor com a impressora dele.
Mas acho que a coisa é mais de longo prazo. A filha da empregada que se formou na Gama Filho pelo Prouni, com certeza vai proporcionar um ambiente mais favoravel à educação a seus filhos, coisa que ela não teve, gerando alunos melhores e mais interessados. Sempre que eu posso eu falo, tem que botar essa rapaziada pra estudar,
Gão
29 de janeiro de 2014 1:51 amOh dia! oh ceus!
Vamos lá, tem gente confundindo nível de qualificação profissional com produtividade. Um jardineiro, um secretária, um recepcionista, os quais provavelmente tiveram suas respectivas instruções para seus deveres, são de repente colocados como trabalhadores de baixa produtividade por não terem o nível de instrução formal de um médico, que que é isso ?
Onde está a baixa produtividade que falam ? medida de que forma ? está nos aviões da embraer ? no banco do Brasil ? na Petrobrás ? nos nossos artistas ?
Falo pela minha área de exatas, Brasileiro é o mais produtivo que conheço, no sentido de achar a soluções mais simples(e menos custosas) para os problemas, basta perceber que quando colocamos uma novo produto no mercado, depois de sermos exaustivamente “xingados” de nacionalistas, estes são constantemente mais eficientes que similares estrangeiros, já tive de apresentar soluções à alguns gringos,e geralmente ouço respostas como , não esperava que fosse tão simples, por exemplo banal, identificar o idioma de um texto(solução apresentada em uma hora), tem gente que se perde fácil com soluções complexas e ineficientes .
Tem um famoso causo da multinacional que bolou uma traquitana “hi-tech” dispensar caixas vazias numa linha de produção, a solução tupiniquim dos nossos humildes trabalhadores foi usar um simples ventilador.
É preciso ter cuidado com as comparações, o Brasil está em um estágio de desenvolvimento diferente de vários países comumente citados como modelo, ainda estamos construindo grande parte da infra-estrutura necessária para um maior desenvolvimento, outros se preocupam mais em mantê-la, a escolha pelo progresso já está feita e ele está acontecendo, aumento da nota do Pisa, nas vagas das universidades tanto públicas, quanto privadas, aliás precisamos de muito mais, não tem sentido comparar com países que estão em outro estágio, aumento dos níveis de emprego seja com alta ou com baixa qualificação, aumento da produção de alta tecnologia, os dados sobre isso são públicos e notórios, degrau por degrau aumentaremos o nível do valor agregado na soma das nossas indústrias, não há “salto quântico” possível quanto à isso como diriam alguns, é um processo contínuo e demorado.
jo lima
29 de janeiro de 2014 2:07 amO mais assustador é que mesmo
O mais assustador é que mesmo num curso como medicina – área que é certeza de pleno emprego durante toda a carreira de quem nela se forma – fizeram um teste e 60 por cento dos alunos vindos de escolas particulares não chegaram ao mínimo, não sabiam identificar doenças simples. E aí estamos falando de um curso que é de mensalidade caríssima. E são essas mesmas associações médicas que fazem de tudo para médicos cubanos não atuarem aqui – mas não possuem a coragem de implantar algo semelhante ao que a OAB faz, um exame de ordem para não deixar que profissionais sem preparo suficiente mediquem a população.
Olha a ironia = se um médico brasileiro se forma em Harvard e quiser trabalhar aquui, tem que fazer um revalida e talvez trabalhe junto dum colega que fez seu curso numa Gama Filho que acabou de se formar na última turma antes do fechamento dessa universidade.
A nossa burocracia é burrocracia em estágio terminal.
Diogo Costa
29 de janeiro de 2014 2:10 amBoas intenções e algumas armadilhas
O descaso com a educação básica no Brasil vem de longe, como diria aquele cidadão nascido em Carazinho. Este crônico déficit de planejamento e de orçamento começou a ser revertido a partir da implementação do FUNDEF, ainda no tempo de FHC. O FUNDEF foi extinto em 2007 e substituído pelo atual FUNDEB. Em 2007 o orçamento do FUNDEF era de 300 milhões de reais.
Para 2014 o orçamento do FUNDEB já ultrapassa a casa dos 06 bilhões de reais. Isto representa um colossal aumento de mais de 2000% no orçamento da educação básica em pouco mais de 05 anos! É um índice absolutamente espetacular, porém, ainda insuficiente. A base da educação pública brasileira era tão rebaixada (herança da ditadura) que ainda levará muitos e muitos anos para que possamos atingir o patamar médio dos países que integram a OCDE.
A armadilha que o Brasil não pode se dar ao luxo de cair diz respeito a priorizar a educação básica OU a educação superior. Não é uma OU outra, mas sim priorizar as duas ao mesmo tempo. E é perfeitamente possível fazê-lo. Nos anos de FHC houve uma incontrolável expansão das faculdades e universidades privadas, processo ainda não satisfatóriamente disciplinado pelo Ministério da Educação. Em contraposição, no período subsequente, de Lula e de Dilma, a prioridade se inverteu e o país passou a priorizar o ensino superior público.
Este descomunal esforço teve como consequência a imensa expansão no número de vagas nas universidades públicas já existentes, através do REUNI, bem como a expansão no número de universidades públicas construídas (14 concluídas e mais 03 em execução na Bahia). Nos últimos dez anos houve um impressionante aumento de 350% no número de cidadãos brasileiros que concluíram o ensino superior (público ou privado). Novamente, o problema era a base terrivelmente baixa que tínhamos (e ainda temos) em Pindorama.
Atualmente apenas 11% dos brasileiros e brasileiras possuem algum curso superior, no Chile o número beira os 25%, na Rússia e no Canadá ultrapassa os 50%, na Coréia do Sul e nos Estados Unidos o patamar já está acima dos 40%, etc. A média dos países que compõem a OCDE é de 28% da população com curso superior. Perceberam que o Brasil está no caminho certo, mas que a base de dez ou vinte anos atrás era ínfima e ridícula?
Outro aspecto, que deve ser sempre ressaltado, é que o problema atual da educação básica não é nem de longe o ensino fundamental, mas sim o ensino médio. O ensino médio é ainda a maior chaga, o elo mais fraco do sistema educacional nacional. É aí que os governos estaduais devem intervir com a máxima urgência (constitucionalmente a obrigação pelo ensino médio é dos estados). Os estados brasileiros fazem pouco pela educação específica do ensino médio, em comparação com os investimentos dos municípios no ensino fundamental e com os investimentos da União no ensino superior. Aí está o grande gargalo educacional brasileiro, que atrapalha os níveis subsequentes.
Notem que é impossível falar em educação básica, profissional ou superior no Brasil atual sem citar programas e sistemas como o REUNI, FUNDEB, ENEM, SISU, SISUTEC, PRONATEC, PROUNI, bolsas de estudos diversas, cotas sociais, étnicas e sobre o FIES (que tem também um orçamento recorde para 2014). Como não falar também das centenas de Escolas Técnicas Federais (quase 300) espalhadas em todo o território nacional a partir de 2004? Houve um tempo recente em que era proibido por lei fazer Escolas Técnicas no país!
Como não lembrar que estas quase 300 Escolas Técnicas Federais representam um número superior ao que o Brasil construiu em toda a sua anterior história republicana? É bom recordar que já está em vigor a cota de 50% das vagas em Universidade Públicas para estudantes oriundos do Ensino Médio público (até 2016 todas as Universidades Públicas devem aderir ao sistema). Isto é uma excelente notícia e ajudará a qualificar o ensino básico público em todo o território nacional.
Creio que o país ainda tem um longo caminhar, mas o rumo é corretíssimo até aqui (pode-se apontar problemas na velocidade, não no rumo…). Lembro aos colegas que o Piso Salarial Nacional do Magistério é uma conquista histórica da categoria dos professores e está em vigor desde o ano de 2008. Este piso nacional tem proporcionado ganhos materiais substanciais aos professores, e isto garante que eles possam se aperfeiçoar cada vez mais no ofício do magistério. Por fim, é bom frisar que o último PNE (Plano Nacional de Educação), entre várias metas, traça uma de crucial importância. Esta meta é a de chegar em 2020 com pelo menos 33% da população brasileira matriculada em algum curso superior. Será um salto e tanto para o país.
Tudo isto que foi descrito até aqui (poderia escrever muito e muito mais…) é que garante, em perspectiva, que o Brasil vai em pouco tempo se equiparar com a média dos países da OCDE, seja em educação básica ou superior, em quantidade e até mesmo (talvez) em qualidade de ensino. Estamos no rumo certo, temos é que manter este rumo e acelerar o passo.
evandrofisico
29 de janeiro de 2014 1:55 amOutro aspecto, que deve ser
Outro aspecto, que deve ser sempre ressaltado, é que o problema atual da educação básica não é nem de longe o ensino fundamental, mas sim o ensino médio.
Deixe-me discordar de tal afirmação. Da minha pouca experiência lecionando para alunos do ensino médio (majoritáriamente em cursos particulares de apoio) e das experiências recontadas por amigos, é notável que os alunos ingressam no ensino médio com deficiências quase impossíveis de serem sanadas pelo professor, que possui extensos conteúdos a lecionar em pouco tempo.
Por exemplo, é quase impossível encontrar uma turma de primeiro ano de ensino médio onde os alunos saibam fazer operações com frações (soma e produto, por exemplo), conteúdo básico do ensino fundamental. A capacidade de leitura e interpretação de texto desses alunos é tão baixa que eles não conseguem resolver problemas simples de matemática e física por não conseguirem entender um enunciado de um parágrafo.
Definitivamente, o problema se extende das fases iniciais, onde alunos chegam ao quarto, quinto ano do ensino fundamental sem ser capaz de ler, e se extende durante a vida escolar inteira, produzindo estudantes que conseguem com muito esforço ingressar em um curso superior sem a mínima habilidade de leitura e matemática, que na minha opinião são o basico para tornar possível a compreensão de qualquer conteúdo.
Por isso concordo que o trabalho na ponta do ensino superior, e em especial o foco no ensino profissionalizante do governo federal é um passo na direção certa, e que talvez fosse o momento do governo federal começar a seguir este modelo e começar a intervir também no ensino fundamental. Muitos dos pequenos municípios do Brasil não possuem estrutura para sequer gerir adequadamente o orçamento de educação, quanto mais contratar professores e equipes para garantir a correta aplicação de conteúdos e construção de escolas com a mínima infra-estrutura.
Anarquista Lúcida
29 de janeiro de 2014 9:39 pmVc está absolutamente certo sobre o “gap progressivo” dos alunos
Sao mal alfabetizados, pegam medo de falar e de escrever por causa da atitude normativista, que impoe uma língua diferente da que falam, nao sao adequadamente estimulados a ler (as tentativas de “leitura imposta” só levam a que odeiem a leitura), nao aprendem matemática básica com compreensao. Aí, quando entram já no segundo segmento do fundamental, nao têm condiçoes de entender os conteúdos apresentados, o que causa desinteresse e indisciplians, e a formaçao de uma avaliaçao negativa sobre a escola muito difícil de reverter depois. Quando chegam ao ensino médio, é quase impossível recuperarem o que nao aprenderam o tempo todo.
Gão
29 de janeiro de 2014 2:19 amnão tinha visto os comentários
do Diogo e “gentilhomme”, é em parte o que eu quis dizer, mas ótimo que já estava bem dito.
Calvin
29 de janeiro de 2014 2:31 pmMatérias que deveriam constar
Matérias que deveriam constar da grade do ensino fundamental: empreendedorismo e finanças pessoais.
Quanto ao método, deveria se inspirar na repetitividade do Kumon: para cálculo e línguas.
Já daria uma guinada fantástica.
Anarquista Lúcida
29 de janeiro de 2014 9:43 pmRepetitividade? Quer que seja + chato ainda do q já é?
Haja! O mais importante é despertaro o INTERESSE. Alunos interessados aprendem até sozinhos. É isso que a escola nao anda fazendo, ao contrário, convence os alunos que estudar é chatíssimo e nao tem sentido nenhum, é só decoreba. Céus, a falta que faz um autor mais moderno, porém que consiga despertar o interesse das crianças pelo conhecimento como Lobato e Malba Tahan.
Raul Abreu Leite
29 de janeiro de 2014 9:33 pmO pessoal tem preguiça de
O pessoal tem preguiça de ler, gosto zero em aprender, não visa ser bom em nada. Têm aversão a tudo que é acadêmico.
Acredito que é isto que culmina no mecanismo de defesa de pormenorizar sua própria falta de conhecimento, fazendo-se crer que isto é um mero detalhe, pois não se pode saber tudo o que esperam que ele saiba. Para ele não saber o básico, está no mesmo patamar que não saber algo aplicado. Como se não saber ler, escrever e fazer cálculos básicos fizesse parte da “não obrigação do ser humano de saber tudo”.
Uma ilustração recorrente. Ontem li em um comentário de um site, um rapaz (pela foto aparentava ter seus 15 a 17 anos, sei lá) sendo corrigido sobre uma palavra errada, aquele tipo de palavra que em conjunto com os outros erros da mesma frase, não sobra a desculpa de erro de digitação, apenas denota que se ele escreveu aquilo, é porque realmente não sabia escrever. A resposta dele: Calma, foi “simplesmente” um erro, e daí?
Quem tem conta em rede social deve ver este tipo de coisa o tempo todo.
O ensino fundamental e médio, seria justamente para demonstrar que não é tão simples assim não saber o básico. Pelo contrário, ele tem que dar é auto-estima para os alunos, através do ensino.
Anarquista Lúcida
29 de janeiro de 2014 9:46 pmNao é preguiça, Raul. É consequência da incompreensao
Alunos mal alfabetizados e sem hábito de leitura ficam incapazes de acompanhar os outros conteúdos, e aí desanimam e acham tudo chato. E é um bolo de neve, a cada ano que passam o conhecimento obtido até entao é mais insuficiente para compreender os novos conteúdos. E o desinteresse – e a indisciplina dele resultante — aumentam.
Raul Abreu Leite
29 de janeiro de 2014 11:43 pmConcordo Anarquista. Aliás,
Concordo Anarquista. Aliás, justamente por esta bola de neve, eu acredito que o problema seja também (se não principalmente) da qualidade do ensino fundamental.
Só para esclarecer, geralmente direciono minha indignação à (má) estrutura da educação estabelecida em anos de desgoverno, quase nunca, ou nunca à pessoa.