21 de maio de 2026

Brasil mantém estabilidade de baixos níveis de educação em prova mundial

Ainda que o Brasil configure entre os 20 piores de 80 países, o desempenho do país permaneceu estável e, por isso, "positivo"
Foto: Sumaia Vilela/Agência Brasil

Ainda que mais de 70% dos estudantes brasileiros não saibam o mínimo de Matemática e que o Brasil configure entre os 20 piores de 80 países, o desempenho do país permaneceu estável e, por isso, “positivo”, avaliou a própria OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

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Isso porque mesmo figurando entre os piores países de aprendizagem, quase todos tiveram uma piora nos índices nos últimos anos, resultado do impacto da pandemia na educação mundial. E o Brasil manteve os seus níveis estáveis, mas baixos.

As conclusões constam no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o PISA, de 2022.

“Embora a gente tenha registrado pequenas quedas nas médias [ao longo dos anos], elas não são consideradas estatisticamente significativas, o que coloca o Brasil numa situação de estabilidade no PISA já há um longo período”, afirmou a coordenadora-geral do sistema nacional de educação básica, Clara Machado.

O racioncínio foi confirmado pelo secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, durante a apresentação dos resultados pelo Ministério da Educação, nesta terça-feira (05).

“O Brasil foi uma das poucas exceções. A estabilidade foi impressionante especialmente considerando o fato de que as escolas foram fechadas durante a pandemia [de Covid-19]”, disse.

Os 60 países que participaram da prova internacional, entre abril e maio de 2022, tiveram uma queda de 10 pontos percentuais no desempenho de Leitura e 15 pontos em Matemática, mantendo a estabilidade somente em Ciências.

Países ricos, como Alemanha, Islândia, Noruega, Polônia e Países Baixos tiveram uma queda de 25 pontos percentuais em Matemática, entre 2018 e 2022.

Já as conclusões do MEC são que a média do Brasil “não teve alterações significativas”, mantendo-se estável estatisticamente desde 2009, enquanto a média da OCDE “caiu significativamente em todas as áreas avaliadas”.

“Em matemática, desde 2019, o nosso desempenho é considerado estável, mas a gente percebe que em 2022 os países da OCDE registraram uma queda relevante e que no Brasil isso não aconteceu, apesar da situação pandêmica que a gente experimentou nos anos anteriores à aplicação do PISA”, afirmou a coordenadora.

Por outro lado, isso não significa uma melhora do Brasil em relação aos países da OCDE, uma vez que todos os níveis registrados do Brasil são inferiores à média de todos esses países, ainda que esta tenha caído ao longo dos anos.

O Ministério da Educação também ressaltou como chamativo que em Matemática, 73% dos estudantes brasileiros estão com baixo desempenho.

“Chama a atenção a grande proporção de estudantes concentrados naqueles níveis considerados de baixo desempenho. São 73% em matemática, 50% em leitura e 55% em ciências, confrontados com taxas menores nos países da OCDE”, destacou Clara Machado.

“E também uma pequena concentração apenas de estudantes que atingem o que é considerado alto desempenho. Mas essa proporção também é pequena nos países da OCDE”, continuou.

Junto aos vizinhos latino-americanos, os resultados do Brasil em Matemática são equiparáveis à da Colômbia e Argentina, os resultados de Leitura são similares ao da Costa Rica, Colômbia e Peru, e de Ciências equivalente à Argentina e Peru.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Fernando Ximenes

    6 de dezembro de 2023 7:42 am

    Acredito que vocês estejam cometendo um erro importante (aliás, o mesmo erro do Ministro da Educação) ao aceitar acriticamente o PISA como referência válida e, pior ainda, equipará-lo à educação como um todo.

    Sugiro a leitura deste artigo publicado no The Guardian: https://www.theguardian.com/education/2014/may/06/oecd-pisa-tests-damaging-education-academics

  2. Fernando

    6 de dezembro de 2023 7:49 am

    Bom dia:

    Vocês estão cometendo um erro importante ao aceitarem o teste PISA acriticamente como válido para aferir o estágio educacional dos jovens.

    O mesmo erro está sendo cometido por toda a mídia e até pelo Ministro da Educação.

    Sugiro a leitura deste artigo:

    https://www.theguardian.com/education/2014/may/06/oecd-pisa-tests-damaging-education-academics

    Tenho a certeza de que, a partir dele, a discussão poderá se tornar mais bem informada e útil para a nossa sociedade.

    Abraços,

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