Cartilha do novo ministro da Educação é “delirante”, diz Antonio Prata

 
 
Jornal GGN – O escritor e roteirista Antonio Prata divulgou na Folha de S. Paulo deste domingo (25) um artigo avaliando que a cartilha de Ricardo Vélez Rodriguez, o ministro da Educação de Jair Bolsonaro, não “é só reacionária, é delirante”.
 
“(…) a função do MEC no governo Bolsonaro não será ensinar a ler, a escrever, a fazer contas, a compreender a origem da vida, das ideias e das instituições, mas lutar pelo desmonte de um inexistente complô esquerdista cujo objetivo é destruir a família, a pátria, Deus. Fico na dúvida se eles realmente acreditam nesse complô ou se é só uma desculpa pra empurrar goela abaixo das crianças a cartilha do pensamento único da extrema direita cristã.”
 
“(…) a extrema direita cristã também parece crer que o desejo é inculcado nos jovens pelas aulas de educação sexual: se não falarmos sobre sexo, todos permanecerão virgens até o casamento —heterossexual, claro”
 
Basta ler “Um roteiro para o MEC” [veja mais abaixo] para “compreendermos que o principal objetivo do MEC no novo governo será justamente a doutrinação. Política. Religiosa. Cultural. Minha esperança está na solidez de nossas instituições: no sólido descalabro da educação pública, que mal é capaz de alfabetizar os alunos, que dirá doutrinar uma geração.”
 
 

4 comentários

  1. Fragmento de uma tolice

    “Não, e nem tentei influenciá-lo nisso. Foram notas sobretudo para os fundadores do Escola sem Partido, que são pessoas amigas minhas. À medida que o movimento evolui na direção de um projeto de lei, a coisa se complica, porque o projeto de lei é prematuro, pelo fato de que não existe documentação científica a respeito do problema (do esquerdismo nas escolas e universidades). Você não pode começar um debate legislativo sem ter o debate científico primeiro. Acho que colocaram a carroça na frente dos bois. Nós não temos uma visão quantitativa da hegemonia comunista no ensino, e ainda estamos na esfera do argumento retórico. ” – Olavo de Carvalho

    Ou seja, fala-se por falar, não tem fundamento, não tem base concreta, fatual.

    Falou-se pois se tem boca.

    Que tal Escola sem Conhecimento?

  2. O campo progressista deveria

    O campo progressista deveria avaliar melhor a agenda colocada pela extrema direita. Trata-se, em primeiro lugar, de diversionismo. Os alunos das escolas públicas recebem um ensino alienante, totalmente distante da realidade social em que vivem, e a extrema direita sabe disso. Imagino que nem vão tentar impor a visão da extrema direita, pois isso, de alguma forma, pode levar  os adolescentes a pensar sobre o significado disso em suas vidas, e suscitar a dúvida, e o pensamente crítico é tudo o que os reacionários não desejam.  Esse tema deve ser discutido, mas como tema secundário à questão econômica, esta sim essencial e que a extrema direita está escondendo com a ajuda inocente da esquerda.

  3. PRA PIADA PRONTA, SÓ OUTRA PIADA…

    Não se preocupe, Antonio Prata, pois a verdadeira doutrinação não se fará nas escolas e sim no WATHZAPP, tal como eles fizeram na campanha eleitoral, quando ajudaram a imbecilizar milhões para completar o serviço que já vinha sendo feito pela midia golpísta e pelos pastores cafajestes pelo Brasil afora.  Pena, apenas, que professores terão que inventar jeitos de passar o tempo em suas aulas, pois vai ser duro tentar ensinar o “catecismo” cristão/cafajeste da extrema direita alucinada, enquanto lá fora, via wathzapp,se continuará  ensinando tudo que atualmente se ensina com essa tecnologia que está ajudando a bestificar cada vez mais as pessoas. 

  4. Faleas da Calcedônia foi “…

    Faleas da Calcedônia foi “… o primeiro a afirmar que os cidadãos devem ter igualdade de posses. Ele pensava que nos primeiros momentos da fundação da cidade essa igualdade não era acompanhada de dificuldade; tornava-se mais difícil quando a cidade já havia sido constituída, porém poderia realizar-se em pouco tempo, caso os ricos dessem e não recebessem dotes matrimoniais e, ao contrário, os pobres não dessem mais recebessem tais dotes.”  (Política, Aristóteles, livro II – capítulo VII, Martin Claret, São Paulo, 2018, p. 73)

    A julgar pelo conteúdo da referida cartilha, o ministro da ignorância de JairBolsonaro não pode apenas proibir Karl Marx. Ele terá também que mandar recolher todos os livros de Faleas da Calcedônia e censurar os de Aristóteles. 

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