10 de junho de 2026

Educação é Luta: Sonhos Não se negociam, se conquistam, por Letícia Montandon

Dialogamos com os governos, com os parlamentos, com o poder judiciário. Diálogo é uma ferramenta fundamental de quem tem ideias a apresentar.
Reprodução via Educ21

Educação é Luta: Sonhos Não se negociam, se conquistam

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por Letícia Montandon

Quem tem sonhos sabe bem como é: estamos sempre alertas para defendê-los e com muita disposição para correr atrás deles.

Nós, lutadores e lutadoras em defesa da educação pública, não somos diferente. Acreditamos que é preciso investir na educação do povo, porque a educação é um dos principais e melhores caminhos para a soberania nacional, para a igualdade de oportunidades, para o combate à violência e a construção de laços de solidariedade entre todas as pessoas.

É por isso que lutamos pela valorização da escola pública e pela garantia da qualidade na educação do nosso povo. Isso só se faz com profissionais bem formados, valorizados, dispondo de estrutura adequada.

De outro lado, há as concepções privatistas de educação, vinculadas a conceitos como meritocracia e individualismo. Elas se baseiam num entendimento de que as desigualdades imensas que nosso país guarda desde os tempos de colônia não são problema do poder público, e sim, de cada pessoa. Esses não querem que a educação seja um instrumento de emancipação, e sim, de manutenção de lugares sociais.

No Sinpro-DF, travamos essa batalha cotidianamente. Dialogamos nas escolas com as professoras, os professores, as orientadoras e os orientadores educacionais. Dialogamos também com a comunidade escolar. Construímos espaços de discussão, de formação, formulamos estratégias, elaboramos materiais de apoio pedagógico e de debate político.

Dialogamos com os governos, com os parlamentos, com o poder judiciário. Diálogo é uma ferramenta fundamental de quem tem ideias a apresentar.

Quando o diálogo é interditado, nós dispomos de ferramentas para pressionar. A greve é uma delas, legítima e legal, segundo a Constituição Federal.

O governador, depois de interromper o diálogo e ser obrigado pela greve a retomá-lo, diz, com ares de patriarca dos anos 30, que nenhuma categoria terá reajuste em 2025. Ele quer fazer a população pensar que é só disso que se trata. Se fosse apenas sobre isso, já seria justo o suficiente, ainda mais depois das mentiras eleitorais daquele que afirmou que “professor devia ganhar que nem juiz”.

Mas os educadores e educadoras estão nas ruas dialogando também com a população, que já entendeu que queremos ver nossa carreira valorizada através da reestruturação e com fortalecimento do vencimento; queremos que o governo regularize o repasse do INSS dos professores em contrato temporário, que já foram muito prejudicados; queremos fortalecer a rede pública com nomeações e concurso público. Essas são as nossas propostas. Mas falta vontade política do governador, e ele mente para não admitir isso para a população.

Para trabalhadoras e trabalhadores, a greve é o último recurso. Não é confortável estar em greve.

Nossos sonhos não cabem em uma só proposta, em um só processo de negociação. E nós entendemos, ao mesmo tempo, que nosso caminho é longo e é preciso abastecer a caminhada com os bons frutos colhidos no caminho.

Como disse Leminski, “na luta de classes, todas as armas são boas: pedras, noites e poemas”.

Letícia Montandon é coordenadora da Secretaria de Imprensa do Sinpro.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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