Filho de Bolsonaro propõe revisionismo histórico para limpar imagem do golpe militar

Foto: Agência Câmara

Jornal GGN – Após a polêmica do MEC sobre alterar critérios para compra de livros, Eduardo Bolsonaro defendeu no Twitter que a história da ditadura militar seja revisada para limpar a imagem ruim que “a esquerda” fez dos militares que compactuaram com o golpe de 1964 e participaram do regime de repressão. “Os militares saíram em 1985 e até hoje vejo matérias na imprensa mentido sobre o que foi aquele período, só p/ enaltecer a PTzada”, escreveu.

Para Eduardo, “um povo sem memória é um povo sem cultura, fraco. Se continuarmos no nosso marasmo os livros escolares seguirão botando assassinos como heróis e militares como facínoras.”

O revisionismo histórico de Bolsonaro contraria os fatos. Mas suas intenções são refletidas nos planos do presidente empossado, que defende o movimento Escola Sem Partido e tem entre suas premissas contar os supostos “dois lados” do golpe. Jair Bolsonaro nega crimes de tortura praticados por militares, como o Coronel Carlos Brilhante Ustra. Na Câmara, aliás, já rendeu comentários elogiosos ao primeiro militar a ser reconhecido pela Justiça como torturador.
 
Nesta semana, a Folha revelou que “um edital para compra de livros didáticos foi alterado e deixou de exigir das editoras obras com referências bibliográficas e o compromisso com a agenda da não violência contra as mulheres, promoção das culturas quilombolas e dos povos do campo. As obras poderiam ter erros também.” O governo recuou do edital.
 

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15 comentários

  1. Como disse no meu blog: O

    Como disse no meu blog: O problema é evidente. No contexto da CF/88, nenhum professor de história pode ser obrigado a utilizar de maneira acrítica livros escritos para doutrinar os alunos politicamente. Os novos livros desejados pelo clã Bolsonaro podem ser simplesmente ignorados ou, o que seria melhor, utilizados para demonstrar como a democracia brasileira está sendo destruída pelo governo.

  2. Herói não se confunde com assassino

    “Se alguém mata um homem, é um assassino. Se mata milhões de homens, é um herói conquistador. Se mata todos, é um Deus”. – Jean Rostand

     

    Os Miltares não são assassinos, pois eles não mataram apenas uma pessoas. Eles são heróis conquistadores.

     

  3. Lamarca é assassino, Ustra é herói

    “Quem mata um homem é chamado de assassino, quem mata milhares é chamado de herói”. – Charlie Chaplin

  4. A Miriam Leitão vai refrescar a memória dessa Lombriga Bozo

    Encontro adiado

    Parece uma maluquice que, quase 50 anos depois do golpe militar que fechou o Congresso, suspendeu direitos constitucionais, prendeu, cassou, exilou, torturou, matou e ocultou cadáveres, ainda seja preciso explicar que isso não se comemora. Nas divergências dos últimos dias o país mostrou os equívocos nascidos do silêncio. A democracia confundiu não punir com não saber. Assim, adiou um encontro inevitável

    Não foi a Comissão da Verdade que trouxe um conflito velho de volta à mesa. Ele sempre existiu, e se nunca apareceu foi pela antiga mania nacional de achar que o melhor caminho para evitar uma fratura é fingir que ela não existe. A questão jurídica que fique entregue à Justiça; outra completamente diferente é a busca dos fatos e circunstâncias das mortes de pessoas que estavam nas mãos do Estado.

    Rubens Paiva desapareceu quando estava dentro de instalações do I Exército, no Rio; Vladimir Herzog foi morto quando estava dentro do II Exército, em São Paulo. Passaram-se 41 anos do primeiro fato; 36 anos do segundo fato. A ditadura acabou há 27 anos. O país ainda não encontrou tempo para repor os fatos históricos, corrigir versões canhestras dadas à época, quando a imprensa foi silenciada, e de fazer uma reflexão madura sobre esses, e tantos outros, fatos trágicos…

    (…)

    O que leva jovens militantes para a porta do Clube Militar é o acinte de tantos anos depois ainda comemorarem o que deveria ser repudiado. Os militares da ativa durante anos na democracia celebraram a data de 31 de março dentro dos quartéis e não foram impedidos. Deveriam ter sido impedidos de fazerem isso há mais tempo. A celebração de qualquer fato histórico é um momento de renovação e afirmação de um conjunto de valores e convicções. Nesse caso, o que estava sendo celebrado e confirmado foi o que produziu uma tragédia no país. Não se conserta cabeça torta dos militares formados na lógica daquele tempo, mas a democracia deveria ter impedido, há mais tempo, que dentro das Forças Armadas esses mesmos pensamentos fossem impunemente reproduzidos…

    (…)

    Os comandantes têm repetido aos seus comandados a sua versão da história. Por serem instituições hierarquizadas, não são contestados. Essa versão continua sendo apresentada como verdade nos cursos internos das escolas de comando. Ensinam aos jovens nos colégios militares os mesmos disparates.

    Quando os governos civis fingiram que não viam as celebrações — em nome de não reabrir um velho conflito — estavam permitindo que novas gerações fossem formadas na convicção de que as Forças Armadas estavam certas quando assaltaram o poder em 1964. Para uma república tantas vezes interrompida por surtos autoritários é uma displicência inaceitável. A omissão dos governos democráticos atrasou avanços institucionais e a integral submissão dos militares ao poder civil.

    Manter comemorações, explícitas ou veladas dentro dos quartéis, equivale a permitir nos Estados Unidos a defesa dentro do governo da política de segregação racial; ou na África do Sul a defesa do Apartheid; ou na Alemanha os ideais do nazismo. Pode haver nos Estados Unidos, África do Sul ou Alemanha quem defenda essas aberrações. Mas nenhum desses três países admitiria que esses ideias fossem defendidos dentro de órgãos governamentais.

    É bem possível que a Comissão da Verdade não chegue aos fatos, que documentos destruídos ou levados para as suas casas pelos militares envolvidos nos crimes cometidos pela ditadura nunca apareçam. Mas o Congresso decidiu que a Comissão fosse criada e ela precisa fazer seu trabalho. Não é instância de punição. É de busca da informação. Se isso reabre velhas feridas, produz conflitos no Centro do Rio, troca de farpas em artigos de jornal não é problema com o qual seus integrantes devam se preocupar. Ainda que tarde o Brasil busca informações. E o país não pode se constranger nesse esforço. O silêncio nunca foi o melhor remédio para as divergências. O debate amadurece convicções e permite a superação dos traumas nacionais”. Miriam Leitão

     

    São esses sequestradores, torturadores, assassinos e ocultadores de cadáveres, os heróis do Laranjal Bozo.

  5. Pergunta de grau zero.

    Para Eduardo, “um povo sem memória é um povo sem cultura, fraco. Se continuarmos no nosso marasmo os livros escolares seguirão botando assassinos como heróis e militares como facínoras.”

    O Ulstra é um assassino, um heroi ou um facínora?

     

  6. SI (Sua Insignificância) Dudu do Papi

    Perda de tempo do blog dar espaço a Eduardo Bolsonaro. Não cheira, não fede e não apita nada. Minha mãe chamava isso de “gastar vela com defunto ruim”.

  7. Se os livros “limparem” o
    Se os livros “limparem” o nome da Ditadura, eu vou lá e sujo de novo. Filho meu não vai idolatrar torturadores!! Vão doutrinar na PQP, bando de escroto!!!

  8. Revisionismo
    A expressão “o revisionismo proposto não condiz com os fatos” carece de uma explicação. Napoleão disse que “a história é um punhado de mentiras cunhadas por aqueles que chegaram a um acordo “. George Orwel disse que “a história é geralmente escrita pelos vencedores”. Se os militares venceram, qual revisão se faz necessária? Só se a história escrita for um punhado de mentiras, precisando de historiadores de verdade, e não propagandistas de governo.

  9. + comentários

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