10 de junho de 2026

Glauber Braga é preso com estudantes durante desocupação da Uerj

Choque cumpre reintegração de posse da reitoria com uso de bombas; estudantes protestavam contra cortes de bolsas estudantis
Choque cumpre reintegração de posse da reitoria com uso de bombas; estudantes protestavam contra cortes de bolsas estudantis
Foto: Redes sociais.

Nesta sexta-feira (20), a Polícia Militar utilizou bombas de efeito moral para cumprir decisão judicial de reintegração de posse de prédios da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), no campus Maracanã, resultando na prisão de três estudantes e do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ). A reitoria estava ocupada desde julho pelos estudantes, em protesto contra a mudança de critérios de seleção e o próprio corte de auxílios estudantis para alunos de baixa renda. 

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Três estudantes e o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) foram presos e encaminhados à 18ª DP (Praça da Bandeira). Braga, ao lado da advogada e candidata a vereadora, Clarice Chacon, havia entrado no campus para se solidarizar com os estudantes prestes a serem desocupados.

Em suas redes sociais, o PSOL carioca declarou condenar o “uso de espetacularização e força para a resolução desta situação” aplicadas de forma “grotesca e desproporcional” contra os estudantes pela Uerj e o “autoritarismo característico do estado governado por Cláudio Castro, o governador das chacinas”. 

Em suas redes sociais, a deputada federal e esposa de Braga, Sâmia Bonfim (PSOL-SP), destacou a arbitrariedade das prisões, enfatizando a ação como mostra do autoritarismo tanto da reitoria da Uerj quanto do governo de Cláudio Castro.

A ordem judicial, expedida pela 13ª Vara de Fazenda Pública, foi entregue aos estudantes na tarde desta quarta-feira (18) determinando a desocupação de salas de aula, hall de entrada e do prédio da reitoria do campus Maracanã em 24 horas, sob pena de pagamento de multas. A medida autorizava o direito dos estudantes se manifestarem nos halls do prédio entre 7h e 22h, sem interrupção das atividades universitárias. 

O uso da força policial foi autorizado pela Justiça nesta sexta-feira (20). Agentes do Batalhão de Choque utilizaram bombas de efeito moral para invadir o campus, após passarem pela barricada de pneus em chamas montada pelo movimento estudantil na Avenida Rei Pelé, sentido Méier, para impedir a movimentação policial no entorno da universidade.

A Uerj foi ocupada pelo movimento estudantil em resposta à decisão feita pela instituição durante as férias escolares de reduzir para menos da metade o orçamento destinado aos auxílios de baixa renda. 

De acordo com o coronel André Matias, comandante do Centro de Operações Especiais (COE):

“O policial teve um problema no manuseio de um artefato explosivo e resultou no ferimento. Era um artefato da própria polícia. O deputado federal obstruiu o cumprimento do mandado judicial. Inclusive se colocando entre a polícia e uma aluna que foi presa. A Uerj está oficialmente desocupada. Não tem mais alunos. Está entregue ao procurador da universidade. Os que participavam da ocupação saíram da universidade por conta própria. Fugiram da ocupação enquanto a Polícia Militar entrava. Eles saíram do local justamente no momento em que a gente cumpria o mandado”. 

Segundo a estudante de Letras, Giulia, os policiais teriam perseguido estudantes pelo bairro de Vila Isabel, nos arredores do campus da Uerj, para prendê-los. Ela também relata ter ouvido por parte da polícia, além do uso de bombas. 

Em nota, a Uerj comunica que a intenção era de evitar o confronto com os alunos:

“Os seguranças patrimoniais da Uerj agiram para garantir e tentar realizar a desocupação dos espaços e proteção do patrimônio, conforme orientação da juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A decisão judicial determinou que os estudantes só poderiam realizar suas manifestações no hall de entrada. Por esse motivo, os seguranças tentaram liberar os outros espaços e entradas alternativas de acesso.

A ação de resistência à desobstrução foi extremamente violenta e tivemos relatos de que os estudantes estavam portando pedaços de madeira, canos e armas brancas. Dessa forma, para garantir a segurança dos agentes patrimoniais, a Universidade decidiu recuar e comunicar à justiça sobre esses atos.”

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Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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