23 de junho de 2026

Estudantes da UERJ ocupam reitoria contra redução de auxílios

Ocupação pretende reverte a medida que pode afetar a permanência estudantil de alunos em situação de vulnerabilidade
Ocupação pretende reverte a medida que pode afetar a permanência estudantil de alunos em situação de vulnerabilidade
Foto: Sintuperj

Na última sexta-feira (29), estudantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ocuparam a reitoria contra a assinatura de um Ato Executivo de Decisão Administrativa (AEDA 038/24) que estabelece novos critérios para as concessões de bolsas e auxílios, podendo prejudicar a permanência estudantil de estudantes em situação de extrema vulnerabilidade. Apelidada de “AEDA do Fim do Mundo”, a medida foi anunciada ainda nas férias, após dois meses de atraso nos pagamentos dos auxílios.

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Segundo reportagem do RJTV, cerca de 2600 estudantes que ingressaram na UERJ pela ampla concorrência, foram aprovados pela avaliação socioeconômica para receberem os auxílios de materiais (em duas parcelas anuais de 600 reais), passagem e alimentação (300 reais cada) e de vulnerabilidade, no valor de R$ 706 mensais pelo período de 2 anos. Com o Ato Executivo vigente, o critério de elegibilidade para ter acesso aos auxílios passaria de um salário mínimo e meio por pessoa para meio salário, o que excluiria uma parcela dos estudantes atualmente contemplados.

“A primeira universidade do Brasil a ter cotas raciais, uma das primeiras universidades do Brasil a ter cursos noturnos, agora está sendo uma universidade que está, logo antes da volta às aulas, colaborando para expulsar alunos da universidade”, declarou Gabriel Tolstoy, servidor da UERJ e membro da oposição do SINTUPERJ.

Após assembleia convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UERJ, os estudantes conseguiram ocupar a reitoria, localizada no campus Maracanã, com o objetivo de pressionar tanto a reitoria quanto o governo estadual de Cláudio Castro (PL) para reverter a situação.

“É um absurdo que no primeiro momento de crise fiscal, de crise orçamentária, a reitoria da universidade coloca em xeque todos os direitos conquistados pelos estudantes dessa universidade”, afirmou Ana, coordenadora do DCE da UERJ nas redes sociais da entidade. A aluna afirma que não está sendo autorizada a entrada de mantimentos e remédios para os alunos ocupados, além da presença da polícia civil dentro do campus Maracanã.

Em nota, a reitoria da Uerj demonstrou interesse em conversar com os estudantes organizados para resolver a questão. “A Reitoria constituiu, na manhã de hoje (dia 27/07), uma comissão de mediação, entendendo que é preciso desocupar imediatamente as instalações da Universidade, para seguir com o diálogo democrático”, revela o comunicado.

“A reitoria alega que marcou com a gente uma negociação que não foi marcada de fato, porque não nos avisaram com antecedência, não respondeu os nossos critérios para a gente de fato entrar em uma mesa de negociação”, afirma Giulia, estudante do movimento Rebeldia. “Coloca para cima da gente que não queremos diálogo quando o que mais queremos é dialogar, mas dialogar com segurança, sabendo que de fato estamos sendo vistos como estudantes fazendo o que tem direito de fazer que é lutar pelos seus direitos e não como criminosos que não somos”, reforça a estudante.

Os alunos acampados esperam abrir uma mesa de negociação com a reitoria cujas exigências estão a não criminalização dos estudantes e o seu livre acesso à ocupação. Enquanto isso, uma nova manifestação está marcada para hoje (29), às 18h, em frente ao portão 5 do campus Maracanã.

Foto: Divulgação

Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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