5 de junho de 2026

O voluntariado como compensação pelo ensino gratuito em universidade da Argentina

Sugerido por basílio

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Da BBC

 
Maria Carmo

A partir de 2017, os cerca de 320 mil alunos da Universidade de Buenos Aires (UBA) passarão a ter que realizar atividades solidárias para concluir os estudos e obter seu diploma, de acordo com uma resolução da própria entidade – que é pública e gratuita.

No entendimento de diretores e professores, a sociedade deve ser “recompensada” por ter dado a eles a oportunidade do ensino gratuito, afirmou a BBC Brasil a secretária de assuntos acadêmicos da UBA, a pedagoga Maria Catalina Nosiglia.

Com isso, a matéria de “educação prática solidária” vai ser um requisito obrigatório para os estudantes.

“Nosso objetivo é que os alunos tenham compromisso com nossa sociedade”, argumentou Nosiglia. “Afinal, toda a sociedade está de certa forma pagando para que eles estudem gratuitamente. Além disso, somos de uma região desigual e essa responsabilidade social é fundamental.”

Ela afirmou ainda que não se trata “apenas de solidariedade, mas de educação”.

Cada faculdade da universidade deverá adaptar até 2017 o currículo para incluir a matéria, que será cursada a partir do segundo ano e com a orientação de tutores.

Nosiglia contou que já foram definidos detalhes do chamado “projeto pedagógico e de intervenção social”.

Famílias carentes

A matéria terá 42 horas e o aluno deverá ser aprovado por seu tutor. No caso das carreiras de administração e de economia, os alunos poderão, por exemplo, ajudar as famílias carentes, ONGs ou pequenos empresários sobre como organizar um orçamento e capacitá-los para conseguir microcrédito para empreendimentos.

“Outra forma de educação solidária será orientar as mães de famílias carentes sobre como administrar melhor seus recursos”, afirmou.

A medida foi criada em 2010 e regulamentada em 2011, mas, na semana passada, foi estipulado o novo prazo para que todos os currículos estejam adaptados e o projeto entre em prática em 2017.

Nosiglia reconheceu, porém, que será “um desafio” incluir a matéria em algumas faculdades. “A parte mais difícil está ligada às ciências exatas e naturais”, disse.

Para estes, o projeto deve incluir aulas de computação a pessoas carentes e, no caso de biologia, por exemplo, projetos de conscientização sobre o meio ambiente. “É importante que todos, sem exceção, tenham responsabilidade social”, afirmou a pedagoga.

Algumas carreiras já incorporaram a medida em seus planos de estudo, como as faculdades de medicina, arquitetura e de veterinária – que já contam com a matéria prática de educação solidária nos currículos.

O reitor da faculdade de veterinária da UBA, Marcelo Miguez, disse à BBC Brasil que a disciplina de sociologia urbana e rural, com prática solidária, foi incluída em 2007 no plano de estudo da carreira, com visitas a lugares carentes, onde alunos e orientadores abordam temas básicos de saúde pública, vacinas nos animais a prevenção de doenças.

A faculdade de veterinária tem atualmente 4 mil alunos, e cerca de 500 deles já realizaram a “matéria solidária”.

O estudante Santiago Pillado, de 25 anos, no terceiro ano de veterinária, apoiou a inclusão da disciplina no currículo. “Podemos não apenas curar animais, mas ter a consciência social de ajudar as pessoas. Visitamos granjas e ajudamos os pequenos produtores agrícolas a prevenir doenças. Aprendemos como colaborar na adoção dos animais de rua, ou ajudamos aos alunos de escolas técnicas a estudar, despertando seu interesse em cursar a faculdade.”

O especialista argentino em educação Alieto Guadagni afirmou que, ante o aumento no número de alunos da UBA – inclusive com estudantes vindos de universidades privadas -, a medida é “bem-vinda”.

 

Redação

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11 Comentários
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  1. carlos afonso quintela da silva

    16 de maio de 2014 2:28 pm

    Segundo o meu ponto de vista,

    Segundo o meu ponto de vista, a universidade brasileira deveria ser paga. Os que têm condições deveriam pagar o valor de sua formação segundo critérios de renda e patrimônio de seus respondáveis, enquanto aqueles que não tê condições deveriam repor os recursos utilizados na forma de prestação de servi;o depois de formados.

  2. ruyacquaviva

    16 de maio de 2014 2:45 pm

    3 observações

    1 – A palavra Argentina está grafada com erro no título.

    2 – Se é obrigatório não é voluntariado (voluntário é antônimo de obrigatório). Seria melhor usar o termo “trabalho social”, ou coisa que o valha.

    3 – Concordo plenamente com a idéia. Só é necessário organizar de tal forma que permita o recém formado se sustentar e que não prejudique sua carreira. Se bem elaborada, essa inicativa pode até mesmo ajudar a impulsionar a carreira dos jovens universitários e melhorar a sua formação.

    1. Athos

      16 de maio de 2014 5:22 pm

      Concordo com tudo só chamo a

      Concordo com tudo só chamo a atenção de que a idéia é trocar o tempo de estudo por tempo de trabalho. Não me refiro ao tempo total do curso em anos. Reforo-me a carga diária.

      Então, se o cidadão já se vira, gastando seu tempo estudando, vai ter que se virar doando seu tempo.

      Meio expediente por um ano estaria de bom tamanho. Opção por expediente inteiro e que tenha remuneração simbólica.

       

      O rpoblema da remuneração é que determinadas carreiras já recebem o que parece ser remuneração sombólica.

      Bom, estamos antecipando problemas aqui.  quando chegar a hora, se chegar, debateremos isso.

      1. Ricardo JC

        17 de maio de 2014 1:04 pm

        Disciplina com carga horaria

        Disciplina com carga horaria total de 42 h por semestre. Dá cerca de 2 h por semana. Nenhum sacrifício. Estarão aprendendo a dar valor a outras questões. Estarão estudando, ainda que não no sentido formal. Iniciativa brilhante e que pode funcionar muito além do trabalho “doado”.

    2. basílio

      16 de maio de 2014 6:56 pm

      resposta

      1 – Isso é irrelevante.

      2 – A expressão ” voluntariado obrigatório” é da BBC, é o título da matéria no site deles.

      3 – Acho que você não leu o artigo direito, não tem nenhuma relação com o sustento de alunos recém formados, trata-se  simplesmente da introdução de uma cadeira de “educação prática solidária”, com duração prevista de 42 horas,  no currículo dos estudantes, a partir do segundo ano.

  3. alexis

    16 de maio de 2014 2:53 pm

    Adorei

    Quem fez o Serviço Militar sabe o importante que é doar um tempo da sua vida para a nação.

    Nações inteiras crescem com esta espécie de “serviço cívico-militar” das suas populações, durante algum tempo, até poder abrir espaço ao mundo capitalista, mas como nação autônoma (China).

    Não teria sido necessário, talvez, ter que trazer médicos de fora se os nossos tivessem este tipo de atitude.

    O profissional aprende uma lição de civismo que o tornará mais desenvolvido e, junto com este, a todo o país.

    Vamos acompanhar e copiar tudo o que tenha de bom esta excelente iniciativa dos nossos vizinhos.

  4. Assis Ribeiro

    16 de maio de 2014 3:47 pm

    Isso vai matar a elite

    Isso vai matar a elite brasileira que não abre mão nas nossas boas universidades públicas, excelentes se comparadas as particulares.

    Ver os nossos filhinhos prestando serviço, para a coletividade será uma grande afronta ao nosso decantado liberalismo arcaico, elitista e segregacionista.

  5. Auditor

    16 de maio de 2014 5:49 pm

    A Memória é curta!
    Isso foi

    A Memória é curta!

    Isso foi proposto no Governo FHC e foi impiedosamente contestado pelos partidos de esquerda da época!

     

    1. basílio

      16 de maio de 2014 6:44 pm

      Não lembro disso, favor

      Não lembro disso, favor enviar links para artigos que comprovem sua afirmação.

      Lembro de tentativas de cobrança pelo ensino, coisa completamente diferente.

  6. Marcelo F. Campos

    16 de maio de 2014 8:36 pm

    “Universidade argentina adota

    Universidade argentina adota voluntariado obrigatório para compensar ensino gratuito

    argentina adota voluntariado obrigatório

    voluntariado obrigatório

    Maravilha…

  7. Orlando Soares Varêda

    16 de maio de 2014 8:54 pm

     
    Uai! Mas a universidade já

     

    Uai! Mas a universidade já não é paga?

    Aliás, pelo que sei, os brasileiros, especialmente os trabalhadores e assalariados recolhem muito imposto para custear o ensino de nível superior. Universidade Pública, onde , via de regra, se destina maiores benefícios para a exclusiva maioria (minoritária) dos jovens melhor preparados, sobretudo, daqueles egressos das privadas caríssimas. Não que os meninos sejam responsáveis pelas merdas que herdaram. Como se sabe, papais de “patrícios e patricinhas”  noves fora as exceções de regra, são caprichosos e vitoriosos sonegadores de impostos. Até a cpmf foi por eles detonada. Se bem que, no caso específico da CPMF, outras fortes e conhecidas razões tramaram para eliminar aquela contribuição.

    De forma que, caso a tal contrapartida venha a ser instituída na terra em que se plantando tudo dá. O evento ocorrerá com enorme tardansa. Não obstante, tal advento, ao ocorrer, a todos beneficiará. Os oriundos da casa-grande, com as novas experiencias, terão oportunidade de vivênciar um fruir mais humano.                               

    Aliás, se tal dispositivo por essas bandas já vigorasse. Muitos daqueles jovens teriam sido poupados  do vexame da vergonhosa nódoa grudada em suas histórias. Registro o inescrupuloso episódio encenado por jovens médicos nativos, que, conduzidos por quem lhes devia bem educar, os (des)orientou na direção de receber com apupos e gritos histéricos de protestos,  seus colegas cubanos. Justo quando desembarcavam no Brasil para trabalhar em programa do governo Federal que visa minorar o sofrimento das pessoas marginalizadas, aquelas das quais, sua divindade “O mercado” vira a cara, e  absolutamente as despresa.

    Também, que médicos podemos formar, com tais excrescências como educadores…aliás, basta uma merda podre dessas no cesto, pra estragar a zorra toda.

    Portanto. Que venha a contrapartida.

    Orlando

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