27 de junho de 2026

A despolitização da classe média e o contraponto à mídia

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A progressiva despolitização da classe média/servidores públicos e o contraponto à mídia.  

A questão fundamental em relação ao PT é o atual descompasso entre os servidores públicos e sua atuação.

As categorias de servidores públicos sempre deram um respaldo politico fundamental para o Partido dos Trabalhadores.

Explico.

A grande mídia sempre teve a mesma hegemonia e sempre agiu contra o partido dos trabalhadores e suas organizações, sejam eclesiais, de classe, sindicatos, etc.

A diferença é que, durante largo período, este setor, formado por servidores públicos, por suas condições financeiras (razoáveis) e por sua origem, em parte decorrente do ingresso no serviço público por meio de concurso, num pais em que, antes da CF/88, o compadrio e a indicação politica era a regra, serviu de amparo ás ideias e politica desenvolvidas por este segmento político partidário.

No caso, também é de ser ponderado que esta afinidade e defesa, deve-se, em grande parte ao fato, que em razão da proximidade do período da ditadura militar, onde a atividade e a difusão de ideias, de forma livre, para militantes de esquerda, era reprimida, e que em decorrência deste alinhamento ideológico com o regime, a iniciativa privada vetava sua contratação, tais empregos públicos, se configuraram como uma espécie de tábua de salvação para este grupo, o único local seguro, que lhes dava estabilidade no emprego e lhes permitia adquirir certa liberdade e independência, econômica e politica.

Estabeleceu-se assim, no serviço público, em face da tal conjuntura, a possibilidade de criação de uma grande massa crítica, resultante da junção destes militantes de esquerda e de livre pensadores.

Este setor público mais qualificado, logo passou a compor um grupo diferenciado junto a classe média e a intelectualidade de origem liberal, sendo este primeiro grupo, em razão de sua politização e de sua luta pela democratização do país, em pouco tempo, passou a ter ascendência sobre os demais.

Este setor, que de pronto colocava em xeque a antiga forma de ingresso e seus malefícios remanescentes, ou seja, a indicação de chefias incompetentes, em razão da antiga forma de critério, da amizade e da indicação, trouxe novos ares e passou a espalhar sua forma de pensar também em relação a outros campos da politica e logo se tornou hegemônico e a difundir suas ideias, não somente afetas às relações de trabalho, mas à toda estrutura politica e social que havia erigido tal sistema viciado.

Passaram com o tempo, a fazer o contraponto a mídia, a qual, perante suas reinvindicações, tendia sempre a defesa do sistema e à manutenção do status quo politico e econômico, de modo que, sistematicamente distorcia suas demandas.

Criou-se, então, um colchão de resistência e desmistificação das noticias da mídia, o que oportunizou ao PT, o necessário contraponto à força dos grandes grupos de comunicação.

Entretanto, com a  ascensão do partido dos trabalhadores ao poder, houve uma forte valorização do setor público, em razão da politica adotada pelo ex-Presidente Lula,  caracterizada pelo reforço da estrutura do Estado em suas atribuições bem como numa maior  inserção deste na economia.

Dentro desta visão de Estado, criou-se um grande numero de vagas junto ao serviço público, a serem preenchidas mediante a realização de uma quantidade considerável de  concursos.

Tais oportunidades, num pais que carecia de empregos com amparo salarial forte, passou a ser ocupado majoritariamente pela classe média, por pessoas oriundas da classe b e c, com boa capacidade intelectual e formação acadêmica.

Os cidadãos oriundos deste extrato social, ao obterem sucesso em concursos públicos com bons salários, consideraram de plano que haviam obtido uma condição social condizente com seus atributos, e mais, decorrente de seu próprio e único esforço – esqueciam o pressuposto básico, ou seja, que antes de alguém poder passar em um concurso, por sua competência, teria que necessariamente ter havido um concurso, o que somente se deu nos governos Lula e Dilma com a derrota da tese do Estado mínimo.

Prossigo.

Conjuntamente com estas medidas, houve a valorização de todos os servidores, inclusive dos  antigos, que apesar de sua forma de ingresso, também passaram a ter o status de elite do serviço público.

Alterou-se, desta forma, aos poucos, a correlação de forças que havia permitido a formação de um pensamento progressista e com forte inclinação social, e que servia de contraponto à grande mídia, em todos os setores.

Passaram a existir, dentro do serviço público, conjuntamente com este setor progressista e politizado,  a ala antiga, que ingressou sem prestar concurso e a nova – egressos após 2005, estes sem a memória dos anos de 1994 a 2002 da era FHC e sem a carga ideológica da luta contra a ditadura, sendo que em sua maioria, característica dominante deste grupo, tinham como objetivo a ascensão social através do serviço público.

Dentro desta nova conformação, passou a se constituir uma nova base de pensamento, conservador e utilitário, que veio a se consolidar com o aumento do poder aquisitivo.

Anoto, ainda, que, não obstante a qualificação efetiva destes servidores e dos serviços públicos prestados, o caso é que, estes novos servidores consideram que seu trabalho (provavelmente decorrente de sua qualificação pessoal) é extremamente importante e mais, deve continuamente ser valorizado monetariamente.

Frustrados perante esta continua progressão monetária, passam a ter um viés crítico em relação ao governo, que não lhes oferece novas oportunidades de crescimento funcional e, lógico, salarial.  

Neste interregno, sobreveio a crise econômica mundial, a qual os atinge no auge de sua realização pessoal enquanto consumidores, ou seja, viajantes do mundo, degustadores de bons vinhos e frequentadores de restaurantes de qualidade diferenciada do ponto de vista financeiro e de classe social.

Assim, após alguns anos, tendo sempre usufruído de aumentos reais de salários e reestruturações de carreira, após 2011, houve uma retração nestas medidas, de modo que, várias carreiras de serviços públicos ou mesmo de servidores que tenham ingressado neste período de valorização salarial, inevitavelmente passaram a sentir uma diminuição de seu padrão de vida.

Isto se refletiu imediatamente na questão politica, pois, sendo oriundos de uma classe média despolitizada, o que, unido ao sentimento de desvalorização – que se traduzia tanto no campo monetário, quanto em seu sentimento interno de pertencimento a uma classe historicamente depreciada no que tange ao seu real valor, fez com que, grande parte destes setores, mudassem a postura em relação ao governo.

No caso o mesmo fenômeno que fez surgir o sindicalismo de resultados, se tornou forte no serviço público federal, e isso, neste final de mandato de Presidenta Dilma, se fez sentir mais forte, com a substituição de lideranças sindicais progressistas por setores conservadores e de outros que se aliaram a estes para tomarem a  direção das entidades de classe, e que nada mais passaram a fazer do que alimentar a insatisfação salarial e direcioná-la em forma de culpa ao governo Dilma.

Ponto.

A questão crucial, na realidade é que este setor que servia de amparo ao governo contra a politica sistemática contrária, veiculada através da grande mídia , deixou de fazer o contraponto, e, pior, muitas vezes passou a servir de caixa de ressonância.

Por ser ideologicamente fraca ou mesmo de origem conservadora, aderiu facilmente a teses contrárias ao governo, bem como, neste embate ideológico, se ressente de uma falta de pertencimento de classe, em outros termos, não se considera como pertencente a classe dos trabalhadores.

Para finalizar esta breve provocação, a atual falta de politização, detectada nesta campanha presidencial,  é a mesma que foi vista nas manifestações de junho de 2013, quando este grupo de pessoas foi às ruas.

 

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82 Comentários
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  1. Amaro Doce

    11 de outubro de 2014 4:26 am

    Segundo programa da Dilma no horário eleitoral

    Eram umas boas cacetadas no Aécio.

    Veja:  https://www.youtube.com/watch?v=8j66GpeKgnM

  2. Adma Andrade Viegas

    11 de outubro de 2014 4:30 am

    Não é verdade que os

    Não é verdade que os servidores tenham  aderido ao conservadorismo. A verdade é que foram muito maltratados pelo governo Dilma. O governo Lula prejudicou-os na aposentadoria mas trouxe alguns benefícios, como a reestruturação do plano de carreira e a existeência de canais de negociação.. Além do arrocho salarial, Dilma sempre tratou os servidores com prepotência e desrespeito, comparável ao dos governos neoliberais do PSDB.

    1. MarFig

      11 de outubro de 2014 5:38 am

      Tem razão. Aócio vai ser bem

      Tem razão. Aócio vai ser bem melhor pra vocês. É só perguntar aos professores, policiais, profissionais de saúde e funcionalismo público mineiro. 

      1. Adma Andrade Viegas

        11 de outubro de 2014 4:54 pm

        Eu defendi Aócio, por acaso?

        Eu defendi Aócio, por acaso? Amigo, eu trabalhava em um banco público na época de FHC e sei muito bem o  terror que é o de viver em um governo neoliberal.  Aliás, a minha posição crítica a esse sistema ficou bem evidente na minha postagem.

        Só que  isso não dá ao PT o direito de agir da mesma forma. Ao contrário.

        Mas a cegueira ideológica  de certos militantes prejudicam seu raciocínio,  ao ponto de não conseguirem entender um simples texto.

         

         

    2. Baronato

      11 de outubro de 2014 6:08 am

      Pois é…

      Ou então venha ver as mil maravilhas do funcionalismo público paulista…

      Mas este parece sofrer da “síndrome de Estocolmo”.

    3. Jose Fernandes

      11 de outubro de 2014 11:19 am

      Concordo. A grande queixa dos

      Concordo. A grande queixa dos servidores públicos foi o tratamento, nos moldes FHC, que ela deu a eles durante a última negociaçao salarial. Foi injusta e desrespeitosa com uma categoria que lutou e muito por ela na última eleiçao.

      1. Marcos Pinto

        11 de outubro de 2014 5:08 pm

        Lutou pelos motivos errados

        O funcionalismo (ou pelo menos uma parte dele, toda generalização é burra) lutou por Dilma porque achava que ela continuaria a dar aumentos acima da inflação, como o Lula fez. Eu estava no curso de formação no final de 2010, e vários colegas defendiam o voto nela porque o Serra não ia nomear a gente (como se a garantia de nomeação não fosse ponto pacífico nos tribunais) ou ia “achatar” nossos salários. Corporativismo puro…

    4. CELSO ORRICO

      11 de outubro de 2014 3:11 pm

      Adma

      lembra que Lula unificou os Fiscais do INSS com os da Receita Federal e criou o “receitão’? pois é, são a elite do Serviço Público Federal com salários acima de 13 ou 14 mil ,  a ADUSF faz reuniões para ouvir um velejador pago a preço de ouro em Hotel de luxo em Sampa e na sua maioria são de direita e votam em Aécio..ainda esculhacham o Lula e a Dilma..é a classe média citada por Chauí, lêem Veja, amam a Globo, acham Maimi e Nova Yorque um paraíso terrestres mas coibir a sonegação alarmante dos grandes nem pensar..

    5. Sergio SS

      11 de outubro de 2014 5:19 pm

      Prepotência e desrespeito me

      Prepotência e desrespeito me parece que também foram posições bem claras do funcionalismo público de quererem forçar a barra nas negociações em total descompasso com o contexto de crise mundial e de encolhimento das receitas públicas para manter o Brasil sem quebradeiras, né não?

      1. Adma Andrade Viegas

        11 de outubro de 2014 5:59 pm

        O que você chama de “forçar a

        O que você chama de “forçar a barra nas negociações”? Querer ter seu poder de compra reajustado de acordo com a inflação 9como a iniciativa privada teve) é algum absurdo?

        E Dilma que ficou enfolando o funcionalismo por meses e se mostrou dura e arrogante (com o PIG não – com o PIG ela é um carneirinho).

        Em categorias que estavam com seus salários praticamente congelados?

        Muito cômodo exigir sacrifícios dos outros.

      2. Adma Andrade Viegas

        11 de outubro de 2014 5:59 pm

        O que você chama de “forçar a

        O que você chama de “forçar a barra nas negociações”? Querer ter seu poder de compra reajustado de acordo com a inflação 9como a iniciativa privada teve) é algum absurdo?

        E Dilma que ficou enfolando o funcionalismo por meses e se mostrou dura e arrogante (com o PIG não – com o PIG ela é um carneirinho).

        Em categorias que estavam com seus salários praticamente congelados?

        Muito cômodo exigir sacrifícios dos outros.

        1. Sergio SS

          11 de outubro de 2014 6:56 pm

          Adma, eu só quis te mostrar

          Adma, eu só quis te mostrar que é muito fácil desqualificar o outro por adjetivos pejorativos, quando na verdade o debate era outro, era o contexto da maior crise fiscal global e o governo pisando em ovos para manter as contas públicas equilibradas… aliás, veja como estamos em 2014, o superávit não vai ser alcançado e isto exige aperto de cintos. Faz parte de quem está no serviço público ter que conviver com as crises fiscais, onde o governo tem que pensar em todos os trabalhadores, e não somente nos do setor público. É bem diferente das sacanagens dos governos tucanos com sistemas de meritocracias dissimuladas de arrocho.

          Lula teria feito o mesmo, ou vc acha que o problema é a Dilma?

          1. -Charlie-

            11 de outubro de 2014 7:48 pm

            “Lula teria feito o mesmo, ou

            “Lula teria feito o mesmo, ou vc acha que o problema é a Dilma?”

            Aí é que tá, Lula não teria feito o mesmo..

            Os negociadores do governo já eram conhecidos dos líderes dos servidores, pois vinham desde o governo Lula… Pelo menos um deles chegou a confidenciar que o problema era Dilma, que estava intransigente, e que se Lula estivesse no poder a questão nunca chegaria àquele ponto, já estaria resolvida há muito tempo…

            Foi teimosia sim, pra mostrar quem mandava e pra agradar à mídia, que fazia tabelinha e descia o pau nos servidores.

            Agora vai lá pedir voto pra mídia, vai…

  3. mauricio freitas

    11 de outubro de 2014 8:57 am

    Texto pertinente sobre esse

    Texto pertinente sobre esse “novo funcionalismo federal”. Como servidor federal, dos antigos, também concursado(o Governo Figueiriedo fez alguns concursos) comungo do ponto de vista do autor, acrescentando a este  a crença dogmática do “novo funcionalismo” que tudo é técnico e por isso os cargos comissionados devem ser preenchidos apenas por servidores de carreira. Há esse sentimento de frustração em relação ao PT, ao meu ver muito injusto, pois foi nos governos do partido que as carreiras foram reestruturadas e melhor remuneradas. Mas essa nova geração, um tanto arrivista, tem pressa. Cargos do nível médio com salários de engenheiros da iniciativa privada são tidos por seus ocupantes como de “baixa remuneração”.  Conheço sujeito que atuando em sindicato dominado pelo PSTU votou no Aécio pois este promete aprovar a  agência reguladora do setor em que o servidor atua. Mas como não sou do pior melhor  espero que a lucidez tome conta de tais colegas de trabalho no segundo turno e evitem um certeiro arrocho salarial para todo funcionalismo em caso de vitória tucana.

  4. Bruno Cabral

    11 de outubro de 2014 9:23 am

    Competencias

    Mas se sao tao competentes, por que nao fazem outro concurso para um cargo que pague melhor, como fiscal da receita. Ou deputado? Ou juiz do supremo? Quer ganhar mais, produza mais ora bolas!

  5. Murdok

    11 de outubro de 2014 11:11 am

    É por ai mesmo. Bom, se tá

    É por ai mesmo. Bom, se tá ruim, vai ficar pior. Essa coisa de estado mínimo começa pela redução de ministérios e dseus derivados e pelo congelamento de salários. No quesito salário dos servidores públicos, o Aécio numa das primeiras falação la no início do primeiro turno, disse que quando governador reduziu o próprio salário.

    Então o recado para os servidores públicos federais, principalmente aqueles que não são carreiras típica de estado é,…preparem-se, guardem suas economias, não façam dívidas.

    Uma saída é aproveitar esse período que virá, para reciclagem, novos estudos, fazer uma faculdade, enfim.

    1. Juliano Santos

      11 de outubro de 2014 1:58 pm

      É isso mesmo, Murdok. Para

      É isso mesmo, Murdok. Para esse “novo funcionalismo”, coxinha, pelo que deduzi do texto, a coisa está ruim. Mas se o Aécio ganhar vai ficar tão ruim, que eles sentirão saudades da época das “vacas gordas”.

      Esperar que governo tucano não arroche salários, principalmente do funcionário público, é botar banana na frente de macaco e pedir para ele não comer.

      Me parece que também tem aquele pensamento tipo, “não vão mais fazer concursos, tudo bem, eu já entrei”. Mas olhem que o Armínio pode mexer na estabilidade deles, einh? Eles não fazem a idéia do saco de maldades que vai cair-lhes na cabeça. Se fazem, tapem o nariz e votem na “arrogante” Dilma

  6. alexis

    11 de outubro de 2014 11:29 am

    BRASÍLIA E O FUNCIONALISMO EM GUETOS

    A POLÍTICA

    A classe média de Brasília, na sua maior parte composta por servidores públicos e familiares, políticos de passagem, consultórios jurídicos e lobistas de grandes empreiteiras, vive uma explosão de consumo e relativa futilidade, pela alta renda e até pela falta do que fazer naquela grande acampamento cívico-governamental que age como se uma cidade fosse. Cidade de Roriz e Arruda, a população parece pouco escrupulosa com o seu próprio voto e parece estar mais perto de Miami que do restante do Brasil. Isso é irradiado ao Estado de Goiás.

    O candidato do PT (Agnelo Queiroz) foi fulminado nesta recente eleição. Isso é o que nos leva a refletir, pensando também em outros grupos de servidores, ao longo do Brasil. Todos parecem esquecer que nasceram no Brejo da Cruz.

    O CONVÍVIO SOCIAL

    No caso discutido neste post acontece, a meu ver, uma migração ou metamorfose desde o jovem voluntarioso – que ganha um concurso público – até converter-se num pai de família inserido dentro de um mundo consumista exigente, num local distante da sua família de origem, e que deve fornecer condições de vida a sua esposa e filhos, notadamente morando em ambientes consumidores e competitivos. Onde pai e mãe trabalham, os filhos ficam ainda mais expostos a estes choques de consumo e de desapego pelos assuntos brasileiros (e falta do que fazer, que é o pior para um jovem).

    Quem trabalha ou trabalhou na mineração sabe o que estou falando. Brasília é como um enorme acampamento de mineração tipo Carajás, onde gente espera ansiosa o dia e a hora do próximo vôo, que o levará para visitar os seus familiares, ou para não voltar nunca mais. Carajás possui o seu Parauapebas do lado, que é a expressão urbana de crescimento do subúrbio, neste caso das famílias ligadas às empreiteiras, onde as mesmas sensações de “estar apenas de passagem” são repetidas, desta vez com menos status e renda. Assim ocorre em Brasília com as suas chamadas cidades-satélite.

    UMA “BASE” DO BRASIL DENTRO DE SIM MESMO

    Brasília foi feita como uma das últimas experiências de “Bandeirantes” entrando no território nacional. Numa época que não tinha celular nem internet, e que a idéia era trazer todo o mundo para o Planalto, levantando acampamento e simbolizando a presença do estado no coração do território brasileiro. Na época deve ter sido muito bacana, como uma base brasileira na Antártica. Mas hoje, com a modernidade do século XXI, parece uma estupidez condenar a uma importante parcela de brasileiros para viver longe do que eles mesmos possam considerar o seu habitat natural. Ainda, parece um contra-senso que a região inteira do Distrito Federal dependa apenas do trabalho político e não tenha mais nada para se fazer.

    AÇÕES (Bem resumidas – há muito a discutir)

    1.       Descentralizar o Governo, irradiando unidades inteiras ou até Ministérios para o longo do território nacional, segundo o tipo de atividade e a proximidade mais importante dos atuais centros urbanos do país. Notadamente, cidade com maior número de Deputados Federais, São Paulo deveria ter a Câmara dos Deputados, e assim por diante. Todos governarão para todos, sob o manto federal. 

    2.       Criar atividades industriais que substituam a renda do Distrito Federal que será perdida por conta da retirada gradativa de servidores (o que não é pouco, sabemos). Até mesmo, integrar com Goiás.

    Integração gradativa do funcionalismo público dentro da categoria funcional de todos os mortais da área privada. Acabar com privilégios de aposentadorias e/ou rendas compensatórias (tipo auxilio moradia e outros) que já não seriam mais necessários, em muitos casos. Novos funcionários entrariam a trabalhar com CLT comum.

    ENQUANTO ISSO, MINAS GERAIS

    Aécio Neves, em Belo Horizonte, fez o contrário, criando uma pequena Brasília pessoal, caminho do aeroporto de Confins. O transito ficou insuportável nesse local e, muitos funcionários, que moravam perto das antigas instalações de administração estadual (bairro Lourdes), preferiram aposentar antes de ter que viajar por mais de 1 hora (de ida) e outra de volta, para aquela maquete de Brasília que o jovem governador visitava de helicóptero.

    1. Marcos Pinto

      11 de outubro de 2014 3:20 pm

      Acho que você não mora em Brasília …

      Eu moro, desde 2010, e apesar de não ter nascido aqui considero sua visão (sob certos aspectos) absolutamente preconceituosa. Há muitas pessoas nascidas aqui e que não pensam em deixar a cidade de forma alguma – é uma cidade com ótima qualidade de vida e um número crescente de opções culturais, sem contar uma pujante natureza no seu entorno (Chapada dos Veadeiros, Pirenópolis etc). O Agnello foi fulminado porque falhou em várias das políticas que implementou, principalmente em relação à mobilidade urbana, que piorou de forma significativa nos últimos anos. A falta de empatia dele e constantes viagens ao exterior que não deram em nada também não ajudaram.

      Sobre a alienação, é uma generalização grosseira. Ao estar dentro do serviço público, nunca tive tantas chances de entender melhor o funcionamento da máquina administrativa e formar uma opinião melhor sobre os problemas do país, inclusive por meio da discussão constante com meus colegas de trabalho. Certamente, tudo depende do órgão onde você trabalha – alguns possuem uma cultura mais refratária a esse tipo de debate, realmente.

      No entanto, eu concordo em parte em relação ao que você propõe: é importante descentralizar os centros de decisão do governo federal. No entanto, esse movimento, se tocado pela burocracia, é muito perigoso: a tendência é que isso leve apenas a uma “federalização” do  inchaço das áreas-meio, que já é um problema sério da administração pública atual. Afinal, você sabe o que a filial de Fortaleza do Bacen faz ? Eu não sei …

      Também acho que Brasília precisa ter uma presença mais forte do setor privado, mas com o custo de vida mais alto do país (graças aos salários dos servidores artificialmente inflados pelo governo Lula) fica difícil atrair investimentos produtivos.

      Você erra ao citar benefícios que, ao menos no Executivo Federal, já não existem mais. Basicamente os servidores têm o seu salário, vale-refeição, auxílio ao plano de saúde, e só. O auxílio-moradia é pago apenas para servidores com cargos de gerência ou superior, somente se a posse no cargo implicou em mudança de domicílio. A aposentadoria – felizmente – já está mais próxima do regime do INSS para novos servidores (para isso foi criado o FUNPRESP, uma das únicas medidas civilizatórias em relação à gestão dos servidores públicos adotada pelo governo Dilma). No entanto, concordo com a adoção da CLT e do fim da estabilidade. A Esplanada está cheia de gente que não trabalha, passa o dia batendo papo, na Internet ou estudando para outros concursos ou, no limite, alimenta a indústria de atestados médicos presente na cidade.

  7. Hamilton

    11 de outubro de 2014 11:50 am

    Se for o caso,

    Dilma tem que ganhar “apesar” dos funcionários públicos e governar com foco na erradicação da miséria, da violência e da falta de educação.

    As burguesias privada e pública são, de fato, muito egoístas.

    Dilma, com a força do povo, que é quem carrega este país nas costas.

    1. Sergio l

      11 de outubro de 2014 4:55 pm

      Hamilton, ninguém  ganha

      Hamilton, ninguém  ganha eleição com esse ânimo de ganhar “apesar” de tudo e de todos. E que papo é esse de “burguesias privada e pública”? Se quer se fingir de esquerda, não fique só nos manuais do século passado.  Pra mim, com relação ao funconalismo público hoje, o dilema não é escolher entre  “o egoismo ou o altruismo”, mas  entre continuar vivo, ainda que com dificuldades (PT), ou se entregar à morte mais cruel e humilhante (PSDB).

      1. Hamilton

        12 de outubro de 2014 1:48 am

        Se você ainda não sabe da existência

        de uma burguesia pública é porque você é realmente muito desinformado.

        E quem é você para afirmar que eu finjo ser de esquerda? Você nem sabe quem eu sou. Fica na sua.

  8. autonomo

    11 de outubro de 2014 12:00 pm

    A despolitização da classe

    A despolitização da classe media tem a ver sobretudo com os erros do PT na conduta de suas ações na cultura.

    Esse foi o grave engano dos governos petistas, sobretudo quando sofriam um ataque continuo e violento por parte de todos os veiculos de informação tradicionais, que se ligaram num processo de lavagem cerebral da população.

    Seria exatamente neste momento, como foi durante a ditadura militar, que as forças politicas populares mais necessitariam da ação dos trabalhadores intelectuais, dos artistas.

    A politização basica da sociedade acontece atraves das atividades culturais.

    A propria educação so transforma completamente o individuo quando acompanhada de um acesso pleno a cultura, que aponta os caminhos do bom uso do aprendizado.

    O PT no governo não entendeu essa maxima.

    Olhou a cultura como um subproduto da industria do entretenimento, a que foi tansformada depois de tantos anos de descuido por parte dos governos.

    A cultura visivel, a incentivada inclusive com gordas verbas publicas, é apenas uma pobre caricatura de uma atividade fundamental para o desenvolvimento da sociedade.

    O PT ao inves de escolher para conduzir a cultura homens como um Suassuna, com uma visão ampla de seu papel na sociedade,optou pelo parceiro do Caetano Veloso, o mais reacionario dos artistas brasileiros.

    Resultado, o pais parou numa discussão ridicula apontando os problemas culturais como consequencia dos erros do ECAD.

    Um mero organismo de arrecadação de direitos passou a ser o grande vilão da cultura.

    Enquanto isso o proprio MINC  passou a ser o centro mobilizador de um movimento pela derrubada  da lei de direito autoral, instrumento unico e basico de proteção a atividade cultural.

    Criou-se num pais tão rico em cultura um apagão cultural.

    Lobão e Roger passaram a falar em nome da arte, Ivete Sangalo vista pelo proprio ministro como “artista de sucesso”, a juventude universitaria escutando “sertanejo universitario”..

    O estranho em toda essa historia é que constantemente encontramos corretas criticas ao processo de desconstrução do jornalismo pela direita.

    Ao mesmo tempo nem o PT, nem grande parte da sociedade compreenderam que a mesma desconstrução aconteceu na cultura, transferindo o espaço, antes dado a nossos verdadeiros artistas, a  nomes como Roger, Lobão e outros reacionarios roqueiros dos anos 80.

    Não vi aqui, nem na internet nenhum comentario ao estranho fato de um ex ministro da cultura de um governo petista ser o papagaio de pirata da candidata reacionaria a presidencia.

  9. alirio

    11 de outubro de 2014 12:04 pm

    Servidores

    A questão da valorização dos Servidores deverá ser uma das prioridades em uma possível Reforma Política.

    É muita desigualdade de remuneração, impossível de ser corrigida por meio da atual legislação. Um dos motivos é a ausência de Revisão Anual de vencimentos, já prevista na Constituição, mas nunca posta em prática. Daí, algumas categorias terem lutado para aprovar planos de carreira específicos, o que aumentou a desigualdade.

    Os Servidores, assim como todos os demais trabalhadores, sempre foram criticados pela Mídia. Mesmo com o desastre do período FHC nunca foram defendidos. Era natural que a maioria, para não dizer a totalidade, odiasse o governo tucano e apoiasse o PT.

    Em decorrência desse apoio, veio a frustração, quando o governo Lula, sem base parlamentar própria, cedeu às “pressões do mercado” e começou pela “Reforma Administrativa”. Ao atacar os Servidores e conceder 1% de reajuste anual, deu origem ao “antipetismo” atual, muito bem explorado pela Mídia.

     

  10. Luis Sifer

    11 de outubro de 2014 12:33 pm

    Um texto que distorce

    Um texto que distorce toltalmente a história para defender uma tese furada.

    A obrigatoriedade de concursos para o serviço público foi estabelecida na CF de 1967 ( Artigo 95 ), assim como a estabilidade ( Art 99 ). A CF 88 não mudou nada.

    O que sempre houve foram os cargos em comissão, mas estes, alé de serem em muito menor número, eram muito melhor preenchidos durante o regime militar do que são hoje. Hoje sim, eles servem para compadrios e apadrinhados.

    Militei no PCB ilegal durante a ditadura e a maior parte dos companheiros era servidor público. Quem estava no serviço público em 90 sabe que o desmonte do mesmo foi no governo Collor e de lá para cá, nunca mais endireitou.

     

    1. IV AVATAR

      11 de outubro de 2014 12:59 pm

      Faz ai seu texto

      Ah mais estou esperando seu ótimo texto tá bom, vc é experte em depreciar o que os outros escrevem, faz o seu e aguardamos que vamos ler tá bom

    2. SergioMedeirosR

      11 de outubro de 2014 1:26 pm

      Quem distorce??Ou será desconhecimento

      Luissifer

      A regra do art. 95, § 1º, da Constituição de 1967 foi revista.   

      http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc01-69.htm

      A Emenda Constitucional (EC) nº 1, de 1969, dispôs que a primeira investidura em cargo público dependeria de aprovação prévia em concurso público de provas e títulos, salvo os casos indicados em lei (art. 97, § 1º). Além de referir-se ao concurso público como condição apenas para a primeira investidura em cargo público, abrindo espaço à exegese de que o servidor concursado poderia ingressar em cargos superiores sem prestar novo concurso, o art. 97, § 1º, da Emenda, em sua parte final, concedeu ao legislador poderes para excepcionar até mesmo a exigência de concurso para o ingresso inicial no serviço público.

      No mais, a EC nº 1, de 1969, repetiu, para as situações específicas de magistrados, membros do Ministério Público e do magistério oficial, bem como de servidores dos Poderes Judiciário e Legislativo, as normas até então vigentes (art. 95, § 1º, art. 123, parágrafo único, art. 144, I, art. 176, § 3º, VI, art. 108, § 2º). O direito à estabilidade continuou limitado aos servidores admitidos por concurso público (art. 100).

      Ainda na vigência da redação original da Carta de 1967, normas estaduais vieram prever formas de ingresso em cargo público com dispensa do concurso, em flagrante descompasso com a Constituição Federal.

      Texto elucidativo – Renato Monteiro de Rezende – http://www12.senado.gov.br/publicacoes/estudos-legislativos/tipos-de-estudos/outras-publicacoes/volume-ii-constituicao-de-1988-o-brasil-20-anos-depois.-o-exercicio-da-politica/concurso-publico-avancos-e-retrocessos

    3. Juliano Santos

      11 de outubro de 2014 2:09 pm

      Militou no PCB? Deve ter sido

      Militou no PCB? Deve ter sido na ala do Roberto Freire, Alberto Goldman, Aluizo Nunes e demais tucanos xiitas.

      Do estado absoluto burocratizado e dominado da cabo a rabo pelo partido para um estado quase inexistente a servir com sofreguidão ao mercado. Não existe ninguém tão capaz de tamanha transformação do que ex-comunistas brasileiros. Não deixa de ser uma característica marcante 

    4. Sergio l

      11 de outubro de 2014 2:31 pm

      Concordo em parte

      Realmente o texto do Sérgio tem algumas distorções e  exageros mas apresenta um diagnóstico basicamente correto do sentimento do funcionalismo público federal hoje, particularmente dos mais novos, que fingem ignorar que, tivessem se mantido os governos tucanos, nem isso (servidores) seriam hoje . Quanto à afirmação de que “no tempo da ditadura os cargos de comissão eram melhor preenchidos” não corresponde à realidade nem da ditadura (em que havia até assessores com a função exclusiva de dedurar subversivos) nem do governo atual: em muitos órgãos públicos não existem cargos em comissão que não sejam ocupados pelos próprios servidores do órgao. Além dos mais, o seu percentual não tem mudado muito em relação a governos anteriores. É mais um dos mantras repetidos pela oposição.

      Agora, cá entre nós, o governo Dilma errou muito no trato com os servidores. Dar 15% de aumento para 4 anos, e ainda com 5% no em janeiro do ano que vem, é o mesmo que dizer “não preciso dos votos de vocês”. Porém, o sentimento predominante na categoria (que no 1º turno votou em massa contra a Dilma) tem mudado, muitos se apavoram com a volta dos tucanos. Mas é necessário uma demonstração pelo PT de que pretende adotar uma postura diferente. Ou vai ficar esperando que o Arminio dê mais uma declaração infeliz (dos bancos públicos ele já disse que não sabe o que vai sobrar)

      1. Maurício Gil - Floripa (SC)

        11 de outubro de 2014 3:32 pm

        Belo texto do Sérgio

        Belo texto do Sérgio Medeiros, certeiro.

        Mas também concordo com você, Sergio I: achar que na ditadura as coisas seguiam critérios meritocráticos é demais.

        1. SergioMedeirosR

          11 de outubro de 2014 4:52 pm

          Um pequeno reparo

          Caro Mauricio Gil, a parte, diga-se de passagem, teratológica, referente a meritocracia na Ditadura Militar é de autoria de LuisSifer…

          Ao contrário, neste período (da ditadura), imperava o compadrio e a indicação politica, sem quaisquer análises de competencia ou compatibilidade com o cargo.

  11. Bernardo F Costa

    11 de outubro de 2014 12:47 pm

    O texto é muito bom e

    O texto é muito bom e interessante. Tendo trabalhado até recentemente em uma estatal, concordo com a maioria das afirmações. Só acho que ficou faltando explorar um ponto nele: as terceirizações. Hoje em dia o grau de terceirização nas estatais é enorme ! Pegue a petrobras e coisa de pelo menos 2/3 dela são terceiros se não chagar a 3/4. Vejo que a maioria destes tem pensamento retrógrado também, pois via de regra muitos são beneficiários do compadrio, não necessariamente poítico, pode ser de cunho pessoal também. Essas coisas infrelizmente estão enraizadas na sociedade brasileira e temo que não mudará tão facilmente.

  12. santos2

    11 de outubro de 2014 12:56 pm

    Os comentaristas aqui falam

    Os comentaristas aqui falam dos funcionários federais, mas, na prática, as açoes do governo federal refletem na gestão dos estados e municípios. A chegada do PT ao poder deu ganhos reais bem acima da inflação a boa parte dos servidores dos estados. Sou Oficial de Justiça de um estado nordestino, em 2006 ingressei por concurso público e minha remuneração não chegava aos 2mil reais, hoje passa dos 11 mil. Definitivamente isso não seria possível num cenário d estado mínimo.

    1. Marcos Pinto

      11 de outubro de 2014 3:23 pm

      Torço para a volta do Estado Mínimo então!

      Minha esposa tem um cargo de supervisão, precisa viajar o tempo todo, às vezes trabalha à noite, finais de semana, e ganha 5 mil reais por mês. Você acha realmente justo que um oficial de justiça ganhe 11 mil? Note que não é nada contra você, já que há casos muito piores, tais como consultures do Senado que passam o dia na Internet e ganham mais de 30 mil reais por mês…

      Estou esperando você dizer que errado é ela ganhar pouco, mas isso apenas vai demonstrar um desconhecimento de economia e uma dissonância cognitiva que é muito típica dos servidores públicos no Brasil …

      1. Sérgio T.

        11 de outubro de 2014 8:59 pm

        O mercado de salários no sistema capitalista, existe para mante-los baixos mesmo (efeito mais agudizado na atual vertente ultra liberal oligopolista), pois eles são impactados e “formados” em função da mão de obra excedente, desempregada, fenômeno que não atinge tanto um trabalhador concursado…

        Porém, dissonância cognitiva (e econômica) é acreditar que abaixando o salário alheio (ainda que o de um servidor público), o da sua casa irá aumentar! Não só não vai aumentar, como vai abaixa-lo mais ainda… Acredite!

        1. Marcos Pinto

          11 de outubro de 2014 8:59 pm

          O que você diz não tem

          O que você diz não tem absolutamente lógica nenhuma. Os salários no sistema capitalista seguem, como todos os preços na economia, a lei da oferta e da procura. Quando ocorreu o boom no setor imobilário, anos atrás, os salários dos engenheiros na iniciativa privada dispararam. Como esse “boom” acabou se configurando uma bolha, agora muitos estão perdendo os empregos e tendo dificuldades de se recolocar no mercado. Uma economia em crescimento levará a uma maior busca por trabalhadores e, consequentemente, maiores salários, enquanto o contrário ocorrerá em uma economia em recessão. A regulação estatal pode intervir nisso até certo ponto, mas não há muito como fugir desse mecanismo básico do capitalismo.

          Será que eu preciso lembrar que o salário “alheio” do servidor público é pago por todos os contribuintes? É realmente justo que esses recebam acima da iniciativa privada, com estabilidade e sem accountability? Se o dinheiro que seria pago para os servidores não for usado adequadamente, isso é outro problema, que de forma alguma justifica a manutenção de uma casta se locupletando do dinheiro que, em última linha, é pago por todos nós.

        2. Rosie

          11 de outubro de 2014 9:28 pm

          Tá, mas o orçamento público

          Tá, mas o orçamento público que paga R$ 11 mil para oficial de justiça é o mesmo que não consegue pagar R$ 2 mil para professores ou R$ 3 mil para policiais. É claro que existe um caminhão de ralos como juros altos, empréstimos a fundo perdido, subsídios, isenções, sonegação, etc, mas a questão salarial dentro do Estado terá que ser enfrentada em algum momento. 

        3. Caetano.

          11 de outubro de 2014 10:36 pm

          Não acredito não! Baixando o

          Não acredito não! Baixando o salário do funcionalismo para um valor justo, sobra mais dinheiro para o governo investir em infraestrutura, que propiciará mais crescimento e mais emprego!

          1. santos2

            13 de outubro de 2014 4:59 pm

            Não se pode baixar salário. É

            Não se pode baixar salário. É inconstitucional. 

  13. piloto

    11 de outubro de 2014 3:43 pm

    Alienação da prosperidade

    Sou funcionário de estatal, concursado e tendo ingressado na empresa em que trabalho no ano de 2004.

    O texto acima reflete perfeitamente o que penso. 

    As pessoas com quem trabalho, no seu tempo livre, só querem saber de viajar e festejar. Não sou contra, perém parece que quando as pessoas estão com o vento muito a favor, não sabem ter equilíbrio e procuram viver como se a vida fosse acabar no outro dia (e eu acho que esse é o maior problema, ou seja, o ser humano não sabe conviver com sua finitude). Com o tempo passam a ser alienadas.

    Essa semana, coincidentemente conversando com minha esposa a respeito do que foi tratado pelo senhor Sérgio, ela disse: “depois do PT tá tudo muito fácil”. E eu disse: Pois é, parece que as pessoas só aprendem sofrendo.

    Particularmente torço para que a Dilma seja eleita novamente e tenha mais algum tempo para implementar algumas de suas ideias. Caso isso não ocorra, tenho uma certeza: a volta do estado mínimo. E com ele, suas dificuldades. Provavelmente alguns acordem; muitos outros, serão atingidos e não saberão nem de onde partiu o tiro. 

    Mas é isso e como dizia Lulu Santos: “assim caminha a humanidade, a passos de formiga e sem vontade.”

    Por isso que não acredito em comunismo. Ao menos pra o nível de evolução de nossa espécie na atualidade.

     

     

  14. Marcos Pinto

    11 de outubro de 2014 4:29 pm

    Espera aí … mas a culpa é de quem?

    O maior acerto do texto é identificar o risco que o corporativismo da burocracia brasileira representa para o futuro do país. No entanto, ele peca ao sucumbir ao extremismo político do momento e botar a conta do problema na “classe média concurseira”, sendo que esta segue uma escolha racional (vou trabalhar em um lugar onde ganho mais) que no fundo não é sem consequências negativas – a quantidade de pessoas que eu conheço que estão absolutamente frustradas com o seu trabalho mas “não largam o osso” devido ao seu gordo salário e à estabilidade no emprego é imensa.

    Então, qual seria a razão para o comportamento corrupto (em um sentido latu) da burocracia, ao achar que pode receber aumentos de salário infinitos e ganhar muito mais do que seus pares na iniciativa privada? As respostas são simples:

    – o governo Lula aumentou os salários dos servidores públicos em demasia, sem exigir nada em troca – colocando-os, em vários casos, em patamares muito acima do que se recebe na iniciativa privada. Em muitas carreiras adotou-se o pagamento por subsídio, que se por um lado eliminou a farra das gratificações acumulativas que tanto acomete o judiciário, eliminou a possibilidade dos servidores receberem rendimentos diferenciados de acordo com avaliações de desempenho, titulação acadêmica ou outros critérios que pudessem estimular o constante aprimoramento dos servidores.

    – o modelo de contratação via concurso público e a maneira como as carreiras estão estruturadas criam várias distorções: o salário inicial das carreiras é o mesmo, independentemente se o candidato é um recém-formado ou alguém com 20 anos de experiência. Isso tem estimulado jovens a começar a estudar para concursos já durante a universidade, e o fato é que muitos passam, se acomodam já no início da carreira com a estabilidade e acham que “a vida está ganha”. A culpa é deles? Ora, é o sistema que está propiciando isso, e os governos do PT fizeram muito pouco para mudar essa situação. A única medida que tentou mitigar um pouco isso foi o malfadado concurso para gestores de 2013, mas a execução foi tão desastrosa que permitiu inúmeros questionamentos na justiça, e agora o certame está parado, sem perspectivas de continuidade.

    – existe uma assimetria entre as carreiras de nível superior que é difícil de explicar: um membro do tal “ciclo de gestão” ganha 14 mil reais, um analista de infraestrutura ganha 8, um analista de políticas sociais ganha 4. Todas são carreiras de nível superior, e em muitos lugares as pessoas das diferentes carreiras fazem rigorosamente as mesmas coisas. Na prática, isso leva ao “alpinismo concurseiro”: a pessoa passa em um, toma posse e continua estudando (muitas vezes na hora do trabalho) até passar no próximo concurso. De novo, é culpa das pessoas? Exceto pela absurda falta de ética ao estudar na hora do trabalho, eu acho que não – embora em muitos casos elas não têm nada para fazer mesmo, o que nos leva ao próximo item…

    – realmente os governos do PT fizeram vários concursos, mas será que os servidores que entraram estão sendo bem utilizados? Houve um imenso inchaço das áreas-meio que, coincidentemente com os imensos ganhos de produtividade obtidos pela informatização, leva a servidores com alto grau de ociosidade. Será que o BACEN precisa de mais 400 servidores, como os contratados no último concurso? Os órgãos de planejamento e orçamento continuam com número elevado de servidores, mesmo depois que tanto o PPA como a LOA foram consideravelmente desburocratizados. O que eles fazem o dia inteiro? Há um boato na Esplanada que o novo marco legal para o setor elétrico foi gestado por 3 ou 4 pessoas muito próximas à presidenta. O que o resto do MME inteiro estava fazendo enquanto isso? Considerando-se que houve flagrantes erros de cálculo em tal MP que agora estão custando caro ao Tesouro, era de se esperar que as medidas fossem avaliadas por mais gente … ou não?

    – a política de populismo cambial adotada por FHC I, Lula II e Dilma I tem destruído a capacidade do país de gerar empregos de maior valor agregado, exatamente aqueles que a classe média com formação universitária poderia estar buscando ao invés do setor público. Exemplifico: o setor de prestação de serviços de TI é muito menor do que ele poderia ser – conheço empresas que estavam para fazer grandes investimentos no Brasil nessa área, mas acabaram os redirecionando à Índia porque “a conta não fechava”; outras só mantém centros de desenvolvimento no Brasil para atender aos requisitos da Lei de Informática. Com isso, o setor público está lotado de engenheiros e outros profissionais da área de ciências que “jogam seus diplomas fora” e preferem “bater carimbo” a ficar em um setor privado pouco dinâmico, ainda mais considerando-se os salários inflados da administração pública.

    – realmente, muitos servidores públicos são conservadores, reacionários até. Mas o que se pode esperar de um modelo de contratação que exalta a meritocracia como a maior das virtudes e que deu origem a uma das pragas mais nefastas a rondar o serviço público: a “indústria dos concursos”? Os “profissionais” envolvidos nesse metiê são especialistas em vender ilusões (“o concurso está para sair, comece a estudar já”, “com muito esforço e dedicaçao – e apostilas e mais apostilas – você vai conseguir”, “realize seus sonhos com um emprego estável e bem pago”) e pressionam para que as provas sejam cada vez mais “pasteurizadas”, pois quanto mais decoreba o conteúdo, mais fácil criar apostilas e cursos. O fato é que pouquíssimas provas exigem dos futuros servidores uma visão mais tranversal e abrangente do país ou do mundo, preferindo ficar na exigência de leis ou procedimentos que, em muitos casos, sequer é útil depois para o dia-a-dia do trabalho (quem precisa decorar alguma coisa hoje em dia tendo o Google na frente?). E, para acabar, a meritocracia acaba no dia em que o servidor assina o termo de posse: a partir daí, se ele quiser ficar dormindo no serviço pelo resto da sua carreira, ele vai progredir na mesma velocidade que um servidor que der o sangue pelo trabalho (e, em última instância, pelo país). Nesse ponto, cabe dizer que o governo do PSDB (com as iniciativas do MARE e do Bresser Pereira) ao menos tentou chacoalhar um pouco as coisas. Pode-se discutir os resultados, mas o fato é que o governo do PT foi um retrocesso, ao menos na disposição de aperfeiçoar o modelo.

    – o fenômeno da dissonância cognitiva é muito forte, e não é de forma alguma exclusividade da direita. Eu pertenço a uma das carreiras do ciclo de gestão, e já tive a oportunidade de ver, nos últimos anos, pessoas evidentemente de esquerda com o discurso que a “categoria” precisava “lutar pelos seus direitos”, se comportando como metalúrgicos na porta de uma fábrica, o que eu acho um pouco irônico para uma carreira que ganha (como salário inicial) quase 15 mil reais por mês.

    No final das contas, o Brasil precisa sim de um “Estado Mínimo”, no sentido que a gente precisa de mais gente e melhores salários na ponta (médicos, professores, policiais na rua – policial que fica o tempo todo na repartição também não conta) e MUUUUUUITO menos servidores nas áreas meio, com salários mais condizentes à realidade econômica do país e com uma política real de accountability, que “faça o pessoal trabalhar”. Infelizmente, e por diferentes motivos, não acho que nem PT nem PSDB estão dispostos e/ou preparados para enfrentar esse problema que eu considero um dos mais sérios que acomete o país de hoje.

  15. Caetano.

    11 de outubro de 2014 4:44 pm

    Os salários do funcionalismo

    Os salários do funcionalismo público são, em geral, altíssimos. Aposto que esses funcionários que ganham cinco mil reais não conseguiriam dois mil na iniciativa privada e os que ganham mais de dez mil, dificilmente conseguiriam cinco. E vem queixar-se de reajuste insuficiente??? É piada de mau gosto, um acinte com o restante dos brasileiros que sustenta essa mamata.

    1. -Charlie-

      11 de outubro de 2014 5:43 pm

      Caso tenha interesse em se

      Caso tenha interesse em se informar além daquilo que a propaganda do governo diz, leia meu comentário das 14:21h.

      Os servidores queriam justamente manter as conquistas do período Lula, que reestruturou as carreiras federais. Ocorre que até hoje servidor não tem data-base anual, embora esteja previsto na Constituição.

      Por isso, servidor só recebe reajuste ou mesmo reposição inflacionária quando o governante de plantão quer. 

      E no ano de 2012, havia carreiras há até 5 anos sem receber sequer a reposição da inflação anual. Ou seja, salário corroído em até 30% pela inflação.

      Portanto, as conquistas do período Lula estavam indo por água abaixo, e o que se buscou não foi “aumento”, mas tão somente a reposição salarial, pelo índice de inflação que o próprio governo calcula. Só isso.

       

  16. -Charlie-

    11 de outubro de 2014 5:21 pm

    Todo esse blablablá poderia

    Todo esse blablablá poderia ser poupado se o governo Dilma tivesse, pelo menos, concedido a reposição salarial anual pelos índices oficiais de inflação aos servidores. O que, aliás, foi concedido anualmente aos trabalhadores da iniciativa privada e aposentados do INSS.

    Só isso já bastaria para deixar todo mundo satisfeito, já que as carreiras foram reestruturadas no Governo Lula. O que se buscava era justamente manter essa reestruturação, ameaçada por 4/5 anos sem reposição e com inflação superior a 5% ao ano.

    Categorias que estavam há 3, 4 até 5 anos sem sequer ter atualização salarial (ou seja, ganhando numericamente o mesmo do que 5 anos atrás) foram tratadas a pontapés por Dilma em 2012.

    Marcava uma reunião para daqui 45 dias. Na véspera da reunião, adiava. Marcava outra pra daqui trinta dias. No dia da reunião, dizia que “não tinha proposta”, que “ainda estavam sendo feitos estudos” etc. Tudo que o PT havia aprendido em anos sendo enrolado pelos patrões, estava aplicando nos servidores, que frise-se, não queriam “aumento”, mas apenas a reposição pelo índice oficial de inflação, medido pelo próprio governo!

    Paralelamente a isso, Dilma passou a atacar os servidores na TV: chamou de “elite”, publicou o salário de todo mundo na internet para jogar a população e a mídia contra (aqui a mídia serviu, né?). Não fez qualquer proposta de reposição.

    O movimento então passou a aumentar cada vez mais, a indignação pela forma de tratamento se espalhou pelo funcionalismo, e quando Dilma viu o serviço público federal estava à beira de uma greve-geral, de todo o funcionalismo. Em pleno governo do PT, seria uma vergonha para a história do partido.

    Somente então, aos 45 do segundo tempo, Dilma aceitou ceder milímetros: fez uma “proposta” de 5% ao ano, por três anos, a serem implementados em 2013, 2014 e 2015. Não aceitou NENHUMA contraproposta. Quer, quer. Não quer, tchau e bênção.

    Qualquer um que saiba fazer conta percebe que tal “proposta” não cobriu sequer a inflação do Governo Dilma, de 6,5% anuais.

    Portanto, os servidores entubaram uma perda de 2008-2012 sem qualquer atualização monetária, mais a defasagem do governo Dilma.

    Há categorias com diminuição do poder de compra entre 30 a 40%. Pergunto: quem estaria satisfeito com um governo que faz isso contigo, contando ainda que você sempre esteve ao lado do partido do governo, e ajudou a elegê-lo?

    Portanto, resumindo, tudo isso seria evitado se Dilma tivesse feito com os servidores o que fez com aposentados e com a iniciativa privada: concedido apenas a reposição da inflação. Isso já bastava.

    Mas não, quis mostrar quem mandava. Agora levou o troco, Dilma em terceiro no DF.

    Ah, eu avisei em 2012 que isso estava errado, e teria consequencias.

    P.S. – dispenso comentários militontos do tipo “ah, tá com saudade de FHC”, “ah, com FHC era bom?”. Não, não era. Por isso os servidores não votaram em FHC. Adotaram agora o mesmíssimo critério com Dilma, que fez tanto por eles quanto FHC.

    1. Sergio Navas

      11 de outubro de 2014 5:53 pm

      Resumindo fica-se assim de

      Resumindo fica-se assim de quatro em quatro anos esse funcionalismo em grande parte ineficiente, atua contra o governo de ocasião, não estivesse protegido pela estabilidade, as coisas talvez fossem um pouco diferente.

      Talvez a solução esteja num regime trabalhista e previdenciário unico para o País.

       

      1. -Charlie-

        11 de outubro de 2014 6:06 pm

        “atua contra o governo de

        “atua contra o governo de ocasião”

        Como assim? Estou falando de VOTO. Servidor público também é cidadão, sabia? Tem direito de votar em quem bem entender, ora.

        1. Sergio Navas

          11 de outubro de 2014 7:17 pm

          E quem disse que não possa

          E quem disse que não possa votar, só que com relação a reajustes salariais poderiam ser um pouco mais tolerantes, mesmo porque este governo está fazendo o impossível para poder resguardar as classes mais desfavorecidas. 

          1. -Charlie-

            11 de outubro de 2014 8:07 pm

            “poderiam ser um pouco mais

            “poderiam ser um pouco mais tolerantes”

            Você entendeu o que eu escrevi acima, colega? Tem gente com defasagem de 30 a 40% no salário no acumulado dos últimos anos! Se o governo tivesse concedido ano a ano apenas a taxa de inflação, não teria problema nenhum, ninguém estaria reclamando. 

            O que é ser “um pouco mais tolerante” para você, aguentar  50, 70, 100% de defasagem?

          2. Adma Andrade Viegas

            11 de outubro de 2014 8:10 pm

             Diante de um patrão que

             Diante de um patrão que recusa o diálogo e a negociação, que é intolerante e instransigente, você acha que as pessoas  ficarão passivas,  fazendo sacrifícios indefinidamente, vendo sua qualidade de vida decair ano a ano?

            Não. Não ficarão. Nem você ficaria, apesar do discurso. E o discurso  de classes menos favorecidas não cola, como se tratasse de uma luta de classes (servidor =  inimigo de classe dos desfavorecidos). 

            Dilma beneficiou grandes empresários, encheu o PIG de verba de publicidade e os bancos continuam lucrando como nunca.

            http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/06/1471582-dilma-deve-anunciar-pacote-de-bondades-para-empresarios.shtml

             

          3. Nira

            11 de outubro de 2014 10:44 pm

            Uai, quando você diz que se

            Uai, quando você diz que se não houvesse estabilidade o servidor público não votaria contra o governo de ocasião está faze ndo por vias transversas a defesa da estabilidade.. Ela existe também para que o servidor sirva ao Estado, não a governos de ocasião (embora conseguir um carguinho comissionado possa depender de governos, mas isso é outra discussão.).

        2. Sergio Navas

          11 de outubro de 2014 7:17 pm

          E quem disse que não possa

          E quem disse que não possa votar, só que com relação a reajustes salariais poderiam ser um pouco mais tolerantes, mesmo porque este governo está fazendo o impossível para poder resguardar as classes mais desfavorecidas. 

      2. Adma Andrade Viegas

        11 de outubro de 2014 6:12 pm

        “atua contra o governo de

        “atua contra o governo de ocasião”

         

        Ao contrário do que você pensa, a  maioria não vai votar no Aécio. Mas entendo a ira de quem vai anular o voto, embora não concorde com eles.

    2. Adma Andrade Viegas

      11 de outubro de 2014 6:10 pm

      Seu post é bem elucidativo,

      Seu post é bem elucidativo, mas não  vai adiantar muito  para convencer os militontos. Para eles, servidor público é sinônimo de marajá, um bando de egoístas que não pensam no país, reaças de direita que querem privilégios, Dilma não erra,  Dilma não é passível de críticas, seu governo é perfeito blablabla.

      O que se reivindicou foi unicamente a reposição das perdas da inflação, nada mais. Como a iniciativa privada teve.

      Servidor não come? Servidor não paga aluguel? Não paga suas contas? Por que tem que assistir passivamente a seu poder de compra ser corroído, em nome da desculpa da ocasião?

      E o clichê máximo; “Vota no Aócio”, “tem saudade do FHC’  Se eu quisesse o neoliberalismo, teria votado no PSDB.  Ele defendia o desmonte do estado, o PT não.  Mas o governo que se diz dos trabalhadores ter adotado o mesmo comportamento  do neoliberal FHC é uma coisa de estarrecer.

    3. Nira

      11 de outubro de 2014 10:35 pm

      Infelizmente, você está 100%

      Infelizmente, você está 100% correto. E acrescento que talvez pior que não atender reivindicações salariais seja o abuso de marcar e desmarcar , durante anos , conversas sobre negociação salarial, reestruturação de carreiras, etc, sem justificativa maior do que “faço porque posso”..

      Enfim, no trato com o funcionalismo conseguiram aliar arrogância e indiferença com uma incompetência exemplar.

    4. Monier.,.,.,.

      13 de outubro de 2014 4:01 am

      Esse comentário do Charlie eu

      Esse comentário do Charlie eu assino embaixo. O texto que gerou o comentário, achei que errou o foco na interpretação, e só concordo na parte que admite um arrocho desde, pelo menos, 2011. E na verdade veio antes. Onde estou, o vencimento ainda está no limiar vantajoso, mas a principal reclamação é que ele não é corrigido há coisa de 8 anos. E o plano de carreiras e salários não anda. Apenas esse ano foram duas grandes greves salariais.

      Até escreveria para discordar do texto principal, mas é cansativo nessa época de campanha. Parece que existe uma parede de fumaça, e a disposição das pessoas em sair do flaflu eleitoral é zero. Cheguei ao funcionalismo, vindo da iniciativa privada, e onde entrei achei que ia chover petista, ou ao menos uns socialistas. Não encontrei.

      Mas encontrei todo o discurso que está aí. Arrocho salarial, paralisia sindical por peleguismo, negociações salariais feitas de qualquer jeito pelos emissários do Planalto/Congresso, vencimentos que já foram bons corroídos pela inflação. Nesse exato momento o direito a uma database está sendo demolido em decisões no STF. E depois de não ter sido aplicada por um governo trabalhista que já dura 12 anos.

      Assim fica difícil colocar a culpa da despetização dos servidores federais nas jornadas de junho. Não sou estatístico, mas serviço público é coisa de gente envelhecida, nos seus 40 e poucos anos. As jornadas tinham idade média de menos de 30 anos. Estou com o pé nas duas, e me parece que um lugar não tem a ver com o outro.

      Pelo que entendi das discussões nas assembléias de sindicato e nas reclamações do pessoal no trabalho, a turma está sim dando o troco na Dilma, em massa. Em parte pelo tratamento salarial dado, em parte porque o antipetismo tem seu foco maior em São Paulo e na classe com renda superior. Em parte é elitismo, mas em parte é porque o partido resolveu dar as costas, o que obviamente vai ter reação política. Mas ninguém é idiota de achar que o Aécio vai tratar o servidor a pão-de-ló, até porque já se sabe da experiência com ele em Minas. Ao contrário do que o texto diz, estão simplesmente agindo politicamente.

      Se alguns servidores estariam agindo ideologicamente ao se aliar com adversários da esquerda, parece que não estão mesmo. Mas até o PT deixou de agir ideologicamente para agir com pragmatismo ao abraçar Sarney, Calheiros, e os tantos coronéis da velha guarda, tudo em nome de um objetivo político maior. Entonces…

  17. Alexandre Medeiros de Carvalho

    11 de outubro de 2014 5:56 pm

    O texto retrata muitas

    O texto retrata muitas verdades. Quanto ao funcionário público, que votar no aécio estará dando um tiro nos dois pés. Os salários dos funcionários pelo mesnos nas IES ficaram satisfatórios e até altos depois do governo Lula e até da Dilma, que deu menos, mas deu aumentos. Digo que estão altos em comparação aos salários de professores e técnicos dos USA e do Canada (neste eu conheço bem, pois fiz pós doutorados lá e dos USA por conhecer pessoas de lá). A propósito, nas IES e educação em geral nunca houve presidentes melhores que Lula e Dilma.

  18. -Charlie-

    11 de outubro de 2014 6:13 pm

    Apenas complementando

    Apenas complementando comentários anteriores, esse post é mais uma demonstração daquilo que eu já mencionei como política míope do PT, qual seja, o desprezo e demonização da classe média.

    Se o país caminha para ser “de classe média”, tratal mal a classe majoritária não me parece atitude muito sábia.

     

    1. Adma Andrade Viegas

      11 de outubro de 2014 6:26 pm

      Não digo demonização da

      Não digo demonização da classe média, mas do servidor público, com certeza.

      1. -Charlie-

        11 de outubro de 2014 6:37 pm

        Tá incluído no mesmo

        Tá incluído no mesmo pacote.

        Uma ideologia burra, que fez um histórico reduto do PT (o funcionalismo) rejeitar Dilma e seu governo.

  19. armandolo

    11 de outubro de 2014 7:46 pm

    Reajuste pela inflacao eh

    Reajuste pela inflacao eh indexacao. Ha tambem o limite legal – responsabilidade fiscal-com gastos com o pessoal. Entao, falar eh facil, mas duro mesmo eh governar. Quem estah no governo tem que tomar medidas antipaticas. Fato eh que existem carreiras que ganham muito e nao fazem quase nada. A meu ver, Lula errou ao barrar a terceirizacao que o psdb vinha executando. Carreiras absolutamente sem importancia , algumas ateh em exxtincao foram revigoradas.

    1. Sergio l

      11 de outubro de 2014 8:35 pm

      Reajuste pela inflação é

      Reajuste pela inflação é indexação? E daí? Então reajuste abaixo da inflação é aceitável? E se não tivesse inflação, então valeria redução? E governo tem que tomar medidas antipáticas? Bem, isso aí, a dupla Aécio/Armínio não se cansa de falar. Desculpe-me, mas você apenas aparentemente defende o governo Dilma.Na prática está dando razão aos novos servidores, que acham que governos tucanos e petistas são a mesma coisa. Corrija-me se estiver errado, mas os gasto com servidores federais tem sido constantemente reduzido. Então, onde está a LRF que não deixa corrigir a inflação? 

    2. -Charlie-

      11 de outubro de 2014 8:41 pm

      “Reajuste pela inflacao eh

      “Reajuste pela inflacao eh indexacao”

      Essa é a desculpa mais rasa de todas. Facilmente derrubada com uma única pergunta:

      E o reajuste das tarifas públicas, feito anualmente pelo índice de inflação, não é indexação?

  20. Rpv

    11 de outubro de 2014 8:09 pm

    Dilema

    Sem funcionário público não tem Estado de Bem Estar.

    A burocracia estatal é políticamente contra o Estado de Bem Estar Social.

    Explico. Há uma guerra:

    Maior orçamento = mais impostos. Logo, o orçamento é limitado;

    Maior orçamento para área fim = mais Estado de Bem Estar Social = mais trabalho e responsabilidade para a burocracia estatal = menor orçamento para a área meio (salários, etc.).

    Logo, a burocracia estatal, nestas condições, é politicamente contra o Estado de Bem Estar Social e apoia um Estado Neoliberal.

    Estado Neoliberal = menos impostos e/ou menor investimento investimentos em obras e serviços = menos servidores e/ou menor salário.

    Logo, uma vez implantado o Estado Neoliberal a burocracia estatal vai clamar por um Estado de Bem Estar Social, até receber um determinado reajuste… Depois volta a ser contra…

    E assim caminha a humanidade.

     

    1. Adma Andrade Viegas

      11 de outubro de 2014 8:13 pm

      Falácia.
       
      Nos países

      Falácia.

       

      Nos países escandinavos, o estado de bem estar social sempre funcionou  muito bem e a burocracia sempre foi valorizada.

  21. altamiro souza

    12 de outubro de 2014 12:02 am

    a ana´lise faz sentido.
    é a

    a ana´lise faz sentido.

    é a política o essencial.

    talvez essas pessoas sequer

    saibam o que foi a ditadura e o neonliberalismo.

    senão eles valorizariam o que têm agora.

  22. ivomarn

    12 de outubro de 2014 3:26 am

    No governo FHC um carteiro

    No governo FHC um carteiro ganhava 2 salários mínimos e meio, agora 1080 reais. Convença um pai de familia que vê isso dá sua cota de sacrificio.

    1. helcio dias de sa

      12 de outubro de 2014 6:15 pm

      no govern0 FHC um carteiro

      O sonho do FHC era pagar um salario minimo de 100 DOLARES. Com os  juros mais altos da historia e ninguem com credito.Taxa de desemprego altissima.na minha rua existe uma familia inteira 8 pessoas que trablaham na construçao civil,pedreiros pintores,vao para o trabalho de Corola porque a renda dos 8 ultrapassa 20 mil ao mês. E o salario minimo parece que ultrapassa  300 dolares.

  23. Alessandra Cardoso

    12 de outubro de 2014 5:27 pm

    Interessante esta reflexão.

    Interessante esta reflexão. Vivo e trabalho em Brasília e acho que isto explica um pouco (o outro pouco é mesmo essa herança coronelista do Roriz) o conservadorismo que graça nesta capital federal. Triste!

     

  24. Fabio Hideki

    12 de outubro de 2014 6:46 pm

    Desconstrução do PIG
    Para mim, um dos maiores problemas do Brasil e de vários outros países da America Latina, é a imprensa golpista.Os “blogueiros sujos” tem feito o que podem, mas ainda é preocupante o número de pessoas que sequer desconfiam dos interesses da grande mídia. Eu acho que existe espaço para um blog sujo com uma linguagem mais fácil de ser digerida. Utilizando-se memes e vídeos curtos. Afinal, esses que consomem os jornalões e periódicos, apenas dão uma olhada na manchete. E mesmo o Facebook, que seria um lugar de criação de conteúdo, carece de pensamentos mais verticais. Eu aprecio os textos longos, bem escritos e com argumentações pertinentes. Mas existe uma parcela grande da população, que não tem paciëncia para ler  e refletir  tanto. E essa parcela é que torna esse segundo turno equilibrado. O voto  de um eleitor que frequenta esse espaço, vale o mesmo de outro que não vai além das manchetes de jornais. Para vender a desconstrução do PIG, acho que os blogueiros sujos poderiam  pedir a ajuda de marketeiros.  Nesse caso, vender uma idéia, não é muito diferente de vender um produto.Eu,  apesar de querer ajudar, infelizmente não tenho perfil para isso.   A minha área é outra.Convencer alguém na conversa está muito difícil. Dentro do meu círculo social, quando revelo o meu voto  na Dilma, sou demonizado.  E quando questiono as intenções do PIG, sou ignorado.

  25. Karla Brito

    12 de outubro de 2014 6:53 pm

    Concordo em parte com o

    Concordo em parte com o texto. Como é usual, a análise sempre parte do ponto de vista sudestino. Vou linkar, aqui, alguns depoimentos de conhecidos que atuam no setor público ou são beneficiários, sobretudo, na educação, que têm visão distinta do que o texto apresenta. E, sim, estão atuando firmimente em descontruir a imagem que a mídia impõe do governo petista.

    https://www.facebook.com/francoise.lima/posts/10203711959337043?fref=nf

    https://www.facebook.com/everton.souza.1610/posts/941089282586294?fref=nf

    https://www.facebook.com/john.araujo.961/posts/830784013621168

    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=753095844757363&set=a.566397573427192.1073741840.100001708623584&type=1&theater

    https://www.facebook.com/rubens.queiroz.9?fref=nf

    https://www.facebook.com/thaisalemos/posts/10152498286573246?fref=nf

    Porém, eu mesma atuei em uma empresa pública, passando no primeiro concurso em mais de quinze anos naquela administração (houve um no final da década de 80, pelo o que contavam os mais antigos). Os empregados que passaram no concurso tinha o perfil que o texto discute, mas eu acredito que isso seja mais uma questão da geração (http://demografiaunicamp.wordpress.com/2013/10/30/porque-os-jovens-profissionais-da-geracao-y-estao-infelizes/) do que uma queda na qualidade de vida em função da crise do final da década de 2000 (ao menos no NE).

    Esses jovens ostentam um alto padrão, com viagens, automóveis, acessórios eletrônicos, roupas, etc. Mas vivem com os pais e almejam serem notáveis, em carreiras de destaque, não porque irão se dedicar a isso, mas porque acreditam que é de seu merecimento natural. É uma visão de mundo individualista e voluntariosa, para resumir. Esses, sim, estão insatisfeitos com o governo e se enquadram no perfil traçado, mesmo nordestinos.

    Mas no sudeste, mesmo a geração Y com visão progressista se apresenta ressentida do governo federal. Ressentida ao ponto da paralisia frente a perda de espaço para representantes extremamente conservadores, que, ao nível estadual em SP, já estabelecia um cenário social obscuro antes das eleições (vide a crise hídrica) e que, no legislativo federal, irá dificultar os avanços políticos e sociais nos próximos quatro anos, seja de quem for a presidência.

    A resposta a esses cenários presentes e futuros no sudeste, para mim, também pode ser explicada pela ótica geracional: o progressista sudestino é um legítimo representante da geração Y e, como tal, não reconhece a necessidade de esforço para atingir qualquer meta, já que ele é o espelho que tudo, governo e sociedade, devem refletir.

    Sua opinião, seu voto, sua visão de mundo são douradas. Aos governos e aos demais, resta o papel de louvar essas suas características. Se não o fazem, é por incompetência e o máximo de resposta que sairá desse eleitor é o ressentimento. Para esse eleitor, as situações são tudo ou não. Não há disputa ou dialética.

    É, basicamente, esse eleitor que travou o processo eleitoral e, claro, culpa o governo petista por qualquer cenário negativo que saia dele. Ele, do alto de sua perfeição, jamais seria responsável por qualquer cenário negativo.

    Junho foi mais ou menos isso, sim, como discutiu. Um fenômeno de massa, iniciado por reivindicações legítimas, aproveitado pela mídia e sequestrado pela direita. As eleições correm para isso: um avião cai, há comoção nacional, derrota de uma candidata que se diz herdeira da fortuna perdida na queda do avião e sequestro da narrativa pela direita. Com a omissão individualista e voluntariosa da esquerda da geração Y.

    Nós, aqui, do Nordeste, resistimos na luta pelo fim da miséria e pela igualdade de oportunidades, mesmo que o cenário não seja o que sempre sonhamos. “Até que tudo cesse, nós não cessaremos”.

  26. SergioMedeirosR

    12 de outubro de 2014 7:02 pm

    Sergio Medeiros Rodrigues-Um complemento necessário

    A questão central posta é que, nesta eleição, novamente estão sendo colocadas em disputa duas visões opostas de estado, uma que defende o estado mínimo e outra que, apesar de problemas pontuais, efetivamente defende uma maior inserção do estado, tanto na economia quando nas funções públicas.

    Isto pode ser observado no aumento do funcionalismo em áreas específicas – o aumento do número de universidade e de Centros Tecnológicos – com o quadro de servidores correspondentes e com nova matriz salarial.

    O mesmo pode se dito também, exemplificativamente, por exemplo, da implementação da Justiça federal em todo o país – que passou de 100 varas para 573 – nestes casos, onde é instalada uma vara se instala concretamente o Estado, pois juntamente vai o Ministério Público Federal, a Policia Federal a Receita Federal, a Defensoria Pública Federal (em relação a estes – o salário inicial era muito pequeno e hoje esta em vias de equiparação com os do executivo (procuradores federais a categoria busca isonomia com o MPF)).

    Anoto, por oportuno, que o salário das categorias do Judiciário é um dos mais defasados, senão o mais defasado de todos os outros (a ultima reestruturação da carreira ocorreu em 2006, com término em 2008 e depois disso, somente os aumentos gerais de 5% para 2013-2014 e 2015). Outro era a policai federal a qual teve ajustes e na terça-feira 07-10-2014, teve aprovada (na Camara) a MP que reestrutura sua carreira, estendendo aos agentes a condição de carreira de nível superior.

    Mas, em termos gerais, até mesmo na questão salarial a maioria das categorias teve aumento real de salário – via reestruturação.

    Pois bem.

    O texto coloca, de forma clara, que o problema não deveria ser o PT em si, visto que, no que tange a sua ideia de Estado, este privilegia o entendimento acerca da necessidade do serviço público e tende a mantê-lo, em sua estrutura, forte e com participação cidadã.  

    O que se procura deixar claro, é que as categorias de funcionários, ao fazerem suas reinvindicações salariais – em sua imensa e esmagadora maioria justas e devidas -, passou a demonizar toda a politica do partido dos trabalhadores, dai o surgimento de vários movimentos fora PT,  Pt nunca mais, ou seja, este mesmo PT que viabilizou esta forma de Estado, que lhes abriu as portas para ingressarem como servidores públicos, já não serve mais, ou seja, estaria o partido errado quando escolheu esta forma de participação do estado??

    Anoto que, conforme as manifestações, não seria esta a intenção, pois sabem dos malefícios da ideologia do estado liberal mínimo.

    Entretanto, repito, a indignação com a questão salarial é justa, mas os servidores, em muitos casos, ao terem extrapolado este campo, e chegado a um verdadeiro ódio de classe, desculpem, mas tem alguma coisa errada.

    Nem o PT está certo, ao não acolher as justas reinvindicações dos servidores, e por isso deve responder através de seus parlamentares e governo federal, mas, nem os movimentos que buscaram a demonização do partido e com isso, se contrapoem a esse em todos os campos também estão certos.

    Em suma, o partido dos trabalhadores e sua Presidenta, não se resume a sua relação com os servidores, mas a todas as atitudes de governo em sua função institucional, onde está contemplada, inclusive, até mesmo a relação com os servidores, mas esta também não esta cingida a parte salarial, mas a toda forma de concepção do serviço público e sua função na construção do país.

    Esta é a questão.

    Este foi o ponto.

    Todos sabem da manipulação da mídia, todos sabem qual a forma de concepção de estado que o psdb prega, todos sabem que o serviço público e seus servidores, especificamente, em sua maioria, praticam um serviço de excelência, todos sabem da necessidade de preservação do patrimônio público, e ai coloco a preservação da Petrobrás, todos sabem que os interesses que movem os grandes veículos de comunicação são via de regra viciados e obedecem a interesses financeiros privados.

    Então, porque compactuar com tudo isso, se o problema é a questão salarial ou a forma de estruturação a ser implementada no serviço público??  

    A arma dos servidores, que sempre deve ser usada, é a greve, é a manifestação e inserção pessoal em cada luta para a melhoria do serviço público, para o fortalecimento das instituições, mas, fundamentalmente, também deve ser usada para proteger o sistema que elegeu o serviço público estatal como o meio para transformar e construir o estado brasileiro.

    O sistema público e a opção do estado efetivamente público em detrimento do estado mínimo é maior que qualquer reinvindicação salarial, pois, em outros termos, a este estará umbilicalmente ligado.

    No estado mínimo- segundo os defensores de tal forma de estado – os servidores públicos devem ser limitados a um número mínimo, qualquer aumento destes, configura uma excrescência, pois, defendem que neste campo, o dos serviços públicos, a iniciativa privada pode fazer mais, melhor e com menos custos.

    Servidor público valorizado somente pode ser concebido dentro de um sistema que albergue a opção do estado do bem estar social público, o contrário, é impossível.

    Com respeito às diversas manifestações em contrário – com argumentos ponderáveis, ofereço esta nova extensão para análise e, acresço, complementação, pois este foi somente um esboço, destinado a iniciar uma discussão sobre os servidores públicos e o papel do Estado.  

  27. trovinho

    12 de outubro de 2014 7:21 pm

    Luis Sifer: muda a pinga!

    As bravatas petistas dos anos 80 e 90 deixaram o fígado do Luis Sifer opilado a ponto dele matar a cobra e mostrar o pau, pois ele apresentou como prática da ditadura o respeito ao instituto do concurso público insculpido na CF de 67. Ele deveria ter a honestidade de explicar que havia o jeitinho de nomear por acesso via concursos internos, ou nem mesmo esse expediente. O delegado Fleury do DOPS tinha gansos e depois o Maluf nomeava policiais sem concursos, isso só para ficar na seara de quem, por força de uma militância no partidão (parabéns!), deveria ser mais criterioso com a memória do camarada Herzog.

  28. Fábio de Oliveira Ribeiro

    12 de outubro de 2014 7:23 pm

    O autor começa mal. Ele cita
    O autor começa mal. Ele cita Platão, que apesar de alguns méritos era um aristocrata que detestava a democracia grega e que concebeu uma república despótica inspirado no sistema de castas indiano. Votei em Dilma no primeiro turno e votarei nela no segundo. Os governos petistas tiveram alguns méritos, mas cometeram um erro idêntico ao do PCI. Enriquecer uma parcela da sociedade não garante votos a um partido de esquerda, principalmente se alguns de seus membros começam a operar dentro da lógica corrompida instituída a séculos pela Direita. Além disto, um partido de esquerda sem formação de novos quadros, sem imprensa e com lideranças que se agarram às tetas do Estado acaba quase sempre sendo atropelada nas unas ou nas ruas.

  29. Stal. Catarina

    12 de outubro de 2014 11:28 pm

    2º Mandato

    Creio na vitório do PT neste segundo turno. Entretanto, espero realmente que o partido tenha uma postura mais dura com relação aqueles que mostraram sua cara nesta campanha.

    Obrigatório se faz a reforma política e a lei de imprensa, imediatamente.

    Espero não passar em 2018 pelo que estamos passando nesta eleição. É vergonhoso para o povo brasileiro e é vergonhoso para o país perante a comunidade internacional que está observando e imundice que virou essa campanha.

    1. Sergio Navas

      13 de outubro de 2014 11:43 am

      Stal. Catarina, o

      Stal. Catarina, o amadurecimento de um povo, vem através da cultura, os abusos da imprensa cedo ou tarde são desmascarados, entendo sua impaciência com relação a este tema, o ideal seria ter uma imprensa comprometida  somente com a verdade factual, mas quando isso não acontece é preferível que esteja na oposição, uma imprensa parcial e com interesses econômicos inconfessáveis na situação seria uma temeridade, como o o demonstrou na gestão do PSDB, quando este sucumbiu às chantagens e pressões da elite conservadora, que vendiam a imagem que o FHC era incompetente e que quem mandava no governo era o ACM.

      O Lula só resistiu à essas pressões, porque na retaguarda tinha um partido forjado nas bases da pirâmide social.

      Ao FHC e PSDB falta ideologia.

    2. Sergio Navas

      13 de outubro de 2014 11:43 am

      Stal. Catarina, o

      Stal. Catarina, o amadurecimento de um povo, vem através da cultura, os abusos da imprensa cedo ou tarde são desmascarados, entendo sua impaciência com relação a este tema, o ideal seria ter uma imprensa comprometida  somente com a verdade factual, mas quando isso não acontece é preferível que esteja na oposição, uma imprensa parcial e com interesses econômicos inconfessáveis na situação seria uma temeridade, como o o demonstrou na gestão do PSDB, quando este sucumbiu às chantagens e pressões da elite conservadora, que vendiam a imagem que o FHC era incompetente e que quem mandava no governo era o ACM.

      O Lula só resistiu à essas pressões, porque na retaguarda tinha um partido forjado nas bases da pirâmide social.

      Ao FHC e PSDB falta ideologia.

  30. Igor Tkaczenko

    12 de outubro de 2014 11:39 pm

    Uma das faces da classe média aecista.

    Uma das faces da classe média aecista.

     

    A hipocrisia dos eleitores de Aécio se fundamenta num preconceito contra a expressão popular brasileira. Explico.

     

    Não existe eleitor no Brasil que não conheça o sistema venal e corrupto que sustenta a política brasileira, culpa de quem? Em primeira instância do próprio brasileiro e seus “jeitinhos”. O jeitinho que corrompe a polícia nas ruas, o guarda de trânsito, o fiscal, o funcionário da repartição pública e outras ações de compra de favores, inúmeras e variadas, comuns da classe média, essa mesma que diz estar revoltada com a corrupção.

     

    Por outro lado, sintetizam o voto com um argumento de combater a corrupção reinante do PT, e fazem escolha num partido que tem um histórico de corrupção amplamente difundido! Como assim? A oposição possui escândalos e envolvimentos com toda a sorte de desvios e negociatas, o próprio candidato da oposição utilizou dinheiro público para construir uma aeroporto nas terras de sua família! Isso é inequívoco. E, com relação aos escândalos da oposição, o PSDB em nada investigou essas denúncias, e a imprensa foi “esquecendo” aos poucos. Ora, dizer que um eleitor de Aécio não sabe isso é de uma hipocrisia tamanha e um pensamento tacanho também.

     

    Se há alguma racionalidade no eleitor em como avaliar os aspectos sobre a corrupção, essa não pode ser a racionalidade da substituição para “limpar” a política, o voto anti tal. Pois o que se pretende colocar no lugar nada mais é do que um novo grupo cheio de escândalos. Para que seja feita uma avaliação racional, de fato, é necessário pesquisar/estudar como os partidos lidaram com a corrupção. Como foi o combate? O que verdadeiramente fizeram? Quais as propostas contra a impunidade? É nesse quesito que o PT dispara na frente, pois em nenhum outro governo houve tanto combate assim, isso não é uma propaganda do PT, mas sim um fato histórico. O PSDB escondeu tudo e não investigou nada, outro fato histórico.

     

    Mas, se é assim, se são apontados de maneira inequívoca como reagiram os dois partidos frente ao combate da corrupção, por que, então, ainda existam quem prefere cegar-se diante os fatos e votar no PSDB contra o PT “corrupto”?

     

    Bom, além de uma campanha difamatória de suspeição e acusações sem provas feita pela imprensa partidária, trabalhando o imaginário popular com o sentimento de ódio, embora isso não implique que o PT não tenha envolvimento com corrupção, aliás, quem pode ter controle total sobre o partido? Ninguém. Bom, mas, além disso, existe, também, a meu ver no Brasil, uma cultura invejosa sobre quem faz melhor algo ou qualquer coisa. Existe em nosso país uma necessidade de diminuir o sucesso alheio, a cultura do não reconhecimento, pois é algo nacional, e o nacional no Brasil é mal visto. Isso é uma cultura trabalhada para desvalorização da própria república e que só atende a interesses estrangeiros. É uma inveja do burro colonizado que aceitou essa educação antirrepublicana e que se associa a qualquer expressão popular de inteligência.

     

    Esse comportamento e essa doutrinação da mídia acabam por influenciar o discernimento político de parte do eleitorado em uma visão capenga sobre a pauta das eleições. Pois essa parte ignora por completo a pauta da campanha mais abrangente e de maior qualidade popular, e se fia apenas na questão da corrupção. Como se eleição presidencial não estivessem envolvidas muito mais coisas, tais como: Os planos de governo, e não apenas as promessas. Os feitos e realizações de cada um candidato nas áreas da educação, saúde e economia. Quem será o ministro da fazenda? Como pensam sobre a questão salarial? O salário mínimo, e, claro, a própria corrupção também. Mas daí o eleitorado que tem aversão ao popular que o PT representa hoje, fia-se num discurso contra a corrupção apenas aceitando o uso do tema como retórica política de campanha, como puro panfleto da campanha oficial de seu candidato, nada além de um discurso associado, também, com a campanha da imprensa partidária, resultando, assim, a não verificação e estudo em como os governos que representam cada candidato lidaram na prática com este tema; corrupção. E é a prática que importa.

     

    Portanto, pela prática é que voltamos a percepção da hipocrisia de quem vota em Aécio e seu partido, o PSDB, pois diz não aceitar a corrupção do outro, o PT, mas é condescendente com a corrupção de quem pretende votar! E, pior, ainda fecha os olhos de maneira ignorante frente aos números e feitos históricos reveladores do quanto os governos Lula e Dilma combateram muito mais a corrupção do que qualquer outro na história recente republicana brasileira! Isso é história, é inegável. E, por ser assim histórico, mas não reconhecido, acaba por acentuar a suspeição do aspecto preconceituoso de uma parte do eleitorado sobre o popular que hoje representa o PT, ou simplesmente um ódio irracional.

     

    Esse é o eleitor de Aécio em sua maioria. Fundamenta seu voto numa hipocrisia consciente devido a uma aversão sobre a inteligência popular genuinamente brasileira. Aversão aos nordestinos, aos mais pobres, enfim, aos que não refletem uma estética de classe dominante que eles, aecistas, se consideram pertencer.

    1. falso

      13 de outubro de 2014 11:03 am

      [   Não existe eleitor no

      [   Não existe eleitor no Brasil que não conheça o sistema venal e corrupto que sustenta a política brasileira, culpa de quem? Em primeira instância do próprio brasileiro e seus “jeitinhos”.]] não tão admirável em ligar nenhum que alguem queira um ¨jeirnho¨, empresário queria mais que merece, funcionário público queira ter ¨extra¨, etcc, o desgraçado é o processo púvlixo até exige tais coisas , por ter sido implementado pelas mentes mais corruptas e imorrais e, fora exceção, só cehga ao cargo que jpa for dessa laia, teer uma justiça vagbunda, baseadas em princípios escrotos e, novamente, o processo só diploma quem será de tal tipo, etc.

    2. Sergio Navas

      13 de outubro de 2014 11:58 am

      Excelente texto Igor,

      Excelente texto Igor, parabéns.

      1. Igor Tkaczenko

        13 de outubro de 2014 5:26 pm

        Grato.

        Obrigado, Sergio Navas.

        Abç

  31. Sergio Navas

    13 de outubro de 2014 12:08 pm

    Imperativo que a imprensa

    Imperativo que a imprensa continue na oposição, na situação será uma temeridade. Por isso voto Dilma.

  32. Conde de Rochester

    13 de outubro de 2014 2:44 pm

    PT e governo

    O Problema dos politicos é o paradigma.

    É que nem o bulling ou o apelido que gruda e não sai mais.

    O grande desafio de quem esta no poder é manter o conceito que a sociedade tem de si mesmo.

    O inimigo do PT foi o proprio PT.

    Na disposição de se manter fiel aos companheiros a militancia foi contra a opinião publica e passou a considera-la manipulada e inimiga do partido, defendendo o corporativismo que o vitimou.

    Se tivessem logo de inicio capitulado aos anseios populares, sejam eles verdadeiros ou não, teriam mantido a aceitação que até as manifestações de junho de 2013 era alta, e todos acreditavam que a candidata do governo seria imbativel.

    A postura de defender os companheiros, custasse o que fosse, quebrou o paradigma favoravel do PT. E o anti petismo cresceu descontroladamente.

    O PT foi vitima da própria disposição de se voltar para si mesmo, dando as costas para a sociedade. É a tal da arrogância que o poder injeta, poucos conseguem com o passar do tempo se imunizar desta tendência.

              A dificuldade do governo do PT em se reeleger não tem nada a ver com a economia. Mesmo porque a diretriz econômica baseada no modelo adotado tem muito pouca relevância no eleitorado. Se não fosse assim o governo não teria a boa avaliação na economia e baixa disposição de voto.

    É lógico e claríssimo, a avaliação do governo nas pesquisas aponta um índice elevado de conceituação e por outro lado a intenção de voto se limita ao eleitorado petista histórico e não consegue sair disto.

    O mais incrível é que até pouco tempo a avaliação positiva do governo era extraordinariamente elevada, faltou agilidade politica para perceber a urgência de se movimentar em direção aos anseios populares com a mesma rapidez.

    Anoto, ainda, que, não obstante a qualificação efetiva destes servidores e dos serviços públicos prestados, o caso é que, estes novos servidores consideram que seu trabalho (provavelmente decorrente de sua qualificação pessoal) é extremamente importante e mais, deve continuamente ser valorizado monetariamente.

    Frustrados perante esta continua progressão monetária, passam a ter um viés crítico em relação ao governo, que não lhes oferece novas oportunidades de crescimento funcional e, lógico, salarial. 

    Aqui o funcionalismo teve que se submeter as leis de mercado, porque, agora as manobras dos políticos oportunistas que historicamente, criam leis demagógicas aumentando salários sem a contrapartida na produção, se tornaram inviáveis.

    Passaram a existir, dentro do serviço público, conjuntamente com este setor progressista e politizado,  a ala antiga, que ingressou sem prestar concurso e a nova – egressos após 2005, estes sem a memória dos anos de 1994 a 2002 da era FHC e sem a carga ideológica da luta contra a ditadura, sendo que em sua maioria, característica dominante deste grupo, tinham como objetivo a ascensão social através do serviço público.

    Mas é inevitável que assim seja, a sociedade humana é dinâmica, esta em constante transformação, mesmo nas ditaduras as mudanças são inevitáveis, o problema do PT no governo é que parou de olhar pra frente e se contentou em admirar o passado.

    Assim, após alguns anos, tendo sempre usufruído de aumentos reais de salários e reestruturações de carreira, após 2011, houve uma retração nestas medidas…

    Pois é… A ficha caiu, administração alguma consegue sobreviver sem o equilibrrio financeiro, para todo aumento salarial é necessário a contrapartida na receita. É simples, qualquer dona de casa séria e responsável, sabe disto.

    Isto se refletiu imediatamente na questão politica, pois, sendo oriundos de uma classe média despolitizada…

    Se o texto se refere a politização como a militância dos partidos é lógico que isto não existe na sociedade, a sociedade guarda conceitos políticos, ético e moral dos governantes, cria padrões e qdo a realidade de suas vidas corre sem sobressaltos, tende a ser conservadora.

    Se o atual governo não se reeleger uma coisa esta clara, não foi por mérito da oposição, nem de um provável complô midiático, foi única e exclusivamente por injunções que lhes escapou do controle. Faz-se a história.

    Posso dar meu depoimento pessoal, assim como a maioria que apoiava o PT até junho do ano passado, guardava e guardo afinidade com a ideologia de centro esquerda do PT, porém é bom considerar que uma onda vem acontecendo, e não é a truculência que a poderá evitar. Quem é Aécio Neves para a sociedade, principalmente aqui do sudeste, senão um ilustre desconhecido. Não venham criticar o eleitorado acusando-o de conservador, se a oposição foi incapaz de criar um personagem que substituísse o atual governante paulista, a mesma onda de mudanças oriunda de junho de 2013 foi de encontro ao atual governo paulista, mas este conseguiu se safar, porque não existia nomes de suas hostes escrachados pela mídia e os candidatos que se apresentaram, francamente, foram desmotivadores de que esta onda ganhasse proporção. O Skaf surgiu como esta possibilidade, mas… Aparecer em palanques abraçado com figuras que detém alta dose de rejeição foi suicídio politico e se desvaneceu melancolicamente.

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