Certas alianças são inaceitáveis, por Valter Pomar

Foto Ricardo Stuckert

Certas alianças são inaceitáveis

por Valter Pomar

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Um setor do PT comporta-se, nas eleições estaduais deste ano, como se ainda estivéssemos em 2010 ou 2014. Defendem a adoção de uma tática eleitoral e “ampla” política de alianças, semelhantes àquelas adotadas naquelas duas oportunidades.

Isto é proposto inclusive em estados onde disputamos a reeleição de governos bem avaliados, onde Lula e o PT exibem altos índices de aprovação. Ou seja, estados onde certamente temos boa margem para arriscar, na perspectiva de contribuir para deslocar a correlação de forças para a esquerda.
 
Mas não. A opção daquele setor do PT é “bourbon”, conservadora, temerosa. Um dos resultados dessa postura, se o DIretorio Nacional do PT não fizer nada a respeito, poderá ser mantermos nosso espaço nos governos estaduais mas, ao mesmo tempo, contribuirmos para manter e as vezes até aumentar a força dos neoliberais no Senado e na Câmara dos Deputados.

 
E ainda existe quem defenda, neste contexto, a retirada da candidatura própria do PT em Pernambuco. Tese que, se vingasse, na melhor das hipóteses congelaria a correlação de forças institucional no Nordeste tal e qual era em 2014, com exceção do Rio Grande do Norte.
 
Os defensores desta tática e política de alianças parecem pensar que um resultado como o indicado no parágrafo é o melhor que podemos obter; e que, em tempos de golpe e retrocesso, já estaria de bom tamanho manter o que temos.
 
Se o Brasil se resumisse a cada um dos estados citados anteriormente, o pensamento acima já seria questionável. Mas não é assim que as coisas são. Dito de outra forma: repetir hoje a tática e as alianças de 2010/2014 não nos ajuda a derrotar o golpe, não nos ajuda a reconquistar a presidência da República, não nos ajuda a governar o Brasil e, ademais, será um peso negativo (inclusive para os governadores petistas que se reelejam) caso os golpistas vençam em 2018.
 
Comecemos por esta última possibilidade: em caso de vitória presidencial golpista em 2018, cada concessão feita agora vai custar muito caro, inclusive em 2022. Aliás é paradoxal que gente tão atenta para a dimensão institucional minimize este detalhe.
 
E se a esquerda vencer na presidencial de 2018? Neste caso as concessões feitas serão um freio de mão puxado. O que atrapalhará muito um governo que se propõe a adotar medidas mais radicais.
 
E na campanha presidencial de 2018? Tendo em vista que Lula lidera as pesquisas em todos os estados em que se fez amplas alianças (e aliás é fundamentalmente por isso que partidos de direita topam aliar-se com o PT), é possível argumentar que caso Lula seja o candidato, as amplas alianças não causarão grande dano à campanha presidencial. Ou seja: os palanques que cedemos a partidos que tem outros candidatos presidenciais terão pouca chance de fazer estrago. Admitamos, por hipótese, que isto pode ser assim. Mas e se não for? Nesse caso, nossos “aliados” estaduais terão um grande espaço para nos causar danos severos. Sem falar, é claro, na dúvida acerca de como vão se comportar certos governadores num cenário em que os golpistas tirem Lula da urna eletrônica.
 
Mas o problema principal causado por alianças com a direita não é futuro, é presente: não há argumento capaz de explicar como alianças com golpistas ajudam a derrotar o golpe.
 
Por tudo isso, não há como negar que existe uma contradição entre a tática nacional do PT e a tática implementada em alguns estados. 
 
Alguns acham que esta contradição é apenas aparente, outros acham que é inevitável, em nosso caso achamos que é inaceitável.
 
Deste ponto de vista, o caso do Ceará não se distingue de outros.
 
O chocante no caso do Ceará é que nele a contradição chegou a tal ponto que não é mais óbvio, natural e evidente que um governador filiado ao PT deva fazer campanha para a candidatura do PT à presidência.

 

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6 comentários

  1. o que acontece no país, em

    o que acontece no país, em parte, é reflexo do que acontece no PT..

    A incrível história de vida do presidente Lula e o fato do país ter sofrido golpe de estado contra a classe trabalhadora, são elementos para um incrível diferencial competitivo do partido..

    .. desde que não abandonasse as causas populares..

    .. mas a aposta de muitas lideranças é – apenas – se aproveitar do momento para sucesso eleitoral.. só isso..

    .. o povo percebe.. eu acho que vão quebrar a cara..

    .. esse gesto no Ceará, abandonar candidatura petista para apoiar golpista, é o fim da picada.

  2. PT precisa voltar às origens

    Valter Pomar não comunga da idéia de que o atual objetivo do PT é manter a hegemonia da esquerda ?

    O PT do Ceará parece que aprendeu a fazer alianças como fez o PT Nacional. O senador Pimentel, coitado, foi jogado na lata do lixo. Ele é tão ruim assim ? Será que no RGS vão fazer o mesmo com o senador Paim ? E se o povão torcer o nariz para o provável fantoche do Lula ?

     

  3. Apoiar o eunicio de oliveira

    Apoiar o eunicio de oliveira para reeleição no senado ao invés do Pimentel??????? eunicio, um dos que votaram pelo impedimento da Dilma?!!!!! Pelo amor de Deus PT não me decepcione. Esse governador do Ceará, o camilo (por enquanto minúscula, apesar de ser do PT), já estava querendo indicar apoio  ao ciro gomes como presidente, agora quer fazer “conluio” com o pmdb ou mdb do Ceará, prá reeleger o eunicio, em desfavor do Pimentel????? Espero que a Gleise interfira nisso. Dane–se se tiver alguma coligação. Não se pode, de jeito nenhum confiar nesses partidos. Será que não deu para aprender.  

  4. Sem a liderança de Lula o PT se auto-destrói num semestre

    Três dos assuntos/temas mais polêmicos, sobre sos quais quase todos têm opinião e dão pitacos – com maior e ou menor conhecimento – são:

    1) – futebol

    2) – reigião

    3) – polítca

    A eles se soma outro, sobretudo nessa era de judicilaizaçao d  política e politização do sistema judiciário: o direito.

    Não é preciso ser  filiado ou pertencer a qualquer das correntes (ou facções) políticas para perceber as lutas e disputas intestinas que SEMPRE marcaram as disputas nesse partido social-democrata, de origem operária, intelectual, mas também de comunidades de base da ala progressista de igreja católica e de uma vertente socialista. Sabendo disso a direita olgárquica, golpista, escravocrata, plutocrata, cleptocrata, privatista e entreguista SEMPRE procurou explorara as contradições e disputas internas, disseminando o chamado “fogo amigo”. Em qualquer ano eleitoral essas práticas se repetem. Nem mesmo após quase 40 anos de fundado, o PT, por meio do diretório nacional e diretórios estaduais, aprendeu a evitar essa exploração maldosa.

    Como um dos fundadores e da velha guarda do PT, Valter Pomar tem autoridade para fazer a crítica exposta neste artigo. Fica claro que sem o líder operário que conduziu o partido desde sua fundação, em 1980, o PT se desintegra em várias correntes e não sobrevive sequer um semestre. É claro que governadores que se limitam a pensar paroquialmente, como os da Bahia e o do Ceará, esquecendo-se de que a Presidenta Dilma Rousseffa, eleita pelo PT, foi deposta por um golpe de Estado midiático policial-judicial-parlamentar, precisam ser chamados às falsas e devidamente enquadrados pelo diretório nacional.

    Quando José Dirceu presidia o partido, ele o conduzia com ‘mão-de-ferro’; mas ele não permitia que governadores ou candidatos a a  esse cargo fizessem o que está fazendo Camilo Santana e o que tentou fazer Rui Costa. A meu ver José Dirceu errou amão quando, por imposição, impediu a candidatura de Vladimir Palmeira ao governo fluiminense, em 1998. Naquele ano Vladimir tinha real chance de se eleger governador; mas num acordo nacional, por cima, com o PMDB, Dirceu impediu a candidatura do líder histórico do PT fluminense. Desde então o partido perdeu força e foi àlona quando os dissidentes resolveram fundar o PSOL.

    José Dirceu conseguiu viabilizar a eleição de Lula em 2002, mas ele e outros foram sacrificados depois, como hoje bem sabemos. Vilipendiado, privado de liberdade numa solitária curitibana, o Ex-Presidente Lula ainda mantém o comando e autoridade sobre o partido. Mas não falta traidores e quinta-colunas, hipócritas, que adoram usar a imagem de Lula, fingindo defendê-lo da caçada judicial, mas de olho no espólio do Ex-Presidente. Lula deve mandar uma carta manuscrita a esses governadores que tentam lhe passar a perna. Se fizer isso, manterá o controle, como tem feito até agora com os pretensos “planos B, C, D, etc.”. Se Lula deixar a coisa descambar, o partido pode se auto-destruir antes mesmo das eleições.

  5. O sacrifício de Lula não vale nada?

    Simples assim.

    Essa turma, que busca alianças na direita oligárquica, não merece o sacrifício de Lula, que não se asilou para ser o suporte de um movimento em busca da democracia e da manutenção dos ideais de sua vida.

    Os cearenses deveriam repudiar com toda força esse movimento incrível, que mina,  por completo, a força de milhares de pessoas em torno de Lula. 

     

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