Você conhece ou foi vítima de coação para que sua seção eleitoral encerrasse a votação antes do horário estabelecido por Zanin? Envie seu relato para [email protected]
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A ordem do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em estender o período de votação nacional até as 19 horas, não está sendo respeitada em diversas cidades pelo Brasil, onde não apenas as urnas foram encerradas como, em determinadas seções, houve coação de autoridades para que as urnas fossem recolhidas no horário original.
Uma escola na cidade de Santo André (SP) teve sua votação encerrada às 16h59, um minuto antes do horário oficial, conforme relato de presidente da mesa de uma das seções. Ela não terá seu nome divulgado por questão de represália.
“Aqui não teve ordem nenhuma – inclusive, o sinal para encerrar as urnas na minha escola bateu 1 minuto antes (…) Na minha urna ainda era 16h59 quando bateu o sinal. Eu fui checar o corredor para ver se não tinha ninguém correndo antes de encerrar minha sessão”, explica a presidente de mesa de uma seção eleitoral na cidade de Santo André, em São Paulo.
“Mas até falei ‘ué, a direção da minha escola tá com pressa que se encerre as urnas por qual motivo?’ Aí um professor me disse que não, ‘que o diretor era gente boa e o mais interessado’. Eu conheço o diretor da escola, ele é bolsonarista”, pontua.
Embora a votação tenha sido encerrada um minuto mais cedo, a presidente de mesa esperou até as 17h02 para efetivamente encerrar a votação em sua seção após ter checado se algum eleitor estaria chegando. Embora a seção tenha fechado no horário original, a presidente de mesa relata maior comparecimento do eleitorado.
“Eu senti uma grande diferença, de verdade: no primeiro turno teve poucos votos, teve muita gente que não foi votar no primeiro turno, e agora no segundo turno foi muita gente, muita gente com camiseta do PT, muitos jovens, muito idoso que foi votar acompanhado de jovem (…)”, explicou.
No Distrito Federal, a votação para segundo turno foi encerrada às 17h mesmo após a decisão de Zanin. Além da votação para presidente, o DF decide quem será o próximo governador: Celina Leão (PP) ou Leandro Gross (PT). Situação semelhante ocorreu na cidade de Londrina, no Paraná.
No Colégio Cristo Rei, na Vila Mariana, em São Paulo/SP eleitores não conseguiram entrar após as 17h para votar, conforme relato do eleitor @olucascarpelli em seu Instagram. “Estou na frente de uma seção eleitoral – são 17h51. Ela está fechada, tem pessoas aqui que não conseguiram votar e estão sendo negadas de votar, porque as urnas foram fechadas e elas não tem o direito delas de votar”.
Urnas no caminhão
Na cidade de Jacareí (SP), a votação foi encerrada às 17h enquanto a ordem de Zanin para prorrogação da votação estava sendo divulgada. O atual prefeito da cidade é Celso Florêncio (PL).
“Na nossa escola, eles pediram para aguardar a decisão se iria continuar ou não, mas algumas sessões já haviam encerrado. Logo após avisaram para encerrar, e só aí finalizamos”, afirma uma mesária da cidade.
“Encerram (a votação) às 17h, depois pediram pra esperar, uns 10 minutos depois falaram pra encerrar”, explica a mesária de uma escola da cidade. “Inclusive, tinham algumas urnas que já estavam no caminhão. Pegaram a urna, trouxeram novamente para dentro e, logo após, colocaram de volta no caminhão”.
No bairro da Aclimação, na cidade de São Paulo, o eleitor @yazdanielbek chegou a divulgar que a EMEBS Hellen Keller estava fechada. “Tem alguns eleitores aqui, esperando para votar, e a escola foi fechada”.
Contudo, a escola foi reaberta após a decisão de Zanin – mas todas as urnas das seções registradas na escola estão fechadas e encaixotadas.
“É uma situação estranha. Urna fechada não se abre mais, a gente sabe da segurança das urnas – acho importante a gente falar disso, que a urna fechada não abre mais. Então, a gente está entendendo como é que as pessoas que chegarem até as 19h vão fazer para votar (…) As urnas estão sendo carregadas para serem levadas pro cartório, e eleitores chegando, eleitores sentados, bolsonaristas filmando tudo (…)”
Contudo, Daniel é informado pelo representante do cartório eleitoral que a escola será fechada e as urnas “já vão embora com um policial – e eu que tenho de levar as mídias, que são todas, com outro policial. Então, a gente fica descoberto de segurança”. Ele ficou ao lado de outros eleitores do lado de fora do colégio. “São votos importantes, todo mundo tem o direito de votar”.
Na cidade de Santos, em São Paulo, um mesário que se informou sobre a decisão de Zanin na mídia entrou em contato com o cartório eleitoral – que se recusou a ouvir a informação e “falou que tinha de fechar a urna de qualquer jeito”.
“Na minha seção, eu informei a presidente da urna que a gente não devia fechar a urna ainda. Ela falou que era uma ordem, que eu tinha de fechar a urna. Mostrei para ela uma notícia no UOL, ela falou que aquilo era boato. Mostrei também a notícia no G1, ela falou que aquilo era boato, e ela me deu a ordem”, reiterou.
Segundo o mesário, ela o obrigou a fechar a urna mesmo com a informação em mãos. “Depois disso, eu falei que iria abrir uma denúncia no sistema Pardal, e ela fez uma anotação em ata que eu tinha desrespeitado os colegas de trabalho por causa de boatos que ouvi falar em redes sociais”.
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, os mesários chegaram a ver pela internet a respeito da prorrogação da votação, mas a orientação recebida “foi de encerrar, mesmo com a gente falando que o Zanin tinha mandado estender. Não vi policiamento nem nada, mas as pessoas estavam cientes disso e ainda assim estavam encerrando!”. Logo depois, foi enviado um comunicado oficial afirmando que “os locais que já encerraram não tem mais o que fazer. Aqueles que ainda estão com as urnas abertas, deverão ser mantidas assim até as 19h”.
“Na minha seção o pessoal da justiça eleitoral passou às 17h falando para fazer o procedimento de encerramento na urna. Começamos a fazer o procedimento e recebi uma mensagem falando que Zanin tinha determinado a prorrogação até as 19h”, explica uma mesária da cidade de Campinas, em São Paulo.
“Nisso fui questionar as pessoas da justiça eleitoral, que falaram que não estavam sabendo de nada. Mostrei as notícias, questionei se não deveriam buscar uma orientação superior, mas falaram que era pra encerrar a votação mesmo. Os outros mesários pareciam confusos, muitos não estavam sabendo de nada. O presidente da minha seção disse que não tinha nenhum aviso no site do TSE ou no aplicativo do mesário, então não podíamos fazer nada. E eu vi as urnas serem levadas enquanto pesquisava se tinha alguma orientação sobre o que fazer”.
Em Mauá, na região do ABC Paulista, uma mesária explica que as urnas estavam todas fechadas quando a notícia sobre a prorrogação foi divulgada. “Quando a notícia saiu, a mídia de resultado concluída e os boletins de urna impressos. Ninguém sabe o que tá acontecendo e, se alguém chegar pra votar, estão falando em voto no papel”.
Contudo, a opção de voto em papel foi desconsiderada pois “as urnas estavam fechadas. Não tem o que fazer, vamos ter que colocar na ata o horário de encerramento (…) pelo menos o trabalho dos mesários foi encerrado. Não sei o que acontece se alguém chegar aqui agora pra votar, acho que na verdade ninguém sabe”.
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