Emedebista chama intervenção no Rio de Janeiro de “jogada de mestre”, nega candidatura mas deixa resposta em aberto

(Foto EBC – ABr)
Jornal GGN – Em entrevista para a Rádio Bandeirantes, divulgada nesta sexta-feira, o presidente Michel Temer negou suas pretensões eleitorais com a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, apesar de apontar a medida como “uma jogada de mestre”. Ainda assim, sua fala dá espaço para dúvidas ao ser questionado, especificamente, se virá a ser candidato nessas eleições:
“Ah, eu não vou dizer isso porque, na verdade, a minha intenção de hoje vai alongar-se pelo tempo todo”, arrematando em seguida: “Eu não serei candidato.” O emedebista também declarou que é “candidato a fazer um bom governo”, pontuando que é “muito feliz” de ter exercido o mandato presidencial desde que assumiu, em maio de 2016.
O tema sobre sua candidatura às eleições presidenciais deste ano voltou com força após o anúncio inesperado do decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, com a administração do Exército, na semana passada. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a avaliar a medida como uma estratégia de Temer conquistar os votos do deputado Jair Bolsonaro (PSD), que também encarou a intervenção como uma medida eleitoreira.
Em entrevista ao jornal O Globo, o marqueteiro de Temer, Elsinho Mouco, confirmou a linha de raciocínio dizendo que o Planalto quer usar a intervenção para alavancar uma eventual candidatura do presidente. Em seguida, o porta-voz do governo, Alexandre Parola, se manifestou dizendo que “agenda eleitoral não é, nem nunca o será, causa das ações do presidente”.
MDB e candidatos fracos
Na quarta-feira (23), após uma reunião executiva do MDB, o presidente da sigla, senador Romero Jucá declarou que Temer é uma opção “se assim ele entender”.
“O partido defende candidatura própria, nós temos várias opções e vamos trabalhar no sentido de termos candidatura própria”, disse.
Entretanto, em outra ocasião, o senador confirmou que o MDB trabalha com outros nomes, incluindo o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. “Nós estamos discutindo qual é o nome mais viável, mais factível, que possa ganhar as eleições”.
Em entrevista ao Blog do Camarotti, do G1, Meirelles não negou o objetivo de sair candidato, mas respondeu que irá permanecer “até o fim” no governo Temer se não sair na competição.
O economista ainda aguarda apoio do presidente do seu partido (PSD), Gilberto Kassab, mas pode se filiar ao MDB para ser candidato. O problema real é que, assim como o presidente da Câmara dos Deputados e também aspirante ao pleito, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Meirelles têm apenas 1% de intenções de votos.
Vale analisar, ainda, que como ele está a frente da equipe econômica do atual governo e os níveis de desemprego continuam altos, dificilmente conseguirá alavancar sua imagem durante a campanha eleitoral, caso saia candidato.
A perspectiva para Temer também não anda fácil, há mais de um ano e meio no Planalto, o emedebista não alcança 5% no melhor cenário das pesquisas do Datafolha.
Logo, se o MDB trabalha com uma candidatura própria, como declarou Jucá, as chances de ter sucesso nestas eleições parecem reduzidas.
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