Análise do ChatGPT
A pesquisa BTG Pactual/Nexus de 21 de setembro mostra uma eleição muito polarizada e competitiva, com Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a disputa. No cenário estimulado de 1º turno, Lula tem 40% e Flávio 37%; no espontâneo, 40% a 34%. A pesquisa ouviu 2.006 eleitores entre 18 e 20 de setembro, com margem de erro de 2 pontos e 95% de confiança.
O dado mais importante, porém, não é a fotografia do primeiro turno. É a combinação de polarização, rejeição e transferência de votos.
1. Lula × Flávio é uma disputa praticamente empatada
No segundo turno, o levantamento encontra:
| Cenário | Lula | Adversário | Branco/nulo |
| Flávio Bolsonaro | 46% | 45% | 7% |
| Ronaldo Caiado | 45% | 45% | 9% |
| Zema | 47% | 41% | 10% |
| Renan Santos | 47% | 39% | 13% |
| Augusto Cury | 44% | 43% | 11% |
Ou seja, contra Flávio, a diferença de 1 ponto está dentro da margem de erro. E a série é impressionantemente estável: Lula e Flávio vêm oscilando numa faixa estreita, sem que nenhum deles tenha aberto vantagem estatisticamente conclusiva.
Isso contrasta com o primeiro turno. Na estimulada, Lula marca 40% e Flávio 37%. No espontâneo, Lula aparece com 40% contra 34%, mostrando elevado grau de cristalização do voto antes mesmo da apresentação dos nomes.
2. O crescimento de Flávio é uma das mudanças relevantes da série
No voto espontâneo, Flávio saiu de aproximadamente 26% em março para 34% agora. Lula estava em 32% no começo da série e chegou a 40%.
Portanto, os dois polos cresceram enquanto despencava o eleitor sem candidato: o NS/NR, que estava perto de 30% em março, está em 8% agora.
Isso sugere que a campanha está menos marcada pela descoberta de novos candidatos e mais pela consolidação dos dois campos existentes.
A terceira via, por enquanto, permanece fragmentada. Na estimulada: Augusto Cury tem 6%, Caiado 5%, Renan Santos 3% e Zema 1%.
3. Existe uma assimetria importante entre os dois campos
A Nexus construiu uma tipologia especialmente interessante. Ela encontra:
- 32% bolsonaristas convictos
- 24% lulistas convictos
- 6% “Bolsonaro como alternativa”
- 4% “Lula como alternativa”
- 18% não polarizados
- 9% simultaneamente anti-Lula e anti-Bolsonaro
- 7% NS/NR.
Aqui aparece uma característica central desta eleição: o núcleo bolsonarista é maior que o núcleo lulista, 32% contra 24%.
Mas isso não se converte automaticamente em vantagem eleitoral para Flávio, porque Lula apresenta maior capacidade de penetração fora do seu núcleo.
Entre os “lulistas convictos”, 79% votam em Lula no primeiro turno; entre os “bolsonaristas convictos”, 73% votam em Flávio.
E entre os não polarizados, Lula consegue 35%, Flávio 26%, Augusto Cury 17% e Caiado 6%.
É uma pista importante para entender por que Lula consegue permanecer numericamente próximo de Flávio apesar de o núcleo bolsonarista declarado ser maior.
4. O eleitorado está dividido quase ao meio por sexo
Talvez seja a clivagem demográfica mais forte da pesquisa.
No segundo turno Lula × Flávio:
Mulheres: Lula 56% × 35% Flávio.
Homens: Flávio 57% × 35% Lula.
É uma diferença extraordinária: 21 pontos de vantagem para Lula entre mulheres e 22 para Flávio entre homens.
Também há divisão geracional. Flávio registra 49% entre 16–24 anos e 52% entre 25–40; Lula chega a 58% entre os maiores de 60 anos.
5. Renda e escolaridade formam outra fronteira
No segundo turno:
| Grupo | Lula | Flávio |
| Até 1 salário mínimo | 54% | 34% |
| 1–2 SM | 56% | 33% |
| 2–5 SM | 43% | 51% |
| Mais de 5 SM | 38% | 55% |
| Fundamental | 59% | 32% |
| Médio | 38% | 53% |
| Superior | 41% | 51% |
Assim, Lula tem seus melhores números entre baixa renda e baixa escolaridade; Flávio, nas rendas médias/altas e entre eleitores de ensino médio e superior.
Há uma diferença ocupacional igualmente expressiva: entre trabalhadores formais, Flávio 57% × Lula 36%; entre quem está fora da PEA, Lula 59% × Flávio 32%.
6. A divisão religiosa é ainda mais intensa
Entre evangélicos, Flávio chega a 62% contra 31% de Lula.
Entre católicos ocorre o inverso, mas com diferença menor: Lula 51% × 40% Flávio.
Entre pessoas sem religião, Lula chega a 57% contra 32%.
Isso ajuda a explicar a geografia social dos dois campos.
7. E a geografia eleitoral continua muito marcada
No eventual segundo turno:
Nordeste: Lula 58 × 35.
Sul: Flávio 57 × 30.
Sudeste: Flávio 46 × 45 Lula — empate estatístico.
Norte/Centro-Oeste: Flávio 49 × 43.
Nas capitais, Lula aparece com 50 × 41; nas regiões metropolitanas, 51 × 41. No interior, Flávio fica à frente, 48 × 44.
Esse último corte merece atenção: há uma clivagem metrópole × interior sobreposta às divisões de renda, religião e sexo.
8. O problema de Lula é a avaliação do governo
A pesquisa encontra:
Ótimo/bom: 45%
Regular: 18%
Ruim/péssimo: 35%
Em março, ótimo/bom era 44% e ruim/péssimo 35%. Portanto, apesar das oscilações intermediárias, a avaliação líquida praticamente voltou ao ponto de partida.
E a ligação entre avaliação e voto é quase mecânica.
Entre quem considera o governo ótimo/bom, 96% votariam em Lula num segundo turno contra Flávio.
Entre quem considera ruim/péssimo, 86% votariam em Flávio.
O terreno realmente disputável é o eleitor que considera o governo regular: Lula obtém 55%, Flávio 31%, branco/nulo 10%.
Isso torna esse grupo particularmente relevante para entender a disputa.
9. A economia ajuda a explicar por que a avaliação não se transforma em vantagem maior
Há um paradoxo.
Quando o eleitor avalia a economia do país hoje, somente 17% dizem ótima/boa, contra 54% ruim/péssima.
Quando avalia sua própria situação financeira, a percepção é melhor: 20% ótima/boa, 45% regular e 33% ruim/péssima.
E, comparando com o governo anterior, 38% consideram a economia melhor, 48% pior e 11% igual.
Esse corte é extremamente associado ao voto: entre os que acham que a economia melhorou, Lula recebe 75% no primeiro turno; entre os que acham que piorou, Flávio recebe 65%. No segundo turno, a associação sobe para 84% Lula entre os que enxergam melhora e 77% Flávio entre os que enxergam piora.
Portanto, uma variável central da eleição é menos “qual é o número oficial da economia?” e mais “o eleitor sente que sua vida e o país melhoraram desde 2022?”
10. Há ainda um problema de teto para os dois principais candidatos
Na pergunta sobre potencial de voto:
Lula: 37% dizem ser o único candidato em quem votariam + 12% poderiam votar nele = 49% de potencial declarado; 49% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.
Flávio: 30% voto exclusivo + 17% poderiam votar = 47% de potencial; 50% não votariam nele de jeito nenhum.
Esse é talvez o número estrutural mais importante da pesquisa: os dois principais candidatos estão muito próximos de um teto de metade do eleitorado e têm rejeição de aproximadamente metade do país.
Isso ajuda a entender por que o segundo turno fica em 46 × 45 e por que pequenas transferências de terceiros, abstenção e branco/nulo assumem peso elevado.
11. A eleição não está organizada apenas pela economia
Quando a Nexus pergunta espontaneamente pelos dois maiores problemas brasileiros, aparecem:
segurança/violência 32%; saúde 28%; corrupção 26%; classe política 17%; educação 15%; baixo crescimento 13%; desemprego 10%; inflação/custo de vida 10%.
Ou seja, segurança supera economia e inflação como preocupação explícita do eleitor. Isso pode alterar bastante a dinâmica da reta final, porque abre espaço para agendas que não dependem diretamente da avaliação econômica.
O desenho que emerge da pesquisa
Mais do que apontar um resultado, a Nexus mostra uma eleição organizada em torno de dois grandes blocos sociais bastante diferentes.
De um lado, Lula tem desempenho mais alto entre mulheres, eleitores de menor renda, baixa escolaridade, idosos, Nordeste, católicos e pessoas sem religião, capitais e regiões metropolitanas.
Do outro, Flávio Bolsonaro registra números maiores entre homens, jovens e adultos até 40 anos, rendas superiores a dois salários mínimos, ensino médio/superior, evangélicos, trabalhadores formais, Sul e interior.
E entre os dois existe um conjunto menor, mas eleitoralmente importante, de não polarizados e eleitores de candidatos menores.
Por isso, eu prestaria especial atenção a quatro indicadores nas próximas rodadas da Nexus: avaliação “regular” do governo; percepção de melhora/piora econômica; destino dos eleitores de Cury/Caiado/Renan/Zema; e evolução de Lula e Flávio entre mulheres e trabalhadores formais. São variáveis que permitem acompanhar a movimentação do eleitorado sem transformar uma pesquisa pontual em previsão do resultado.
A pesquisa é a 15ª rodada, registrada no TSE sob BR-00485/2026, com campo de 18 a 20 de setembro.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário