Nota de repúdio à violência no processo eleitoral, por M3D e mais entidades

Movimentos conclamam organizações para avançar diálogo contra violência generalizada

Marielle Franco
Foto: Agência Brasil

Por M3D e mais entidades

O ataque contra o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro é um ato inadmissível. Expressamos nosso desejo de rápido e pleno restabelecimento da vítima e de justa punição de seu agressor. É preciso, acima de tudo, estancar a espiral de violência instalada no país.

Figuramos, hoje, entre as nações mais violentas do mundo, com maior número de mortes violentas, maiores taxas de feminicídio, de assassinatos de homossexuais, de militantes sociais e de jornalistas e, ainda, com a terceira maior população carcerária.

Somos o quinto país socialmente mais desigual do mundo, situação que nega oportunidades à juventude e gera a marginalização, principalmente da população negra e dos povos indígenas, e o aumento da criminalidade.

Vemos a intolerância crescente dividir as mais diferentes comunidades em todo o país e a violência invadir a vida política nacional.    

A vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram executados em março deste ano, no Rio de Janeiro, em plena ocupação militar da cidade, e suas mortes continuam sem esclarecimento.

A caravana do ex-presidente e, então, pré-candidato à Presidência da República Luís Inácio Lula da Silva, também em março deste ano, teve participantes atacados com chicotes e foi atingida por tiros, quando passava pelos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, e nenhum dos envolvidos nos atos de violência e nos atentados à bala foi sequer investigado.

O acampamento em solidariedade ao ex-presidente Lula, em Curitiba, foi alvo de, ao menos, quatro atentados, sendo que um deles, à bala, deixou como saldo dois feridos, sem que tenha havido qualquer indiciamento pelos atos.

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Uma integrante da equipe de campanha do candidato à Presidência da República Guilherme Boulos foi ameaçada com arma de fogo, em agosto.

O avanço da violência política vem ocorrendo no ambiente de profunda crise institucional do país, cuja raiz é a falta de legitimidade. Os poderes Executivo e Legislativo federais estão sob o controle de políticos implicados em graves episódios de corrupção e as cúpulas do poder Judiciário e do Ministério Público agem de forma parcial e contraditória, segundo suas preferências políticas, desrespeitando claramente a Constituição e, inclusive, acordos internacionais assumidos livre e soberanamente pelo país junto à ONU.

A sociedade brasileira precisa estancar a violência contra seus cidadãos. O candidato ora agredido tem incentivado a violência, enaltecido torturadores e estimulado a agressão a homossexuais e a mulheres, além de prometer exterminar seus adversários políticos. Nada disso, no entanto, deve obscurecer o fato de que houve um ataque à vida de um cidadão e que este ato deve ser repudiado.

É urgente pacificar o país, afastar os ódios e restabelecer o respeito mútuo entre os diferentes, principalmente entre aqueles que defendem caminhos diversos para o país. É hora de restabelecer o respeito à diversidade, o diálogo e o retorno do Brasil à normalidade democrática.

Conclamamos todas as instituições, organizações, movimentos, integrantes de tradições religiosas, partidos e pessoas que acreditam no respeito ao outro e no diálogo a manifestarem-se publicamente contra o avanço da violência e a favor da manutenção da democracia.

Assinam este documento as seguintes entidades e movimentos:

M3D – Movimento em Defesa da Democracia, do Diálogo e da Diversidade

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Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito

ABJD-RS – Associação Brasileiras de Juristas pela Democracia

EDUCAFRO – SP

LIERGS – Associação Quilombo Sociocultural Afrobrasileiro

Coletivo Levante Gremista

Portal de Hip Hop Bocada Forte

Comitê em Defesa da Educação Pública Movimento Fé e Política RS

Articulação em defesa da Educação do Campo do Estado do Rio Grande do Sul

Amigxs de Esquerda na Resistência

MUSAs – Mulheres na Universidade e na Política

Associação Educadores Sociais de Porto Alegre – AEPPA

Movimento de Educação Popular – MEPE

Instituto Social Brava Gente

SINDAERGS – Sindicato dos Administradores do RS

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RGS

Frente Democrática Ibitinga – SP

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