O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança da corrida presidencial de 2026 na 11ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (24). No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 41% das intenções de voto, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Os demais candidatos aparecem com percentuais bem menores: Ronaldo Caiado tem 5%, Renan Santos, 3%, e Zema, também 3%.
O levantamento foi realizado pela Nexus entre os dias 21 e 23 de agosto, por telefone, com 2.006 eleitores de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09028/2026.
Mulheres e jovens
Os números por segmento reforçam a vantagem do presidente em parcelas importantes do eleitorado. Lula alcança 48% entre as mulheres, enquanto Flávio Bolsonaro marca 31%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, a vantagem é ainda maior: 49% para Lula contra 23% para Flávio.
O presidente também lidera entre eleitores com 60 anos ou mais, com 47% contra 35%, e entre aqueles com ensino fundamental, com 49% contra 31%.
A vantagem é particularmente expressiva entre os eleitores de menor renda. Na faixa de renda familiar de até um salário mínimo, Lula chega a 55%, mais que o dobro dos 26% registrados por Flávio Bolsonaro. Entre os que recebem de um a dois salários mínimos, o presidente também lidera, com 42% a 32%.
Reduto eleitoral
Regionalmente, Lula apresenta sua maior vantagem no Nordeste. Na região, o presidente soma 54% das intenções de voto, contra 27% de Flávio Bolsonaro.
Lula também está à frente no Sudeste, por 40% a 38%, e apresenta vantagem nas capitais, onde registra 43% contra 36% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O desempenho entre os nordestinos é acompanhado por forte presença entre os eleitores de menor renda, perfil no qual a candidatura de Lula mantém uma vantagem significativa.
Base ainda mais favorável
O levantamento mostra uma diferença expressiva quando o recorte considera os beneficiários do Bolsa Família. Na série histórica apresentada pela pesquisa, Lula aparece com 61% das intenções de voto nesse grupo na rodada de 24 de agosto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 27%.
Entre os não beneficiários, o cenário é mais equilibrado. No total da amostra, Lula tem 41%, contra 37% de Flávio Bolsonaro.
O resultado sugere uma forte associação entre a candidatura de Lula e segmentos populares que têm maior proximidade com políticas de transferência de renda.
Competitividade
A pesquisa também apresenta um dado favorável à campanha de Lula: o presidente aparece numericamente à frente em todos os cenários de segundo turno testados.
No confronto direto com Flávio Bolsonaro, Lula registra 46% contra 45%, com 8% de votos brancos ou nulos e 1% de indecisos.
A vantagem de Lula é maior entre mulheres, grupo no qual o presidente alcança 52%, contra 37% de Flávio. Entre os jovens de 16 a 24 anos, Lula chega a 58%, contra 32% do adversário. Entre eleitores com renda de até um salário mínimo, a diferença também é ampla: 57% para Lula e 29% para Flávio.
O levantamento ainda testa confrontos de Lula com Ronaldo Caiado, Zema e Renan Santos. Em todos eles, o presidente aparece numericamente na frente.
Vantagem entre eleitores que não estão no campo bolsonarista
Outro indicador favorável ao presidente está no cruzamento entre os perfis de polarização política e as intenções de voto.
A pesquisa classifica 25% dos entrevistados como “lulistas convictos”, enquanto 5% são definidos como eleitores que veem “Lula como alternativa”. Do outro lado, 30% são classificados como “bolsonaristas convictos” e 6% como eleitores que veem “Bolsonaro como alternativa”. Outros 22% não são polarizados e 8% se identificam simultaneamente com posições anti-Lula e anti-Bolsonaro.
Entre os “lulistas convictos”, a pesquisa mostra uma fidelidade muito elevada ao presidente. No cenário de primeiro turno, 86% desse grupo declaram voto em Lula na rodada de 24 de agosto.
Avaliação positiva
A avaliação do governo Lula ainda apresenta um quadro dividido, mas com uma parcela relevante de avaliações positivas. 35% dos entrevistados classificam a administração como ótima ou boa, enquanto 22% consideram o governo regular e 43% o avaliam como ruim ou péssimo.
Separadamente, 16% classificam o governo como ótimo e 19% como bom. Outros 22% dizem que a administração é regular, 6% ruim e 37% péssima.
O desempenho é mais positivo entre os eleitores de menor renda. Na faixa de até um salário mínimo, 47% avaliam o governo como ótimo ou bom, resultado obtido pela soma de 24% de “ótimo” e 23% de “bom”. No Nordeste, a avaliação positiva chega a 44%.
Aprovação
A aprovação do trabalho de Lula também permanece próxima da metade dos entrevistados: 48% dizem aprovar o desempenho do presidente, enquanto 49% desaprovam e 4% não souberam ou não responderam.
O dado mostra que, apesar de a avaliação negativa do governo ainda superar a positiva, Lula conserva uma base de aprovação ampla o suficiente para sustentar uma disputa presidencial competitiva.
Campanha
A pesquisa também aponta vantagem para Lula na exposição eleitoral. Entre os 70% dos entrevistados que tiveram contato com materiais de pelo menos uma campanha, 46% apontaram Lula quando perguntados sobre a campanha com a qual mais se identificaram, contra 41% para Flávio Bolsonaro.
No levantamento sobre contato com materiais de campanha, Lula também aparece com o maior alcance entre os candidatos pesquisados.
Cenário favorável
Os números da 11ª rodada desenham um cenário de vantagem para Lula, sobretudo no primeiro turno e entre segmentos populares, mulheres e jovens. O presidente também chega ao segundo turno em posição competitiva contra todos os adversários testados.
Ao mesmo tempo, a diferença de apenas um ponto percentual no confronto direto com Flávio Bolsonaro, 46% a 45%, mostra que a disputa permanece apertada quando os dois chegam ao segundo turno.
A pesquisa, portanto, combina dois sinais importantes para Lula: a liderança no primeiro turno e uma base eleitoral mais ampla do que o núcleo de apoiadores convictos, especialmente entre eleitores de baixa renda, mulheres, jovens e nordestinos.
A pesquisa BTG/Nexus foi contratada pelo Banco BTG Pactual e elaborada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.
Confira os resultados na íntegra:
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