De @adolfoberlejr para @eliogaspari, sobre a greve dos caminhoneiros, por Luis Nassif

“Prezado Gaspari,

“Em 1937, a Standard Oil fez pressão sobre o governo do MEU país para que atuasse para reverter a decisão do SEU país, de construir refinarias para não depender mais do poder de pressão das petriolíferas do MEU país. Depois de ter registrado lucros gigantescos no Brasil, a Standard OIl manifestava seu “receio” de que, refinando petróleo com capital nacional, o Brasil acabasse pagando um preço muito alto pelo produto.

Como disse na época para o presidente Roosevelt, a preocupação  da Standard Oil me pareceu simplesmente engraçada.

“Em meados de 1945, sugeri ao Departamento do Estado a criação de uma comissão bilateral, Brasil-EUA, incumbida de vigiar as atividades de companhias estrangeiras, a fim de assegurar que o povo brasileiro recebesse os benefícios dos recursos. E não pense que são palavras de autocrítica depois que desencarnei. Sugiro consultar os livros de Stanley Hilton onde está registrada minha posição.

Espero que em seu próximo livro, corrija a imagem de golpista que me acompanhou, depois que me tornei embaixador no Brasil. E pense nos interesses do seu país com o mesmo carinho que eu, um ianque, pensava”

O emburrecimento nacional

De fato,  polarização ideológica conseguiu produzir um nível de emburrecimento inédito na história moderna do país.

A greve dos caminhoneiros é exemplo acabado, uma discussão sem pé nem cabeça que chegou ao ápice com os analistas da velha mídia tentando atribuir a responsabilidade ao governo Dilma, e o contra discurso tentando provar que Dilma estava certa achatando os preços de combustíveis, em um momento em que a Petrobras era submetida ao maior desafio da sua história.

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A rigor, a única manifestação de bom senso foi de Eduardo Gianetti da Fonseca: “Transmitir para o consumidor a volatilidade do mercado de petróleo mundial e da variação da taxa de câmbio no Brasil todos os dias é uma maluquice”. Ponto.

Samuel Pessoa, que se tornou uma espécie de Marco Antônio Villa da economia, com foco exclusivo em militância ideológica, atribuiu a responsabilidade ao governo Dilma, é claro. Confiram o que a ideologia faz com até com pessoas preparadas:

Primeiro  Pessoa diz que a responsabilidade é do governo Dilma que aumentou muito a frota de caminhões, com isso barateando os fretes. Ou seja, a saída seria uma explosão nos fretes para repassar a explosão dos derivados.

Poucos parágrafos adiante, ele completa:

 “Em meio a uma recuperação frustrada da economia, os fretes, pressionados pelos custos do diesel, nas rotas agrícolas, subiram de janeiro até abril algo como 40% em termos reais. Em geral, nessa época do ano, os fretes agrícolas sobem uns 20%. Caminhões perdem espaço para ferrovias, o que não é ruim. Mas com tanto caminhão…””.

Entenderam? Primeiro acusa o excesso de caminhões pela redução dos fretes. Em seguida, acusa o excesso de caminhões pelo… aumento dos fretes. Villa não se sairia melhor.

Outro gênio da racionalidade foi Elio Gaspari:

“Se o preço do diesel salgou a operação do setor de transporte de cargas o problema é dele, não de uma população que foi afetada pelo desabastecimento e agora pagará a conta”.

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Em um país essencialmente rodoviário, o frete é um dos preços básicos da economia. Se aumenta o frete, toda a população é afetada pelo repasse dos custos aos alimentos, remédios e abastecimento em geral. A greve faz a população pagar a conta por 15 dias. Explosão dos preços de combustíveis, repassados para fretes, faz pagar a conta dali por diante.

E completa com a saída mágica, eco do coro de uma voz só da Globonews: “Deveria ter provisionado um colchão financeiro para subsidiar a Petrobras, mas essa ideia era repelida pelos sábios da ekipekonômica. Diante do caos, descobriram que o colchão era necessário”.

Um país imerso em uma crise fiscal gigantesca, amarrado pela PEC do Teto, com estados exangues, sem conseguir cobrir a folha, com cortes na saúde, na educação, e o doutor com seus conselhos salvadores.

O que Parente tem feito com a Petrobras há muito extrapolou as hipóteses de mera incompetência;

  1. Toda empresa monopolista usa os preços como maneira de impedir a competição. No refino, Parente aumentou os preços da Petrobras para viabilizar a competição dos importados. Aumentou a vulnerabilidade externa e criou uma capacidade ociosa de 25% nas refinarias da empresa.
  2. Toda empresa privilegia os produtos acabados, em detrimento da matéria prima. Na gestão Parente, a Petrobras aumentou as exportações de petróleo cru e aumentou as importações de derivados.
  3. Toda empresa com problemas de endividamento reduz os dividendos temporariamente, para preservar os ativos e a capacidade de produção. Na gestão Parente, venderam-se ativos a preço de banana, para reduzir o endividamento e permitir o aumento na distribuição de dividendos no curto prazo.
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Ou seja, usou o poder de mercado, todas as vezes, para penalizar os consumidores e para beneficiar os concorrentes.

Mas, como diz o doutor Gaspari:“Pedro Parente não provocou o caos. Desde sua posse na presidência da Petrobras ele descontaminou-a do caos que recebeu. Na base dessa façanha esteve uma nova política de preços acoplada ao valor do barril no mercado internacional”.

Como diria um filósofo do senso comum: “Assim, até eu!”. Mas, como o Gaspari diz, o povo brasileiro só paga a conta quando há blackout.

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30 comentários

  1. Ainda bem que não vejo nada e
    Ainda bem que não vejo nada e não leio uma linha sequer do que esses ditos analistas da grande mídia produzem. A irracionalidade deles fez mal ao país e certamente faria mal à minha já pequena inteligência e compreensão do mundo.

    • Também não chego nem perto

      Também não chego nem perto desse belzebu que é a grande mídia familiar.

      Cruzes credo.

      Elas não passam de relações públicas e agências de propaganda ideológica.

      Mas mesmo assim eu me divirto, lendo nos blogs, sobre a ginástica que eles fazem para contornar a lógica mais elementar de causa e efeito.

  2. Analistas
     

    Pois olhe essa pérola de um analista aqui do blog:

    “Tudo começou com a política liberal em defesa dos monopólios adotada ainda no primeiro mandato do governo Dilma. Uma das medidas da chamada “nova matriz econômica” foi a forte queda do IPI e a oferta de juros subsidiados através do BNDES para a compra de caminhões. Desta maneira, houve expressivo aumento da oferta destes veículos nas estradas brasileiras, em clara estratégia de prorrogar a deflagração da crise econômica por meio de subsídios aos monopólios da indústria automobilística.”

    https://jornalggn.com.br/blog/roberto-bitencourt-da-silva/sobre-a-greve-dos-caminhoneiros-por-nildo-ouriques

      

  3. Recado que acabo de receber

    Recado que acabo de receber de amigo que preside um sindicato de caminhoneiros. Por óbvio, não vou identificá-lo (segue como me foi postado): “Aqui Zé sentimos este momento e saímos de fininho do processo. Eles empresários e os ruralistas tomaram conta. Meus companheiros entenderam isso e estão em casa. Abraços. E olhe que a CNTA fez de tudo para que virássemos bucha de canhão. E data vênia eu esteja errado. O exército quer cansar o povo para tomar o comando do país de novo. Vamos ver”.

    • Cheira a fake: “amigo que não
      Cheira a fake: “amigo que não posso identificar”, sei. Por que será que esses amigos” nunca escrevem eles mesmo?

  4. Lucro da Petrobrás em 2003, 2004, 2008 …

    Olá Nassif.

    Será que você poderia publicar dados sobre o lucro da Petrobrás ano a ano (por trimestres) na gestão do Lula e da Dilma, onde ocorria uma politica de preços diferente dessa atual do mPedro Parente, para acabar com esses argumentos de que estão concertando os erros do passado.

  5. O bom senso comum
    1 – Nassif, não faça como seus ex colegas de grande mídia corporativa e não ponha a culpa, para se livrar da batata quente, na “ideologia” – uma forma “escola-sem-partido” de demonizar as divergências politico-partidárias, pois o que você fez foi contrapor “ideologias” não apenas políticas quanto econômicas. Em economia não há a suposta neutralidade de pretensos cabeças-de-planilha, como você costuma chamar, pois todas as decisões são antes de tudo políticas, até no nome. A questão é ter coragem de dar nome à política praticada na Petrobras do Golpe, e para isso é necessário, sim, falar de ideologia: é a política neoliberal do consenso de Washington, que ele já havia praticado no apagão da energia elétrica. O gás de cozinha já é artigo de luxo para milhões de brasileiros, mas ninguém deu bola quando a notícia foi dada, como se fosse um problema exclusivo da queda da renda e do desemprego, e não da política deliberada, neoliberal beligerante, de tornar o país a colônia que se aprendeu no ginásio como a história oficial do país nos séculos 16 a 19, o Pacto Colonial do século XXI.
    2 – O golpe servirá também para comprovar que os filósofos do senso comum são os responsáveis pelo país não ter se tornado essencialmente o caos de um desgoverno que, ao retribuir o apoio golpista com postos estratégicos para sábios neoliberais da social-demagogia, digo, social-democracia, está permitindo que o país se conheça pelo avesso, e que fora da zona de conforto se revelem interesses, inclinações ideológicas camufladas, e todo tipo de canalhice e desfaçatez que tomou conta do país como uma doença epidêmica, e a culpa disso não é da ideologia pois a natureza humana costuma ser mais democrática que sua cultura, e não poupa ninguém.

    Dúvida: se o filósofo mais insosso e besuntado de clichês (platitude não, que esse elogio é exclusivo para filósofos do senso comum, dentre os quais me incluo cum laude, ora biles), Gianetti da Fonseca, é uma sumidade de bom senso para o articulista, quem serão os filósofos do senso comum que podem nos trazer a luz e o querosene? – supondo-se que o bom senso seja superior ao senso comum …
    Piadinha de bom gosto: para quem fez o sacrifício de ir as ruas com suas babás em lugar de ir ao shopping JK só pra exigir o direito humano básico de viajar para Miami, ter que ficar em fila de posto de gasolina pra poder ir até o shopping é realmente um upgrade! 20 anos em 2, 50 anos em 5 dias, quem mandou usurpar o nome de JK, burguesada! Não se brinca com coisa séria como o governo de um país que é um transatlântico e não um barquinho qualquer. Golpistas fãs de Titanic já podem dublar Celine Dion de braços abertos no posto de gasolina mais próximo, aplaudindo a Operação Lesa-pátria e em coro, o refrão: “The Kaos Will go on”… Golpistas que teimaram em desfazer as estruturas do país, trocaram o “avante” pela “marcha a ré”, é hora de sair da pista e ir pro acostamento que o carro das eleições diretas, livres e justas precisa passar.

    Sampa/SP, 27/05/2018 – 17:38 (corrigido às 17:41, 17:47, 17:50 e 17:57).

  6. Deveriam resumir esse

    Deveriam resumir esse embróglio de uma forma que o povo entendesse:

     

    Até no preço do petróleo a briga do país é o bem-estar do povo brasileiro contra os interesses dos rentistas…..

    E o governo defende com unhas e dentes os últimos……………..

    Seria o caso de chamar o monsieur Guillotin???

  7. Parente e Moro são parentes

    Parente e Moro são parentes no objetivo de entregar o controle do estado brasileiro ao setor privado. São dois vigaristas a mando do mercado. 

  8. Resumindo, como jornalista
    Resumindo, como jornalista Gaspari é um excelente empregado dos Marinhos, isso para não falar das relações com o Careca.

  9. As contradições insolúveis do golpe

    Outra análise interessante de se fazer sobre o momento atual é a contradição atávica desse golpe.

    Preliminarmente, algumas considerações sobre esse processo.

    Ele se deu sobre duas razões aparentes e duas evidentes.

    Nas razões aparentes estava a luta contra a corrupção e a luta contra o “gigantismo estatal” – menos impostos, estado mínimo, etc.

    As razões evidentes eram a crise das commodities e a perda relativa do padrão de consumo e status da classe média. Assim, havia um baixo crescimento econômico combinado com uma inflação de serviços e a necessidade da classe média ter que dividir e/ou disputar espaço nas universidades, aeroportos, etc., a partir da ascenção social de milhões de pobres.

    Repare que, discursivamente, a causa aparente se sobrepõe à evidente.  

    E aí está uma das contradições na origem do golpe e que acaba de eclodir com a “greve dos caminhoneiros”.

    Porque, mais mercado e menos estado, significou combustíveis mais caros, além de menos crescimento econômico por conta da inação do Estado para destravar a crise.

    E a segunda contradição, que está por eclodir, é que menos impostos representam menos recursos para pagamento de juros.

    Logicamente, alguém pode dizer que o recurso orçamentário para pagamento de juros não está contingenciado, ao contrário dos recursos de custeio e investimento. Porém, com um bolo orçamentário menor, mantendo o mesmo patamar de juros, sobram menos recursos para sustentar a máquina do Estado e investir (para romper a crise), produzindo assim uma espiral descendente que, conforme já foi dito, uma hora explode.

    E, quando isso acontece, como agora, coloca-se na rua a força policial para reprimir a “classe média” e coloca-la de volta no seu devido lugar.

    Agora repare. Grande parte desse mesmo grupo social que ontem foi às ruas para derrubar o governo, contra a corrupção e a favor do “Estado mínimo”, se mobiliza novamente (ideologicamente orientados pela mídia e por grupos de interesses operando via redes sociais) para pedir “menos imposto nos combustíveis”.

    Assim, da mesma forma que ontem a reivindicação de “menos Estado” e “mais mercado” produziu, hoje, gasolina mais cara; a reivindicação de hoje por “menos imposto nos combustíveis” produzirá amanhã, quando ,o Estado colapsar, menos recursos para pagar juros.

    Desta feita, antes do segundo colapso (nos serviços públicos que vai pressionar para o não pagamento de juros), a “classe média” (e boa parte da “remediada”) juntamente com a turma da bufunfa e seus porta-vozes da mídia deveriam afinar o discurso. Porque, ou eles defendem menos Estado e menos juros, ou essa conta não vai fechar. Afinal, quarenta por cento dos impostos vão para pagamento de juros da dívida interna. Ou seja, se a “turma do mercado” abrir mão de seus juros, dá até para reduzir em quarenta por cento a carga tributária no Brasil. E, aí sim, embora a crise econômica se mantenha, porque diante dela vai faltar a alavanca do Estado para mover o crescimento, pelo menos haverá um pouco mais de coerência entre o discurso e a realidade econômica. Pois, do contrário, a conta não vai fechar e esses sabichões levarão o Brasil para uma segunda crise, ainda pior.

    O mais engraçado é ver esse pessoal da classe média e da bufunfa se batendo ao ver o bolo diminiur. E o pior, é que preferem morrer afogado na sua ideologia, sem querer dar o braço a torcer, do que reconhecer que a melhor saída é voltar a política anterior, isto é, de inclusão social e ação estatal para fazer o bolo voltar a crescer. Vai até sobrar um pouco para pagar um jurinho. Porque, do contrário, acho que nem para isso. Vide Odebrecht e os bancos que ela deve.

  10. Antecipação de pagamento

    Faltou comentar a desastrada e suspeita antecipação do pagamento de dívidas de longo prazo praticada por esse quinta coluna que ora (e espero que por pouco tempo) é presidente do nosso orgulho econômico, empresarial e tecnológico.

  11. Uma coisa é a burrice ou a
    Uma coisa é a burrice ou a mera ignorância. Mas, estupidez de gente inteligente é outra coisa, é perversão, safadeza.

    O bestialogico da guerra fria atormentou demais essa gente periferica. Porém, quando começam a embolsar dinheiro grosso com isso, a coisa deixa de ser uma mazela inividual.

  12. Gente.  O Brasil não tem mais

    Gente.  O Brasil não tem mais saída. Não há espaço mais para o minimo de conciliação. Morrerão pessoas em função do golpe profundo. Agora e no futuro. Do jeito que está, morrerão os pobres. A menos que fuzilem todos, todos os entreguistas, canalhas, antes que os mais vulneráveis em muito maior quantidade morram de inanição. Fuzilamento, cortando o mal pela raiz  e começando um novo pais.

    • A começar com pedro parente,

      A começar com pedro parente, o homem do apagão elétrico tucano do fhc e agora do apagão total dos combustíveis. Um dos piores brasileiros de todos os tempos. Que a terra lhe seja leve.

  13. A política de Dilma não estava errada
    A política de Dilma foi construída dentro de circunstâncias absolutamente especiais. Nem de longe tem alguma coisa a ver com as sandices que a direita prega. Ninguém consegue ser perfeito e portanto houve falhas no governo Dilma, mas elas são tão ínfimas diante do que está acontecendo, que é insultuoso estabelecer comparações.

  14. Anal-istas

    A capacidade dos ditos especialistas em economia do PIG em tecer comentarios cretinos me faz pensar que nao passam de Anal- istas (escatologicamente, é claro!). Parodiando Shakespeare: Há algo de podre no reino dos piguentos…

  15. É por isso que eu ganhava

    É por isso que eu ganhava muito dinheiro no Brasil. A concorrência local é tão incrivelmente imbecil que ninguém acredita quando eu tenho descrever. Uma pena que alguém com mais dinheiro e muito menos escrúpulos também notou essa imbecilidade e a aproveitou para tomar posse do país sem disparar um tiro.

  16. FHC é padrinho do Parente

    Pedro Parente foi indicado para presidente da Petrobrás por FHC e Aécio.

    Sua missão era exatamente esta que estamos constatando: entregar o pré-sal e privatizar a Petrobras.

    Cometem assim o crime de Lesa Pátria.

  17. Gestão com foco nos interesses do Mercado Financeiro
    Pedro Parente lembra Felipão, do 7×1 contra Alemanha na copa das copas em 2014. Fez trabalho conforme planejado pela CBF. “Petrobras, informa que o Pedro Parente nega qualquer intenção de demissão e permanecerá no cargo de presidente da Petrobras”. https://t.co/aWgzYcHVPT

  18. “Estou aqui para confundir, e não para explicar”

    A máxima do “Velho guerreiro” nunca esteve tão presente. Ela resume, em definitivo, TODA a ação da “grande mídia” nacional. Como já dito, “fatos X versões”. O que já fizeram ao longo dos últimos anos:

    – Atentado terrorista com bolinha de papel;

    – A solução Aécio;

    – Privatização: a solução para todos os males do planeta;

    – Acidentes de avião no país: culpa do Lula e do PT;

    – Recuparação econômica instantânea com a retirada do PT do poder.

     

    Com relação a essa última, dois anos se passaram e olha aí no que é que deu.

    Em tempo: massacraram a Graça Foster quando esta era Presidente da Petrobrás, durante um período que não chegou nem perto ao que vivemos hoje, e DEFENDEM PEDRO PARENTE!!!

     

     

    TODO CUIDADO É POUCO: para usarem isso como pretexto para adiarem as eleições é um pulo.

  19. O porquê de Sérgio Moro e do

    O porquê de Sérgio Moro e do Golpe do Impechement de Dilma. Petrobrás

    Leia-se as Notas do (1) Presidente dos Engenheiros da Petrobrás – Aepet – e dos (2) funcinários da Petrobrás – FUP 

     

    (1) Nota da AEPET sobre a política de preços da Petrobrás

    https://jornalggn.com.br/noticia/nota-da-aepet-sobre-a-politica-de-precos-da-petrobras

    A AEPET reafirma o que foi expresso no Editorial “Política de preços de Temer e Parente é ‘America First!’ “, de dezembro de 2017.

    A Petrobrás adotou nova política de preços dos combustíveis, desde outubro de 2016, a partir de então foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes. A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil.

    Ganharam os produtores norte-americanos, os “traders” multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobrás, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação. Batizamos essa política de “America first! ”, “Os Estados Unidos primeiro!”.

    Diante da greve dos caminhoneiros assistimos, lemos e ouvimos, repetidamente na “grande mídia”, a falácia de que a mudança da política de preços da Petrobrás ameaçaria sua capacidade empresarial. Esclarecemos à sociedade que a mudança na política de preços, com a redução dos preços no mercado interno, tem o potencial de melhorar o desempenho corporativo, ou de ser neutra, caso a redução dos preços nas refinarias seja significativa, na medida em que a Petrobrás pode recuperar o mercado entregue aos concorrentes por meio da atual política de preços. Além da recuperação do mercado perdido, o tamanho do mercado tende a se expandir porque a demanda se aquece com preços mais baixos.

    A atual direção da Petrobrás divulgou que foram realizados ajustes na política de preços com o objetivo de recuperar mercado, mas até aqui não foram efetivos. A própria companhia reconhece nos seus balanços trimestrais o prejuízo na geração de caixa decorrente da política adotada.

    Outra falácia repetida 24 horas por dia diz respeito a suposta “quebra da Petrobrás” em consequência dos subsídios concedidos entre 2011 e 2014. A verdade é que a geração de caixa da companhia neste período foi pujante, sempre superior aos US$ 25 bilhões, e compatível ao desempenho empresarial histórico.

    Geração operacional de caixa, US$ bilhões

    2011      2012      2013      2014      2015      2016      2017

    33,03     27,04     26,03     26,60     25,90     26,10     27,11

    A Petrobrás é uma empresa estatal e existe para contribuir com o desenvolvimento do país e para abastecer nosso mercado aos menores custos possíveis. A maioria da população quer que a Petrobrás atue em favor dos seus legítimos interesses, enquanto especuladores do mercado querem maximizar seus lucros de curto prazo.

    Nossa Associação se solidariza aos consumidores brasileiros e afirma que é perfeitamente compatível ter a Petrobrás forte, a serviço do Brasil e preços dos combustíveis mais baixos e condizentes com a capacidade de compra dos brasileiros.

    * Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

    Obs.: ouça-se e assista importantíssima entrevista do Presidente da Aepet:

    https://www.youtube.com/watch?v=8XNoGZLqRSI

    ***

    (2) FUP – Federação Única de Petroleiros

    https://www.ocafezinho.com/2018/05/26/fup-esclarecimento-a-populacao-sobre-os-precos-abusivos-de-combustiveis/

    FUP: ESCLARECIMENTO À POPULAÇÃO SOBRE OS PREÇOS ABUSIVOS DE COMBUSTÍVEIS

    26/05/2018

    Publicado pela FUP

    A disparada dos preços da gasolina, do gás de cozinha e do diesel não pode ser tratada como uma questão apenas de tributação. É, acima de tudo, um problema de gestão da Petrobrás, que vem sendo administrada para atender exclusivamente aos interesses do mercado.

    Com o aval do governo Temer, o presidente da empresa, Pedro Parente, adotou em outubro de 2016 uma política de preços internacionais para os derivados produzidos pela estatal, sem estabelecer qualquer mecanismo de proteção para o consumidor. A FUP denunciou na época que quem pagaria a conta seria o povo brasileiro e que o País estaria refém das crises internacionais de petróleo.

    Mesmo sabendo das consequências, Temer e Parente optaram por satisfazer o mercado e, em julho do ano passado, os reajustes nas refinarias passaram a ser diários.

    Desde então, a Petrobrás alterou 230 vezes os preços nas refinarias. Isso resultou em aumentos de mais de 50% na gasolina e diesel, enquanto os preços do GLP tiveram 60% de reajuste.

    Não adianta, portanto, reduzir os impostos, que o governo já havia aumentado em 100% no ano passado, se não houver uma mudança estrutural na gestão da Petrobrás. Os combustíveis continuarão subindo de forma descontrolada, enquanto o principal foco do problema não for atacado.

    O alinhamento internacional dos preços de derivados faz parte do desmonte da Petrobrás. O objetivo é privatizar as refinarias, os dutos e terminais, assim como já ocorreu com os campos do Pré-Sal, gasodutos, subsidiárias, entre dezenas de outros ativos estratégicos da estatal. Para facilitar a entrega, Pedro Parente, subutilizou o parque de refino e passou a estimular a importação de derivados por empresas privadas.

    Em 2013, a Petrobrás tinha capacidade de atender 90% da demanda interna de combustíveis. Em 2017, esse percentual caiu para 76%. Algumas refinarias já operam com menos da metade da capacidade de produção, como é o caso da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, uma das quatro unidades que Parente colocou à venda.

    Beneficiadas por essa política, as importadoras de combustíveis fazem a festa. Os derivados importados já representam 24% do mercado nacional. Ou seja, a cada 10 litros de gasolina vendidos no Brasil, 2,5 litros são importados. Enquanto isso, a Petrobrás está sendo reduzida a uma mera exportadora de petróleo, quando poderia abastecer integralmente o País com diesel, gasolina e gás de cozinha a preços bem abaixo do mercado internacional.

    Pedro Parente, que no inicio dos anos 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, ficou conhecido como o ministro do apagão, de novo criou uma armadilha para o povo. Com a enxurrada de importação de combustíveis, ficará mais difícil controlar os preços, pois, sem a paridade internacional, as importadoras saem de cena, deixando o prejuízo para a Petrobrás. Se a estatal não voltar a ocupar lugar de destaque no refino e na distribuição de derivados, ficará cada vez mais refém dos preços internacionais.

    Estamos, portanto, diante de mais um apagão imposto por Pedro Parente. Um desmonte que a mídia esconde, fazendo a população pensar que a disparada dos preços dos combustíveis é apenas uma questão de tributação.

    Por isso os petroleiros farão a maior greve da história da Petrobrás. Uma greve que não é por salários, nem benefícios. Uma greve pela redução dos preços do gás de cozinha, da gasolina e do diesel. Uma greve pela retomada da produção de combustíveis nas refinarias brasileiras e pelo fim das importações de derivados de petróleo. Uma greve contra o desmonte da empresa que é estratégica para a nação.

    Porque defender a Petrobrás é defender os interesses do povo brasileiro.

     

     

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