Futebol, força viva da democracia: exposição lembra relação entre MST e futebol

Exposição será inaugurada neste 24 de novembro, data de estreia da seleção brasileira na Copa

Campo Dr. Sócrates, na Escola Nacional Florestan Fernandes. Foto: Ágatha Azevedo.

da Página do MST

Futebol, força viva da democracia: exposição lembra relação entre MST e futebol

O futebol faz parte da vida, da política, das famílias e da sociedade brasileira como um todo. Ao longo do século passado, o futebol foi (e tem sido até hoje) uma ferramenta para unificar a população por meio de uma paixão compartilhada. E entendendo este importante papel, o MST realiza a exposição “Em Campo: MST e Futebol”, que será inaugurada na próxima quinta (24) de novembro, dia do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo de Futebol Masculino.

Assim como a bandeira do Brasil, o futebol brasileiro e sua estética hoje são símbolos em disputa. Diante do roubo desta identidade, é importante recuperar o verde e amarelo e a torcida pela seleção, afinal, a história do futebol mostra como a política e o projeto de país estão diretamente ligados à paixão pelo esporte. E se a identidade nacional não é algo congelado no tempo, cabe a nós entender como estes elementos estão em constante transformação e atualização, e como podemos (e devemos) recuperar os seus sentidos de união, a partir de uma série de fatores.

“O futebol desperta paixões e, por isso, o MST decidiu trazer à memória como o Movimento sempre promoveu este vínculo”, lembram as idealizadoras da exposição. “Historicamente, o MST promoveu importantes eventos esportivos em todo o Brasil, com o objetivo de integrar as pessoas de áreas da reforma agrária popular e tentar mostrar a luta do Movimento para a sociedade”, completam.

Nesta exposição, os coletivos de Cultura e de Arquivo e Memória do MST trazem imagens selecionadas que demarcam a importância do futebol no cotidiano dos Sem Terra, na luta por terra e vida digna, e como o futebol, para além do esporte, traz à vida de formas diretas e indiretas.

Copa do Mundo

A data para estreia da exposição não é por acaso. No próximo mês, o espírito de comunidade para além da identidade, seja esquerda ou direita, ricos ou pobres, todos se unem afetados por expectativas, tensões e alegrias futebolísticas. E assim como no futebol, o MST sabe que somente com a soma dos esforços e da boa vontade de todos, conseguiremos obter a vitória de nossas lutas. 

A Copa deste ano também demonstra uma posição de resistência. Isso porque, além da estética da seleção ter sido “sequestrada” pelo bolsonarismo, há uma postura machista e homofóbica do país que sedia o evento este ano: o Qatar. O país é conhecido mundialmente pelo desrespeito aos direitos humanos, como discriminação e violência de pessoas arbitrariamente privadas da sua nacionalidade e restrições aos direitos individuais, como a liberdade de expressão, além de leis para punir homossexuais.

Neste sentido, o Movimento reafirma que é preciso uma torcida crítica neste momento. Mulheres, negros e LGBTQs também fazem parte dessa enorme massa de torcedores brasileiro, e para além da pouca representação do campo, precisamos cada vez mais unificar a sociedade em um momento tão importante na conjuntura política, em que o presidente eleito Lula traz a ideia de união para o enfrentamento das crises econômicas e sociais. 

Foto: Coletivo de Relações Internacionais do MST/ Arquivo e Memória do MST e de Cultura

A exposição estará disponível até o final da Copa e poderá ser contemplada por aqueles que assistirem os jogos da seleção brasileira, que serão transmitidos no Galpão do Armazém do Campo e contarão com amigos e convidados do MST.

Sobre a exposição

A exposição “Em Campo: MST e Futebol” tem a proposta de trazer essa memória de como o futebol como poder político a partir de 10 fotografias, tiradas em diferentes contexto por fotógrafos do campo unitário, como Ágatha Azevedo, Julia Dolce, Joka Madruga, Carlos Carvalho e Guilherme Galdolfi. Elas estarão dispostas em grandes cartazes dispostos de uma forma inédita no Galpão do Armazém do Campo, em São Paulo.

A ideia, segundo a organização, é trazer estas imagens de uma maneira que tragam os elementos e estética que o MST tem realizado nos quase 40 anos de sua história. A exposição ficará disponível até 18 de dezembro, no final da Copa do Mundo, mas há planos para que ela possa ser reproduzida em assentamentos e acampamentos do MST em todo o país.

A mesa de abertura para a exposição, marcada para esta quinta-feira, terá a presença de Ana Chã, do Setor de Cultura do MST, Lucimeire, do Coletivo de Arquivo e Memória do MST e João Pedro Stedile, da Direção Nacional do MST.

Serviço

Exposição “Em Campo: MST e Futebol”

De 24 de novembro à 18 de dezembro

Inauguração: 24/11, às 15h

Local: Galpão do Armazém do Campo – Alameda Eduardo Prado, nº 499 – Campos Elíseos

Redação

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