A nova embaixadora da Otan no Brasil; o país a caminho de ser bucha de canhão?
por Marcus Atalla
Se esse conflito com a Ucrânia tem algo positivo, foi que trouxe à baila a discussão sobre o papel da OTAN. A Organização do Tratado do Atlântico Norte é mais danosa aos seus Estados-membros, que aos seus “inimigos”. Essas últimas semanas deixaram muito claro o quão prejudicial é ser um membro da OTAN, que o diga a Alemanha cujo abandono do Nord-Stream 2 põe-na sob risco de uma crise energética, o que prejudicará seu desenvolvimento industrial e tecnológico futuro. Os países-membros são usados como bucha de canhão, perdem a soberania sendo obrigados a agir contra seus próprios interesses.
A América Latina não está livre desse risco, não apenas a Colômbia é um membro, como os militares brasileiros podem estar preparando a adesão do Brasil. Um relatório publicado pela think tank, Center for Strategic and International Studies, revela os planos e estratégias para o controle da América Latina, inclusive num possível Governo Lula.
Entre os pontos que mais chamam a atenção estão o aumento do uso de ONGs na guerra-híbrida, chantagem de empresários que apoiem os governos de esquerda, pois esses são mais propensos a aumentar os acordos e parcerias com a China. Além disso, permitir que governos alinhados (extrema-direita) aos EUA usem forças militares contra suas populações, aumentar o conflito entre países vizinhos, como está ocorrendo entre a Venezuela e Colômbia, a jornalista Nathália Urban relata um aumento de tropas nas fronteiras entre ambos os países.
Ainda mais grave é o fato que se recomendou aos EUA transferirem tropas do Hemisfério Oriental para o Ocidental – América Latina. [Leia o artigo: Os EUA planejam aumentar os conflitos num Governo Lula e na América Latina]. E é nesse caldo, que há uma possível preparação do Brasil à Otan.
Os últimos embaixadores norte-americanos escolhidos no Brasil não foram por mero acaso.
Elizabeth Bagley é a nova embaixadora dos EUA lotada no Brasil. Houve jornalista que analisou a escolha da embaixadora, apenas como sendo mais uma milionária recebendo um cargo por financiar a campanha de Biden, o que é muito comum na política estadunidense. No entanto, Bagley atuou como ligação do Senado dos Estados Unidos para o “Alargamento da OTAN no Leste Europeu”.
Como embaixadora de Portugal, governo Clinton, Bagley disse em Lisboa: “A OTAN e a UE devêm estender gradualmente sua cobertura para o Leste. Os propósitos centrais da Aliança incluem não apenas a manutenção da rede transatlântica ligando e garantindo a segurança dos Estados aliados, mas também sustentando a segurança dos principais países a leste das fronteiras existentes da Aliança e atraindo a Rússia construtivamente para a Europa”[Leia aqui]. Hoje está claro que a OTAN nunca pretendeu atrair a Rússia, mas sim, isolá-la.
Em sua posse, como Representante Especial do Departamento de Estado para Parcerias Globais em 2019, Bagley declarou: “Será essencial à medida que incluirmos uma nova cultura de inclusão e acessibilidade em nosso trabalho com empresas, ONGs, fundações, comunidades religiosas e universidades, como campeão desse esforço, faremos das parcerias público-privadas um componente central da diplomacia”. [Leia aqui].
Thomas A. Shannon – de 2010 a 2013 no Brasil. Foi o momento da preparação da guerra-híbrida durante a Copa do Mundo brasileira. Antes de vir ao Brasil, Shanon atuou como o enviado a Honduras para negociar a crise no golpe sofrido por Manuel Zelaya.
Algumas das declarações de Shanon enquanto lotado no Brasil foram: “O governo dos Estados Unidos acompanhava com bastante atenção — e preocupação — as iniciativas do governo brasileiro de criar um bloco político forte e coeso na América do Sul. Especialmente na forma como a construtora Odebrecht havia se tornado parceira do governo nesses planos.” [Leia aqui]. Outra delas: “a ajuda do governo de Barack Obama para os serviços de inteligência do Brasil é essencial para a Copa.” [Leia aqui].
Liliana Ayaldede – de 2013 a 2017 no Brasil. Foi o momento do golpe de 2016 sofrido por Dilma. Ayaldede já tinha experiência em golpes, foi embaixadora no Paraguai de 2008 e 2011, durante o golpe de estado sofrido por Fernando Lugo.
Peter Michael McKinley – de 2017 a 2018 no Brasil. Foi quando havia previsões de uma revolta popular no Brasil – estavam ocorrendo protestos contra a condenação de Lula. Antes de vir ao Brasil, de 2014 a 2016, McKinley estava lotado em uma zona de conflito, o Afeganistão. Após a eleição de Bolsonaro, McKinley foi substituído.
Todd Chapman – de 2020 a 2021 no Brasil. Foi o momento do mandato de Bolsonaro. Chapman esteve antes na embaixada do Equador entre 2016 a 2019. Foram os anos em que Lenín Moreno, um governo fantoche dos EUA, eleito após o lawfare ao Rafael Correa, impedido de concorrer às eleições. O mesmo ocorrera no Brasil com o impedimento da candidatura de Lula.
As declarações de Bolsonaro e Militares nacionais
Soma-se a estas “coincidências do destino”, a declaração realizada por Bolsonaro em 15/06/19, no Rio Grande do Sul, “o Brasil foi aceito pelos Estados Unidos como um aliado extra-Otan, com a “aliança” o país terá mais assistência no campo militar e também no mercado de defesa. [Leia aqui]. Ano passado, os militares brasileiros pediram um aumento dos gastos na defesa para 2% do PIB, um dos argumentos dos militares ao aumento orçamentário foi que o Brasil precisava igualar seus gastos de defesa na mesma proporção dos países membros da OTAN.
Em 2020, o então Ministro da Defesa, Gen. Fernando Azevedo e Silva disse: “A Estratégia Nacional de Defesa prevê até como membro extra-OTAN um patamar de 2% do PIB”. Um território estratégico para criação de uma base militar em solo nacional os EUA já têm. A Base de Alcântara permite cobrir todo o Atlântico Sul e a Costa Atlântica da África.
Até o momento, uma possível entrada do Brasil na OTAN são indícios e suposições, não há prova cabal. Porém…: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!”.
Marcus Atalla – Graduação em Imagem e Som – UFSCAR, graduação em Direito – USF. Especialização em Jornalismo – FDA, especialização em Jornalismo Investigativo – FMU
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN
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