“Este tiroteio foi motivado por questões raciais e ele odiava negros”, disse o xerife de Jacksonville, T.K. Waters, em uma coletiva de imprensa, ao se referir ao atirador Ryan Christopher Palmer, jovem branco de 21 anos, que neste sábado (26) matou três pessoas negras, na Flórida.
O incidente ocorreu numa loja Dollar General, uma espécie de conveniência, no mesmo dia em que se celebra o 60º aniversário da Marcha sobre Washington, marco na luta antirracista.
Conforme o jornal The New York Times, o atirador matou a primeira vítima ainda no estacionamento. Ele então entrou na loja armado com uma pistola e um rifle AR-15, com marcas de suástica, segundo as autoridades.
Dentro da loja, o atirador matou duas pessoas, uma das quais entrou no local com a namorada, conforme o TNYT. O xerife Waters disse que o atirador não atirou em uma pessoa dentro da loja que não fosse negra.
As três vítimas foram identificadas no domingo pelo xerife T.K. Waters como Angela Michelle Carr, 52; Anolt Joseph Laguerre Jr., 29, que trabalhava na loja, e Jerrald De’Shaun Gallion, 19. Palmer, o atirador, se matou no local.
Tiroteios em massa
O portal Gun Violence Archive registrou um total de 474 tiroteios em massa nos Estados Unidos ao longo de 2023, o que estabeleceu um recorde para esse tipo de incidente.
Segundo o portal, base de dados sem fins lucrativos, nos primeiros 239 dias do corrente ano de 2023, ocorreram 28.296 mortes por armas nos Estados Unidos, o maior número da história recente no país.
Entre as vítimas dos tiroteios estão 198 crianças menores de 11 anos e 2.734 adolescentes entre 12 e 17 anos.
Os números são “o implacável derramamento de sangue deste ano nos Estados Unidos levou ao mais sombrio dos marcos nacionais, o maior número de homicídios culposos em seis meses desde pelo menos 2006”.
Autoridades reconhecem
“Os Estados Unidos tiveram mais tiroteios em massa do que dias em 2023”, disse o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, em 21 de abril, durante uma reunião do Conselho de Relações Exteriores.
Em março, o presidente Joe Biden assinou uma ordem executiva para restringir a venda de armas a pessoas com problemas mentais, antecedentes mentais ou violência doméstica, mas teve apoio no Congresso, devido à rejeição Republicana. Na lista de Biden não estavam pessoas ligadas a ideias ou grupos racistas.
O fluxo descontrolado de armas não se limita apenas aos Estados Unidos, pois já afeta países vizinhos, como o México, e está diretamente relacionado com o aumento da violência no país.
Representante do Ministério das Relações Exteriores, Celorio Alcántara, em declarações à imprensa, estimou que todos os anos entram no México pelo menos 500 mil armas; entre 70 e 90 por cento provêm dos Estados Unidos.
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