Os eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar a totalidade da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Com a abertura das seções eleitorais em 40 dos 50 estados até o meio da manhã, o pleito de meio de mandato testa a força política do presidente Donald Trump e pode redefinir o equilíbrio de poder em Washington.
Os democratas chegam à disputa com vantagem. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na véspera mostra a oposição com 46% da preferência do eleitorado, contra 38% dos republicanos. O favoritismo indica uma provável retomada do controle da Câmara, embora a maioria no Senado permaneça incerta. O engajamento reflete-se nas urnas: cerca de 57 milhões de americanos votaram antecipadamente, superando marcas registradas em disputas anteriores.
Abertura das urnas e fuso horário
A votação começou às 7h (horário de Brasília) em Vermont. Perto das 10h, estados como Arizona, Novo México e Utah iniciaram os trabalhos, seguidos posteriormente pelos distritos da Costa Oeste, Alasca e Havaí. Devido aos nove fusos horários do país, a consolidação dos resultados ocorrerá apenas na madrugada de quarta-feira.
Impacto no governo republicano
Uma eventual vitória democrata no Congresso representa um obstáculo direto à agenda de Trump. O controle do Legislativo daria à oposição poder para barrar propostas do Executivo, iniciar investigações parlamentares e, caso conquistem o Senado, bloquear indicações para o Judiciário federal, incluindo eventuais vagas na Suprema Corte.
Para evitar o revés, Trump intensificou a presença física e participou de eventos em 20 estados no último mês. Em entrevista à Fox News, o presidente adotou tom de urgência para mobilizar a base: “Temos que votar. Se o nosso pessoal votar, venceremos por uma margem esmagadora”.
Disputas locais expõem polarização
No Michigan, a corrida ao Senado ilustra a divisão do país. O democrata Abdul El-Sayed, que tenta se tornar o primeiro senador muçulmano dos EUA, enfrenta o republicano Mike Rogers. Alvo de acusações sem provas de elos com terrorismo, El-Sayed defendeu a pacificação política: “Acredito que temos a oportunidade de superar essas divisões — de geografia, raça, orientação sexual, identidade de gênero e fé — para construir juntos aquilo que só podemos ter juntos”. Rogers rebateu na imprensa, chamando o rival de “simplesmente extremista demais”.
Guerra judicial nos estados
O pleito também é marcado por embates nos tribunais. Na Califórnia, a Suprema Corte barrou uma tentativa da gestão republicana de impedir a contagem de 20 mil votos por correspondência sob suspeitas imprecisas de falta de cidadania.
No Alasca, o cenário de incerteza gerou ações preventivas. Um juiz federal rejeitou pedido do Departamento de Justiça que buscava barrar a certificação dos resultados em caso de derrota apertada do senador republicano Dan S. Sullivan. A contestação tem como base a presença de um candidato homônimo, Daniel J. Sullivan Jr., na cédula, o que levou aliados do governo a acusarem a campanha da democrata Mary Peltola de tentar dividir os votos conservadores.
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