Enviado por implacavel
Da Agência Pública
Editorial sobre a reportagem “O não-legado da Copa do Mundo”
A Pública errou. Erramos na reportagem “O não-legado da Copa do Mundo”, publicada na última quarta-feira, dia 8 de janeiro, em que comparávamos os repasses federais listados sob a rubrica “Educação” no Portal da Transparência do Governo Federal aos investimentos liberados pela Matriz de Responsabilidades da Copa do Governo Federal.
O objetivo da reportagem era responder a uma demanda pública por informação, expressa desde os protestos de junho do ano passado, quando milhares de brasileiros pediram mais gastos em Educação e menos gastos com a Copa.
Os dados nos quais baseamos a reportagem, porém, estavam incompletos, conforme apontou a CGU em nota publicada ontem. Os repasses do Fundeb – bastante significativos – estavam fora da rubrica “Educação”, classificados como “Encargos Especiais”.
A falta de clareza na exposição dos dados na principal interface de prestação de contas do governo federal à população não foi o único motivo para nosso equívoco. Como jornalistas, sabemos que temos de checar todas as informações, mesmo quando supostamente compreensíveis por qualquer cidadão. Por isso, em dezembro do ano passado, nosso repórter conversou com a assessoria de imprensa da Corregedoria Geral da União para saber como obter o total de repasses do Governo Federal à educação nas cidades-sede da Copa. Foi orientado a fazer exatamente o que fez: somar os números listados sob a rubrica “Educação”.
A grande repercussão da reportagem demonstra que se tratava de uma comparação ansiosamente aguardada pela população, e motivou a nota da CGU e um pequeno avanço no Portal da Transparência; na mesma sexta-feira o site do governo passou a estampar um pop-up com o aviso: “Os recursos apresentados por área referem-se apenas à consolidação por função orçamentária dos valores transferidos pelo Governo Federal aos estados e municípios, conforme classificação da despesa no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e não refletem a totalidade dos gastos do Governo Federal nessas áreas”.
Evidentemente os equívocos da CGU não nos eximem do erro cometido, que resultou em distorção da comparação pretendida. É nosso dever e compromisso primar pela qualidade das informações que publicamos- e, portanto, checá-las e rechecá-las, como fazemos desde o início de nossa trajetória, há quase três anos. Erramos nesse aspecto, e pedimos desculpas. Decidimos retirar a reportagem da nossa home, para não corroborar suas conclusões, mas vamos mantê-la no link original – com uma errata – para referência e documentação.
Agora, mais que nunca, nos sentimos estimuladas a prosseguir, já que o episódio reforça a necessidade de tornar claras as informações sobre os gastos e investimentos públicos, para que a população possa julgar e opinar. É um fundamento básico da democracia.
A publicação da reportagem gerou um enorme debate na rede, o que muito nos alegrou. Aplaudimos as discussões acaloradas provocadas pela tentativa de realizar essa comparação. Alguns a consideram injusta, já que os investimentos para a Copa somam gastos diretos a financiamentos de bancos públicos federais – Caixa Econômica Federal e BNDES – este o maior banco de fomento ao desenvolvimento do país.
Para nós, essa foi uma opção editorial, claramente assinalada na reportagem pela palavra “financiamento”. Temos estudado os investimentos do BNDES, seus impactos, garantias e transparência desde o final do ano passado – quando começamos a publicar uma série de reportagens sobre megainvestimentos do banco na região amazônica. Acreditamos que em um país com enormes carências como o nosso, a direção desses investimentos define prioridades que podem ou não ser de interesse da população – e, portanto, devem ser comunicados claramente ao público. Continuaremos com este trabalho.
Já pedimos também à CGU que nos envie os valores de todos os repasses do Governo Federal em educação, buscando responder à pergunta que continua a ser feita pelos brasileiros: Afinal, quanto e de que forma o governo investiu em educação nas cidades-sede da Copa entre 2010 e 2013?
O resultado desse trabalho será publicado aqui.
Obrigada pela confiança,
Marina Amaral e Natalia Viana, diretoras da Agência Pública
Francy Lisboa
13 de janeiro de 2014 10:30 amMuito nobre a atitude da ONG,
Muito nobre a atitude da ONG, mas mostra como a vontade de publicar o que “interessa” nos faz afastar do campo da credibilidade.
Assis Ribeiro
13 de janeiro de 2014 10:38 amA nota oficial é digna de
A nota oficial é digna de aplauso ao reconhecer que errou.
Mas, mais claro ficaria se as diretoras da “Agência Pública” tivessem confessado que os erros foram provocados pelo efeito “manada”, e o sedutor conformismo com o “mainstream”.
E tanto isso é verdade que o dados corretos foram trazidos pelos leitores da agência…
ou esses estariam mais bem informados do que a própria agência e seus jornalistas?
Por isso venho insistindo que os blogs alternativos definam uma linha editorial clara para se evitar esta contaminação do “mainstream”.
O rolo compressor não é brincadeira.
Assis Ribeiro
13 de janeiro de 2014 11:51 amAtenção
O que digo é que se questione de logo, e como preliminar, as informações mainstream, de rolo compressor.
Por exemplo, a ladainha de gestão…
quando se quer criticar os governos do PT e defender candidatos de oposição.
Quando se fala no gestor Campos, …
Educação é a marca do futuro?
Na avaliação do IDEB, Pernambuco está em níveis inferiores à maioria dos seus vizinhos. Confira o gráfico:
http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/08/14/consulte-a-nota-do-ideb-do-seu-estado-e-saiba-se-ele-atingiu-a-meta-proposta-pelo-mec.htm
Crescimento de PE. Qual a participação do governo federal neste item?
Segurança comparativa. Consultar Anuario2013
Helmut Silva
13 de janeiro de 2014 1:23 pmO que vem a ser mainstream?
O que vem a ser mainstream?
Assis Ribeiro
13 de janeiro de 2014 1:56 pmmainstream
Corrente dominante que a fórceps quer impor o seu pensamento como o único correto e que alija, faz calar, persegue, menospreza e amordaça qualquer pensamento alternativo e fora dele.
Como como filósofo político Sheldon Wolin escreveu:
“bloqueia, elimina o que quer que proponha qualificação, ambiguidade ou diálogo, qualquer coisa que enfraqueça ou complique a sua criação, a sua completa capacidade de influenciar”.
Maria Fulô
13 de janeiro de 2014 10:52 amApenas mais um passo rumo ao
Apenas mais um passo rumo ao descrédito total e irreversível que tomou conta do jornalismo brasileiro nos últimos 10 anos…
atenir
13 de janeiro de 2014 11:03 amA nobre ONG poderia mostrar
A nobre ONG poderia mostrar aqui quanto já recebeu do governo federal e demonstrar aqui ou no site como foi gasto os recursos, que acaso recebeu?
drigoeira
13 de janeiro de 2014 11:06 amCOPA???
Ainda não entendi esta perseguição ao evento Copa do Mundo no Brasil.
O Brasil não é o país da Bola? Copa do Mundo deveria ser aqui de 10 em 10 anos.
?????????????????????????????
Maria Fulô
13 de janeiro de 2014 11:25 amA necessidade de tirar o PT
A necessidade de tirar o PT do Poder… e não duvido de que participarão do planejamento de ações “terroristas” durante a Copa. Desmoralizar a Copa é o último recurso que lhes resta.
Orlando Fogaça Filho
13 de janeiro de 2014 11:08 amA Pública é financiada pela
A Pública é financiada pela Fundação Ford…
alessandroduarte
13 de janeiro de 2014 12:05 pmE open society foundations do
E pela open society foundation do Soros….
leonidas
13 de janeiro de 2014 12:14 pmA Ford financia Ongs
Ao que consta a Ford financia Ongs racialistas a serviço da esquerda tambem…
Leo V
13 de janeiro de 2014 12:53 pmEngraçado as pessoas usarem
Engraçado as pessoas usarem esse “argumento” para um partido cujas eleições são financiadas por capitalistas de todos os tipos.
leodfff
13 de janeiro de 2014 11:57 amLeitura funcional
“A falta de clareza na exposição dos dados na principal interface de prestação de contas do governo federal à população não foi o único motivo para nosso equívoco”
não sabe interpretar?
Marco Santo
13 de janeiro de 2014 12:04 pmReconhece que errou, e dai?.
Reconhece que errou, e dai?. Agora vem com esclarecimentos, mas os “estragos” já estão feitos, para saciar a sede dos oportunistas de plantão da nossa mídia. É simples, xinga a mãe, depois diz que não é prostituta. Não vejo nenhum profissionalismo ai. Apenas, amadorismo e má fé.
André Sanchez
13 de janeiro de 2014 12:38 pmAbsurdo!
Bom dia!
Não sei quem é que tem coragem de aplaudir o pedido de desculpas dessa Organização irresponsável.
Agora que o negócio virou discussão figadal na internet, com gente esculhambando quem é a favor da copa no Brasil e até quem só acha que essa discussão, nesses termos razos, não é pertinente, pede desculpas?!
Só deu argumentos pra quem está organizando os protestos que pretendem esculhambar o País.
O dia em que o Estado Brasileiro, em todos os níveis e esferas, fazer valer seus direitos em relação a Comunicação Social neste País, jornalista vai pensar muito mais antes de escrever o que lhe dá na telha, mesmo que o patrão esteja exigindo.
Absurdo!
André
PS: sem falar em notícias que a mídia solta sobre empresas com capital aberto na Bolsa com o claro intuito de influenciar o mercado de ações, que deveria levar meia dúzia desses criminosos pra cadeia.
roberto43
13 de janeiro de 2014 12:47 pmErrou uma ova !!!!!! que
Errou uma ova !!!!!! que mentira deslavada, canalhas estão a serviço da oposição em sua última tentativa de tirar o PT do poder sem ser nas urnas , com alternativas de projetos e programas, ou seja, contratar bandidos para aterrorizar a população no período da copa.
Durvaldisko
13 de janeiro de 2014 12:54 pmVale tudo para 2014 !
Vale tudo para 2014 ! Artilharia pesada 24horas.Nenhum tema ou mote escapa.Desde a batida inflação & taxa Selic,passando pelo meio século de domínio do clã Sarney no Maranhão,imutáveis como o teor das manchetes de “O Globo”,desde então, até o boicote de notícias positivas como a supersafra de 2013 ou ocultação sobre as verdadeiras razões da “incompetência” da Light-Cemig e sua atuação no Rio de Janeiro.
Robson Lopes
13 de janeiro de 2014 2:03 pmFilme “O jornal” de 1994
Por coincidência ontem assisti a um filme com Glenn Close e Michael keaton, esse último era diretor de redação, eu acho, o filme trata de um esquema de corrupção que gera um assassinato, e dois garotos negros são acusados e presos, a matéria está prestes a ser publicada quando o personagem de Keaton descobre que os garotos são inocentes, quando chega ao jornal ele já está sendo impresso, e ele manda parar tudo para reimpressão, Glenn Close, superior hierárquica discute com ele e manda que siga tudo, e o demite, um interlocutor jornalista daquele jornal, conversa com Close após tudo e diz:”esse jornal sempre prezou pela verdade, hoje pela primeira vez estamos publicando uma mentira, sabendo que é uma mentira”.
E as prensas pararam e reimprimiram com a nova manchete. Muitos jornalistas acham que simplesmente que após pegar as primeiras informações estão certos, que aquilo é a verdade, mas devem tomar um cuidado maior quando o assunto não é de seu domínio completo, têm de saber buscar a contra-informação, aprender a entender os números, já muita reportagem análises ridículas de números, não sei se por má fé ou simplesmente por ignorância, o pedido de desculpas sempre é válido, mas como disse um comentário aqui, o estrago já foi feito, é melhor ser jornalista da próxima vez.
dagoberto saraiva
13 de janeiro de 2014 4:22 pmCopa 2014 x Comunicação
Esse tipo de mal-entendido torna urgente e imperiosa o Governo ir à televisão e apresentar dados sobre gastos na Copa e gastos em Educação.
Ao contrário do que se divulga, não é certo que os estádios tenham sido excessivamente caros. A reconstrução de Wembley (http://en.wikipedia.org/wiki/Wembley_Stadium) custou cerca de 800 milhões de libras, o que equivale a mais de 3 bilhões de reais !!!
Serralheiro 70
13 de janeiro de 2014 4:59 pmExplica mais não justifica. O
Explica mais não justifica. O objetivo principal da ONG nada pública era e eh desgastar ações de governo.
Antonio Carlos Guedes
15 de janeiro de 2014 12:32 amSobre erros ou má fé…
Cuidado, Agência Pública, confiança se perde.