5 de junho de 2026

A demência política e psiquiátrica de Biden, por Valdir da Silva Bezerra

Ele afirmou que os EUA têm capacidade de enfrentar duas guerras simultaneamente, mencionando Ucrânia e Israel, e quantas mais forem necessárias

do Observatório de Geopolítica

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A demência política e psiquiátrica de Biden

por Valdir da Silva Bezerra

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez uma comparação entre o líder russo Vladimir Putin e o grupo Hamas, afirmando que ambos representam uma ameaça não apenas para os Estados vizinhos, mas também para as chamadas ‘democracias livres’. Essa comparação, feita por Biden, tem como objetivo principal justificar perante o eleitorado americano a continuidade do apoio político, financeiro e militar da Casa Branca tanto a Israel quanto à Ucrânia.

Em outra entrevista recente, Biden afirmou com confiança que os Estados Unidos têm a capacidade de enfrentar duas guerras simultaneamente, mencionando a Ucrânia e Israel, e quantas mais forem necessárias, dado o status dos Estados Unidos como “a nação mais poderosa da história da humanidade”. Por trás dessas declarações, está o desejo incansável de manter a hegemonia americana no mundo, além de atender aos interesses do complexo militar-industrial, cujos lucros derivam da expansão de conflitos e da venda de armas e equipamentos aos aliados de Washington. Joe Biden e seu insano Partido Democrata, nesse contexto, são efetivamente responsáveis pela destruição de nações, como testemunhado no Afeganistão, Líbia, Síria e agora, lamentavelmente, na Palestina. No entanto, é reconfortante pensar que tudo isso ocorre sob a justificativa da defesa da ‘democracia’ e dos direitos humanos, não é mesmo?

Apenas os desavisados acreditam nisso. Na realidade, trata-se meramente de uma retórica adornada para os públicos ocidentais, que se acostumaram a acreditar numa luta fictícia entre o bem e o mal, entre as denominadas ‘democracias’ do Ocidente e os autoritarismos do Oriente, uma narrativa para ‘anglo-saxão’ dormir. Que tipo de defesa é essa do ‘mundo livre’, que necessita fundamentar-se na ocupação de vários países (saudações especiais para Alemanha e Japão) e na manutenção de mais de 800 bases militares em todo o mundo?

Ao equiparar Putin ao Hamas e rotulá-los como o ‘mal puro’, Biden simplesmente replica a mesma retórica de Ronald Reagan, que na década de 1980 caracterizou a União Soviética como o ‘Império do Mal’, enquanto os Estados Unidos se apresentavam como a “cidade iluminada na colina”. Em primeiro lugar, que tal examinarmos a natureza dessa democracia ucraniana? Zelensky, conhecido como o ‘herói do Ocidente’, já proibiu mais de uma dezena de partidos de oposição na Ucrânia, eliminou toda a mídia independente, ameaça não realizar eleições no país, celebra heróis nazistas ao lado de líderes como Justin Trudeau (que, aliás, usa meias coloridas), viola os direitos de minorias em seu próprio território e persegue a liberdade religiosa da população ortodoxa ucraniana. Que tal?

Por outro lado, temos Israel, que mantém aproximadamente 2 milhões de palestinos confinados em Gaza, considerada a ‘maior prisão a céu aberto do mundo’, e que ao longo de décadas tem estabelecido assentamentos ilegais na Cisjordânia. Além disso, desde o dia 7 de outubro, Israel tem empreendido esforços para forçar o deslocamento dos palestinos para o Egito e a Jordânia, buscando assim resolver de uma vez por todas a questão palestina, sem demonstrar qualquer consideração pelas perdas humanas resultantes dos bombardeios em Gaza. Que tal essa outra democracia? Pode ser que seja aceitável, não acham, ao paladar ocidental e ao de Joe Biden.

Ingênuo é quem pensa que Biden ou a administração americana realmente se importam com o que acontece no Leste Europeu ou na Faixa de Gaza. A única preocupação dos Estados Unidos é alimentar ambos os conflitos pelo maior tempo possível. Além disso, a recente comparação de Biden entre Putin e o Hamas, pelo menos, dissipou qualquer dúvida que os médicos na Casa Branca pudessem ter sobre o atual estado mental do presidente americano. Afinal, após perder as eleições no ano que vem, ele já pode ser internado no hospital psiquiátrico mais próximo em Washington.

Valdir da Silva Bezerra é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo, na Rússia. Membro do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais sobre Ásia da Universidade de São Paulo (NUPRI-GEASIA). Pesquisador do Grupo de Estudos Sobre os BRICS da Faculdade de Direito da USP (GEBRICS-USP). Colaborador do Grupo de Estudos sobre a Rússia (PRORUS) da Universidade Federal de Santa Catarina. O autor também é colunista oficial da Sputnik Brasil. Desde o ano passado, Valdir Bezerra vem atuando em paralelo como comentarista político convidado para os canais Jovem Pan, Band News e Record News. Algumas de suas matérias e opiniões podem ser encontradas em publicações como: Folha de São Paulo, Valor Econômico, O Antagonista, Crusoé e Jornal GGN, no qual também escreve como colunista convidado.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Observatorio de Geopolitica

O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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