21 de maio de 2026

Acordo entre EUA e Rússia expira e elimina último freio nuclear global

Fim do pacto entre EUA e Rússia encerra seis décadas de limites verificáveis; ONU alerta para risco recorde de conflito
Reprodução

▸ O tratado Novo Start entre EUA e Rússia expirou, eliminando limites legais para arsenais nucleares estratégicos.

▸ Sem inspeções mútuas, cresce a opacidade e o risco de nova corrida armamentista entre as potências nucleares.

▸ Tentativas de renovação falharam; inclusão da China é exigida, alterando a dinâmica bipolar do controle nuclear.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Pela primeira vez em mais de meio século, as duas maiores potências nucleares do planeta não possuem mais amarras legais para expandir seus arsenais. À meia-noite desta quinta-feira (5), expirou o Novo Start, o último tratado de controle de armas estratégicas remanescente entre Estados Unidos e Rússia. O colapso do pacto marca o fim de uma era de transparência iniciada na Guerra Fria e lança a geopolítica em um território de incerteza absoluta.

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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, classificou o momento como “muito grave“, destacando que o desmonte ocorre no pior cenário possível. “Pela primeira vez em mais de meio século, enfrentamos um mundo sem quaisquer limites vinculativos para os arsenais nucleares estratégicos dos dois Estados que detêm a esmagadora maioria do estoque global”, afirmou.

O fim da vigilância mútua

Assinado em 2010 e estendido em 2021, o Novo Start limitava ambos os países a 1.550 ogivas nucleares estratégicas instaladas, armamentos de longo alcance capazes de destruir cidades inteiras e extinguir civilizações. Mais do que os números, o tratado impunha um regime rigoroso de inspeções presenciais e trocas de dados semestrais.

Com a expiração, cai a vigilância mútua. Sem as inspeções, Washington e Moscou perdem a capacidade de verificar se o adversário está respeitando os tetos de mísseis balísticos intercontinentais e bombardeiros. Para especialistas, a opacidade é o gatilho para uma nova corrida armamentista, já que a tendência de cada lado será assumir o pior cenário sobre o arsenal do oponente.

Impasse diplomático e o fator China

A morte do tratado foi precedida por um desgaste acelerado. Em 2023, Vladimir Putin suspendeu a participação russa em retaliação ao apoio ocidental à Ucrânia. No entanto, houve tentativas de última hora: em setembro passado, Moscou sugeriu uma prorrogação de um ano para negociar um novo pacto, mas a Casa Branca não respondeu.

Recentemente, a gestão de Donald Trump passou a condicionar novos acordos à inclusão da China. Embora o arsenal chinês seja uma fração do russo ou americano, Pequim é o país que mais investe no setor atualmente, o que altera a equação de forças que antes era puramente bipolar.

O colapso da dissuasão

A segurança global baseou-se, por décadas, na “destruição mútua assegurada“: a ideia de que ninguém atacaria primeiro se a retaliação fosse fatalmente garantida. O limite de ogivas servia para manter esse equilíbrio sem custos astronômicos. Agora, essa estabilidade é vista como ilusória.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou que esta é uma “nova realidade“. O ex-presidente Barack Obama, que articulou o pacto original, alertou que o vencimento “poderia desencadear outra corrida armamentista que tornaria o mundo menos seguro“.

Sem o Novo Start, o único documento em vigor é o Tratado de Proibição de Armas Nucleares dos anos 60, que, na prática, carece dos mecanismos de controle técnico que o Start oferecia.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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