6 de junho de 2026

Condenar Israel ou Hamas é inútil, o problema é europeu, diz Bassem Youssef

Para o humorista, o problema está na cegueira do Ocidente e no falso marketing de uma terra sem povo, que já era ocupada pelos palestinos

O humorista e cirurgião egípcio Bassem Youssef viralizou ao protagonizar mais um episódio em que nos faz refletir sobre o que acontece no Oriente Médio, e principalmente em Gaza. Em entrevista concedida ao apresentador britânico Piers Morgan, Youssef inicia a análise pontuando a inutilidade do debate centrado na condenação de Israel ou Hamas. 

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Segundo ele, mesmo que as condenações ocorram, isso não irá resolver o problema da guerra. “Condenar o Hamas ou Israel? Completamente inútil. Eu condeno o Hamas e você Israel, a entrevista acaba e o que acontece? Nada. É apenas um ponto de controle da moralidade”. 

A visão e o radicalismo do ocidente

O controle da moralidade a que Youssef se refere está no ciclo vicioso alimentado pelo radicalismo do ocidente, que enxerga apenas o que lhe convém, conforme a situação se agrava. É preciso olhar para a história e ver que “o problema não é um problema judeu, não é um problema do Oriente Médio, não é um problema árabe, é um problema europeu”. 

“O que é que o público ocidental vê? Vê pessoas regozijarem-se com a morte de civis em Israel. Foi isto que os árabes viram durante anos. Por exemplo, se procurarmos ‘Sderot Cinema’, isto foi em 2014, quando Israel esteve a bombardear Gaza como habitual, e os israelitas em Sderot, nos kibbutz ou nos Colonatos, foram para uma colina e tinham pipocas e bebidas para ver o espetáculo, e aplaudiam cada míssil que caía [em Gaza]”, argumenta.

Olhar para a história

Youssef pauta o século XIX, onde haviam os judeus orientais na Ucrânia e na Rússia, e os judeus ocidentais na Europa. À época, os judeus do leste tiveram de emigrar e foram expulsos. 

“E a certa altura, as pessoas no Ocidente, especialmente na Inglaterra [disseram] ‘temos demasiados judeus, precisamos de uma solução’. Uma solução para que? ‘Para o problema judaico’. Como se precisássemos nos livrar deles. E acabaram por dizer ‘muito bem, vamos para a Palestina’”, acrescenta.

Quando chegaram à Palestina, já em 1914, 700.000 pessoas viviam ali, 3% das quais eram judias. Youssef rememora a declaração do então ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur Balfour, que chamou o povo judeu na Inglaterra de raça estranha e hostil, em 1917. “O único membro do parlamento inglês que os designou como cidadãos britânicos foi o Lord Montagu”, aponta Youssef. 

“Então, empurraram-no [povo judeu], mas não estava a ir suficientemente depressa, e vieram os nazis, e, nessa altura, já não se tratava de uma solução. Era a última solução, a solução final de Hitler, porque precisava de uma resposta para a questão judaica, a ‘Judenfrage’. E depois como vêem, aconteceu o Holocausto. O genocídio mais orquestrado, industrializado e horrível dos nossos tempos moderno, morreram 6 milhões de judeus”.  

Assim que a situação se alarmou, relembra o entrevistado, os judeus deixaram o Leste Europeu e foram para a Europa Ocidental e América, depois de acusados, seguiram para a Palestina. Então, em 1948, mesmo antes da declaração de Israel, viviam ali 2 milhões de pessoas. “Apenas 30% deles eram judeus. Então toda a ideia de uma terra sem povo, um povo sem terra era marketing, já haviam os palestinos”, refuta Youssef.

“Bem, ponha-se do lado árabe, em 1948 constituíam 70% da população, e de repente, a ONU dá-vos 48% da terra. E esta é uma questão muito importante, porque na mente do público ocidental, eles sempre pensaram na resistência palestiniana, ou o lado palestino como militante, islâmico”. complementa.

Assista a entrevista completa pelo link abaixo: 

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    5 de novembro de 2023 7:32 am

    Israel cria e alimenta o Hamas e depois quer eliminá-lo? Não, o Medico Humoristas tem razão. Usrael quer se apoderar da Faixa de Gaza. O terror do Hamas é conveniente para os $ionistas

  2. Rui Ribeiro

    5 de novembro de 2023 7:42 am

    De fato, os Ocidentais vêem Negros, Orientais, Islâmicos e Ciganos como seres inferiores. Berlusconi disse: “We should be confident of the superiority of our civilization, which consists of a value system that has given people widespread prosperity in those countries that embrace it, and guarantees respect for human rights and religion. This respect certainly does not exist in Islamic countries”.
    Bob Marley cantou:

    Until the philosophy which hold one race
    Superior and another inferior
    Is finally and permanently
    discredited and abandoned
    Everywhere is war, me say war.

    That until there are no longer first class
    And second class citizens of any nation
    Until the color of a man’s skin
    Is of no more significance than the color of his eyes
    me say war.

    That until the basic human rights are equally
    Guaranteed to all, without regard to race
    Dis a war.

    That until that day
    The dream of lasting peace, world citizenship
    Rule of international morality
    Will remain in but a fleeting illusion
    To be pursued, but never attained
    Now everywhere is war, war.

    And until the ignoble and unhappy regimes
    That hold our brothers in Angola, in Mozambique,
    South africa sub-human bondage
    Have been toppled, utterly destroyed
    Well, everywhere is war, me say war.

    War in the east, war in the west
    War up north, war down south
    War, war, rumours of war.

    And until that day, the african continent
    Will not know peace, we africans will fight
    We find it necessary and we know we shall win
    As we are confident in the victory.

    Of good over evil,
    good over evil,
    good over evil, good over evil,
    good over evil

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