21 de maio de 2026

Impasse com Teerã expõe limites da pressão dos EUA no Oriente Médio

Governo Trump está sendo “humilhado” pelas autoridades do Irã na condução das negociações, segundo premiê da Alemanha
Friedrich Merz, primeiro-ministro da Alemanha. Foto: @CDU/Fotos Públicas

Negociações entre EUA e Irã fracassam em Islamabad, aumentando tensão e críticas à condução do governo Trump.
Irã propõe acordo limitado ao Estreito de Ormuz, com cobrança de taxas, rejeitado pela International Maritime Organization.
EUA mantêm pressão econômica, mas Irã resiste à crise e busca apoio da Rússia para enfrentar isolamento.

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As negociações entre Estados Unidos e Irã atravessam um momento delicado — e cada vez mais constrangedor para Washington. A avaliação mais dura veio de Friedrich Merz, que afirmou que os EUA estão sendo “humilhados” pela liderança iraniana, numa crítica direta à condução do governo de Donald Trump.

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“Os iranianos são obviamente muito habilidosos em negociar, ou melhor, muito habilidosos em não negociar, deixando os americanos irem a Islamabad e depois partirem sem nenhum resultado”, disse ele a estudantes durante seminário realizado em Marsberg.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a declaração de Merz sintetiza um impasse que vem se arrastando e que já começa a tensionar também a relação entre os Estados Unidos e seus aliados europeus.

Nos últimos dias, duas rodadas de negociação indireta realizadas em Islamabad fracassaram — uma delas liderada pelo vice-presidente JD Vance. Sem avanços concretos, Washington decidiu cancelar uma nova tentativa de diálogo, expondo a dificuldade de tirar o processo do lugar.

Na leitura de Merz, o problema não está apenas na falta de acordo, mas na forma como o Irã tem conduzido o jogo. Segundo ele, Teerã demonstra habilidade ao evitar compromissos reais enquanto mantém os americanos engajados em reuniões que não produzem resultados — uma estratégia que, na prática, inverte a lógica de pressão.

Esse movimento fica ainda mais claro na proposta mais recente apresentada pelo Irã. Em vez de avançar sobre os pontos como o programa nuclear, o desenvolvimento de mísseis ou o regime de sanções, Teerã sugeriu um acordo limitado ao Estreito de Ormuz.

A ideia seria reabrir a navegação, mas condicionada a um novo modelo: a cobrança de taxas das embarcações que cruzam a região, e o restante das questões ficaria para um segundo momento. A proposta foi rejeitada pela International Maritime Organization, que afirmou não haver base legal para esse tipo de cobrança em rotas internacionais.

Ainda assim, o gesto indica uma mudança relevante na estratégia iraniana: em vez de negociar tudo de uma vez, o país passa a fragmentar a pauta — e, com isso, ganha tempo e margem de manobra.

Do lado americano, a principal aposta continua sendo a pressão econômica. O bloqueio a portos iranianos tem agravado uma crise já profunda: a economia deve encolher mais de 6% neste ano, segundo projeções internacionais, enquanto a inflação se aproxima de 70%. O setor energético, pilar do país, também enfrenta dificuldades crescentes, inclusive para armazenar sua própria produção.

Porém, o erro de cálculo foi presumir que o custo econômico forçaria concessões rápidas. Para o regime iraniano, porém, a disputa é existencial — e, nesse contexto, o governo está disposto a absorver perdas significativas, mesmo que isso signifique transferir o peso da crise para a população.

Enquanto isso, o Irã busca alternativas para aliviar o isolamento. Em Moscou, o chanceler iraniano se reuniu com Vladimir Putin, que prometeu apoio e reforçou a cooperação entre os dois países.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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