10 de junho de 2026

Irã manterá estratégia de defesa até cessão completa dos ataques

Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã. Foto: IRNA

Irã formaliza resposta à ONU contra ataques aéreos dos EUA e Israel em cidades iranianas, incluindo Teerã.
Ministro Araghchi afirma direito de autodefesa do Irã até cessar agressão plena e inequívoca.
Irã considera bases dos agressores alvos legítimos e responsabiliza EUA e Israel por escalada na região.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O governo do Irã formalizou sua reação diplomática aos ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra cidades iranianas, incluindo Teerã.

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Em carta enviada ao secretário-geral da ONU e ao presidente do Conselho de Segurança, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que o país exercerá seu “direito inerente e legítimo de autodefesa” até que a agressão cesse “de forma plena e inequívoca”.

O documento representa a primeira resposta institucional iraniana no âmbito das Nações Unidas após a ofensiva militar.

Na carta divulgada pela IRNA, Teerã sustenta que os ataques violaram o Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

Em resposta, o governo iraniano afirma estar amparado pelo Artigo 51, que reconhece o direito inerente de legítima defesa em caso de ataque armado.

Segundo Araghchi:

  • As Forças Armadas iranianas utilizarão “todas as capacidades defensivas necessárias”;
  • Bases e ativos militares dos “agressores” na região passam a ser considerados “objetivos militares legítimos”;
  • Os EUA e Israel devem assumir responsabilidade por qualquer escalada decorrente da operação.

Veja abaixo a íntegra traduzida da carta encaminhada pelo governo iraniano à ONU

Em Nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso

Excelência,

Escrevo com profundo pesar para chamar urgentemente sua atenção, e a dos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para o ato manifesto de agressão e os ataques armados coordenados em larga escala perpetrados pelos Estados Unidos da América e pelo regime israelense contra a soberania e a integridade territorial da República Islâmica do Irã.

Hoje, 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e o regime israelense violaram flagrantemente a soberania nacional e a integridade territorial da República Islâmica do Irã ao lançarem ataques contra diversas instalações defensivas e locais civis em várias cidades de nosso país. Os bombardeios realizados pelos Estados Unidos e pelo regime israelense constituem uma clara violação do Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas e configuram uma agressão armada aberta contra a República Islâmica do Irã.

Em resposta a esse ato de agressão, a República Islâmica do Irã está exercendo seu direito inerente e legítimo de autodefesa, nos termos do Artigo 51 da Carta das Nações Unidas. As Forças Armadas da República Islâmica do Irã utilizarão todas as capacidades e meios defensivos necessários para enfrentar essa agressão criminosa e dissuadir atos hostis. Assim, todas as bases, instalações e ativos das forças hostis na região serão considerados objetivos militares legítimos no âmbito do exercício legítimo do direito de autodefesa do Irã. O Irã continuará a exercer seu direito de autodefesa de forma decisiva e sem hesitação até que a agressão cesse plena e inequivocamente.

Os Estados Unidos e o regime israelense deverão assumir total e direta responsabilidade por todas as consequências decorrentes, incluindo qualquer escalada resultante de suas ações ilegais. Diante das graves e amplas consequências dessa agressão armada para a paz e a segurança regional e internacional, a República Islâmica do Irã recorda a responsabilidade central das Nações Unidas — e, em particular, do Conselho de Segurança — de tomar medidas imediatas em resposta a essa violação da paz e da segurança internacionais causada pela flagrante agressão militar dos Estados Unidos e do regime israelense contra o Irã.

O Irã conclama o secretário-geral, o presidente do Conselho de Segurança e os membros do Conselho a cumprirem seus deveres sem demora. Nesse contexto, a República Islâmica do Irã solicita urgentemente que os membros do Conselho de Segurança convoquem, sem atraso, uma reunião de emergência do Conselho para tratar dos atos de agressão dos Estados Unidos e do regime israelense, da violação da paz que constitui uma ameaça real e grave à paz e à segurança internacionais, e para adotar as medidas necessárias e imediatas a fim de interromper esse uso ilegal da força e garantir a devida responsabilização.

A República Islâmica do Irã conclama todos os Estados-membros das Nações Unidas que possuem responsabilidade pela paz e segurança internacionais a condenarem de forma inequívoca esse ato de agressão e a adotarem medidas urgentes e coletivas para enfrentá-lo, pois ele representa, sem dúvida, uma ameaça sem precedentes à paz e à segurança regionais e globais.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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