O Irã perdeu parte do controle sobre o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo: análise publicada pela CNN norte-americana a partir de dados da empresa de inteligência marítima Kpler indicam que mais de 80% dos navios que atravessaram o estreito nas últimas duas semanas utilizaram a rota pelo lado de Omã, rejeitada por Teerã.
A mudança ocorre em meio à disputa entre Irã e Estados Unidos pelo controle do estreito. Enquanto o governo iraniano afirma que a passagem está sob seu controle e exige que embarcações utilizem uma rota ao norte, os EUA mantêm forças navais na região e oferecem proteção aos navios que seguem pelo corredor próximo à costa de Omã.
Em entrevista à CNN, o chefe de análise de petróleo bruto da Kpler, Homayoun Falakshahi, afirma que o movimento indica que o Irã “perdeu pelo menos parcialmente o controle” da passagem. A avaliação contrasta com a situação de um mês atrás, quando praticamente não havia tráfego pela rota omanense. (CNN)
Disputa pelo tráfego de petróleo
A mudança das rotas também reduz a capacidade de Teerã de cobrar tarifas das embarcações que atravessam o estreito. Segundo a CNN, a expiração nesta semana de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã permitiria, em tese, que o governo iraniano retomasse a cobrança, mas não há sinais de que isso esteja ocorrendo.
Países do Golfo também passaram a adotar estratégias para retirar petróleo da região sem expor os grandes navios-tanque aos ataques iranianos. Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos vêm utilizando grandes petroleiros para atravessar o estreito e transferir a carga para outras embarcações no Golfo de Omã. Alguns desses navios desligam os transponders para evitar serem rastreados – e a dificuldade de monitorar esse chamado “tráfego escuro” ajuda a explicar parte da divergência entre as estimativas.
O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou na segunda-feira (17) que os Estados Unidos possuem “controle total” do Estreito de Ormuz. A afirmação é contestada pelos próprios dados de navegação: o fluxo permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra e embarcações continuam sendo atacadas.
A disputa, portanto, não se resume a decidir se o estreito está sob controle iraniano ou americano. A realidade atual é mais ambígua. O Irã ainda consegue ameaçar embarcações e dificultar a navegação, enquanto a presença militar americana permite que parte dos navios ignore as exigências de Teerã.
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