A continuidade da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã levanta um ponto de alerta que ultrapassa o campo militar: a possível “kudlowização” das Forças Armadas norte-americanas — um processo de substituição de competência técnica por lealdade política e alinhamento ideológico.
Em artigo, o economista e Prêmio Nobel Paul Krugman afirma que a ofensiva norte-americana evidenciou falhas básicas de planejamento estratégico, como a ausência de um plano alternativo caso ataques iniciais não atingissem seus objetivos, um padrão já visto em outras áreas do governo de Donald Trump.
Porém, o ponto que mais chama a atenção não é apenas a estratégia política — e sim o desempenho do próprio aparato militar. Apesar da superioridade tecnológica dos Estados Unidos em guerras convencionais, o conflito atual expõe dificuldades diante de um novo tipo de enfrentamento, marcado pelo uso intensivo de drones e táticas assimétricas.
A incapacidade de responder de forma eficiente a essas ameaças, já observadas em conflitos recentes como a guerra na Ucrânia, sugere, na avaliação de Krugman, um grau preocupante de despreparo.
A partir desse cenário, o economista amplia sua crítica. Inspirando-se no termo “kudlowização” — referência ao comentarista econômico Larry Kudlow — Krugman descreve um processo que já teria ocorrido na política econômica dos Estados Unidos: a substituição de especialistas qualificados por figuras ideologicamente alinhadas, ainda que tecnicamente frágeis.
Krugman sugere que esse mesmo padrão pode estar se expandindo para o campo militar, o que pode comprometer a adaptação das Forças Armadas a um cenário de guerra cada vez mais tecnológico e descentralizado — em que conhecimento, estratégia e inovação são mais determinantes do que demonstrações de força bruta.
A preocupação, segundo ele, é que esse processo não seja recente, mas sim parte de uma transformação mais profunda dentro das instituições americanas, que já começaria a afetar inclusive o corpo profissional das Forças Armadas.
O resultado, conclui Krugman, é um cenário em que a maior potência militar do mundo pode estar perdendo sua capacidade de resposta não por falta de recursos, mas por uma erosão interna de competência.
Luiz Fernando Juncal Gomes
27 de março de 2026 5:34 pmPaul Krugman
Apenas 10 dias após a eleição do Pato Laranja, Krugman publicou coluna no NYT, reproduzida na Folha, antecipando tudo o que viria acontecer, e mais grave, chamou a atenção para a evidente senilidade, que só agora estão considerando.
Rui Ribeiro
27 de março de 2026 11:01 pmNada a ver. O problema poderia ser de incompetência em outros tempos mas agora o problema é a saturação de equipamentos e engenhos e guerra caríssimos por um enxame de drones baratinhos. Ainda que os galináceos metidos a falcões fossem competentes, nao seria diferente
Rui Ribeiro
28 de março de 2026 8:46 amTrumpstein vai derrotar os Iranianos como Pirro derrotou os Romanos. Vitória de Pirro