Em artigo neste domingo (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e o sequestro do presidente do país, ocorridos no início do mês. Para Lula, o episódio representa mais um sinal do enfraquecimento do direito internacional e da ordem multilateral construída após a Segunda Guerra Mundial.
O presidente afirmou que o uso recorrente da força por grandes potências mina a autoridade da ONU e ameaça a paz, a segurança e a estabilidade globais. Segundo ele, ações unilaterais não apenas violam normas internacionais, como também provocam instabilidade econômica, aumentam fluxos de refugiados e dificultam o combate ao crime organizado.
Lula destacou preocupação especial com o impacto dessas práticas na América Latina e no Caribe, região que, segundo ele, historicamente defende a igualdade soberana entre as nações, a autodeterminação dos povos e a rejeição ao uso da força. O presidente ressaltou que esta seria a primeira vez, em mais de dois séculos de independência, que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.
No texto, o chefe de Estado brasileiro defendeu que a América Latina e o Caribe, que somam mais de 660 milhões de habitantes, têm interesses próprios e não devem se submeter a projetos hegemônicos. Ele afirmou que, em um mundo multipolar, nenhum país pode ser questionado por buscar relações internacionais amplas e diversificadas.
O presidente também propôs uma agenda regional focada em cooperação e pragmatismo, com investimentos em infraestrutura, geração de empregos, ampliação do comércio e ações conjuntas contra a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e a mudança climática. Para Lula, a divisão do mundo em zonas de influência e práticas neocoloniais são ultrapassadas e prejudiciais.
Sobre a Venezuela, Lula afirmou que o futuro do país deve ser decidido pelos próprios venezuelanos, por meio de um processo político inclusivo. Ele destacou ainda a importância de uma solução que permita o retorno seguro de milhões de venezuelanos, muitos deles atualmente acolhidos no Brasil.
Por fim, o presidente disse que o Brasil mantém diálogo construtivo com os Estados Unidos e defendeu a cooperação entre as duas maiores democracias do continente em áreas como investimentos, comércio e combate ao crime organizado. Segundo Lula, apenas com esforços conjuntos será possível enfrentar os desafios de um hemisfério que, afirmou, “pertence a todos nós”.
Lula: Este hemisfério pertence a todos nós
Os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e o sequestro de seu presidente, em 3 de janeiro, representam mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
Ano após ano, as grandes potências têm intensificado ataques à autoridade das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança. Quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas. Se as normas são seguidas apenas de forma seletiva, instala-se a anomia, enfraquecendo não apenas Estados individuais, mas o sistema internacional como um todo. Sem regras coletivamente acordadas, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas.
Chefes de Estado ou de governo — de qualquer país — podem e devem ser responsabilizados por ações que minem a democracia e os direitos fundamentais. Nenhum líder detém o monopólio do sofrimento de seu povo. No entanto, não é legítimo que outro Estado arrogue para si o direito de fazer justiça. Ações unilaterais ameaçam a estabilidade mundial, desorganizam o comércio e os investimentos, ampliam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais.
É particularmente preocupante que esse tipo de prática esteja sendo imposto à América Latina e ao Caribe. Elas trazem violência e instabilidade a uma região que busca a paz por meio da igualdade soberana entre as nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos. Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora forças americanas já tenham intervindo anteriormente na região.
A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. Temos nossos próprios interesses e sonhos a defender. Em um mundo multipolar, nenhum país deve ter suas relações externas questionadas por buscar a universalidade. Não seremos subservientes a projetos hegemônicos. Construir uma região próspera, pacífica e plural é a única doutrina que nos serve.
Nossos países precisam se empenhar em uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas em favor de resultados pragmáticos. Queremos atrair investimentos em infraestrutura física e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e ampliar o comércio dentro da região e com países de fora dela. A cooperação é fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e a mudança climática.
A história mostra que o uso da força jamais nos aproximará desses objetivos. A divisão do mundo em zonas de influência e as incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos são práticas ultrapassadas e prejudiciais.
É crucial que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que sejam, essas potências não podem se apoiar apenas no medo e na coerção.
O futuro da Venezuela — assim como o de qualquer outro país — deve permanecer nas mãos de seu povo. Somente um processo político inclusivo, conduzido pelos venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável. Essa é uma condição essencial para que milhões de cidadãos venezuelanos, muitos dos quais estão temporariamente acolhidos no Brasil, possam retornar com segurança ao seu país. O Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo da Venezuela para proteger os mais de 2.100 quilômetros de fronteira que compartilhamos e para aprofundar nossa cooperação.
É nesse espírito que meu governo tem mantido um diálogo construtivo com os Estados Unidos. Somos as duas democracias mais populosas do continente americano. No Brasil, estamos convencidos de que unir esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir. Somente juntos poderemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós.
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Rui Ribeiro
20 de janeiro de 2026 7:37 amO Trump tá pavimentando o seu caminho para o seu inferno político-eleitoral. A maioria da população estadunidense é contrária à intervenção do Trump na Venezuela, pois ela sabe que quanto mais os EUA gastarem com guerras, mais recursos produtivos serão desviados para a destruição, piorando a vida da população. No seu primeiro mandato, ele acabou guerras, aliviando s situação da população estadunidense. Ele próprio afirma que não foi reeleito porque os Democratas fraudaram as eleições. No segundo mandato, ele disse que ia acabar com a guerra da Ucrânia, os Democratas foram contra essa promessa. Perderam. Mas tomando posse, ele apoiou o massacre dos Palestinos por U$rael. Sua popularidade tá baixa e tende a diminuir. Mas isso ainda não é nada em relação ao que vem pela frente: o Domo de Ouro.
Ele vai desviar recursos sociais para canalizar para a guerra. Em vez de tratores agrícolas, ele vai investir em tanques de guerra. A situação do país vai piorar e ele vai acabar impichado e preso. Isso não será tarefa difícil, pois ele tá envolvido até à medula nas pedofilias do Jeffrey Epstein. Ele é o cachorro que não late.