Como poucas vezes se viu num conflito no Oriente Médio, as principais capitais do mundo têm convivido com manifestações cada vez mais numerosas, e intensas, em defesa do povo da Palestina e de um cessar-fogo.
O curioso é que do Ocidente, com hegemonia política dos Estados Unidos e União Europeia, pró-Israel, partem os principais protestos vistos mundo afora de apoio à causa palestina. Em Washington e Berlim, forças policiais foram acionadas para reprimir os manifestantes. Na França, os protestos desafiam a proibição do governo de ir às ruas.
Mais de 60 policiais ficaram feridos e 174 pessoas foram presas em uma manifestação pró-Palestina na noite desta quarta-feira (18) em Berlim. Os agentes ficaram feridos pelo lançamento de pedras, “líquidos inflamáveis e atos de rebelião”, informou a instituição no X (antigo Twitter).
Desde que a guerra entre o Hamas e Israel começou, em 7 de outubro, tem havido numerosas manifestações de apoio aos palestinos, pontuadas por incidentes, nas principais cidades da Alemanha. Coquetéis molotov foram lançados em uma sinagoga em Berlim na noite de terça-feira (17), sem causar danos ou feridos.
O que remete a um temor de que a escalada pró-Palestina descambe para ações antissemitas. Na Alemanha, o chefe do governo alemão, Olaf Scholz, pediu nesta quinta-feira (19) às autoridades que evitem manifestações que possam degenerar em “slogans antissemitas”. No entanto, esta não é uma realidade aferível nas manifestações vistas pelo mundo.
Ao contrário, em muitas delas judeus e judeus israelenses têm participado se opondo às decisões do governo de Tel Aviv, defendo a solução de dois Estados e como também ocorre mesmo em Israel, com jornais criticando a reação do governo e delegando a ele a responsabilidade pelas mortes tanto de palestinos quanto de israelenses.
França e Genebra
Mesmo com a proibição do presidente francês Emmanuel Macron, as manifestações pró-palestina continuam a reunir multidões em todo o país. As manifestações foram convocadas em resposta à escalada da violência entre Israel e Palestina, sobretudo após um hospital ser bombardeado em Gaza.
As autoridades francesas haviam proibido as manifestações sob o pretexto de evitar confrontos entre grupos pró-palestina e pró-Israel. No entanto, as pessoas continuaram a sair às ruas para expressar sua solidariedade com o povo palestino e exigir um fim imediato à violência.
Conforme jornais franceses, a proibição demonstra ser ineficaz e sem sentido. A França tem uma grande comunidade de origem árabe e muçulmana, e muitos desses grupos têm sido ativos na organização de manifestações pró-palestina.
A proibição do governo francês gerou críticas de grupos de direitos humanos e organizações pró-palestina, que afirmam que a liberdade de expressão deve ser protegida em todas as circunstâncias.
Em Genebra, os manifestantes se concentraram na frente do edifício sede da Organização das Nações Unidas (ONU) e destacaram que Israel vem violando acordos internacionais nos últimos anos, o que abriu espaço para ações extremadas de grupos palestinos.
Washington e Nova York
Em Washington, capital dos Estados Unidos, uma manifestação pró-Palestina foi organizada por judeus norte-americanos nesta quarta-feira (18). Uma parte do grupo ocupou o Capitólio exigindo um cessar-fogo em Gaza.
Em simultâneo, centenas de pessoas juntaram-se no exterior do edifício carregando cartazes e entoando frases de apoio ao povo palestino. Pelo menos 300 pessoas foram detidas.
No último dia 13, milhares de manifestantes foram às ruas de Nova York, com concentração na Times Square, exigindo um cessar-fogo e com faixas e palavras de ordem contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Os manifestantes exigiam a independência da Palestina.
Reino Unido e Portugal
Protestos em apoio aos palestinos ocorreram no sábado (14) em todo o Reino Unido, inclusive nas maiores cidades do país, como Londres e Manchester.
Em Londres, milhares de pessoas reuniram-se em frente à sede da BBC e mais de 1.000 agentes policiais foram mobilizados.
A polícia alertou que qualquer pessoa que demonstre apoio ao Hamas, uma organização considerada “terrorista” pelo governo britânico, ou que se desvie da rota, poderá ser presa. A manifestação aconteceu uma semana depois que o Hamas lançou um ataque sem precedentes contra Israel.
Em Portugal, a segurança também foi reforçada após as manifestações no Porto acabarem com a sinagoga local sendo vandalizada com pichações que diziam “Libertem a Palestina” e “Acabem com o Apartheid de Israel”.
Início da ofensiva israelense
O ataque do grupo Hamas no início deste mês a um festival de música eletrônica, próximo à Faixa de Gaza, na região Sul de Israel, que matou e tornou refém centenas de israelenses, provocou uma reação considerada pelas Nações Unidas desproporcional das forças militares israelenses.
Usando o dispositivo do direito internacional de defesa a ataques, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu decidiu aumentar ainda mais a pressão que Tel Aviv habitualmente faz sobre os palestinos, com ocupações militares ilegais e avanço de projetos de colonização, cercou e vem ocupando a Faixa de Gaza com pesados bombardeios sobre a população civil.
O ataque do Hamas matou ao menos 1,3 mil israelenses e nas primeiras horas de revide de Israel, 1,9 mil palestinos foram mortos sob bombas lançadas em Gaza.
Ato contínuo, Tel Aviv deu um ultimato de 24 horas a 1 milhão de palestinos para que deixassem a região Norte da Faixa de Gaza dirigindo-se ao Sul. O prazo se esgotou e tampouco a população que se dirigiu ao Sul ficou livre dos bombardeios.
Na quinta-feira (12), o Hamas convocou os palestinos residentes na Cisjordânia para protestos em um “Dia da Raiva”. O grupo convocou as pessoas para protestarem na região de Jerusalém Oriental e na mesquita de al-Aqsa. O Fatah, partido que representa a Autoridade Palestina, expressou apoio à mobilização.
Com informações de O Globo, BBC, Vermelho e Agência Brasil
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