9 de outubro de 2026

Nobel da Paz reconhece Navi Pillay em defesa do direito internacional

Ex-chefe de direitos humanos da ONU é homenageada em meio a sanções dos EUA contra magistrados e ataques à Justiça global
Reprodução

▸ Jurista sul-africana Navi Pillay, ex-Alta Comissária da ONU, vence Nobel da Paz 2026, anuncia Comitê Norueguês.

▸ Prêmio destaca defesa do Estado de Direito e resposta a sanções dos EUA contra o Tribunal Penal Internacional.

▸ Pillay tem carreira ligada ao combate ao apartheid, crimes de guerra e atua na Corte Internacional de Justiça.

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A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, foi anunciada nesta sexta-feira (9) como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. A escolha da ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos representa um recado direto do Comitê Norueguês do Nobel às investidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o sistema multilateral e instâncias de justiça global.

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Em comunicado, os organizadores ressaltaram que a premiação busca reafirmar a relevância das saídas diplomáticas e jurídicas para o fim de conflitos geopolíticos. “Ao conceder o Prêmio Nobel da Paz deste ano, o Comitê Nobel Norueguês deseja lembrar ao mundo que o Estado de Direito – tanto nacional quanto internacional – sustenta o sistema que criamos para garantir a paz e resolver conflitos de forma não violenta. A paz exige justiça”, declarou a instituição sediada em Oslo, de acordo com informações do colunista Jamil Chade, no ICL Notícias.

Cerco à justiça internacional

A decisão ocorre em um momento de atrito direto entre a Casa Branca e os tribunais internacionais sediados em Haia, na Holanda. Nos últimos meses, o governo americano intensificou medidas coercitivas e sanções financeiras dirigidas a magistrados e funcionários do Tribunal Penal Internacional (TPI).

As sanções administrativas paralisaram o uso de cartões de crédito e contas bancárias de magistrados, além de restringir viagens e forçar o pagamento de salários em dinheiro vivo na sede das cortes. A justificativa do Comitê do Nobel destacou o desgaste gerado pela política externa de Trump, baseada na premissa da “paz pela força”, que abala pilares como a soberania territorial e a imunidade das instituições jurídicas.

“A história demonstrou que um mundo que opera sem o Estado de Direito é injusto, insensato e desumano. Os juízes – aqueles que guardam a tênue linha entre a ordem e o caos – são, portanto, muito merecedores de nosso reconhecimento. Mas hoje, quando esses mesmos juízes sofrem sanções e suas instituições são atacadas, precisamos de pessoas com coragem, visão e determinação – qualidades que Navi Pillay demonstra em sua atuação na magistratura”, anunciou o comitê.

Trajetória ligada ao combate ao apartheid e a crimes de guerra

Nascida em 1941 em um bairro de baixa renda em Durban, Pillay enfrentou a segregação racial do regime do apartheid na África do Sul antes de se consolidar como advogada e defensora dos direitos civis de opositores do regime, incluindo Nelson Mandela.

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR), onde estabeleceu precedentes históricos ao enquadrar a violência sexual e o estupro em massa como crimes contra a humanidade e componentes de genocídio. Ela também integrou o TPI e atuou como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.

Atualmente, Pillay ocupa uma das cadeiras de juíza na Corte Internacional de Justiça (CIJ), tribunal encarregado de julgar a acusação de genocídio apresentada contra o governo de Mianmar. Em 2025, a jurista presidiu a Comissão Internacional de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, relatório que concluiu pela prática de atos de genocídio cometidos por Israel na Faixa de Gaza.

Em Genebra, o escritório de direitos humanos da ONU comemorou o anúncio. “O fato de a Comissão do Prêmio Nobel ter decidido conceder o prêmio a Navi Pillay é uma vitória coletiva para os direitos humanos, mas também para a busca por justiça e responsabilização neste mundo”, afirmou Volker Türk, chefe do organismo da ONU.

Além do reconhecimento global, a vencedora receberá a quantia de 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões). O Nobel da Paz é o quinto prêmio anunciado pela Fundação Nobel nesta semana, que será encerrada na próxima segunda-feira com a divulgação da categoria de Ciências Econômicas.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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