Os erros de Bolsonaro nas relações bilaterais com Trump: seduzido e abandonado

Os esforços de Jair Bolsonaro de se aproximar de Trump foram unilaterais de benefício único aos EUA. Interesse estratégico por reeleição de Macri na Argentina faz Trump não cumprir promessa sobre o Brasil na OCDE

Foto: Alan Santos/PR

Jornal GGN – A recusa dos Estados Unidos em apoiar a entrada do Brasil na OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico), contrariando a promessa de Donald Trump a Jair Bolsonaro, gerou ampla repercussão nesta quinta-feira (10). Por parte dos apoiadores do mandatário brasileiro, o gesto dos EUA está sendo justificado não como uma negativa, mas como um apoio que ocorrerá no futuro. O Brasil, por outro lado, está nesta “fila de espera” desde maio de 2017.

Os esforços de Jair Bolsonaro de se aproximar dos Estados Unidos, oferecendo ao país diversos benefícios, entre eles o acesso ao país à plataforma de Alcântara, viagens sem visto para turistas americanos, amplo apoio e cooperação contra a Venezuela de Nicolas Maduro, foram vistos como gestos unilaterais de benefício único aos EUA, após o secretário de governo norte-americano Michael Pompeo informar que o Brasil não será o escolhido pelos EUA para ingressar no seleto grupo de países da OCDE.

Isso porque a promessa de Donald Trump, que vem sendo feita publicamente há alguns meses, de apoiar o Brasil no grupo econômico foi desfeita. Conforme o GGN informou [leia aqui], o jornal norte-americano Bloomberg obteve acesso a uma carta de Pompeo ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, datada do último 28 de agosto, em que anuncia a escolha dos Estados Unidos pela Argentina. A Romênia também está na lista dos preferidos para a OCDE, mas por parte das indicações do bloco europeu.

A troca do Brasil pela Argentina na preferência do governo Trump se dá em momento de interesse estratégico. Isso porque o presidente estadunidense tem essa indicação como uma carta de estímulo para que o atual líder argentino, Maurício Macri, adquira confiança popular de seu país para as eleições que se aproximam. Macri tem esperanças de se reeleger, apesar da ampla desaprovação dos argentinos contra ele e de já ter perdido nas votações primárias que ocorreram há três meses.

Somente agora os apoiadores de Jair Bolsonaro interpretam o gesto não como necessariamente um revés contra o Brasil na aproximação com os EUA, e sim como uma promessa que poderá ser cumprida posteriormente. Apesar das faltas de garantias nesse sentido, de que o Brasil será o próximo defendido pela potência norte-americana, Bolsonaro e o próprio Trump estampavam publicamente desde o início do ano que a defesa pelo Brasil na OCDE já era uma certeza.

Mesmo entre os analistas econômicos pró-abertura comercial, a atuação de Jair Bolsonaro não tem sido a adequada nas relações comerciais com os Estados Unidos. Para o consultor econômico Carlo Barbieri, presidente da consultoria brasileira nos EUA Oxford, é hora de Bolsonaro atuar para obter proveitos nessa relação bilateral.

Lembrando que o mandatário já havia cedido em suas promessas, como a base aérea de Alcântara, no Maranhão, para a exploração dos norte-americanos, o Brasil precisaria exigir contrapartidas mais claras dos Estados Unidos, evitando correr o risco que obteve agora com a prioridade dada à Argentina.

“Numa relação comercial existem muitos fatores que precisam ser considerados. Politicamente o Brasil precisa urgentemente se preparar para tirar vantagem da guerra comercial da China com os EUA e não perder esse momento tão único para nosso país”, afirmou.

 

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