A crise política no Paraguai se aprofundou depois de o Senado rejeitar, por 24 votos a 20, a renúncia apresentada pelo presidente Santiago Peña. A tentativa de concluir a votação no Congresso acabou frustrada pela falta de quórum, depois que parlamentares governistas deixaram a sessão. Com isso, o processo de impeachment contra o mandatário continua no centro da disputa política.
Peña anunciou sua saída da Presidência em meio à crise provocada pela intervenção do Ueno Bank, instituição financeira que recebeu recursos de órgãos públicos durante seu governo e cuja situação de insolvência deixou milhões de clientes sem acesso às contas. Horas antes, a Câmara dos Deputados havia aprovado por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de julgamento político contra o presidente.
A tentativa de validar a renúncia encontrou resistência de parlamentares da oposição e de setores dissidentes do próprio Partido Colorado, legenda de Peña. A estratégia governista de esvaziar a sessão, diante da falta de votos para aprovar a saída do presidente, acabou impedindo a conclusão da votação no Congresso.
A disputa tem como um de seus pontos centrais as consequências jurídicas da renúncia. Caso seja aceita, Peña poderá assumir uma cadeira vitalícia no Senado, condição que lhe asseguraria prerrogativas parlamentares. A continuidade do impeachment, por outro lado, mantém aberta a possibilidade de afastamento formal e de discussão sobre a perda dessas proteções.
Crise do Ueno Bank amplia pressão sobre o governo
A crise política teve origem na intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que chegou a reunir aproximadamente 2,9 milhões de clientes em um país com pouco mais de 6 milhões de habitantes.
O banco enfrentou problemas graves de solvência, levando as autoridades a iniciar seu processo de resolução. A instituição também administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos, incluindo depósitos de órgãos estatais e fundos ligados à previdência.
A oposição questiona a relação anterior de Peña com o Grupo Vázquez, conglomerado empresarial proprietário do banco. O presidente manteve participação empresarial ligada ao grupo antes de chegar ao poder, mas afirma que encerrou seus vínculos em março de 2025 e nega envolvimento direto nas irregularidades investigadas.
A crise também levou à abertura de investigações criminais sobre a gestão da instituição financeira, a fiscalização regulatória e a movimentação de recursos públicos. Autoridades paraguaias apuram possíveis irregularidades envolvendo antigos dirigentes do banco e outros integrantes do grupo econômico.
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